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Coluna: está na hora de a Nintendo se focar no Switch e abandonar o 3DS

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Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do Voxel sobre o assunto.

E3 2018 está há um pouco mais de um mês de distância de nós e os rumores já começaram. A Nintendo, obviamente, é uma das empresas que os fãs esperam bastante material novo, já que o segundo ano do Switch já está em vigência e muitos querem ver quais são as cartas da manga da Big N para manter a popularidade do console.

Pokémon de Switch, novo Fire Emblem de Switch, Metroid Prime 4 de Switch e muitos outros. Switch, Switch, Switch. A bola da vez é o Switch e disso ninguém duvida. Mas pode apostar: o Nintendo Direct vai chegar, lá no dia 12 de junho, e veremos uma boa parte da apresentação dedicada ao 3DS, mostrando alguns mini games e outros títulos menores. E, para piorar, alguns jogos que poderiam sair no Switch sendo anunciados para o antigo portátil, e isso pode ser ruim.

Por que é ruim separar a base dos video games?

No último Nintendo Direct, vimos o remake de Luigi’s Mansion sendo anunciado para o 3DS. Sim, nada de Switch. E qual é o problema disso? Até pouco tempo, nenhum, mas agora existe um. A Big N sempre teve uma linha bem forte que separava sua divisão doméstica de sua divisão portátil. O Wii U era uma coisa e o 3DS outra. O Wii era um console e o Nintendo DS um portátil. Mas essa linha não existe mais com o Switch.

A Nintendo vinha há um bom tempo apostado na retrocompatibilidade: o Game Boy Advance rodava games de Game Boy Color; Nintendo DS teve uma versão que aceitava cartuchos de Game Boy Advance; o Wii foi retrocompatível e até aceitava controles de GameCube; o 3DS roda games de DS sem problemas; o Wii U teve alguns games de Wii na eShop. Tudo isso combinado com o Virtual Console sempre criou plataformas que garantiam os games antigos. Sem Virtual Console no Switch, isso fica ainda mais esquisito.

3DS

Mas agora que não há mais uma divisão: desde 2013 não existem equipes separadas para mobile e consoles dentro da Nintendo, e agora o Switch é um portátil também. Pela primeira vez em muito, muito tempo, a estratégia de dois produtos da Nintendo não existe mais – ou pelo menos está bem mesclada a ponto de criar confusão.

A divisão entre console de mesa e portátil não existe mais: há uma certa redundância atualmente na Nintendo

Portanto, quando Luigi’s Mansion Remake é anunciado para 3DS, uma parcela de jogadores do Switch (e possíveis novos compradores) ficarão sem um grande jogo na biblioteca. Sem retrocompatibilidade e sem um desenvolvimento cross-gen, há muitos games grandes ficando de fora da nova plataforma. Respondendo à pergunta "por que é ruim dividir a base": o público é o mesmo, mas há um produto antigo que recebe jogos que o novo não recebe.

O maior problema é que não há justificativas para dividir as bases de jogos atualmente, já que ambos dividem a mesma ideia. A proposta de ter um produto para a casa e outro para levar a rua sempre funcionou muito bem para a Nintendo, mas seja do ponto de vista do mercado ou de design de jogos, o 3DS e o Switch são iguais. Mas por que a Nintendo ainda separa os dois?

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A resposta mais óbvia é que o Nintendo 3DS ainda é uma mina de ouro para a companhia. A base instalada do portátil é gigantesca e o custo de produção é menor: é fácil lucrar com o 3DS. Porém, o Switch também tem seu potencial e ele não deveria ficar de fora das novidades para dar espaço ao portátil mais velho, principalmente se considerarmos que um não é tão mais caro que o outro para o consumidor.

A Nintendo não precisa matar o 3DS de vez

Não, a Nintendo não precisa matar e enterrar o 3DS de uma só vez. Alguns veículos já tiveram argumentos mais radicais: uns dizem que o Nintendo 3DS precisa morrer e outros consideram que ele morrerá eventualmente. A Big N diz e faz o contrário: já afirmou publicamente que o 3DS ainda ficará conosco por mais um bom tempo e continuará dando bastante atenção ao vídeo game em suas Directs.

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A solução não precisa ser radical. Da mesma forma que outras marcas fazem quando trocam de geração, a transição pode ser suave, com jogos se tornando cross-gen e, eventualmente, deixando o Nintendo 3DS de lado. Em outras palavras: o 3DS não precisa ficar sem Luigi’s Mansion Remake ou sem Metroid: Samus Returns, mas o Switch também não deveria ter ficado sem esses games.

