A torcida já se organizava na arquibancada, esperando ansiosamente para a grande final tomar conta do Ginásio do Ibirapuera. A plateia, em sua maioria composta por jovens, cria um coro alvoroçado na espera do seu próprio show esportivo.

As luzes se apagam. Aos poucos, dez competidores assumem os seus postos para a decisão. Eles estão prontos para definir a competição de video game mais famoso do Brasil, o Campeonato Brasileiro de League of Legends.

O ambiente aponta para uma verdadeira festa esportiva. Torcidas levantam cartazes do seu time do coração enquanto narradores acompanham os movimentos calculados de cada jogador profissional na grande tela. Os cinco jogadores estão sozinhos em lados opostos do palco, prontos para concluir semanas de trabalho e treino em alguns minutos na frente do computador.

As competições de jogos eletrônicos — chamados de eSports, do inglês “electronic sports” — impressionam e incomodam pela sua própria natureza. Um video game não é nada parecido com os esportes tradicionais: enquanto este é recheado de preparo físico, o outro testa aos limites a agilidade sobre o joystick e o conhecimento estratégico dos competidores. Como um xadrez moderno em que os jogadores controlam policiais, heróis com habilidades poderosas e raças espaciais.

Canais esportivos ao redor do mundo já identificaram a popularidade dos eSports nos jovens e apostam em programações alternativas focadas nos grandes campeonatos de jogos eletrônicos. ESPN, Bandsports, SporTV e Esporte Interativo já passam ao vivo as competições de jogos como Couter-Strike: Global Offensive, DotA 2, Call of Duty e muitos outros jogos modernos.

Unindo o interesse de patrocinadores do mercado eletrônico, um público faminto por competições e novas tecnologias, os jogos eletrônicos se tornaram uma febre mundial. A situação, no entanto, nem sempre foi desse jeito. As competições de games acontecem há mais de 40 anos, e só agora ela surge como uma oportunidade profissional no Brasil. Uma história que, assim como os próprios video games, trouxe muitos desafios a serem superados para todos os jogadores.

A História

As competições de games surgiram juntamente com os primeiros fliperamas. Jogadores disputavam as maiores pontuações em títulos clássicos como Spacewar (1962), Pac-Man (1980) e Donkey Kong (1981), e demorou poucos anos para os jogos terem grandes competições.

1972

Primeira competição de Spacewar na Universidade de Stanford, nos EUA

1978

Lançamento de Space Invaders

1981

Fundação da Twin Galaxies, organização que registra os recordes nos games

1982

Programa de televisão transmite o primeiro campeonato de fliperamas nos EUA

1983

Twin Galaxies organiza o primeiro torneio nacional em várias cidades dos EUA

Os computadores pessoais e os consoles tomaram, aos poucos, o lugar que os fliperamas tinham nas competições. Títulos transportados para os videogames caseiros (como o NES) se popularizaram rapidamente, enquanto os jogos de tiros para PC atingiram seu ápice no final da década.

1990

Primeira Nintendo World Championship organizada nos Estados Unidos

1994

Segunda Nintendo World Championship, dessa vez travada no SNES

1996

Primeira edição da QuakeCon, nos Estados Unidos, unindo jogadores fanáticos por games de tiro

Primeira edição do campeonato que se tornaria o Evolution Championship Series (EVO), organizada pela comunidade apaixonada por games de luta

1997

Fundada a Cyberathlete Professional League (CPL), uma das primeiras ligas mundiais de competições nos video games

Red Annihilation: torneio de Quake com dois mil participantes deu uma Ferrari como prêmio

Fundada a Electronic Sports League (ESL) na Alemanha, com o nome Deutsche Clanliga

A virada do milênio trouxe a popularização crescente dos campeonatos mundiais, aproveitando a febre dos games em todas as plataformas. No Brasil, a explosão das lan houses ajudou no crescimento e na difusão dos eSports entre os jovens, principalmente por meio de Counter-Strike 1.6.

2000

Governo sul-coreano cria a KeSPA, uma organização para controlar os campeonatos no país

Nasce a OGN, o primeiro canal de televisão especializado em eSports na Coréia do Sul

Primeira edição da World Cyber Games (WCG), a “Olimpíada dos Games” patrocinada pela Samsung

2002

Fundada a Major League Gaming (MLG), sediando competições semestrais na América do Norte.

