Multiplayer assimétrico em um Tower Defense de ponta-cabeça

Após uma invasão alienígena de grandes proporções, o que restou da Terra é algo bem pouco hospitaleiro. Há armas extraterrestres por todo canto, infraestruturas reduzidas a ruínas e, para ajudar, uma temperatura muito abaixo do que seria considerado “agradável”. Em meio a esse cenário devastado, você, o líder de uma equipe de resistência humana, precisará conduzir seu comboio por entre a pesada artilharia dos invasores. Mas isso é só o começo.

Na verdade, cá entre nós, o cenário pós-apocalíptico pintado para a continuação de Anomaly: Warzone Earth é tão relevante quanto a história pessoal dos personagens de Street Fighter II. Trata-se, na verdade, de uma boa desculpa para que se possa revelar a jogabilidade de um dos Tower Defense mais criativos dos últimos tempos.

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Para quem não encarou Warzone Earth, tratava-se ali da resposta a uma simples pergunta, supostamente feita pela 11 bit studios em algum momento: “E se o jogador não colocasse mais as torres, mas organizasse os comboios que invadem o cenário de um Tower Defense?”. Mas Anomaly 2 vai além da proposta do seu antecessor.

Ok, esse “além” deve ser entendido em termos. Na verdade, caso ligue o seu PC para encarar o modo campanha do novo título, o que você encontrará será algo incrivelmente familiar a Warzone Earth. De fato, a impressão que se tem é a de que o mesmo modo história ganhou novos desdobramentos, culminando em missões inéditas — com algumas poucas surpresas pontuando a trama aqui e ali.

Mas isso certamente muda com o modo multiplayer. Seguindo a tendência atual de produzir modos multijogador em que os competidores não se encontrem em pé de igualdade — estilo comumente denominado de “multiplayer assimétrico” —, Anomaly 2 simplesmente dá um passo natural para a evolução da fórmula.

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Agora você ou um bom amigo podem controlar a tenebrosa artilharia alienígena, em uma disputa de andamento lento mas incrivelmente tenso. Mas não fica só nisso. Vale a pena dar uma olhada nos detalhes — a fim de conferir se o pacote de US$ 15 (aproximadamente R$ 30) da 11 bit studios realmente vale o que é pedido.

O primeiro Anomaly conseguiu uma proeza simples mas incrivelmente inventiva. Ao olhar para o já saturado mercado de títulos Tower Defense, a 11 bit studios imaginou se não poderia ser uma boa possibilidade inverter as coisas — tirando o jogador do tradicional controle de torres para colocá-lo na ofensiva. Com certeza funcionou.

Nesse quesito, Anomaly 2 certamente segue os passos do seu antecessor. Embora seja verdade que o modo single player ganhou muito pouco, a nova geração do RTS soube não apenas aproveitar bem a moda atual do multiplayer assimétrico como ainda o fez de forma muito natural — quer dizer, foi só jogar outro ser humano para controlar as torres, dando uma dimensão tática sem precedentes a um gênero até então bastante simplório.

A adição da funcionalidade à la Transformers também representa um belo upgrade aqui. Todas as unidades ganham agora versões alternativas bípedes — perfeitas para combates mais próximos, acrescentando uma nova dimensão tática à fórmula original do primeiro game.

É verdade que a quantidade excessiva de passos deve desencorajar alguns novatos em pouco tempo — já que realmente demora para dominar todas as mecânicas aqui. Entretanto, é justamente daí que surge também uma variedade e uma riqueza que dificilmente são encontradas em um Tower Defense. E tudo isso por US$ 15. Vale a pena conferir.

Multiplayer Assimétrico

Vários jogos atuais têm seguido a moda do multiplayer assimétrico — no qual você e o seu adversário encontram-se em condições distintas no campo de batalha. Entretanto, Anomaly 2 parece ter uma vantagem óbvia aqui: o próprio conceito do jogo torna a assimetria do modo multijogador uma escolha incrivelmente natural.

Afinal, você já controlava aqueles comboios em um divertido Tower Defense virado de ponta-cabeça desde o primeiro game. Basta, portanto, colocar outro jogador no controle das torres e... Voilà. O resultado é uma interação multiplayer incrivelmente intrincada e singular.

Basicamente, enquanto você prepara o seu comboio de um lado — traçando rotas, criando unidades e fazendo com que o seu avatar no campo de batalha circule livremente, em busca de pontos fracos —, o seu combatente se ocupará de fortificar as ruas e avenidas com a última palavra em armamentos alienígenas.

Tensão no campo de batalha

Sim, Anomaly 2 trata de uma guerra, com cenários devastados e o último naco da humanidade tentando sobreviver como dá. O cenário é desesperador, é claro. Mas o jogo ainda é tático. De fato, trata-se aqui de um RTS com um ritmo muito particular — algo que se origina do próprio conceito do jogo, sem dúvida.

O início aqui é incrivelmente lento. O cenário é apenas de preparação, com ambos os jogadores trabalhando nas fundações de seus projetos defensivos/ofensivos — dando quase a impressão de sonolência, na verdade. Mas esse certamente não é o caso.

