Três jogos em um, mas a qualidade não se multiplicou tão bem

É impossível não ter um pouco de preconceito na hora de analisar jogos baseados em filmes. Afinal de contas, a grande maioria deles é, simplesmente, ruim. Mas este título da Rebellion Games possui várias coisas a seu favor antes mesmo de começarmos a jogá-lo: entre elas o fato de ter sido produzido pela mesma empresa responsável pelo aclamado game de mesmo nome, de 1999; e a existência de dois grandes ícones do cinema em um só título.

Não há como negar que, após tantos títulos nesta franquia, o padrão de comparação já é um tanto quanto alto. Afinal de contas, se a desenvolvedora conseguiu elaborar algo digno de notas como 9, na época, podemos esperar uma compreensão suficiente do universo da marca para que o resultado seja, ao menos decente. Mas atingir esse objetivo não é fácil.

Aliens, Predadores e Marines. As três facções envolvidas em um conflito de escala interplanetária retornam em uma narrativa que explora, por três pontos de vista, os acontecimentos em um determinado planeta que contém artefatos pertencentes aos Predadores. Quando os humanos tentam descobrir os segredos da pirâmide que abriga tais artefatos — ao mesmo tempo em que tentam controlar os Aliens — a coisa toda desanda e descamba para um conflito de três frentes.

O mérito do título, assim como o de seus predecessores, é primariamente a disponibilização de três estilos de jogo diferentes em um só game. Todos do mesmo gênero, combate em primeira pessoa, mas as diferenças da jogabilidade e da ambientação são flagrantes conforme alternamos de espécie — o que torna a experiência suficientemente diversificada e constantemente nova.

É algo difícil de responder, se levarmos em consideração a enorme quantidade de outros FPS de qualidade no mercado nos dias de hoje. O que pode ser dito com certeza é que fãs de Alien vs Predador ou mesmo de uma das duas franquias encontrarão seus ícones reproduzidos fielmente, em uma aventura que é frequentemente divertida.

No entanto, para aqueles que estão buscando um jogo para gastar inúmeras horas em cima, existem outras opções melhores. Aliens vs Predator é um daqueles games bons para entreter por uma dúzia de horas e que satisfazem a sede de sangue do jogador, além de permitir que o usuário entre na pele de seres assombrosos. Cabe a você decidir em qual perfil se encaixa.

Diversidade

Se existe um ponto alto do jogo, que o faz se destacar de outros títulos, é a diversidade. Isso porque o jogador pode em um momento estar tentando apenas sobreviver, na pele de um fuzileiro rodeado por criaturas que estão tentando matá-lo, e na próxima fase já assumir o papel de um predador que deve eliminar sorrateiramente todos os adversários e eliminar quaisquer rastros de sua presença.

Embora o jogo inteiro se passe em primeira pessoa, existem diferenças claras entre o estilo de jogo de cada uma das espécies. Os humanos utilizam um esquema tradicional de FPS, com armas de fogo e capacidades de corpo-a-corpo limitadas. Já os Aliens são mestres da luta de perto, além de possuírem uma mobilidade fantástica. E os Predadores são caçadores natos, utilizando a furtividade e sua tecnologia avançada para ter superioridade em batalha.

Mas a diversidade não se limita aos sistemas de combate em si. Junto com eles, existe toda uma ambientação que transmite ao jogador a sensação de estar jogando games diferentes em cada momento. Com os humanos, a experiência é quase a de um Doom, ou um jogo de “survival horror”; nos Aliens, você é uma besta que destroça tudo o que aparece em seu caminho; e os Predadores são, como mencionamos, caçadores calculistas e treinados.

O resultado é diretamente sentido pelo usuário. Ao jogar com os humanos você sente o suspense; com os Aliens, sente a raiva e o descaso com qualquer tipo de comprometimento com a lógica; e nos Predadores, a sensação de estar no topo da cadeia alimentar e ter os meios de lidar com qualquer desafio individual — mas, ao mesmo tempo, ainda ser vulnerável aos ataques em massa dos oponentes.

Focado na trama

O modo single player do game é, sem dúvida alguma, centrado na narrativa. Existe uma história a ser contada que é revelada gradualmente conforme o jogador completa as diferentes fases de cada uma das três campanhas. Não existe nenhum elemento de jogabilidade excepcional que não tenha sido visto em outros games de combate em primeira pessoa, mas a história com três perspectivas diferentes adiciona uma profundidade maior que raramente vemos por aí.

Especificidades

Não é difícil pegar o game e sair quebrando tudo — ou completando os objetivos. No entanto, é preciso se acostumar com as nuances de cada uma das espécies envolvidas no combate, sendo que a Rebellion fez um bom trabalho de tornar cada uma delas única — até mesmo a interface foi adaptada individualmente.

Os modos de visão diferentes dos Predadores, as armas dos humanos, a capacidade dos Aliens de perceber os inimigos, tudo isto foi reproduzido de forma fiel e o jogador consegue se identificar com os ícones vistos na tela do cinema — e de forma superior aos filmes que retrataram os encontros entre Aliens e Predadores, que foram horríveis.

Som

Outro ponto que merece grande destaque nesse game é o som. Reproduzido fielmente, ele é o principal responsável por inserir o jogador no clima e proporciona imersão muito maior do que qualquer outro aspecto. Desde o som do radar dos fuzileiros até a batida do coração de alvos em torno do Predador — quando ele tem a visão por calor ativada — tudo é muito bem adequado.

