Tenha muito medo de porcos e criancinhas

Há alguns anos, o gênero de terror e suspense em games ressurgiu cheio de força, principalmente por causa do lançamento de títulos como Amnesia: The Dark Descent. O jogo era um FPS soturno, cheio de mistério e com doses cavalares de suspense e sustos vindos do mais absoluto nada.

Alguns anos se passaram e a thechineseroom e a Frictional Games anunciaram Amnesia: A Machine for Pigs, continuação do game de 2010. Apesar de não ser uma sequência direta (os jogos supostamente fazem parte do mesmo universo), A Machine for Pigs coloca novamente o jogador em uma corrida para solucionar um mistério, descobrindo quem você realmente é e as ações que o levaram até aquele momento.

Será que Amnesia: A Machine for Pigs consegue ser um jogo tão bom, envolvente e assustador quanto o seu predecessor ou a expectativa de novos sustos tirou a emoção do título?

Amnesia: A Machine for Pigs é um jogo interessante e tenso, mas, por ser uma sequência de um título que realmente surpreendeu muita gente, acaba ficando com um gostinho um pouco amargo em alguns momentos.

Apesar de um trabalho de som muito bom, a thechineseroom poderia ter se dedicado um pouco mais aos gráficos do game, além de encontrar uma nova maneira de contar a história de alguém sem lembranças dos últimos acontecimentos, o diferenciando um pouco do game anterior.

A Machine for Pigs não é um jogo para todo mundo e, se você não conseguiu se divertir o suficiente com Amnesia: The Dark Descent, não existem muitos motivos para você gostar de sua sequência. Caso você seja um fã do gênero de terror e suspense nos video games, você não se decepcionará ao dar uma chance ao título. Apenas fica a sensação de que ele poderia ser um pouco melhor.

Este jogo foi cedido para análise pela assessoria Evolve PR.

Uma história sinistra para envolver a todos

Amnesia: A Machine for Pigs coloca o jogador no controle do Professor Oswald Mandus. Nos primeiros momentos, você não sabe o direito o que aconteceu, saindo da sua cama enjaulada em busca de seus dois filhos. Vozes distantes o chamam pela sua mansão enquanto você perambula pelos corredores vazios.

Você descobre, logo no início, que o professor vem criando seus filhos sozinho, logo após a sua mulher ter falecido. Depois de uma viagem ao México, ele sofreu com uma forte febre que lhe trouxe alucinações sobre uma gigantesca máquina e porcos. Agora, ele começou a ouvir os barulhos dos seus pesadelos no mundo real.

Aos poucos, com a ajuda de notas, documentos e cartas que você encontra largadaos pelo cenário, você consegue montar o imenso quebra-cabeça que é a história do game . Essa maneira de apresentar a trama é bem interessante e faz com que o jogador tenha vontade de não largar o jogo até descobrir exatamente o que está acontecendo. Isso, claro, até começar a tomar os primeiros sustos.

Porcos. Porcos por todos os lados

Se você já viu algum trailer de Amnesia: A Machine for Pigs, sabe que existe uma criatura que pode trazer grande dor de cabeça ao jogador. Parecendo uma mistura de homem e um porco, o monstro é o grande inimigo do game e provedor de 90% dos seus sustos.

Assim como em Amnesia: The Dark Descent, ao ver um inimigo inicialmente você se sente a pessoa mais indefesa do mundo, já que não conta com nenhum tipo de proteção aos seus ataques. A única solução é correr loucamente, tentando se esconder nas sombras do cenário.

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Essa sensação de impotência perante os inimigos é algo que deixa o título extremamente tenso, já que você nunca saberá o que vai encontrar na próxima sala. Tudo graças ao design bizarro do inimigo.

Um trabalho de som impressionante

Só que todo esse clima de tensão e suspense poderia ir por água abaixo se a thechineseroom e a Frictional Games não tivessem trabalhado tão bem a parte de áudio do jogo. Cada som que você escuta aumenta o seu nível de estresse ou o deixa mais calmo. Cada mudança na competente trilha sonora pode tornar o momento mais épico ou mais amedrontador.

Ainda que seja limitada a poucas falas durante as quase cinco horas de campanha, a dublagem de Amnesia: A Machine for Pigs é muito boa, desde a voz do personagem principal, passando por seus filhos e pela pessoa misteriosa que ajuda o professor a encontrar o seu caminho.

