Uma síndrome... De jogo clichê

O Nintendo Wii quase sempre foi discriminado por ser uma plataforma mais "família", sempre apresentando jogos casuais e práticos. A interatividade com movimentos corporais é, com certeza, o ponto forte do console, mas alguns desenvolvedores simplesmente não conseguem aproveitar essa qualidade espetacular do Wii.

Sim, é da Totally Games que estamos falando. E sim, Alien Syndrome — um remake de um clássico de 1987 dos fliperamas — é um dos títulos que tenta fugir da casualidade presente em vários games para o console da "Big N", mas não obtém sucesso nem mesmo em empregar a sensibilidade de movimentos do Wii Remote e do Nunchuk de maneira convincente.

Enfim, Alien Syndrome é um game que leva os jogadores a assumirem o papel de Aileen Harding, uma combatente espacial que briga para manter a ameaça "alien syndrome" erradicada. A trama não tem nada de formidável e infelizmente entra em sintonia com a pobre qualidade das demais bases do jogo.

Trata-se de uma mistura entre ação e RPG. Há a possibilidade de escolher uma classe, criar um novo perfil e partir diretamente para o combate com até três outros jogadores. É curioso constatar que a tela Create New Character (criação de personagem) é apenas uma escolha entre as classes Demolitions Expert, Firebug, Seal, Tank ou Sharpshooter. Felizmente, o jogo não é o ruim o suficiente para que não haja a chance de carregar um personagem já escolhido.

Cada uma das cinco classes conta com pequenas peculiaridades. As características específicas exibidas na tela fazem referência aos atributos — Strength (força), Accuracy (precisão), Dexterity (destreza) e Endurance (resistência) — e aos tipos de ataque (a longa distância ou corpo-a-corpo). Além disso, há um sistema de aptidões que permite o uso de certas armas e a melhoria de determinados aspectos de combate, como maior quantidade de dano causado em ataques críticos.

Diferente? Como?

Algumas unicidades presentes no game distribuído pela SEGA consistem na presença do SCARAB, uma espécie de robô que, além de auxiliar na pancadaria, permite a criação de itens. No início, é até interessante descobrir como funciona a utilização dos Resource Points para a criação das melhores armas e armaduras, mas a coleta de itens que "caem" dos inimigos derrotados é mais recompensadora que o uso do SCARAB. Em outras palavras: os RPs são úteis a longo prazo apenas para a obtenção de itens que recuperam energia ou para a fabricação de munição.

Caso o gamer deseje chamar três amigos para o combate, é interessante saber que não é possível ligar ou desligar o Friendly Fire (fogo amigo). E vencer as diferentes criaturas e os chefes de cada fase é ainda mais fácil como um time, visto que estão disponíveis apenas três níveis de dificuldade (Normal, Hard e Expert), mas apenas o nível Normal é desbloqueado inicialmente.

Em meio à matança de alienígenas, os combatentes podem participar de diferentes mini games. Um deles é o Bio-Augmentation, que manipula o DNA para que pontos de proficiência e atributos possam ser melhorados. De forma igualmente simples e prática, o jogador também consegue conferir um mini game necessário para a abertura de baús especiais que contêm bons itens.

À parte disso, não há como dizer que Alien Syndrome conta com características extraordinárias em comparação com outros games de ação. Mais uma vez, é importante ressaltar que os desenvolvedores não conseguiram aplicar a movimentação dos controles do Wii no combate de maneira expressiva. Realizar golpes e movimentos precisos durante os embates é algo que definitivamente não conta a favor do jogo.

Falando em combate, a praticidade toma conta. Só que o tutorial é tão decepcionante (apenas uma tela que meramente exibe a lista de comandos e combinações sem nenhum tipo de aplicação prática antes do início da campanha) que muitos gamers conseguirão chegar ao fim das fases apenas com os golpes básicos. Distribuindo sabiamente os pontos de atributos, nada é tão difícil. Paciência (melhor dizendo: tolerância) é tudo.

