Alice continua perdida no País das Maravilhas

Tim Burton reinventou o clássico de Lewis Caroll conferindo o seu característico tom gótico fantástico. O já alucinado universo de Alice e seus companheiros mentalmente alterados são vistos por uma perspectiva ainda mais perturbada e colorida.

Agora, a nova adaptação cinematográfica da obra de Caroll finalmente chega aos video games em um título que, apesar de limitado, consegue dar conta do recado. Não se trata da versão perturbada de American McGee, mas sim do jogo oficial do filme produzido pela Disney.

Resumindo a obra, Alice in Wonderland é de fato um dos melhores jogos inspirados em filmes que já apareceram nos consoles e computadores — o que por si só não significa muita coisa. O jogo é interessante, especialmente para quem gostou do filme, todavia suas limitações podem irritar os jogadores mais exigentes.

Os visuais são belos, porém problemáticos e aquém das produções medianas dos consoles de sétima geração. Se você aprecia jogos de aventura talvez este título seja uma boa pedida. Caso prefira jogos mais desafiadores é melhor deixar Alice perdida no País das Maravilhas.

Através do espelho

A sincronia das vozes e os modelos podem não ser os melhores, no entanto toda a apresentação do jogo é condizente com o universo proposto por Tim Burton na sua adaptação dos clássicos de Lewis Caroll.

Os gráficos são belos — apesar dos graves problemas de framerate — e a estética cartum ajuda a mascarar muitas das falhas do jogo. No final, Alice in Wonderland supera com larga vantagem a maioria dos jogos baseados em filmes.

Nada mal

A jogabilidade é excepcionalmente bem-adaptada. Você comanda uma série de personagens diferentes (que integram uma espécie de “party” permanente), cada qual com poderes peculiares.

Infelizmente a criatividade dos poderes e dos enigmas acaba se perdendo um pouco no marasmo do combate (nada desafiadores) e na repetitividade dos níveis.

Bando de lunáticos

Outro ponto interessante é o suporte para partidas multiplayer. Os jogadores podem embarcar em duplas controlando dois personagens (podendo trocá-los à vontade) durante a campanha normal.

Como no modo single player você pode comandar o Coelho Branco, a Dormidongo, a Lebre de Março e até mesmo o Gato Risonho e o Chapeleiro Maluco

“Tão louco quanto uma caixa de sapos!”

A câmera é um dos elementos mais problemáticos de todo o jogo. Você até pode movimentá-la — utilizando as setas direcionais do teclado —, entretanto o posicionamento automático dificulta muito as coisas, prejudicando significativamente a visualização do cenário, especialmente durante os combates.

“Pelo contrário”

Destoando de todo o resto do jogo — que é extremamente colorido, criativo e totalmente ensandecido — o sistema de combate é monótono, pouco desafiador e extremamente fácil. Em todas as cenas de combate na verdade você deve derrotar inimigos enquanto protege Alice. Sem grande desafios, o sistema resume-se a pressionar freneticamente a tecla H (de ataque).

Slideshow

Os gráficos podem não ser um primor, mas não são exatamente ruins. Todavia quando o jogo entra nas cenas de corte o framerate cai consideravelmente e parece que você está assistindo quadro a quadro. Lamentável.

Faltou dedo

Por sinal, a disposição das teclas de comando não é nada amigável. Além de não vislumbrar a utilização do mouse, o jogo propõem movimentos pouco confortáveis.
Se na versão de Alice para o Nintendo Wii, você comandava tudo através do Wiimote — realizando movimentos naturais e intuitivos —, nos computadores tudo é realizado no teclado.

O problema é que os comandos propostos continuam os mesmos, a única mudança é o periférico de entrada (no caso o teclado), nada adaptado para a ação.

Para que serve então?

O título até concebe a possibilidade de utilizar os poderes de cada personagem durante as lutas, no entanto tudo não passa de perfumaria, já que estes não são efetivamente úteis durante os embates.

Além disso, para conseguir usá-los você deve comprar aprimoramentos utilizando bônus especiais — entretanto o jogo faz questão de dificultar todo o processo tornando praticamente impossível a localização desses bônus (peças de xadrez).

65 pc
Regular