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Cultura: a influência dos video games em outras áreas do entretenimento

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Fonte: Reprodução/ Folha de Campo Grande

Reacendida recentemente pela declaração da Ministra da Cultura Marta Suplicy de que os video games não são cultura, a discussão sobre jogos digitais poderem ser considerados produtos culturais ou não já é bastante antiga. Polêmicas à parte, é fato que há anos os games influenciam a criação de novidades nos mais variados meios de expressão.

Seja na música, quadrinhos, cinema, televisão, literatura ou outras formas de arte, os video games possuem representatividade e atraem multidões de consumidores, estudiosos e fãs. Exemplos de como os jogos têm se manifestado na cultura ao longo dos anos não faltam, tanto bons quanto ruins.

Sons que transcendem fronteiras

Cativados pelas melodias dos jogos, os fãs das trilhas sonoras dos games desenvolveram uma verdadeira subcultura musical em que retrabalham os temas dos jogos de várias formas. Os métodos vão desde a emulação de sons da era dos 8 bits, nos chamados chiptunes, até a adaptação para outros estilos por meio de performances humanas.

Um dos exemplos de sucesso é a banda americana The Protomen, que ficou famosa por suas apresentações de Ópera Rock baseadas na série Mega Man. Do outro lado do mundo, no Japão, o renomado compositor da série Final Fantasy, Nobuo Uematsu, formou a banda de metal progressivo The Black Mages, gravando versões em rock de suas criações para a franquia.

Na internet, exemplos interessantes não faltam. É o caso de Smooth Mcgroove, famoso por seu canal no YouTube, no qual posta clássicos dos video games gravados apenas com vocais. No vídeo acima, você pode conferir sua impressionante versão do tema de batalha de Final Fantasy VII.

Musicalidade tupiniquim

O Brasil também possui seus representantes de sucesso no gênero das músicas inspiradas em trilhas de jogos. Entre a grande lista de bandas nacionais da área, podemos destacar grupos como os paulistas do Smash Bros e a Rockband X, de Brasília.

O VGL reuniu apresentações de grupos inspirados nos jogosFonte: Reprodução/Internerdz

Apresentações musicais do gênero são mais comuns em convenções voltadas aos fãs de animes e mangás, mas também já chegaram a ter palco no Campus Party e a motivar eventos anuais próprios, como o Video Games Metal e o Video Games Live.

Telões e telinhas

Ainda que sejam criticados pelos fãs mais ardorosos dos jogos por conta das divergências com as histórias originais, os filmes baseados em games costumam arrastar multidões para as salas dos cinemas. Franquias como Tomb Raider e Resident Evil se tornaram verdadeiros blockbusters, ganhando sequências que arrecadaram milhões de dólares nas bilheterias.

Angelina Jolie na adaptação de sucesso da franquia Tomb RaiderFonte: Reprodução/Fanpop

Mas nem tudo dá certo quando o assunto são games no cinema. Longas de franquias famosas amargaram prejuízos com baixas bilheterias e desagradaram muitos fãs. Nem o sucesso absoluto nos jogos eletrônicos garantiu a sobrevivência do filme “Super Mario Bros”, que decepcionou público e crítica e se tornou um ícone dos riscos desse tipo de obra cinematográfica. Outros exemplos de fracassos nas vendas de ingressos foram “Double Dragon”, “Doom – A Porta do inferno” e “Terror em Silent Hill – Revelação”.

A televisão também não ficou imune às adaptações de video games, sejam em programas apresentados por atores reais ou em desenhos animados. Já no final da década de 80 as TVs americanas exibiam programas como “The Super Mario Bros Super Show”, estrelado por Lou Albano e Danny Wells. Animações como “Onde está Carmen Sandiego?” e “Mega Man” se tornaram ícones de nostalgia até mesmo no Brasil.

Além de adaptações diretas, há ainda exemplos de produtos que se inspiraram no mundo dos games de forma geral. No cinema, podemos citar o longa de animação “Detona Ralph”, e nas televisões o seriado “Capitão N: O Mestre dos Jogos”, entre outros. No vídeo cima, você pode ver o primeiro episódio de um seriado feito para a web chamado “Video Game High School”, que mostra um mundo em que os gamers são tratados como estrelas do esporte.

Imprimindo dinheiro

As mídias impressas também entraram em contato direto com o mundo dos jogos. Convertida em uma série de romances, a franquia Assassin’s Creed alcançou grande sucesso. No Brasil, particularmente, os livros baseados nas histórias dos assassinos apareceram diversas vezes nas listas de best-sellers.

Mesmo jogos exclusivos para os consoles da Sony e da Microsoft viraram romances. Tanto a franquia para Xbox Halo quanto a série Uncharted, do Playstation, ganharam histórias inéditas nos impressos, expandido seus universos originais.

As adaptações também atingiram os quadrinhos, com o surgimento de versões em mangá de clássicos dos games, como The Legend of Zelda e Kingdom Hearts, ou ainda em HQs no estilo ocidental, como foi o caso de Diablo 3 e God of War, entre outros.

Scott deve enfrentar sete ex-namorados malignos para ficar com RamonaFonte: Site Oficial Scott Pilgrim

Assim como nos meios eletrônicos, os quadrinhos também tiveram produtos inspirados pelo universo dos jogos de forma geral. Criado originalmente como uma série de HQs, com inúmeras referências ao mundo dos video games, Scott Pilgrim acumulou tantos fãs que ganhou uma versão para o cinema – e até mesmo seu próprio game.

Lugar de arte é no museu?

Março deste ano foi um mês difícil para quem defende que video game não é cultura. Foi nesse período que o Museu de Arte Moderna de Nova York incluiu 14 jogos eletrônicos à coleção permanente de sua área de design. Entre os títulos estão clássicos como Pac-Man, Tetris e The Sims.

Na mesma época, o aclamado Journey recebeu uma série de prêmios da British Academy of Film and Television Arts, entidade que avalia trabalhos de excelência em mídias audiovisuais. Em São Paulo, a sede da Fiesp na Avenida Paulista recebeu a exposição “Play!”, que expunha obras interativas sobre video games na fachada do prédio.

Exposição sobre games na sede da Fiesp.Fonte: Reprodução/G1

Já no mês de abril, o Centro Cultural Oi Futuro, no Rio de Janeiro, recebeu a terceira edição do Festival de Linguagem Eletrônica (File-Games). O evento teve como objetivo mostrar a mudança nos jogos, que passam a se preocupar cada vez mais com seu design, com o desenvolvimento de sua narrativa poética e a transmissão de mensagens para o jogador.

E você, que produto derivado dos games mais te marcou? E qual você acha que definitivamente precisa ser criado? Deixe sua opinião nos comentários. 

Fonte: Correio Brasiliense, G1, Vírgula.

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