2003

Primeira edição da Electronic Sports World Cup (ESWC), concorrente da WCG

2007

Primeira temporada profissional da Intel Extreme Masters (IEM), realizando competições ao redor do mundo

Os torneios com vários games simultâneos deixaram de acontecer, mas os estúdios e desenvolvedores apostaram cada vez mais em grandes competições para os seus games. O gênero MOBA cresceu exponencialmente nessa época, liderado pelos sucessos de DotA 2 e League of Legends.

2011

Acontece o The International, o primeiro torneio a oferecer mais de US$ 1 milhão em prêmios

2013

WCG encerra as suas atividades, outros grupos compram os direitos da marca

2015

Torneio de Heroes of the Storm passa ao vivo na ESPN, canal abre sessão sobre o assunto

The International 5 quebra recorde de premiação, oferecendo mais de US$ 18,4 milhões aos times

MLG fecha parceria com a ESPN para a realização de uma competição de CS:GO na X Games Aspen

Bandsports, ESPN, SporTV e Esporte Interativo já passam competições de eSport em seus canais de televisão

Maiores premiações

  • R$ 63,4 milhões
  • The International 2015
  • DotA 2
  • Seattle, Estados Unidos
  • R$ 37,6 milhões
  • The International 2014
  • DotA 2
  • Seattle, Estados Unidos
  • R$ 10,5 milhões
  • Dota 2 Asia Championship 2015
  • DotA 2
  • Shangai, China
  • R$ 10,3 milhões
  • The Frankfurt Major 2015
  • DotA 2
  • Frankfurt, Alemanha
  • R$ 10,3 milhões
  • The Shangai Major 2015
  • DotA 2
  • Shangai, China
  • R$ 9,9 milhões
  • The International 2013
  • DotA 2
  • Seattle, Estados Unidos
  • R$ 9 milhões
  • Smite World Championship 2015
  • Smite
  • Atlanta, Estados Unidos
  • R$ 8,6 milhões
  • Halo World Championship 2015
  • Halo 5: Guardians
  • Hollywood, Estados Unidos
  • R$ 7,3 milhões
  • LoL World Championship 2015
  • League of Legends
  • Paris, França

Franquias de destaque

Vários jogos eletrônicos incentivam a disputa direta entre os jogadores, principalmente em gêneros de estratégia e tiro em primeira pessoa (FPS). Mas nem todos receberam grandes competições nas últimas décadas.

Abaixo, você confere uma lista com as séries mais importantes que desenvolveram o cenário profissional dos video games desde o seu nascimento. Clique em cada um dos itens abaixo para descobrir mais sobre eles.

League of Legends

League of Legends

Produtora: Riot Games

Gênero: Multiplayer Online Battle Arena (MOBA)

Responsável pela popularização dos eSports no Brasil e no mundo, o MOBA cresce com ligas profissionais em todos os cantos.

Premiação Total

US$ 28,691 milhões

Times de destaque

SK Telecom T1 (Coréia do Sul)

Team Solo Mid (Estados Unidos)

Fnatic (Europa)

DotA 2

DotA 2

Produtora: Valve

Gênero: Multiplayer Online Battle Arena (MOBA)

Inspirado no mod famoso do Warcraft 3 que inventou o gênero MOBA, este jogo conta com as maiores premiações já registradas até agora.

Premiação Total

US$ 60,628 milhões,
cerca de R$ 213 milhões

Times de destaque

Evil Geniuses (Estados Unidos)

Team Secret (Europa)

Newbee (China)

Counter Strike

Counter Strike

Jogos:Counter-Strike (2000), Counter-Strike Source (2004), Counter-Strike: Global Offensive (2012)

Produtora: Valve

Plataformas: PC, Xbox 360, PS3

Gênero: Tiro em primeira pessoa

Rei das jogatinas em rede local, Counter-Strike também trouxe bons tiroteios nas competições mundiais de 2000 até hoje.