Com o segundo ano do Switch em vigência, já está na hora de a Big N pensar nessa transição. Em breve, podemos ver a empresa pensando em diminuir o preço do Switch ou até mesmo lançar uma versão menor, que contemple quem busca um 3DS atualmente. Hoje, existe apenas um modelo do 3DS, o News 3DS, que custa US$ 200 (o Switch custa US$ 300); a maior aposta para vendas da plataforma está no 2DS, que custa US$ 80 em sua versão mais simples. Se o valor do Switch diminuir, a era do novo console chegará de vez.

Muitos dos games que saem para o 3DS poderiam ser cross-gen

Porém, se esses planos de focar o Switch vai acontecer ou não, só saberemos com base no que for apresentado na E3 2018. Caso não ocorra, veremos que pelo segundo ano consecutivo a Nintendo estará apostando na estratégia de dois produtos – e que veremos essa situação se repetindo por mais um tempo considerável. Mas isso não deveria ser uma preocupação.

Faz deixar o 3DS de lado no mercado? Sim!

Teoricamente, o maior problema em matar o 3DS (ou abandoná-lo) é deixar uma base bem grande para trás. A ideia de sair desse modelo pode parecer ruim, já que ele foi um pilar econômico muito forte para Nintendo. Se lembrarmos da era Wii e DS, ambos venderam muito bem, dando o “dobro” de lucro para a Big N – que já tinha o Wii a seu favor.

AVendas dos video games da Nintendo em sua estratégia de dois produtos

Ter um produto que unifica essas duas ramificações pode ser um canibalismo, e isso não é necessariamente um problema (a própria Apple já disse uma vez que canibalizar o seu produto é melhor do que deixar alguma outra empresa fazer por você). Talvez, o empecilho seja justamente o contrário: dar uma sobrevida desnecessária ao 3DS. Nada em curto prazo, claro, mas talvez não seja saudável ter o 3DS firme e forte daqui 2 ou 3 anos.

Além disso, não é como se a companhia não tivesse mais de uma vertente caso o 3DS ficasse de lado. A Nintendo dispõe atualmente de duas outras bases que não existiam na geração passada: o mobile e a sua nova empreitada, os consoles minis retrô. A empresa tem tido resultados ótimos com os games para celular e a busca pelos novos produtos mini também estão muito em alta.

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Mesmo se deixarmos de lado essas novidades, o Switch é a prova viva de que a Big N está na direção certa. Desde que o console chegou ao mercado, as ações da Nintendo sem mantêm em alta frequentemente (no lançamento do novo portátil, as ações chegaram a subir 65%, um número muito alto).

Se mudar a estratégia de dois produtos, um caseiro e um portátil, fosse ruim, as ações da Nintendo não estariam tão bem quanto estão

O Switch por si só já não precisa provar o seu valor. A Nintendo revelou recentemente que o console já alcançou a marca de 17 milhões de unidades vendidas, Zelda foi um sucesso absoluto, Super Mario Odyssey está presente em mais de metade dos video games vendidos. Tudo isso no primeiro ano de vida.

Se o 3DS ficou ali, quietinho e sendo mantido em banho maria, com promessas de que ainda teria suporte, pode ser que tenha sido para servir de suporte caso as coisas dessem errado. Esse cenário não existe mais. Como aponta um investidor da Nintendo (que investe desde 2013 na companhia) a um artigo do Bloomberg, é uma boa ideia que o aparelho seja um híbrido e as coisas estão muito boas para a companhia.

A mudança de estratégia, que unifica duas plataformas em uma só, poderia implicar em uma receita bem menor, mas não é o caso. Eventualmente, o Switch pode ganhar por volume (não tanto quanto um DS combinado com o Wii) e a empresa tem respaldo em outras áreas, como disse anteriormente: o setor mobile e os demais produtos estão muito bem na indústria e isso anima os investidores.

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A Nintendo atualmente já atende todos seus públicos, seja o gamer retrô, o gamer consolista o gamer de smartphones ou o gamer que prefere portáteis. Com o tempo, matar o Nintendo 3DS só vai ser um benefício para concentrar as mesmas ideias em uma só plataforma, algo que deve começar a acontecer quando o Switch receber sua primeira queda de preço.

Não há problemas o Switch não vender tanto quanto o combo Wii + DS: a Nintendo tem respaldo na área mobile e em outros produtos

O Nintendo 3DS continuará existindo e boa parte da biblioteca dele - que ainda vende muito - é composta por games mais antigos, como Mario Kart 7. Certamente, o portátil guerreiro da Big N não estará desatendido.

A decisão de colocar o 3DS de lado não precisa ser imediata. Ainda há alguns fatores que podem dar uma sobrevida extra ao portátil, mas certamente já chegou a hora de preparar terreno e concentrar esforços no Switch, encerrando essa divisão de base que, basicamente, atende ao mesmo público. Se isso vai acontecer, só a E3 2018 nos dirá.

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