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Especial Street Fighter 30 anos: A história da franquia

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Mais de 30 anos atrás, era lançado o primeiro Street Fighter. O jogo de luta da Capcom revolucionou os jogos do gênero e mudou para sempre a relação do jogador com eles.

Independentemente de você gostar mais de Mortal Kombat ou Tekken, não tem como negar a importância de Street Fighter. Nesse vídeo a gente vai entrar na história da franquia e te contar porque ela é tão relevante:

 

Tudo começou no final dos anos 80. A Capcom estava de olho nas tendências dos arcades, e vendo o sucesso dos jogos de luta como Karate Champ, de 1984, e Yie-Ar Kung Fu de 1985, ela decidiu criar o seu próprio. Takashi Nishiyama e Hiroshi Matsumoto foram os responsáveis pelo projeto e foram além dos seus concorrentes.

SFYie-Ar Kung Fu

Nishiyama já tinha sido produtor de outro jogo de luta na desenvolvedora Irem, o Kung-Fu Master. Foi com esse jogo que ele chamou a atenção da Capcom e, segundo ele, Street Fighter foi a sua versão aprimorada de Kung Fu Masters. O jogo era na verdade mais parecido com um Beat’em Up, mas já tinha um elemento que, segundo Nishiyama, era um dos diferenciais de Street Fighter na época – a história. Enquanto os outros jogos só apresentavam bonecos genéricos, Street Fighter tinha personagens com nomes, histórias e background. Até coisas como o que eles gostam de comer e se tem irmãos foram definidos, por mais que nem tudo isso aparecesse no jogo.

SFKung Fu Masters

Nishiyama também foi o responsável pelas novidades na máquina de arcade. Naquela época, a maioria das maquinas tinha só uma alavanca e dois botões, e Nishiyama teve a ideia dos seis botões e da alavanca de oito posições. Hoje é algo bem comum, mas na época não foi fácil de convencer o time comercial da Capcom – eles achavam que não ia vender porque deixaria o jogo muito complexo e impossível de jogar. Ele convenceu a equipe explicando que todos os botões ainda iam ser de ataque, então qualquer um que o jogador apertasse, ia dar certo.

A nova configuração de máquina com seis botões abriu espaço para outro grande diferencial de Street Fighter – combinar os ataques para dar golpes especiais. Os outros jogos da época, como Karate Champ e Yie Ar Kung Fu tem golpes simples, só chute e soco, sem variedade visual ou complexidade. Street Fighter apresentou o Hadouken, Shoryuken e “Tec-tec-tugen” (que na verdade se chama Tatsumaki Senpukiaku), além de socos e chutes diferentes. Por mais que o primeiro Street Fighter não tenha sido um enorme sucesso, já mostrava seu valor e ajudou a pavimentar o caminho para a sequência.

SFStreet Fighter I

Street Fighter não passou despercebido por outras desenvolvedoras e logo depois do seu lançamento Nishiyama, Matsumoto e vários outros membros da equipe foram contratados pela SNK. Lá eles desenvolveram Fatal Fury que, pra Takashima, é o sucessor espiritual de Street Fighter.

Mas como a gente sabe a franquia continuou na Capcom e sua sequência foi feita por uma equipe totalmente diferente, encabeçada por Yoshiki Okamoto. Street Fighter II foi lançado em 1991 para os arcades com o subtítulo The World Warrior e revolucionou para valer os jogos de luta. Naquela época, a maioria dos jogos do estilo eram na verdade o que a gente chama hoje de Beat’em Up, como Double Dragon e Final Fight – Street Fighter II foi o que consolidou a luta “mano a mano”.

Os combos, a variedade de golpes e os oito personagens diferentes para escolher fizeram do jogo o mais sofisticado do seu gênero e época. Os jogadores precisavam de estratégia, precisavam dominar os golpes e saber a hora certa de usar cada um deles. Ele dava espaço para cada um criar seu estilo pessoal.

SFStreet Fighter II: The World Warrior

Street Fighter II trouxe uma interação diferente entre os jogadores, com competições cara a cara e um vencedor e um perdedor, ao invés de uma simples lista de hi-scores. As pessoas competiam, discutiam e falavam sobre estratégia. Foi um dos primeiros jogos que deu espaço para esse tipo de interação e competitividade.

Deu tanto espaço que a primeira edição da EVO em 1996, quando o atual maior torneio de jogos de luta ainda se chamava Battle By The Bay, tinha só jogos da franquia - Street Fighter II Turbo e Street Fighter Alpha 2. Foi só em 2011 que o Street Fighter II (considerando suas diversas versões) saiu de vez da line-up do campeonato e deu mais espaço para outros títulos da franquia, como Street Fighter III e IV. E todas as edições da EVO até hoje tiveram um ou mais jogos Street Fighter na sua line-up.

Yie-Ar Kung FuFinal do campeonato de Street Fighter V na EVO 2017

Street Fighter II passou as barreiras dos arcades e sua primeira versão para consoles foi a de Super Nintendo. Essa edição sozinha vendeu 6,3 milhões de cópias e até 2008 ainda era o jogo mais vendido da história da Capcom – sendo superado apenas por Resident Evil 5 em 2009, Resident Evil 6 em 2012 e mais recentemente por Monster Hunter: World, que ocupa a primeira posição.