Premiação Total

US$ 24,344 milhões,
cerca de R$ 86 milhões

Times de destaque

SK Gaming (Brasil)

Fnatic (Suécia)

Natus Vincere (Ucrânia)

StarCraft

StarCraft

Jogos: StarCraft (1998), StarCraft II: Wings of Liberty (2010)

Produtora: Blizzard

Plataformas: PC

Gênero: Estratégia

Três raças disputam a supremacia universal. E também trazem as partidas estratégias mais refinadas das competições mundiais.

Premiação Total

US$ 25,758 milhões,
cerca de R$ 91 milhões

Jogadores de destaque

Song "HerO" Hyeon Deok (Coréia do Sul)

Jang "MC" Min Chul (Coréia do Sul)

Lee "Jaedong" Jae Dong (Coréia do Sul)

Call of Duty

Call of Duty

Jogos: Call of Duty 4: Modern Warfare (2007) até Call of Duty: Black Ops 3 (2015)

Produtora: Activision Blizzard

Plataformas: Xbox 360, Xbox One, PS3, PS4, PC

Gênero: Tiro em primeira pessoa

Guerras rápidas e tiroteios frenéticos: esses elementos fazem Call of Duty uma franquia de muito sucesso nas competições norte-americanas.

Premiação Total

US$ 8,066 milhões,
cerca de R$ 28,5 milhões

Times de destaque

OpTic Gaming (Estados Unidos)

EnvyUs (França)

compLexity Gaming (Estados Unidos)

Smite

Smite

Produtora: Hi-Rez Studios

Plataformas: PC, PS4, Xbox One

Gênero: Multiplayer Online Battle Arena (MOBA)

Deuses batalham em arenas épicas nessa adaptação em terceira pessoa do gênero MOBA.

Premiação Total

US$ 5,398 milhões,
cerca de R$ 19 milhões

Times de destaque

COGnitive Gaming (Estados Unidos)

Epsilon eSports (Europa)

Titan (Europa)

Street Fighter

Street Fighter

Jogos: Street Fighter II (1991) até Street Fighter V (2016)

Produtora: Capcom

Plataformas: Várias

Gênero: Luta

O jogo de luta mais conhecido do planeta movimenta grandes campeonatos durante todo o ano.

Premiação Total

US$ 1,134 milhões
desde o Street Fighter IV, cerca de R$ 4 milhões

Jogadores de destaque

Justin Wong (Estados Unidos)

Daigo Umehara (Japão)

Lee "Infiltration" Seon-woo (Coréia do Sul)

Hearthstone

Hearthstone: Heroes of Warcraft

Produtora: Blizzard

Plataformas: PC, tablets e celulares

Gênero: Cartas

O jogo de cartas ambientado no mundo de Warcraft apaixonou jogadores pela sua estratégia e simplicidade. E nos torneios não foi diferente.

Premiação Total

US$ 4,283 milhões,
cerca de R$ 15 milhões

Jogadores de destaque

James "Firebat" Kostesich (Estados Unidos)

Aleksandr "Kolento" Malsh (Ucrânia)

Thijs "Thijs" Molendijk (Holanda)

Warcraft 3

Warcraft 3

Produtora: Blizzard

Plataformas: PC

Gênero: Estratégia

Um dos jogos mais antigos dos eSports continua ativo com muitos torneios na Ásia e na Europa.

Premiação Total

US$ 4,060 milhões,
cerca de R$ 14 milhões

Jogadores de destaque

Jang "Moon" Jae Ho (Coréia do Sul)

Manuel "Grubby" Schenkhuizen (Holanda)

Lu "Fly100%" Weiliang (China)

Quake

Quake

Jogos:Quake (1996) até Quake Live (2010)

Produtora: id Software

Plataformas: PC

Gênero: Tiro em primeira pessoa

Um dos primeiros jogos de tiro a estourar com partidas em rede, trazendo também as primeiras grandes competições.

Premiação Total

US$ 2,5 milhões,
cerca de R$ 9 milhões

Jogadores de destaque

Shane "rapha" Hendrixson (Estados Unidos)

Alexei "Cypher" Yanushevsky (Bielorrússia)

Anton "Cooller" Singov (Rússia)

Outras Franquias

O eSport pelo mundo

As competições de games se desenvolveram de diferentes formas nas regiões do globo. Enquanto a Ásia é conhecida por dominar os games de estratégia e MOBA (Multiplayer Online Battle Arena), o Ocidente mostra mais domínio em games de tiro e outros gêneros.

