A série que não decepciona retorna com novos combates aéreos de tirar o fôlego.

Ace Combat Zero: The Belkan War é um jogo onde você pilota aviões de combate, como o famoso F-15 Eagle e o F/A-18 Hornet, realizando diversas missões, que vão desde escoltar aeronaves aliadas até abater inimigos considerados ases da aviação militar. Não arriscando ao apresentar os mesmos parâmetros dos títulos anteriores, apesar da dinâmica já bastante conhecida, Ace Combat Zero não decepciona, contando uma história interessante e introduzindo as esquadrilhas inimigas de elite, que aumentam o desafio mesmo para veteranos da série.

A série Ace Combat é atualmente a melhor opção de combate aéreo no Playstation 2. É possível afirmar isso com convicção, devido à escassez de jogos similares. O competidor mais próximo poderia ser Lethal Skies, mas infelizmente a série não lançou nada desde 2003, deixando os fãs do gênero com apenas uma opção decente. Cada título de Ace Combat foi uma adição sólida, embora sempre construídos sobre a mesma fórmula. Pelo menos não existem surpresas desagradáveis, sendo uma das séries mais confiáveis desde o Playstation 1.

Dois mercenários em uma guerra particular
Neste sexto jogo são apresentados os acontecimentos que levaram à "Unsung War” de Ace Combat 5. Em tom de flashback, ficamos conhecendo a história de Cypher (seu personagem) e Pixy (seu companheiro de batalha), mercenários que são contratados para lutar contra a nação de Belka e sua sede de domínio territorial.

O enredo é interessante para um jogo de guerra, e procura não focar tanto em armamentos com poder de destruição mundial ou generais insanos que travam uma guerra por dominação. O tema do jogo é mais simples, explorando as reflexões de dois pilotos de aluguel, que procuram a melhor maneira de cumprir sua missão enquanto questionam suas ações. Embora você nunca estabeleça um laço estreito com seu personagem, pelo menos fica mais fácil aceitar as missões, pois elas estão coerentemente ligadas dentro do tema “defenda a nação inocente sob a ameaça do país malvado”.

Pequenos detalhes ajudam na imersão na história: em uma das missões você ataca vários alvos terrestres que estão estacionados em uma cidade aliada, e conforme eles são abatidos você ouve no seu rádio a população se levantando contra os invasores. Um dos cidadãos resolve tocar um sino, a fim de que todos fiquem sabendo da derrota dos inimigos, e no meio do calor da batalha você pode ouvir o sino tocando ao fundo. Essa e pequenas outras adições vão construindo a afeição do jogador pela história e pela sua missão.

A apresentação do jogo também é muito boa, com menus e vídeos que ajudam a estabelecer o clima de guerra. O enredo é frequentemente cortado por novos acontecimentos, aos quais os participantes precisam se adaptar, como em uma guerra de verdade. Ocasionalmente você poderá escolher quais missões quer cumprir, o que afeta as missões subsequentes. A liberdade de escolha é importante, porque permite que sejam eliminadas boa parte das missões de escolta (escort), que podem ficar incrivelmente difíceis dependendo do nível de dificuldade escolhido. Aliás, o jogo é suficientemente difícil no nível normal, que deve satisfazer a maior parte dos jogadores.

Pilotos de elite
As batalhas continuam trabalhosas, principalmente quando envolvem alvos aéreos e terrestres ao mesmo tempo. Mas o jogador médio (ou qualquer um que já jogou Ace Combat antes) deve passar por elas sem maiores problemas. O desafio nesta nova versão está na adição de esquadrilhas de elite, com pilotos muito melhores do que aqueles que se apresentam no início das missões.

Estas esquadrilhas costumam aparecer em momentos críticos, normalmente quando você acabou de cumprir os objetivos mostrados no briefing da missão e já estava relaxando e se preparando para a próxima fase do jogo. Cada esquadrilha utiliza jatos que normalmente são melhores do que o seu, com brasões e históricos próprios, deixando claro que são osso duro de roer. Sua introdução também é feita através de cenas próprias.

