Análise de AaaaaAAaaaAAAaaAAAAaAAAAA!!! - A Reckless Disregard for Gravity

Com uma jogabilidade tão louca quanto seu título, este game diverte!

Um inconsequente descaso perante a 
gravidade! Não se assuste com o nome do jogo. Também não vale rir... Tudo bem, rir até pode, pois não há como levar a sério um game que também não se leva. O que não quer dizer que ele seja ruim, já que cumpre o que promete de forma bastante boa. Mas isso não quer dizer que não seja confuso. Ou mesmo um tanto quanto louco. Está achando este parágrafo confuso? Então prepare-se, porque a experiência toda é assim — e é divertida!

O conceito é simples: você é um basejumper. Um cidadão com um parafuso a menos que pula de paraquedas de edifícios. Pode parecer algo limitado para um jogo de video game, mas, embora a premissa seja simples, a desenvolvedora Dejobaan — que diz estar criando video games de qualidade há mais de 75 anos! — conseguiu elaborar um título cativante!

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o realismo foi jogado pela janela. Os cenários não são locais reais, com prédios e tudo mais, e sim uma espécie de dimensão alternativa psicodélica, na qual construções flutuam e se sobrepõem em ângulos esquisitíssimos. Mas tudo isso é feito em nome de um tempo maior de queda livre, para que o jogador possa aproveitar ao máximo cada pulo. A Dejobaan diz que tudo é uma realidade alternativa de Boston, e não ousamos contestar.

Tudo isto visto de uma perspectiva em primeira pessoa, o que faz com que a imersão seja maior. Já os controles são bastante simples: utiliza-se as teclas WASD para mover o personagem de um lado para o outro (alternativamente, pode-se utilizar também as setas do teclado) e o mouse para mirar.

Existem também comandos adicionais que vão sendo aprendidos conforme se progride pelas fases, o que acontece de forma gradual para acostumar o jogador e adicionar longevidade ao título (já que as maiores pontuações só podem ser conseguidas ao retornar a fases anteriores após saber os novos comandos).

Eles são: apertar o botão direito ou esquerdo do mouse para mandar um sinal de apoio ou de desprezo aos fãs presentes nas plataformas; apertar o Control em alguns prédios específicos para pichá-los; e apertar o Shift para tomar um café expresso (isso mesmo, no meio do pulo) e ganhar um efeito Matrix. Tudo isto serve para arrecadar mais pontos conforme se pula.
Fora isto, a jogabilidade básica consiste de passar o mais perto possível dos prédios pela maior quantidade de tempo, para arrecadar “abraços” (Hugs, em inglês, no sentido de passar bem perto de algo) e “beijos”, ao passar ao lado de uma construção. O primeiro é algo constante e progressivo, enquanto o segundo acontece uma vez por edifício.

Saber gerenciar a movimentação do personagem de forma a arrecadar o máximo possível de pontos ao levar em consideração os ventos e o posicionamento das diferentes estruturas é o cerne do jogo, e algo que se revela estranhamente gratificante, conforme você pega o jeito da coisa.

O jogo certamente vale o investimento, já que o retorno em termos de diversão é garantido. Agora, não é compra essencial ou mesmo algo que estaria no topo da lista de desejos de alguém. Porém, se você busca uma diversão rápida — as partidas duram todas, no máximo, poucos minutos, e algumas alguns segundos — despreocupada, e certamente inovadora, é um game a considerar.Mostrando o dedão!

Nós certamente gostamos do que vimos, já que esperávamos muito menos quando olhamos para um nome tão apelativo. No entanto, a simplicidade do jogo faz com que seus aspectos gerais sejam bem polidos, e a experiência final seja algo divertido e descontraído, que acaba envolvendo o jogador.

Irreverência

A começar pelo slogan da desenvolvedora, tudo no jogo é escrachado. O jogo tira sarro de qualquer coisa, inclusive de si mesmo. Isto pode ser visto já no próprio nome, com seus quinze “As” consecutivos. Mas você terá absoluta certeza de que os desenvolvedores perderam a sanidade quando conferir alguns dos níveis que podem ser destravados com pontos.