A presença de competições acirradas e ligas profissionais em cada região são fatores que determinam a sua força internacional. Isso porque, com grandes prêmios e investimentos, os times profissionais conseguem investir pesado nos seus jogadores para mantê-los sempre “em forma” e conquistando as melhores colocações.

Abaixo veremos algumas regiões do mundo e quais são os seus grandes destaques, além das grandes organizações que patrocinam os competidores profissionais mais importantes do mundo. Clique em cada um dos itens abaixo para descobrir mais sobre eles.

America do Norte

América do Norte

Jogos de destaque:

Counter-Strike, Halo, Call of Duty, League of Legends, Quake

Organizações de eSport no continente:

  • Estados Unidos / Canadá
  • Team Liquid
  • Counter Logic Gaming
  • Team Solo Mid
  • Evil Geniuses

América Central

América Central e Latina

Jogos de destaque:

StarCraft, Counter-Strike, Age of Empires, FIFA

Organizações de eSport no continente:

  • Brasil
  • paiN Gaming
  • CNB e-Sports Club
  • INTZ
  • KaBuM!
  • Big Gods
  • Argentina
  • Isurus Gaming
  • Peru
  • Unknown.xiu
  • Elite Wolves
  • Artyk Gaming
  • Not Today
  • México
  • Lyon Gaming
  • Chile
  • Kaos Latin Gamers

Europa

Europa

Jogos de destaque:

DotA 2, Counter-Strike, League of Legends, Smite, Hearthstone, FIFA

Organizações de eSport no continente:

  • Alemanha
  • mousesports
  • PENTA Sports
  • França
  • EnVy Us
  • Ucrânia
  • Natus Vincere
  • HellRaisers
  • Rússia
  • Virtus.Pro
  • Dinamarca
  • SK-Gaming
  • Ucrânia
  • FlipSid3 Tactics
  • Reino Unido
  • Team Dignitas
  • Suécia
  • fnatic
  • Ninjas in Pyjamas
  • Espanha
  • G2 Esports

Ásia

Ásia

Jogos de destaque:

DotA 2, League of Legends, StarCraft, Warcraft 3, Street Fighter

Organizações de eSport no continente:

  • China
  • TyLoo
  • World Elite
  • Edward Gaming
  • Vici Gaming
  • Invictus Gaming
  • Coréia do Sul
  • MVP
  • SK Telecom
  • CJ Entus
  • KT Rolster
  • Filipinas
  • Mineski
  • Pacific.Macta
  • Taiwan
  • ahq e-Sports Club

Oceania

Oceania

Jogos de destaque:

StarCraft, Call of Duty, Halo

Organizações de eSport no continente:

  • Austrália
  • The Chiefs
  • Team Immunity

Coréia do Sul

Um mundo a parte

A Coréia do Sul merece um destaque especial durante a trajetória do eSport pelo mundo. Enquanto as primeiras competições profissionais surgiam pelo planeta, o país já contava com uma estrutura completa de ligas, canais de televisão, equipes com centros de treinamento e órgãos do governo voltados ao eSport.

Mas tudo isso veio por meio de um tempo difícil para os sul-coreanos. O país sofria, em 1997, uma crise financeira devastadora junto com os demais países asiáticos. Milhares de jovens e adultos desempregados passavam as horas nas PC Baangs (as famosas lan houses), e StarCraft se tornou extremamente popular para esse público.

Em 1999, as primeiras competições amadoras apareciam com premiações em dinheiro, e em 2000 estreava o canal a cabo OnGameNet, dedicado especialmente às competições locais e a análise de replays.

O cenário se desenvolve e, em 2000, a KeSPA (Korean eSports Association) é criada pelo ministério da cultura sul-coreano. Ele regulamenta as competições no país e fiscaliza os assuntos relacionados ao esporte eletrônico, principalmente pela aparição de canais de televisão que disputam o mercado.