Um conselho: jogue o game com fones de ouvido. Não apenas para entrar mais no clima do título, mas também para aproveitar o excelente trabalho do departamento de áudio da a thechineseroom. Caso você não entenda direito o que os personagens estão falando, não se preocupe. Amnesia: A Machine for Pigs conta com legendas e menus em português brasileiro.

Jogabilidade precisa na medida certa

Como no primeiro game, Amnesia: A Machine for Pigs não dá qualquer tipo de arma para o jogador se defender dos perigos que enfrentará. O único objeto que você sempre carrega é um lampião que o ajuda a iluminar os escuros cenários do game.

Uma mudança em relação ao jogo anterior é que, agora, você não precisa ficar procurando óleo para manter sua chama acesa, podendo utilizar o lampião sem parar durante muito tempo. O problema é que, em alguns momentos, ele pode falhar, além de atrair inimigos até você.

O FPS conta com uma boa resposta aos movimentos do teclado e mouse, o que é excelente quando a única coisa que você pode fazer para sobreviver é correr e tentar driblar os seus oponentes.

O título conta com diversos puzzles que vão desde “puxe uma alavanca e abra uma porta no fim do corredoraté passar por diversas salas, trazendo itens para utilizar em máquinas que o ajudarão a avançar. 

Tensão em um jogo tão difícil quanto um passeio no parque

Amnesia: A Machine for Pigs é, como falamos anteriormente, um jogo tenso. Isso jamais poderá ser negado, mas ele não é um título assustador. Se comparado com Amnesia: The Dark Descent, o novo game é apenas um suspense comum que você vê na TV, ao contrário de uma produção que vai fazer o seu sangue congelar ao ouvir um barulho estranho na madrugada.

No começo do game, você se sentirá impotente, sem saber direito o que fazer. Poucos minutos depois, notará que não existe quase nenhum desafio para enfrentar. Não demora muito para perceber que você está apenas rodando o cenário, ouvindo sons vindos de algum lugar aleatório.

Enquanto em Amnesia: The Dark Descent você realmente temia todo e qualquer som, por melhor que eles sejam no novo game, o clima criado e desafio apresentado não são o suficiente para fazer você se assustar. É como se o primeiro jogo tivesse sido muito assustador e os desenvolvedores por trás da sua sequência resolveram aliviar um pouco para o lado dos jogadores.

Os encontros com os homens-porcos podem deixá-lo tenso, mas a facilidade que você tem para conseguir despistá-los e correr mais que eles é absurda. Enquanto um encontro com um inimigo em The Dark Descent causava pânico nos jogadores, ver um monstro em A Machine for Pigs vai apenas fazer você respirar fundo e partir em disparada para um local seguro.

Um bom meio de explicar melhor essa situação: eu não consegui fechar Amnesia: The Dark Descent até hoje, mas terminei a campanha de A Machine for Pigs em uma sessão de jogo e sem grandes problemas. Se o objetivo da thechineseroom era criar uma versão “light” do primeiro título, a missão foi concluída com sucesso. Mesmo assim, não deixa de ser decepcionante jogar a continuação de um dos jogos mais assustadores dos últimos tempos e dar de cara com uma versão mais “açucarada” dele. Tenso, porém bem mais tranquilo.

Você tem problemas com a escuridão?

Não tem como ser mais direto que isso: Amnesia: A Machine for Pigs não é um jogo bonito.  Inicialmente, você aceita tudo por uma questão de estilo escolhido pelos seus desenvolvedores, mas logo percebe que tudo é uma forma para fazer você passar despercebido por falhas e texturas feias pelo cenário.

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Assim como seu antecessor, o jogo é realmente escuro. O problema com A Machine for Pigs é que ele tenta expandir um pouco mais a aventura, levando o jogador para ambientes externos, que mais parecem um grande salão devido à escuridão e aos efeitos de névoa, que cansam a visão com facilidade.

O design dos cenários também é pouco inspirado, repetindo aquilo que você já viu em centenas de outros jogos que se passam na virada do século 19 para o 20. Até mesmo os ambientes internos não chamam a atenção, passando pelas casas e chegando ao subterrâneo de Londres. Tudo é muito igual ao que você já viu e provavelmente não existirá um momento em especial que ficará na sua memória depois de terminar o game.

75 pc
Bom