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Coluna: Final Fantasy VIII Remastered pode fazer escola em remasterizações

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Quando Final Fantasy VIII Remastered apareceu na conferência da Square na E3 2019, muitos fãs comemoram o anúncio tardio do game, que foi o que mais demorou a aparecer. Entretanto, o que pouca gente reparou, já que a nossa memória de tempos de PS1 é nebulosa, é que essa remasterização pode ser um marco para fazer escola em como retrabalhar um game antigo na atualidade.

Você pode ter sido enganado pelo seu cérebro e pensar: “legal, uma forma mais bonita de rejogar o mesmo game de PS1 com um upscaling bacana”. Ironicamente, ele foi o game da franquia que mais teve atraso para sair porque a Square perdeu os materiais originais, que justamente o motivo para ele ter o melhor retrabalho da série.

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Modelos muitas vezes melhores

Sim, a nossa percepção nostálgica pode enganar, mas Final Fantasy VIII Remastered está muito melhor do que no passado. Todos os modelos 3D dos personagens foram melhorados e mais parecem retirados da era PS2 do que dos originais do PS1 (ou até mesmo PC, que tinha qualidade acima dos consoles).

O trailer de anúncio foi muito breve e ainda é difícil saber se todo o escopo do game será tratado da mesma forma. Contudo, a amostra é clara: todos os rostos foram melhorados, as texturas dos heróis aprimoradas e há uma qualidade muito maior no geral, com você pode ver abaixo.

É perceptível como Squall, Rinoa, Zell, Selphie, Quistis e Irvine tiveram melhorias significativas. Até em relação à versão de PC, que faz a renderização dos modelos em resoluções bem maiores, é fácil notar o retrabalho. Mas por que isso aconteceu especificamente desta vez?

Como citado no começo da matéria, a Square alegou que Final Fantasy VIII não havia ganhado uma versão remasterizada até hoje por conta da perda dos materiais originais. Nos anos 90, muitas companhias (incluindo a Square Enix) despejavam os arquivos-fonte dos jogos depois do término do projeto para livrar os HDs da época do espaço utilizado.

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Isso acarretou muitas dificuldades para reviver obras retrô. O próprio Final Fantasy VII, o primeiro a receber o tratamento de alta qualidade, teve que utilizar materiais da versão ocidental de computador, feito pela Eidos na época. Como os ports tinham inconsistências, correções e mudanças, até hoje o remaster é diferente da versão de PS1 (mesmo que ambas as publicações sejam ocidentais).

E o que fazer na falta de material? Recomeçar. Com uma virada sarcástica do destino, o principal motivo para o oitavo game de a série demorar a vir para a atual geração também é o mesmo que fez com que os modelos fossem atualizados. É fácil detectar que as roupas foram alteradas, os cabelos foram refeitos do zero, as texturas são bem diferentes (e com muito mais detalhes) e há até mesmo alteração de cores (Rinoa teve o modelo de batalha alterado para corrigir as cores da blusa, que deveriam ser mais claras).

Como é atualmente?

O processo de remasterização da Square Enix tem sido padrão. Muitos dos jogos atuais foram portados para o mobile, pegando os arquivos de maior resolução e aproveitando o poder de fogo dos PCs, smartphones e eventualmente consoles para processar os modelos em escalas maiores, dando um toque mais “premium”.

As exceções são poucas. Final Fantasy X/X-2 HD Remaster, por exemplo, viu em 2013 um update de alguns modelos de personagens, removendo algumas expressões esquisitas. Como a mudança foi mais estética do que um aprimoramento, alguns fãs até viraram a cara para as alterações.

Já Final Fantasy XII: The Zodiac Age foi além: além de usar a versão International como base, que nunca saiu do Japão e tinha grandes mudanças mecânicas, a Square Enix melhorou, adicionou e mexeu no conteúdo do game, removendo problemas e dando ainda mais opções ao jogador – as edições de Switch e Xbox One chegaram a realizar ainda mais melhorias.

Contudo, o resumo da ópera é que o maior trabalho se encontra no upscaling dos materiais originais, oferecendo quase a mesma experiência do passado. Com Final Fantasy VIII Remastered (que ganhou até o subtítulo, que pode ser um sinal dos ventos da mudança), o cenário pode mudar.

Podemos esperar mais melhorias, mas e os milagres?

O primeiro passo claramente foi dado. Mexer de forma drástica – pra melhor – no game é um ponto a se considerar e gerar esperanças em remasterizações melhores da era PS1. Contudo, ainda falta o segundo passo, algo que os fãs têm clamado e ainda não viram resultados: melhorar todas as texturas do game.

Contudo, a pergunta é: como? Afinal, o material original está perdido e refazer cada textura de um jogo extenso e ainda cobrar “barato” por isso não é algo exatamente lucrativo. Entretanto, alguns modders encontraram recentemente a solução mágica que soluciona o quebra-cabeça aparentemente sem solução.

Inteligência artificial. Pode parecer uma sugestão Deus ex machina simples para um enredo fantasioso, mas ela é real e já mostrou seu valor. Há um certo tempo, modders vêm usando o ERSGAN (Enhanced Super-Resolution Generative Adversarial Networks), uma ferramenta de código aberto para qualquer um testar, para fazer o upscaling neural de diversas imagens – no caso, texturas de jogos antigos.

O uso do ERSGAN já se provou como uma ótima solução: Doom, The Elder Scrolls: Morrowind, Metal Gear Solid: The Twin Snakes, Final Fantasy VII, Resident Evil 2 e muitos outros jogos tiveram um tratamento de primeira na mão dos fãs. O resultado é, em grande maioria, excelente, mas há inconsistências que precisariam ser corrigidas manualmente.

Em suma, o ERSGAN consegue fazer uma varredura neural nos detalhes da imagem e preencher as lacunas com as cores certas ao fazer o upscaling para resoluções maiores. Mesmo não sendo uma tecnologia fechada, a Square Enix já foi cobrada para fazer algo parecido (ou conciliar seus trabalhos com os criadores da ferramenta).

Com a expertise para melhorar seus próprios modelos, a facilidade de automatizar as melhorias e de texturas e uma equipe para corrigir pequenos problemas nas imagens melhoradas. Isso tudo, claro, ainda é um sonho. Entretanto, a Square já disse em entrevistas durante a E3 2019 que tem o intuito de reviver toda a sua biblioteca retrô, seja para um serviço de assinatura, em um serviço de streaming ou até relançar os games no modelo atual. Entretanto, pelo material revelado até agora, o oitavo game ainda terá texturas borradas em todo mundo aberto.

Esse certamente seria o próximo grande passo para vermos os clássicos títulos de PS1 de volta em toda a sua glória. Por ora, é um desejo. Com Final Fantasy VIII Remastered ganhando mais atenção, mesmo que por uma coincidência do destino, ele pode tornar os sonhos da geração nostálgica um pouco mais concretos. Agora, a pergunta que fica é: será que a Square vai usar isso em FF8 ou em algum projeto futuro?

Final Fantasy VIII Remastered chegará ainda em 2019 para PS4, Xbox One, Nintendo Switch e PC.

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