Em 2001, o sul-coreano Lim “BoxeR” Yo Hwan começa a sua supremacia no StarCraft, ganhando o primeiro título de “ídolo” nacional pelas suas habilidades. Pouco depois, em 2003, as principais companhias de comunicação do país (SK Telecom e KT) investem em equipes e surgem as ligas profissionais.

Nessa época, os times contam com centros de treinamento onde os jogadores sul-coreanos treinam mais de 10 horas por dia para as principais competições do país. Mas, para chegar a esse ponto, os jovens precisam tirar um “certificado” por meio de um campeonato certificado pela KeSPA. Isso permite que eles se destaquem para as equipes profissionais e paguem menos impostos ao vencer um torneio.

Até 2010, os canais de televisão realizaram temporadas extensas de competições entre as equipes profissionais da Coréia do Sul. O game foi perdendo a força a partir desse período com o escândalo de venda de jogos para sites de apostas, além da chegada de StarCraft II e o posterior sucesso mundial de League of Legends.

Em 2016, o cenário profissional de games na Coréia do Sul se mantém entre os mais fortes do mundo. Hoje, o país exporta talentos para todo o globo, incluindo o Brasil. Embora StarCraft ainda tenha seu espaço, é no MOBA da Riot Games que os jogadores profissionais são conhecidos: o país já venceu três vezes o mundial de League of Legends promovido pela empresa.

O eSport no Brasil

Um mercado em expansão

O crescimento das competições no Brasil está intimamente ligado com o crescimento das lan houses no país. Na virada do milênio, muitos jovens e adolescentes iam aos estabelecimentos para se divertirem com games de computador como Counter-Strike 1.6, Warcraft 3 e Age of Empires.

Foi uma questão de tempo até esses locais se tornarem centros efervescentes de competições.

Enquanto muitos torneios locais pipocavam pelo país, foi somente com as seletivas mundiais que o país ganhou um estímulo para os jogadores focarem nas competições e levarem grandes prêmios para casa. Séries mundiais da Electronic Sports World Cup (ESWC), KODE 5, World Cyber Games (WCG) e Cyberathlete Professional League (CPL) traziam eventos esporádicos, incentivando aos poucos o cenário profissional.

Nessa época, o Brasil conquistava cada vez mais destaque no Counter-Strike mundial, chegando a faturar, em 2006, o campeonato mundial da Electronic Sports World Cup pela Made in Brazil (mibr).

Outros títulos também merecem destaque por incentivar competições locais e pela internet. Warcraft 3, Guitar Hero, StarCraft e Defense of the Ancients (DotA) estão entre os exemplos, embora não tivessem o mesmo sucesso e a mesma popularidade do game de tiro da Valve.

League of Legends começou a fazer sucesso no início de 2012. A chegada do jogo no país foi acompanhada de um escritório da Riot Games e um servidor dedicado para o público nacional, e em pouco tempo a empresa começou a organizar eventos de grande porte no Brasil.

O primeiro campeonato brasileiro da Riot Games, realizado durante a Brasil Game Show 2012, inaugurou mais de R$ 175 mil em prêmios aos melhores jogadores de League of Legends no país.

Patrocinadores e investimentos chamavam cada vez mais a atenção das equipes, que pouco a pouco foram inaugurando as “gaming houses”, casas dedicadas inteiramente ao treinamento dos jogadores. A paiN Gaming, vencedora do campeonato em 2013, foi a pioneira na América Latina, enquanto outros times viabilizaram os centros de treinos nos meses seguintes.

Em 2016, o cenário profissional já chama a atenção de milhares de jovens e já conta com transmissão ao vivo em canais esportivos nacionais, como a Bandsports, Esporte Interativo e SporTV.

A Riot Games continua investindo no país com temporadas regulares profissionais e amadores. Outras empresas também movimentam o cenário com campeonatos regulares, principalmente a Blizzard (Hearthstone, StarCraft e Heroes of the Storm), Z8 Games (Cross Fire), Capcom (Street Fighter ) e Ubisoft (Just Dance e Rainbow Six: Siege).

