Estes aliens do sótão mereciam estar esquecidos no porão

Quando tivemos que escolher o jogo para a análise de hoje, fomos atrás de um título para o Wii, visto que já se passaram quase duas semanas desde que avaliamos um game para o console. Então vimos Aliens in the Attic, uma adaptação do filme “Pequenos Invasores” — este é o nome em português, o nome do jogo reflete o nome original em inglês — e decidimos dar mais uma chance aos games de filmes.

Ledo engano. Enquanto existem, de fato, adaptações que fazem jus a suas fontes originais das telonas, Aliens in the Attic cai no pútrido poço que engloba a maioria dos jogos baseados em filmes: um título horrível, que não serve nem mesmo para fazer propaganda da produção cinematográfica. Sim, o jogo é muito ruim, mas vale a pena ler o resto de nossa análise pois ela expõe pontos que exemplificam perfeitamente erros imperdoáveis cometidos no momento da elaboração do game.

A história segue a trama do filme, em que uma família se retira para um feriado em uma casa de campo. A coisa se complica quando alienígenas pequeninos aterrissam na propriedade e controlam a mente de alguns deles. Crianças não são afetadas por este dispositivo, e consequentemente devem derrotar os invasores — cujo objetivo é nada menos do que dominar o mundo, como você já devia ter adivinhado.

Entendemos que, assim como o filme, o jogo é voltado para o público infantil e pré-adolescente. Porém, como gosto de ressaltar, ser criança não significa ser estúpido ou mesmo ignorante. Basta que olhemos para nossas infâncias, quando gostávamos dos jogos que eram genuinamente bons ou que tocavam algum ponto que apreciávamos. Porcaria sempre foi e sempre será porcaria, quer tenhamos 10, 20, 40 ou 60 anos de idade.

Esta falta de tato na hora de criar jogos para crianças é algo que parece afetar especialmente os desenvolvedores de adaptações de filmes. Mas não estamos aqui simplesmente para massacrar o título, e sim destrinchar seus pontos fortes e fracos, não é mesmo? Mesmo que os primeiros sejam bastante difíceis de encontrar, neste caso... Mas passemos a eles.

Preciso mesmo responder, após tudo isso? O jogo é deprimente, como poucos que analisei até hoje. Ele deveria possuir um aviso contra falta de ar e ansiedade ao jogá-lo, além daqueles tradicionais sobre epilepsia — esta última, inclusive, deve ter um alto índice neste game se comparado aos outros jogos existentes.

Não existe razão alguma para qualquer pessoa comprar este jogo ou mesmo alugá-lo, e o simples fato de alguém tentar cobrar para que os outros o joguem é uma afronta à dignidade humana. Quem sabe o Baixaki Jogos não luta para incluir este game no artigo primeiro da convenção das Nações Unidas sobre a tortura, para poupar gamers do mundo inteiro. Até lá, fique bem longe deste título ignóbil.

Não abusou do sensor de movimento

Se existe algo pior do que controles ruins, é um design ruim destes ditos controles. No Wii, isto se reflete principalmente do uso exagerado do sensor de movimento em games que não necessitam disso. É um vício que ocorre frequentemente quando o jogo tenta compensar conteúdo pobre com uma mecânica forçada — e, felizmente, Aliens in the Attic não o faz.

Se você está supreso por este ser o único ponto positivo do título, devemos dizer que nós também ficamos. Mas realmente não existe nenhum outro ponto que merece destaque nesta produção medíocre, e não existe razão para mentirmos a respeito. Então confira abaixo o que fez com que este game afundasse mais rápido do que uma canoa atravessada por uma bala de canhão.

Apresentação ridícula

Você já percebe o tom do game logo no início, quando da cutscene de abertura. Ela mostra cápsulas no espaço entrando em um planeta (não é a Terra). E corta. Sim, corta. Não existe qualquer diálogo, narração ou algo parecido. Apenas uma cena de animação mal-acabada que corta no meio do caminho sem explicação aparente. E então o game te joga no controle dos aliens.