SF

Com o sucesso, o jogo ganhou várias versões diferentes. E se hoje a gente reclama de expansões, DLCs, DLCs no disco, pensa só como era na época. Tudo bem que os jogos saiam principalmente para os arcades, mas eles também foram portados para vários consoles diferentes, então os jogadores acabavam tendo que desembolsar se quisessem ter a versão mais atualizada. Entre 1991 e 1994, foram lançadas 4 versões diferentes - Champions Edition, Hyper Fighting, Super e Super Turbo. Tem muita gente que diz que foi a Capcom que começou com essa moda atualizar jogo.

 SF

Apesar de elas serem boas e terem agradado, não dá para dizer que as pessoas estavam totalmente satisfeitas com as atualizações constantes. O que o povo queria mesmo era um novo jogo. Mas antes disso, a gente ia ter que lidar com outra coisa.

Em 1994 o jogo foi adaptado para o cinema com o filme Street Fighter: A Última Batalha, com Van Damme no papel de Guile, Raul Julia como Bison e Kylie Minogue como Cammy. E como já é de se esperar de um filme de jogos dos anos 90, ele não foi grande coisa.

SFElenco do filme Street Fighter: A Última Batalha

Ao longo dos anos Street Fighter continuou indo para outras mídias, com vários longas de animação, desenho, jogo de cartas e outros filmes tão ruins quanto o primeiro. Em 1995 também teve o jogo Street Fighter: The Movie, baseado no filme. O jogo foi feito em parceria com a Acclaim, e usava os atores do filme como personagens. Nem preciso dizer com que jogo ele parecia né? Também não preciso dizer que pouquíssimas pessoas consideram isso um jogo Street Fighter.

SFStreet Fighter: The Movie

Bom Capcom, agora já deu né? Já se passaram 4 anos, já gastamos comprando versão atualizada de Street Fighter II, já teve filme ruim, desenho, cadê jogo novo? Eis que em 1995 foi lançado Street Fighter Zero, ou Alpha, dependendo do país. O jogo se passava entre Street Fighter e Street Fighter II, e tinha 13 personagens, três deles totalmente inéditos. Também foram lançadas várias versões atualizadas do jogo. Se você pensar em versões que chegaram para os mesmos consoles, foram 3 no total. A última delas, a Street Fighter Alpha 3, chegou em 1998.

SFStreet Fighter Alpha 3

O jogo acabou não sendo o sucesso que se esperava. Pode até ser que os paradigmas tinham sido definidos com Street Fighter II, mas a Capcom não era mais a única fazendo jogos de luta. Mortal Kombat II já tinha sido lançado e até jogos 3D já davam as caras, como Virtua Fighter – que é meio horrível, mas é 3D em 1993.

SFVirtua Fighter

Falando em 3D, em 1996 a Capcom licenciou a franquia para a empresa Arika, que lançou o Street Fighter EX, inicialmente exclusivo para os arcades. A novidade aqui é que o jogo era em 3D. Ele não foi um grande sucesso, mas ainda assim ganhou a versão aprimorada Street Fighter EX Plus, e depois uma versão exclusiva de Playstation, a EX Plus Alpha. A série continuou até o terceiro título, lançado em 2000 para o Playstation 2.

Foi só em 1997 que a franquia recebeu a continuação real oficial – Street Fighter III: New Generation. O jogo trazia Ryu e Ken com outros 9 personagens inéditos, e não foi o marco que a Capcom esperava. Nesse momento a concorrência era mais forte ainda, e além do Mortal Kombat e Virtua Fighter, Tekken já estava no seu terceiro jogo, tanto nos consoles quanto nos arcades.

SFStreet Fighter III: New Generation

Preciso falar que Street Fighter III ganhou atualizações? Dá até para dizer que a Capcom se conteve, porque foram só duas totalmente diferentes – Second Impact e Third Strike. Essa última é a versão definitiva do jogo, com novos personagens e visual repaginado – e tudo isso só 2 anos depois do lançamento do primeiro. E é curioso ver como a primeira versão do Street Fighter III não muito popular – ela nunca apareceu na line up da EVO e, se você procurar gameplay do jogo no youtube, só encontra da versão Second Impact e principalmente da Third Strike.

Depois do lançamento de Street Fighter III: Third Strike, em 1999, a franquia principal ficou em um hiato de praticamente 10 anos. Mas isso não quer dizer que não tinha jogo novo não senhor, os spin-offs e principalmente os cross estavam a todo vapor. O primeiro saiu antes mesmo do hiato – X-Men vs. Street Fighter, em 1996. Depois disso a porteira abriu e tivemos Marvel Super Heroes vs. Street Fighter, Marvel vs. Capcom, e até jogos em parceria com franquias rivais como SNK vs. Capcom e Street Fighter vs. Tekken, esse último um pouco mais recente (2012).