Os campeões brasileiros pelo mundo

  • FIFA Interactive World Cup 2004
  • Jogo: FIFA 2005
  • Thiago Carrico de Azevedo
  • World Cyber Games 2005
  • Jogo: Need for Speed: Underground 2
  • Giovani “GearGG” Magri
  • Electronic Sports World Cup 2006
  • Jogo: Counter-Strike 1.6
  • Made in Brazil
  • World Cyber Games 2006
  • Jogo: Carom 3D
  • Renan "TheVilMan" Masserani
  • World Cyber Games 2008
  • Jogo: Need for Speed: Carbon
  • Rodrigo “SpeedNG” Nunes
  • World Cyber Games 2008
  • Jogo: Carom 3D
  • Fernando "Pantaneiro" Rogoski
  • World Cyber Games 2009
  • Jogo: Guitar Hero: World Tour
  • Fabio “caiomenudo13” Jardim
  • Electronic Sports World Cup 2014
  • Jogo: Just Dance 2015
  • Diego “Diegho.san” dos Santos
  • Electronic Sports World Cup 2015
  • Jogo: Just Dance 2016
  • Diego “Diegho.san” dos Santos
  • MLG Major Columbus (2016)
  • Jogo: Counter-Strike: Global Offensive
  • Luminosity Gaming
  • Point Blank World Challenge 2016
  • Jogo: Point Blank
  • 2Kill Gaming
  • ESL One Cologne 2016
  • Jogo: Counter-Strike: Global Offensive
  • SK-Gaming (ex-Luminosity Gaming)

Profissionais do esport

Jogador

Pratique. Clique. Vença. O jogador é quem irá disputar os grandes prêmios e usar todo o seu conhecimento e suas habilidades para atingir o objetivo e vencer os adversários. Sozinho, calcula as ações com cuidado em busca da vitória; em equipe, coordena os movimentos para obter o melhor resultado com os companheiros.

Guilherme "Snowlz" Neves joga League of Legends profissionalmente desde 2012, participando de equipes que já chegaram ao topo do cenário brasileiro. Seu último time foi a g3nerationX, que acabou saindo do Campeonato Brasileiro de League of Legends na primeira fase de 2016.

Dificuldades

“Largar a vida inteira pra se dedicar a isso em uma cidade que você não conhece ninguém, como foi o meu caso que deixei para trás todas as pessoas que amo para me dedicar ao meu sonho. Além disso, o cenário em 2012 era muito precário, e muitas vezes tinha que trocar sua casa que era confortável por dormir no chão, jogar em cadeiras ruins e se alimentar mal. Mas acho que hoje em dia isso já mudou bastante e evoluímos muito graças as pessoas que aceitaram passar por esses desafios!”

Dicas

“Se a pessoa quer entrar no eSports ela tem que se dedicar mais do que a pessoa que já chegou lá. E, além disso, saber que ela vai passar muita coisa difícil para atingir seu sonho. Também vai cair muitas vezes e tem que enfrentar tudo de cabeça erguida. Se ela está disposta a tudo isso e ela é boa em algum dos jogos que temos competitivo no Brasil, já pode começar a competir!”

A melhor parte

“A melhor parte sem dúvida é ganhar, atingir o sonho e sentir que naquele dia você foi o melhor em alguma coisa. E não há nada melhor que comemorar ao lado dos seus colegas de equipe, não tem sensação melhor.”

Técnico

Estude. Coordene. Apoie. O treinador faz a diferença sem realizar um só clique dentro da partida. Conhecimento avançado de um game e gerenciamento de equipe são as suas ferramentas para trazer a vitória.

Thiago "Djokovic" Maia atua como o técnico de League of Legends da equipe CNB e-Sports Club desde janeiro de 2015, levando a equipe até a grande final do Campeonato Brasileiro de League of Legends em 2016. Antes disso, foi jogador profissional pela INTZ como o caçador.

Dificuldades

“As maiores dificuldades em minha profissão não vêm de áreas relacionadas ao conhecimento do jogo em si, mas de organização e gerenciamento de pessoas. O Treinador deve sentir o time, estabelecendo dinâmicas capazes de integrar todos efetivamente ao time ao mesmo tempo que atende a demanda indidivual de cada um.”

Dicas

“O principal problema da maioria dos treinadores é falta de liderança. Leia bastante sobre gerenciamento de pessoas e procure figuras de sucesso nos esportes tradicionais. Treinadores como Bernadinho e Parreira são bons exemplos.”

