Análise de Assassin's Creed 3: The Tyranny of King Washington - The Betrayal

Voando alto em busca de respostas

O primeiro capítulo de The Tyranny of King Washington deixou os fãs de Assassin’s Creed III sem entender muito bem o que estava acontecendo. Por mais que a expansão tenha conseguido trazer uma realidade diferente para o game ao nos apresentar o que parecia ser um universo paralelo, alguns fatos deixavam claro que tinha muito mais por trás de tudo isso.

E é exatamente isso que The Betrayal, segundo capítulo desse mistério em três atos, tenta resolver. Por mais que ele não esclareça todas as questões que ficaram pendentes em The Infamy, o novo episódio consegue explicar alguns fatos e ainda adicionar um pouco mais de ação ao reinado de George Washington.

Para isso, abandonamos as inóspitas terras da Fronteira e encaramos a dura realidade de Boston, onde soldados da corte estão por todas as esquinas, espalhando o terror que se escondia sob a falsa máscara da liberdade. E é exatamente em meio a tudo isso que encontramos um Ratonhnhaké:ton preso e incapacitado de chegar até as respostas que ele procura — mas até quando?

Por ser o segundo episódio de The Tyranny of King Washington, é praticamente impossível analisar The Betrayal de forma isolada. Ele segue a mesma linha apresentada em The Infamy, sem trazer grandes evoluções em termos de mecânicas ou demais melhorias.

No entanto, isso não significa que ele não tem suas novidades. A transformação em Ratonhnhaké:ton em águia é mais do que um novo artifício à extensa lista de habilidades do herói, já que os voos sobre Boston criam um novo estilo de movimentação e, consequentemente, um ritmo diferenciado durante as missões. E se, por um lado, isso praticamente obriga o jogador a assumir a forma espiritual para completar os desafios, deixando de lado a liberdade típica da série, também cria uma experiência nova dentro da série Assassin’s Creed.

A história também consegue se desenvolver de maneira muito mais fluída do que o primeiro episódio. Isso porque The Betrayal não abandona o mistério sobre o que está acontecendo e a mudança de personalidade de George Washington, mas se preocupa em trazer respostas, não deixando o jogador na mão. Para completar, a boa dose de ação está aí para não decepcionar os fãs.

Se você não se empolgou com o início de The Tyranny of King Washington e estava indeciso se deveria ou não continuar nesta realidade alternativa de Assassin’s Creed III, o segundo episódio vem para trazer um pouco de animação. Por mais que não consiga corrigir os problemas vistos em The Infamy, o novo capítulo é mais envolvente, divertido e nos conduz para a conclusão dessa história de maneira muito mais natural.

Voando alto

Se The Infamy deu a Ratonhnhaké:ton o poder do lobo, The Betrayal leva o personagem para as alturas. Assim como episódio anterior, o protagonista adquire novos poderes a partir de um chá sagrado para poder enfrentar as forças de George Washington. E enquanto a força lupina permitia que ele se tornasse invisível aos olhos de seus adversários, o poder da águia faz com que o herói voe alto.

A nova habilidade funciona exatamente da mesma maneira que vimos anteriormente, ou seja, podendo ser ativada a qualquer momento enquanto você vê sua energia decrescendo sempre que ela é ativada. Por outro lado, ela traz outras possibilidades para o game, sobretudo em termos de liberdade.

Ratonhnhaké:ton pode se transformar em uma ave de rapina para alcançar determinados pontos do cenário em muito menos tempo. A partir de um pequeno indicador na tela, você determina onde será seu pouso e faz com que o herói mude sua forma e voe até lá. Isso significa que você não precisa mais perder tempo correndo e escalando prédios, pois basta um único botão para chegar aonde deseja.

Além disso, também é possível usar essa nova força para realizar ataques. Enquanto o protagonista estiver sobre alguma construção, ele pode marcar soldados de George Washington e realizar um ataque rasante digno de uma águia caçadora. Assim, você comete seus assassinatos sem dar brecha para que sua presa saiba o que está acontecendo.