Além disso, não há sobrecarga. O que isso quer dizer é que existe sempre a quantidade certa de som na hora certa, o que ajuda a conferir aquele clima certo para os diferentes momentos. Um bom exemplo é quando você está explorando corredores sombrios como um humano e ouve apenas o chiado de um Alien pronto para explodir a sua cabeça.

Jogo para adultos

Algo que foi prometido antes do lançamento e foi, de fato, cumprido. O game possui animações de mortes especiais — as chamadas Trophy Kills — tão brutais que fazem God of War parecer um jogo da Hello Kitty. Desde coisas clássicas como arrancar a cabeça do inimigo junto com a espinha até enfiar a segunda boca do Alien na cabeça de um humano, tudo é bastante gráfico; e de um ponto de vista privilegiado e bem de perto.

Falhas pontuais nos combates

Embora seja divertido entrar na pele de espécies alienígenas, existem alguns pequenos problemas no sistema de combate de todas elas. Nos Predadores, por exemplo, o sistema de travamento automático da mira no adversário, quando você o está socando, pode levar o jogador a se movimentar automaticamente em uma direção indesejada — o que pode resultar até mesmo em mortes caso caia de um precipício.

Nos aliens, seu principal atributo — a mobilidade — pode se tornar um problema. Ao utilizar o “sprint”, o jogador se move tão rápido que chega a ser difícil de controlar a mira ou a direção da movimentação; algo que pode ser especialmente incômodo no multiplayer, no qual qualquer tipo de erro pode ser fatal. Isso porque a quantidade total de vida de todas as espécies é bem pequena.

No caso dos humanos, o problema é mais conceitual. É possível, por exemplo, bloquear golpes das outras espécies com o braço ou a arma, evitando totalmente o dano — a menos que seja um ataque forte. Qualquer tentativa de fazer isso por parte dos fuzileiros nos filmes resultaria em morte rápida, já que no combate corpo-a-corpo os humanos estão em extrema desvantagem e as garras dos oponentes os cortam como manteiga.

Curto

O modo single player do jogo pode ser completado em torno de oito horas caso vocÊ se dedique — as três campanhas combinadas, não cada uma delas. Considerando que a história por vezes parece acelerar sem razão, este é definitivamente um ponto negativo. Existem vários momentos da narrativa que poderiam ser melhor explorados, especialmente na campanha Alien.

Multiplayer estranho

Deixemos claro: o multiplayer do jogo não é de todo ruim. Ele possui vários modos diferentes, desde competitivos como deathmatch por espécies e misturado; um modo em que o jogador começa como o Alien e deve matar humanos para transformá-los até que não sobre nenhum; e até mesmo um em que um Predador solitário deve caçar os fuzileiros.

O problema é que tudo é estranho. Difícil de explicar em palavras, mas alguns aspectos podem ser claramente identificados. Em primeiro lugar, o equilíbrio entre as raças no modo competitivo realmente não é muito bom. Os aliens parecem sempre ter uma grande vantagem, devido à possibilidade de andar por todas as superfícies e poderem pegar os inimigos desprevenidos, gerando mortes instantâneas.

Em segundo lugar, o sistema de encontro de partidas é simplesmente ruim, já que um dos usuários é o servidor e se ele desconectar, todos os outros caem. Junte isso a um sistema inexistente de desbloqueio de habilidades — a única coisa a ser destravada com o XP adquirido em partidas online é uma aparência diferente para seu personagem — e a experiência online simplesmente não é tão divertida quanto poderia ser.

Falta de precisão

Games de tiro em primeira pessoa, como bem sabemos, devem permitir uma precisão suficiente para que o jogador possa eliminar o oponente rapidamente, já que uma exposição prolongada geralmente resulta em morte. No entanto, existem vários problemas com a tradicional falta de precisão dos consoles quanto à mira.

Isso pode ser verificado com todas as raças, mas a razão de termos exaltado o aspecto como um ponto negativo é a necessidade particular do Predador de despachar sutilmente seus inimigos. A combi stick em especial precisa ser arremessada com exatidão, já que mata em um golpe mas requer um tempo de recarregamento antes de poder ser usada de novo. Algo difícil de realizar nos consoles, especialmente considerando a rapidez dos aliens.

Também o disco que os predadores podem arremessar sofre com isso, já que ele é geralmente utilizado para aniquiliar vários inimigos ao mirar em pontos diferentes rapidamente, fazendo-o quicar de um lado para o outro. Algo que não é possível de forma tão boa quanto no PC.

Outro problema é com relação à movimentação, visível especialmente nos aliens. Jogadores acostumados a assumir riscos e realizar ações em sequência de forma rápida terão problemas com o sistema de movimento. Isso porque é difícil, por exemplo, pular do teto para o chão atrás de um humano e virar-se a tempo de assassiná-lo antes que ele o perceba. A solução natural seria aumentar a sensibilidade da virada da câmera, mas isso resultaria em problemas ainda maiores em outras partes da jogabilidade; sem falar que seria impossível controlar o movimento do alien no sprint.

Gráficos inferiores aos de PC

Não que esperemos que os consoles cheguem junto de computadores de última geração, mas nesse título a diferença é notável. Um excesso de “blur” (efeito borrado) é utilizado para disfarçar falhas e sobrecarrega o jogador na hora da movimentação ágil. Sensação de movimento que, por causa desse mesmo “blur”, ocorre mesmo quando o jogador está parado.

De resto, a coisa toda é bastante similar, mas como a maior parte do jogo se passa em movimento, é impossível não perceber as diferenças e considerar que o jogo como um todo parece simplesmente rodar melhor em um computador pessoal.

78 pc
Bom

Outras Plataformas

75 ps3
75 xbox-360