A melhor parte

“A emoção e adrenalina na hora dos jogos é o que faz tudo valer a pena. Além disso, sentir que você impactou eternamente a carreira de um jogador de forma positiva, independente do time em que ele estiver no futuro. Isso também não tem preço.”

Narrador

Grite. Emocione. Explique. O narrador conhece o jogo e transforma a partida em um fluxo constante de informações e sentimentos ao jogador. Uma voz poderosa e uma adaptação rápida são aliadas preciosas nesse processo.

Bernardo "BiDa" Moura começou narrando as transmissões ao vivo de Counter-Strike: Global Offensive para o fenômeno do cenário, Gabriel “FalleN” Toledo. Essa oportunidade permitiu narrar campeonatos internacionais do game de tiro, como a DreamHack Invitational em 2015.

Dificuldades

Certamente a maior dificuldade é começar. A partir do momento que você é reconhecido, as oportunidades começam a surgir. Porém, o caminho até esse reconhecimento é árduo...

Após isso, manter-se atualizado em todos os jogos competitivos também pode ser um empecilho, já que como tudo no ramo tecnológico mudanças são constantes e ocorrem rapidamente.

Dicas

Prática é essencial. Não preocupe-se com críticas sem base, mas leve em consideração toda crítica construtiva que receber. Cultivar páginas em redes sociais é essencial para esse ramo, portanto faça questão de começar cedo e criar conteúdo.

A melhor parte

Jogar e assistir a jogos de altíssimo nível todos os dias e receber por isso. Muitas vezes pode parecer mais como um hobby do que trabalho.

Jornalista

Apure. Converse. Informe. O jornalista de eSports, assim como nas demais áreas, vai informar o público de todos os assuntos que interessam aos fãs. Assim como um competidor de video games, a agilidade e a precisão são fundamentais para ele concluir seu trabalho.

Ricardo “Set” escreve sobre games competitivos desde 2006, participando da cobertura de vários campeonatos quando o eSport ainda engatinhava no país. Hoje, participa da cobertura diária dos esportes profissionais no myCNB, o portal de notícias que acompanha o nome de uma das equipes mais antigas no ramo.

Dificuldades

É um mercado que ainda é novo se compararmos com o jornalismo de games como um todo. Ainda são poucas as oportunidades para trabalhar apenas com eSports no Brasil. Pra mim, que já estou inserido no mercado, a maior dificuldade ainda é conseguir algumas informações e entrevistas com equipes, pois nem sempre temos o contato físico com as fontes, apenas o virtual e isso cria uma certa barreira. Mas nada que impeça o trabalho. Confesso que antes era bem mais difícil. Hoje os torneios presenciais são maiores, então o contato direto com jogadores e times está maior.

Dicas

Antes de dar dicas, vou resumir como comecei nessa área. Eu gostava de escrever, comecei a procurar sites/blogs da época, isso há cerca de dez anos, e fui me candidatando a colaborador. Consegui uma vaga em um site que tinha um certo destaque e foi aí que comecei a fazer minha rede de contatos. Depois entrei na faculdade de jornalismo, me formei até que surgiu a grande oportunidade de trabalhar apenas com eSports. Então procure aparecer, busque colaborar com sites, faça contatos. É sempre bom, para quem pode, ir aos eventos presenciais, é lá que você conhece pessoas que podem te ajudar. Estude, se profissionalize. Quando comecei essa área era bem amadora ainda, hoje tudo é diferente. Os portais estão buscando jornalistas de verdade, então um curso superior faz diferença.

A melhor parte

A melhor parte é você se divertir trabalhando. Você está em contato com um assunto que te motiva. Eu não acordo todo dia pensando que vou trabalhar, simplesmente acordo para mais um dia de diversão. Sem falar na oportunidade de viajar para cobrir eventos em outras cidades e até mesmo em outros países.

Outras profissões:

Psicólogo

Cuida da saúde mental dos jogadores para eles atuarem com o máximo desempenho sob pressão.

Empresário

Geralmente dono de equipe, investe todo o seu tempo desenvolvendo uma marca presente no mercado dos eSports.

Analista

Diferente do técnico, investe o tempo sob estatísticas, estratégias e o desempenho dos jogadores.