Se você gosta de jogar dinheiro fora, vale a pena Os usuários do Nintendo Wii merecem games muito melhores que Alien Syndrome. Infelizmente, a SEGA não obteve sucesso na recriação do clássico dos fliperamas. Diversão não é algo que consta no game.

Um dos maiores defeitos do jogo é a falta de qualquer diferencial em relação a games semelhantes. Há jogos de menor porte que esbanjam em qualidade em relação ao título da Totally Games. Falta de estrutura, aspectos clichês e problemas técnicos inundam este game, que quase chega a ser de outro mundo... De tão fraco que é.

Para passar o tempo

Para aqueles jogadores que têm muito tempo livre e perseverança de sobra, este game é um passatempo razoável. A combinação entre um estilo tradicional de perspectiva de visão por cima ("top-down") com uma jogabilidade simples e o extermínio de criaturas feiosas pode cativar jogadores bem jovens.

De vez em quando, surgem momentos nos quais pequenas surpresas são encontradas. Certos cenários possuem paredes revestidas com canos destrutíveis, que liberam um gás tóxico. Às vezes, é necessário aguçar a intuição para escapar de muitas enrascadas. Se um bicho "gruda" em Aileen, é preciso chacoalhar o Wii Remote para que o alien se desprenda da personagem e possa ser trucidado.

Praticidade

Por mais que os controles não sejam favoráveis a uma boa experiência de jogo, pode-se dizer que não demora muito para que o combatente domine os comandos mais utilizados na pancadaria. Seja na aplicação de investidas corpo-a-corpo ou no disparo de projéteis a longas distâncias, o jogador consegue decidir o que fazer nos momentos certos.

O game é amigável, pois há a chance de pausar tudo para a utilização do SCARAB e para a distribuição de novos pontos de atributos e aptidões se o personagem controlado passe de nível. Os aspectos RPG amenizam um pouco o fato de que Alien Syndrome é um game simplório, dotado de características pouco expressivas.

Clichê em praticamente tudo

Trama. Jogabilidade. Estilo. Recursos técnicos. Tudo é simples demais e não chama a atenção de quem possui um mínimo de senso crítico. A tentativa de recriar um clássico das antigas acabou resultando em um game frustrante, que não inova em nenhum ponto. Pois é, nenhum.

O sentimento de "mesmice" pode tomar conta da maior parte dos jogadores que se arriscarem a participar dos combates contra alienígenas pouco atraentes. Mesmo com monstros diferentes a cada nível e o uso de armas alternativas (que definitivamente não é necessário), o título da Totally Games é entediante.

Problemas e mais problemas

De um ponto de vista técnico, é difícil avaliar Alien Syndrome de forma positiva. O que dizer de um jogo que apresenta clipes... Sem animações? A partir do momento em que o jogador visualiza "vídeos" montados a partir de cenas estáticas, dotadas de um trabalho de arte nada convincente, é fácil perceber que o game está longe de ser divertido.

Os gráficos lembram bastante os títulos criados para o primeiro PlayStation. Serrilhados, texturas deploráveis, efeitos demasiadamente simples... A Vicious Engine faz um trabalho lastimável neste jogo. Além disso, os sons colaboram com a atmosfera enervante e repetitiva que assola toda a experiência.

Como se tudo isso não bastasse, há os bugs. Que tal encontrar um baú "escondido" (bem, a exibição completa do mapa facilita bastante), abri-lo e não poder coletar um item interessante devido a um bug do posicionamento do objeto?

Enfim, chato

Uma vez dominada a jogabilidade, os combates com os chefes ficam ridículos. E, se o gamer realmente souber como controlar o uso do escudo e dos itens que recuperam energia, é possível até mesmo derrotar uma quantidade impressionante de inimigos (e o chefe no meio) enquanto o personagem controlado está encurralado em um canto do cenário.

Os procedimentos para a superação das fases se tornam repetitivos em pouco tempo de jogo. O "spawn" (surgimento dos oponentes em ambientes próximos) é um dos maiores inimigos do gamer, pois muitos alienígenas são extremamente chatos.

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