Os gráficos, assim como as cutscenes, são precários. Além de serem ruins para os padrões do Wii, eles não possuem acabamento e são absurdamente inconstantes. A taxa de frames por segundo cai sem explicação, nos lugares mais aleatórios. Não importa se existe muita coisa na tela ou se você está olhando para a parede, ela simplesmente cairá em momentos diferentes sem razão aparente.

A trilha sonora parece uma piada. Não existe qualquer trabalho de voz por parte de personagens ou mesmo de um narrador e os sons ouvidos durante o jogo parecem reciclados de alguns restos não-utilizados de filmes ruins. Em momento algum você percebe qualquer alteração significativa.

Jogabilidade infame

Você controla os quatro aliens do filme. Por que cargas d’água decidiram colocar o jogador no papel dos aliens é algo que só Deus sabe, já que no filme o espectador se identifica com os humanos. Cada um deles possui habilidades distintas (e nomes estranhamente familiares à língua inglesa: Tazer, Razor, Skip e Sparks) que servem para transpor os diferentes obstáculos — que mal podem ser chamados de desafios — do jogo.

Tazer possui uma arma e pode lançar granadas que causam dano; Razor pode pular duas vezes e girar atacando vários inimigos ao mesmo tempo; Skip pode desorientar os oponentes e mordê-los; Sparks fabrica granadas e atordoa os inimigos com elas. Pode parecer variado, mas você passa mais da metade do jogo como Razor por causa de seu pulo duplo.

Assim, a variedade perde todo o sentido. Você controla sempre Razor e quando precisa realizar algo, troca para o alien específico e volta para Razor em seguida. Tudo com controles muito ruins e nada instintivos, complementados por animações sofríveis que tornam a experiência toda um suplício. O sistema de combate é o pior de todos, já que os inimigos são mais burros do que uma pedra e os ataques são péssimos de utilizar.

Diversão zero

O quesito mais importante de qualquer jogo está, sem dúvida alguma, ausente deste título. Pode parecer exagerado dar nota zero à diversão de um game, mas quando você se sente fisicamente mal ao jogar um título, sabe que algo está errado. Não é exagero, no meu caso — Hélio, o responsável por realizar a análise — eu realmente fiquei com falta de ar e ansiedade ao jogar este game, além de uma leve dor de cabeça. Algo que não havia acontecido com nenhum outro até então.

A causa disso é um conjunto realmente pobre. Não existe objetivo no jogo, a impressão é de que não houve discussão a respeito do que a equipe de desenvolvimento estava buscando, ou mesmo que ninguém se responsabilizou pelo game design. Os “desafios” são meramente um “frankenstein” de elementos de outros títulos, aplicados de forma ruim.

Confuso ao extremo

Já que não existe nada que preste no título, espera-se que ele ao menos conte a história de forma decente? A resposta é: não. O jogador em nenhum momento entende o que está acontecendo, especialmente porque não existem falas. As primeiras fases se passam em um planeta obscuro não mencionado, coisa que nem mesmo existe no filme.

Além disso, o jogo é absurdamente curto e os chefes encontrados são bichos como aranhas e escorpiões, algo completamente surreal. Fora o fato de a casa em que se passa a aventura ser completamente fora da realidade, já que existem botões dentro de dutos de ventilação e estes são tão grandes que parecem uma fábrica.

Esta falta de compromisso com qualquer tipo de veracidade — dentro da proposta do game, assumindo que alienígenas verdes e diminutos existam — torna a coisa toda ainda pior: um dos chefes de cenário é um humano que, ao pisar no chão, emite ondas que machucam os aliens! Tenha dó...

Pior câmera de todos os tempos

O subtítulo diz tudo. A câmera é o pior elemento deste jogo. Ela estraga completamente as partes de plataforma mais “desafiadoras”, e sua movimentação é horrenda. Muitas vezes ela muda no meio de pulos, o que faz com que, como você está segurando o analógico para um lado, seu personagem mude de direção sem que você queira. A maior dificuldade do jogo é driblar a câmera.

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Vergonhoso