Representante de mídias sociais

Assume as redes sociais da equipe no Facebook, Twitter ou outros veículos para comunicar e divertir os fãs.

Administração

Responsável em coordenar seções específicas da empresa ou equipe, como o gerenciamento dos jogadores ou do caixa.

Coordenador de competições

Acompanha a comunidade competitiva de um jogo para uma empresa, geralmente produzindo conteúdo e coordenando os campeonatos oficiais.

Designer

Cria o aspecto visual, além de produzir a arte utilizada pelos jogadores em suas transmissões e pela fanpage da equipe.

Curiosidades

Canal de televisão para eSports

A Electronic Sports League (ESL) já está criando um canal de televisão com programação 24h sobre campeonatos de games. Em parceria com a companhia MTG, ambas querem focar nos eventos internacionais da ESL, que organiza grandes campeonatos de DotA 2, Counter-Strike: Global Offensive e Mortal Kombat X ao redor do mundo.

Brasileiro homenageado pela Valve

O brasileiro Marcelo "coldzera" David recebeu uma homenagem em abril de 2016 por conta de uma jogada épica no campeonato Major League Gaming 2016. Representando a equipe Luminosity Gaming, ele matou quatro adversários com a arma AWP de forma inesperada. O local dessa jogada recebeu um grafite especial com a forma da arma com quatro caveiras vermelhas.

Bolsa de League of Legends

Universidades dos Estados Unidos já oferecem bolsas de estudos para jovens especialistas em League of Legends competirem e estudarem em suas instituições. A UC Irvine, localizada na Califórnia, inclusive está montando um centro de treinamento com até 80 computadores para os jovens receberem ajuda de até R$ 20 mil para estudar e jogar em nome da universidade.

Dez anos e campeão de Minecraft

O jovem norte-americano Julien Wiltshire foi o vencedor de um torneio realizado pela Super League Gaming em dezembro de 2015. Ele desbancou mais de seis mil oponentes e levou um prêmio de R$ 20 mil em uma bolsa de estudo. E tudo isso com dez anos de idade.

Partida profissional dura mais de 3 horas

Se você acha que uma partida de uma hora é longa, saiba que no cenário profissional de DotA 2 já tivemos uma decisão que durou 3 horas, 20 minutos e 24 segundos. Ela aconteceu na Starladder XII entre as equipes Scaryfacezz e Cloud 9, com direito à uma virada incrível nos últimos segundos. E olha que era só a primeira de uma “melhor-de-três” entre os times...

O eSport seria um esporte?

Muitos acreditam que a categoria esportiva seja exclusiva a atividades físicas, mas também há aqueles que acreditam que os games também são esportes pelo ambiente competitivo. A ESPN apoia essa ideia, trazendo recentemente uma sessão inteiramente dedicada aos jogos eletrônicos e suas competições.

Brasil no topo do mundo pelo Counter-Strike

A equipe Luminosity Gaming (hoje SK-Gaming) efetuou, no ano de 2016, uma caminhada explosiva pelo game Counter-Strike: Global Offensive. Conquistando quatro campeonatos mundiais neste ano — um deles rendendo R$ 1,7 milhão — os brasileiros chegaram em maio no primeiro lugar do ranking mundial do HLTV. Respeito!

Times profissionais patrocinados por sites adultos

O YouPorn patrocina equipes e jogadores profissionais de video game, inclusive acumulando títulos mundiais pelo jogo Evolve. Mas o apoio também passa por fases “brochantes”: em um ano, vários times já deixaram a organização e a marca foi banida dos eventos da Electronic Sports League. Talvez o site esteja acostumado com essas fases duras... ( ͡° ͜ʖ ͡°)

A regra de ouro do Street Fighter é...

Não pule. Estranhou? Pois saiba que a dica veio diretamente de Keoma Pacheco, um dos competidores brasileiros que chegou entre os oito melhores jogadores de Street Fighter do mundo. Ele venceu grandes nomes do eSport internacional e concedeu uma entrevista para o TecMundo recentemente.

Comentários

Design: Bruna Fujie & Fernando Perazzoli

Redação: Maximilian Rox

Coordenação: Gustavo Abrão, Igor Panki & Vinicius Karasinski