Entre eles estão: uma espécie de guia de meditação, que instrui o jogador — através de alguns passos simples — em como relaxar e meditar na frente do computador; um guia de meditação falido, que utiliza o stereo dos fones de ouvido para irritar; um tutorial que ensina a fazer biscoitos de Natal... A loucura é interminável.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Dentro das próprias partidas isto também pode ser conferido. O jogo claramente diz que o gesto utilizado para desprezar os seus opositores é “flip off”, que significa mostrar o dedo do meio. Obviamente que não é este o gráfico apresentado, mas dá para entender que o jogo é bem politicamente incorreto — o que pode ser visto nos prédios que devem ser pichados: edifícios do governo.

Facilidade de aprendizado

É óbvio que, para descobrir todas as nuances do jogo, é preciso gastar várias horas em cima dele, de forma a acostumar-se perfeitamente ao modelo de física utilizado. No entanto, pegar o jeito dos pulos e terminar as fases é algo que qualquer pessoa pode aprender em quinze minutos — o que certamente é muito bem-vindo em um jogo casual e irreverente como este.

Além disso, estratégia só se torna um elemento crucial quando você está competindo por pontos, já que de início tudo o que você precisa é de reflexos rápidos para reagir aos cenários ainda desconhecidos. Assim, a experiência de aprendizado e descoberta não é monótona, mas também empolgante.

Variedade

Existem diversas formas de arrecadar pontos, desde cair bem perto dos prédios até acertar pássaros durante a queda ou entrar em espaços diminutos. Pichar prédios do governo, quebrar algumas placas transparentes e acenar para pessoas também são formas válidas de juntá-los. Tudo isto faz com que existam diversas maneiras diferentes de completar as fases, e cabe a você decidir como.

As fases devem ser compradas

Além disso, existem fases que focam em determinados aspectos do jogo e expõe desafios específicos, o que é bastante refrescante em termos de jogabilidade. Encontramos até mesmo, perdido no meio dos cenários, um em que você é quase uma bola de “pinball”, e deve acertar as construções ao invés de evitá-las.

Ranking em tempo real

Quando você seleciona uma fase, o jogo automaticamente busca as melhores pontuações dela e as expõe para você. Assim você pode competir com os mais dedicados usuários do game mundo afora sem ter que acessar um site para isso, ou mesmo sair da tela de seleção de cenários. Tudo em nome do conforto, não é mesmo? Afinal de contas, uma queda livre de vários minutos é cansativa o suficiente...

Cumprimento das promessas

São poucos os jogos que cumprem aquilo que prometem de forma adequada, mas este é um deles. O título se propõe a ser um game sobre basejumpers e expande a proposta o suficiente para torná-la divertida, sem tornar a coisa toda excessivamente pomposa ou maçante. Você pula de prédios e deve arrecadar o máximo possível de pontos. Simples assim.

Gráficos

Mais simples, impossívelEmbora a simplicidade seja uma das apostas — e ser o estilo de jogo que não pode ter sequer uma queda mínima de frames, pois comprometeria seriamente a jogabilidade — os gráficos estão longe de ser algo impressionante. Bem longe, na verdade, já que não poderiam ser mais básicos do que isto. Servem o propósito do game, certamente, mas não seria nada mal se tivéssemos algo mais elaborado.

Trilha sonora

Este é um item em que hesitamos a categorizar. As faixas são boas, de alta adrenalina e combinam com o estilo de jogo do título. O problema é que não existe muita variedade, e acabam se tornando repetitivas conforme você passa mais tempo jogando — e considerando que são necessárias muitas tentativas em uma mesma fase para conseguir a melhor pontuação, isto não é nada bom.

Falta de alguns recursos

Algo que nos pareceu perfeito para este jogo após algumas partidas, mas que não existe, é uma espécie de modo “fantasma” — aquele em que a sua jogada anterior aparece na forma de um espectro e repete o mesmo caminho, ao mesmo tempo em que você está tentando novamente. Assim, seria possível aprimorar muito mais precisamente suas habilidades.

Outra coisa interessante seria algum modo multiplayer, tanto competitivo quanto cooperativo. Dividir tarefas, ou mesmo tentar atrapalhar o outro basejumper enquanto se tenta coletar o maior número possível de pontos teria sido algo, na nossa opinião, bastante divertido. Talvez algo a se pensar para uma possível sequência ou patch...

79 pc
Bom