Em geral possuem uma alta capacidade de manobra e na maior parte do tempo você é quem vai estar na mira deles. Guarde suas armas especiais e os mísseis de longo alcance para estas partes do jogo. Aprenda a se manter em grandes altitudes, a fim de poder realizar os loopings que permitirão desviar dos mísseis e, com sorte, terminar a manobra atrás do inimigo.

Felizmente você pode contar com Pixy para ajudá-lo. Através dos direcionais digitais é possível controlar o comportamento de Pixy, e ele normalmente se sai bem. Mas também apresenta problemas sério para lidar com os pilotos acima mencionados. É uma boa idéia revisar o seu estilo de jogo e as manobras e direções tomadas por Pixy em cada um dos cenários iniciais. Isso pode ser feito através do replay técnico, que aparece atrás do menu de resultados da batalha, depois do encerramento de cada missão.

Máquinas de guerra
Além dos replays técnicos, também estão presentes os conhecidos replays visuais, como os de Gran Turismo. São muito úteis para revisar sua performance, mas também são incrivelmente divertidos de assistir, principalmente quando você fica esperando pra rever momentos especiais como aquele rasante no meio dos prédios ou um míssil certeiro depois de dez minutos perseguindo um jato inimigo.

Os modelos dos aviões se baseiam nos jatos reais e fazem um bom trabalho de recriação em 3D. As aeronaves são especialmente bonitas em jogo assim como nos menus de compra e venda. Algumas manobras mais ousadas parecem artificiais (loopings com diminuição brusca de velocidade), mas não são facilmente notadas e o comportamento delas em vôo é muito satisfatório.

Já os cenários não apresentam tanto cuidado. Quando vistos de muito longe, parecem bonitos e reais, porém basta se aproximar um pouco (o que acontece com frequência em Ace Combat) para ver pixels enormes, até mesmo nas construções. O mar é especialmente feio, e parece uma textura azul de parede, estática. É bom não prestar muita atenção e se concentrar no combate.

A vantagem dos cenários genéricos é que os loadings são rápidos, bem como os saves. Talvez isso seja o mais importante pra um jogo de ação. Os menus de jogo seguem o padrão da série, sendo agradáveis dentro do tema, mas os dados sobre os aviões poderiam apresentar mais detalhes, como velocidade máxima, ano de fabricação etc. As estatísticas de jogo e medalhas adquiridas são complementos interessantes para jogadores hardcore, sendo atualmente um padrão nos jogos Ace Combat.

Guerra Espanhola


A trilha sonora não se destaca na maior parte do tempo, mas às vezes surpreende, como na apresentação inicial. Também em alguns momentos críticos do jogo, ela muda drasticamente, adotando toques das guitarras espanholas e lamentos ciganos. Causa estranheza na primeira vez devido ao seu ar exótico, mas depois se incorporam naturalmente ao jogo. É uma escolha interessante dos desenvolvedores, que poderiam ousar com mais frequência.

Os efeitos sonoros seguem o padrão da série, sem inovações. As vozes foram ampliadas, principalmente os comentários ouvidos no rádio; elas são apresentadas de acordo com suas ações e com o seu alinhamento no jogo, que pode ser “mercenário”, “soldado” e “cavalheiro”, dependendo dos alvos que você escolhe destruir.

Infelizmente alguns comentários se repetem demais, e nem sempre estão alinhados com o que acontece em cena. Mas isso se aplica apenas aos comentários de seus companheiros. As intervenções de civis e do comando sempre são interessantes, trazendo um colorido adicional ao enredo ou dando informações úteis sobre os alvos.

Ace Combat Zero: The Belkan War se junta de forma competente aos outros jogos da série, expandindo de forma tímida a experiência já conhecida pelos fãs. É altamente recomendado para os apreciadores do gênero, um pouco por falta de opção, mas também porque oferece uma ótima jogabilidade e bom nível de diversão dentro do que se propõe fazer.

87 ps2
Ótimo