A anarquia virou bagunça

No mundo de Anarchy Reigns, a disputa pelo poder mundial teve consequências desastrosas quando os governos decidiram lutar com os seus exércitos. A utilização de todo tipo de armas químicas e biológicas e uma guerra sem fim fez com que a sociedade entrasse em colapso. Ao mesmo tempo, a população inteira sofreu com a poluição e as toxinas espalhadas na atmosfera.

Enquanto os avanços no campo da genética e na robótica resolveram o problema de boa parte da população, todos os anos de combates foram suficientes para mergulhar o estado em um mundo anárquico onde o caos impera nas ruas. Mas será que isso é tão ruim assim?

A apresentação inicial de Anarchy Reigns promete bastante. Há personagens interessantes e um mundo que poderia gerar uma história rica e interessante. Apesar disso, no entanto, uma série de falhas acaba atrapalhando o desenvolvimento daquele que poderia ser mais um ótimo jogo que a Platinum Games poderia se orgulhar de ter no currículo.

Os visuais datados e alguns problemas de jogabilidade (como uma câmera instável e um selecionador de alvos impreciso) tornam alguns desafios muito mais difíceis do que eles deveriam ser. Ao mesmo tempo, as batalhas multiplayer focadas na técnica de cada jogador provavelmente irão afastar aqueles que não querem dedicar boa parte de seu tempo a dominar todos os detalhes do game.

Tudo isso, no final, acaba tornando um jogo que tinha bastante potencial em uma experiência mediana na qual os problemas são muito mais notáveis do que as suas qualidades. Uma verdadeira pena.

Recauchutando um estilo clássico

Um dos gêneros mais clássicos dos video games é o dos beat’em ups. Como o próprio nome sugere (“derrote-os”, em inglês), games nesse estilo – como Double Dragon, Streets of Rage, entre vários outros – colocavam o jogador para derrotar um sem-número de inimigos ao longe de sua jornada (que geralmente envolvia resgatar alguém).

Em Anarchy Reigns, grande parte dos elementos que tornaram esse gênero clássico volta com força total, para a alegria dos saudosistas. Há, por exemplo, a velha divisão de golpes fracos e fortes e o retorno de um terceiro tipo de golpe, mais poderoso, mas que consome parte da vitalidade do jogador – uma faca de dois gumes que precisava ser muito bem administrada no passado por aqueles que desejavam chegar até o final de cada fase.

Img_normalNo entanto, Anarchy Reigns adapta essa jogabilidade para um game em mundo aberto repleto de inimigos muito mais habilidosos que aqueles do passado. Desse modo, além desses golpes básicos, o jogador pode esperar encontrar combinações de botões que realizam movimentos especiais juntamente com um sistema de esquiva que pode salvar a vida (e o progresso) de seus personagens caso o jogador consiga pressionar determinados botões precisamente no tempo correto.

Violência coletiva

Outro ponto forte de Anarchy Reigns é a sua habilidade em conseguir criar partidas multiplayer para até 16 jogadores baseadas em um estilo de jogabilidade até então visto quase que exclusivamente em campanas para um único jogador.

Desse modo, além de desferir golpes rápidos e poderosos, os jogadores são obrigados a aprender a defender e se esquivar rapidamente desse tipo de ataque. Isso gera partidas com montes de personagens controlados por pessoas reais buscando a melhor forma de destruir uns aos outros.

Img_normalAo mesmo tempo, a variedade de modalidades online também surpreende, incluindo um bizarro modo que mistura futebol americano e pancadaria e uma versão própria do clássico “Capture a Bandeira”.

O caos realmente acabou com esse mundo

Tudo bem que estamos próximos do fim da atual geração de consoles. A Nintendo já lançou o seu Wii U e rumores sobre os sucessores do PlayStation 3 e Xbox 360 despontam por todos os lados. Isso, no entanto, não é desculpa para os péssimos gráficos apresentados pelo jogo.

Enquanto os cenários vazios e sem graça do jogo combinam com o clima meio apocalíptico do jogo, é impossível não deixar de reparar em texturas mal feitas, objetos aparecendo do além e na queda da taxa de quadros durante os momentos de ação mais intensa.

Campanha dispersa

Apesar de a Platinum Games ter se empenhado bastante no modo multiplayer de Anarchy Reigns, o game conta com uma campanha principal (que pode ser jogada sob dois pontos de vista diferentes). Mesmo apresentando tanta variedade, contudo, o modo não empolga, além de ser, em muitos momentos, bastante repetitivo.

Nela, o jogador pode escolher começar a aventura no papel de Jack ou Leo (dois personagens que retornam do título MadWorld, lançado originalmente pela desenvolvedora no Nintendo Wii). Durante a sua jornada, no entanto, é possível trocar de personagens (que se alternam entre outros membros de MadWorld e figuras criadas especialmente para o game) e vencer diversos desafios, como derrotar mutantes superpoderosos e escoltar aliados.

Apesar disso, o roteiro raso e as missões repetitivas (nada como ter de derrotar MAIS uma centena de inimigos iguais) acabam estragando a experiência. Além disso, o jogo também repete mecânicas nas duas perspectivas, tornando uma segunda jornada pela campanha principal ainda mais cansativa.

Você precisa experimentar tudo

O jogo oferece dezessete personagens que podem ser controlados nas modalidades multiplayer que precisam ser desbloqueados durante a campanha principal. Como a jogabilidade de todos é praticamente idêntica, não há grandes problemas em começar a aventura online sem tocar na campanha principal. Ou pelo menos isso é que poderia se esperar.

Img_normalIsso porque há itens e golpes especiais que só podem ser utilizadas na jogatina online caso o jogador os desbloqueie antes na campanha principal – uma decisão que força jogadores fãs de um estilo de jogo a ter de se arrastar em uma modalidade que não lhes agrada para obter uma experiência mais completa.

60 ps3
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60 xbox-360