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Na verdade, quando se ocupa um dos lados da assimetria de Anomaly 2, é fácil perceber que grande parte da diversão encontra-se justamente nessa fase inicial de preparação. É nesse ponto que se esboçam táticas, e é aqui que você terá a oportunidade de elaborar planos com base em possíveis fraquezas do adversário. Enfim, um “feeling” único em um multiplayer também único.

“É hora de ‘morfar’!”

As unidades disponíveis em Anomaly 2 são realmente muito parecidas com as do jogo anterior — o que não é realmente ruim, considerando-se que o arsenal de Warzone Earth certamente fazia um bom trabalho. Mas há um diferencial interessante aqui: a nova funcionalidade à la Transformers incluída pela 14 bit.

Todas as unidades de Anomaly 2 podem ser transformadas a qualquer momento de carros em versões bípedes — muito semelhantes àquelas já bem conhecidas por qualquer fã da Megan Fox.

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Mas a diferença aqui não é apenas estética. Trata-se, antes, de um diferencial tático extremamente importante. Basicamente, a versão com “pernas” do seu arsenal é mais indicada para ataques próximos, conforme ganha alterações como giro em 360 graus. Por outro lado, a versão com rodas permite que os alvos sejam atingidos de longas distâncias — dependendo da unidade que você esteja utilizando, naturalmente.

Um belo pacote por US$ 15

É verdade que encontrar uma Estátua da Liberdade aos pedaços em um cenário não é lá algo muito original — nem mesmo dentro do gênero RTS. Entretanto, o tratamento gráfico dado pela 11 bit studios certamente consegue compensar qualquer possível falta de originalidade.

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Tanto os cenários quanto as unidades aqui apresentam visuais bastante convincentes. E isso não se limita à famosa estátua estadunidense, na verdade. Em um dos cenários é possível encontrar o nosso Cristo Redentor — embora recriado em dimensões um tanto fora da realidade. Junte a isso reações físicas convincentes e belos efeitos, e o resultado é algo realmente impressionante para um jogo de investimentos relativamente modestos.

Bons motivos para tentar de novo

Longevidade não costuma ser uma preocupação muito comum quando se trata de RTS. Entretanto, dada a natureza singular de Anomaly 2, é possível que a dúvida apareça. A resposta pode ser direta: sim, você terá muito que fazer aqui além de atravessar uma única vez cada cenário.

De fato, cada fase traz diversos objetivos secundários, rankings online e vários níveis de dificuldade. Deve demorar algum tempo até que você consiga extrair tudo o que há em Anomaly 2.

Diversas ferramentas competitivas

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As batalhas em Anomaly 2 têm resultados difíceis de se prever. Quando tudo parece rumar para a vitória certa de alguém, uma jogada de sorte pode simplesmente reverter a coisa toda. E, bem, por trás dessa incerteza bastante viciante, há alguns belos power-ups incluídos pela 11 bit studios.

Um bom exemplo é o upgrade Taunt, utilizado pelo jogador que controla as torres. Utilizar esse power-up forçará todas as unidades do comboio adversário a atirarem em um único alvo — preservando algo que jamais poderia ser destruído logo de cara.

Bom tutorial

Anomaly 2 realmente não é um jogo simples. Embora a proposta possa ser superficialmente explicada em algumas poucas linhas, há aqui uma enormidade de detalhes, mecanismos e funções que demoram para ser apreendidas. E aí vai um ponto para o tutorial do game. Tudo aqui é exaustivamente explicado, mesmo as suas nuances mais “insignificantes”. É de se esperar que daí surja uma comunidade online de jogadores que realmente dominem o conceito singular da 11 bit studios.

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Mas há ainda uma sutileza adicional a ser considerada aqui. Embora o jogo vá lhe ensinar de forma lenta e gradual, as coisas “lá fora” não param. Quer dizer, há uma guerra em andamento, certo? Dessa forma, em vários momentos ocorrerão interferência na simulação utilizada para treinamento — conforme uma infinidade de bombas despenca aqui e ali.

Faltam adições ao modo campanha

Não entenda mal, o modo campanha de Anomaly 2 é, sem dúvida, bastante decente. O problema é que se trata simplesmente de uma continuação disfarçada do single player do primeiro game. Além de algumas missões adicionais, não há realmente nada que dê a impressão de uma continuação aqui — esse papel acaba relegado ao modo multiplayer, que certamente consegue inovar.

Cuidado para não comer poeira

Anomaly 2 paga o preço de qualquer jogo que se arrisque por um território inexplorado. Trata-se do inevitável subproduto da falta de familiaridade. De fato, além da produção de unidades e do desenvolvimento geral do seu poder de fogo, há bem pouca coisa intuitiva aqui para quem encara pela primeira vez o game.

Na verdade, isso pode ser uma receita para algumas frustrações em ambiente online. Embora o que se possa encontrar atualmente sejam jogadores ainda tateantes — que se limitam a apenas colocar torres e traçar rotas, esperando pelo momento do embate —, é fácil acreditar que a comunidade online passará a dominar todos os pequenos detalhes da jogabilidade de Anomaly 2 (e realmente são muitos!). E, nesse momento, ser um newbie pode se tornar bem complicado.

85 pc
Ótimo