Jogos diferentes também deram as caras como Puzzle Fighter e SNK vs. Capcom: Card Fighters Clash. Esses não são todos, mas já dá uma boa ideia dos encontros da franquia.

SFPuzzle Fighters

Esses jogos, junto com relançamento de jogos antigos nos consoles da época ajudaram a manter a franquia e os personagens na boca do povo. Então quando Street Fighter IV chegou, não parecia de jeito nenhum que Capcom estava tentando ressuscitar franquia morta. Muito pelo contrário, ele era aguardadíssimo.

Street Fighter IV chegou em 2009, o primeiro a chegar para a sétima geração logo no lançamento. Como já é de se imaginar, os fãs estavam ansiosos e a espera valeu a pena – o jogo foi muito bem aceito e agradou de verdade. Mesmo com os personagens em 3D, o jogo manteve a jogabilidade 2D e de certa forma resgatou as raízes do Street Fighter II. Ao invés de personagens totalmente novos como Street Fighter III, ele traz muitos dos personagens do segundo título da franquia, além de apresentar alguns novos.

Claro que a tradição de fazer várias versões do jogo também se manteve, com lançamento de Super Street Fighter IV, Super Street Fighter IV Arcade Edition e Ultra Street Fighter IV, esse último também estava disponível como um DLC para atualizar a Arcade Edition.

SFStreet Fighter IV

Uma coisa curiosa sobre Street Fighter IV é que ele foi desenvolvido pela Dimps, fundada por Takashi Nishiyama e Hiroshi Matsumoto, que se você já esqueceu foram os criadores do primeiro Street Fighter.

Nishiyama conta que depois que Street Fighter III não fez muito sucesso, a Capcom tinha deixado a franquia de lado. Foi Kenji Inafune, antigo colega da Capcom, que sugeriu Street Fighter IV assim que assumiu o setor de desenvolvimento da empresa. Eles provavelmente não tinham pessoal disponível para isso, então Inafune sugeriu que o projeto fosse passado pra Dimps. Nishiyama conta que mesmo com muitos ex-funcionários da Capcom na equipe, ainda foi um projeto muito estressante.

O jogo seguinte da franquia, Street Fighter V, chegou em 2016, e foi o primeiro a não ser lançado nos arcades, só saiu para Playstation 4 e PC. O jogo segue o mesmo estilo do antecessor, com personagens em 3D e jogabilidade 2D e o visual muito parecido com o Street Fighter IV. Tudo parece muito bom, aí você vai lá no Metacritic e... Como assim?

SFAvaliação dos usuários para Street Fighter V

Pois é, foi culpa da velha mania de atualização. Dessa vez a Capcom tinha dito que não ia lançar várias versões do jogo como costumava, mas sim atualizaria o jogo constantemente com novos personagens. O problema é que o jogo chegou muito incompleto. O modo história chegou como um prologo temporário, e o conteúdo completo foi prometido para quatro meses depois do lançamento. A parte de compra in game e o modo desafio demoraram um mês para serem implementado. Pelo menos ela entregou tudo que tinha prometido.

Você não foi inocente para achar que ela ia conseguir ficar sem lançar uma versão atualizada do jogo, não é? No início de 2018 saiu Street Fighter V - Arcade Edition, mas, em defesa da Capcom, todo mundo que já tinha a versão original recebeu um update gratuito para essa edição. Ela acrescentou o modo arcade, novos personagens e outras coisinhas.

SFStreet Fighter V

Aqui é legal abrir um parêntese para falar da quantidade de versões de Street Fighter ao longo dos anos. Se você contar quantos nomes diferentes existem, a conta passa de 20. Nem todas são totalmente diferentes, algumas são só port do jogo do arcade para o console, ou compilação de várias versões do jogo. Foram tantas versões saindo que alguns jogos diferentes acabaram se encontrando no meio do caminho, como o Street Fighter Alpha 3 e o Street Fighter III: Second Impact que foram lançados no mesmo ano.

Para quem está saudosista, a boa notícia é que o próximo lançamento da franquia é a Street Fighter 30th Year Anniversary Collection, uma coletânea para celebrar os 30 anos da franquia (na verdade seriam 31, mas a gente entende que 30 fica bem mais bonito na capa). Ela traz o primeiro Street Fighter, várias versões do Street Fighter II, Alpha e Street Fighter III, e o mais legal é que algumas delas também podem ser jogadas online.

SFMenu do Street Fighter 30th Year Anniversary Collection

Acho que agora está fácil entender porque Street Fighter é tão importante, não é? Foi graças a ele que jogos de luta passaram de soquinho e chutinho para golpes especiais e combos mirabolantes. Foi com ele que os jogadores puderam, pela primeira vez, jogar um contra o outro, mano a mano. Foi com ele que os jogadores precisaram treinar, estudar, discutir, e finalmente puderam criar seu próprio estilo de jogo. E o mais legal de tudo isso é ver como o jogo soube se reinventar ao mesmo tempo que não perdeu a essência, e está na ativa até hoje.

E você, jogou e joga muito Street Fighter? Conta pra gente nos comentários qual o seu jogo favorito da franquia!

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