E antes que você reclame que isso tira boa parte do brilho da série Assassin’s Creed, a novidade introduzida em The Betrayal gera uma nova mecânica, principalmente durante algumas missões. Como você se movimenta muito mais rápido nesta nova forma, é preciso desenvolver uma visão diferenciada para saber qual a melhor rota de voo.

Outro ponto é que uma entidade não exclui a outra, o que significa que o lobo não é deixado de lado para dar lugar à águia. Mais do que isso, o jogo vai obrigá-lo a criar estratégias em que as duas habilidades devem ser usadas em conjunto para escapar de determinada situação. Em alguns casos, a solução está exatamente permanecer invisível e alcançar voo sem perder tempo ou ainda realizar um assassinato rasante e escapar na forma lupina.

Fim do mistério — ou quase isso

Embora não seja possível evitar sensação de que The Tiranny of King Washington é um enorme DLC quebrado em três partes, The Betrayal minimiza o incômodo gerado ao responder boa parte das questões deixadas em aberto em The Infamy. Após vermos Ratonhnhaké:ton ser capturado por Putnam e levado para Boston, chegou a hora de saber como o herói vai se livrar dessa e descobrir o que aconteceu com todo o mundo.


É claro que, por ser o capítulo do meio desta “trilogia”, o episódio não faz todas as revelações, mas aquelas que são feitas são o suficiente para que você comece a entender como essa realidade alternativa nasceu. O enredo se desenvolve muito melhor por não jogar perguntas no colo do jogador sem uma explicação.

O fato é que isso torna a narrativa de The Betrayal bem mais interessante, o que reforça a imagem de que The Tyranny of King Washington seria muito melhor apresentado se fosse como uma única expansão — principalmente em termos de envolvimento do jogador com os acontecimentos.

Além disso, a ida do personagem a Boston também cria novas possibilidades em termos de mecânica. Como a cidade está sob o comando de George Washington e seus aliados, o clima de violência e opressão continua. E isso é muito bem representado na enorme quantidade de soldados espalhados em cada esquina.


Isso favorece muito a ação do DLC, e não apenas por trazer um combate a cada 30 segundos. Por conta da presença da Guarda Real nas ruas da cidade, alguns cidadãos se organizaram para tentar derrubar Washington do poder e, como é de se esperar, Ratonhnhaké:ton decide ajudá-los. Com isso, prepare-se para encarar missões variadas nesse sentido e que aproveitam muito bem os poderes oferecidos pela árvore sagrada de sua tribo.

Mais do mesmo

Na análise de The Infamy, eu reclamei da falta de possibilidades que a Fronteira oferecia, tentando estender a jogabilidade ao criar missões paralelas rasas e nem um pouco divertidas, como espalhando dezenas de baús pelo cenário ou ajudando civis em pequenos eventos aleatórios e sem graça pelo mapa. E isso volta a se repetir em The Betrayal.

Não que fosse possível esperar algo diferente para o segundo capítulo, mas ninguém poderia imaginar que a Ubisoft não se daria ao trabalho de criar novos desafios para Bostos, provando que a criatividade foi a primeira baixa após George Washington tomar o poder.


Por mais que essas tarefas não sejam obrigatórias para concluir a história de The Tyranny of King Washington, elas são importantes para quem quer prolongar o tempo de jogo e ir além das duas horas necessárias para concluir a nova trama. O problema é que a falta de variedade torna tudo muito cansativo.

Os baús são a principal prova disso. Por mais que muitos deles tragam melhorias a seus equipamentos e ajudem Ratonhnhaké:ton a se tornar mais letal, é praticamente insuportável percorrer o cenário em busca de cada um. Sabe aquele pequeno puzzle de destravar os cadeados? Pois eles são repetidos à exaustão a ponto de você não aguentar nem mesmo olhar para a fechadura de sua casa sem sentir raiva.

As outras missões também deixam a desejar, principalmente por serem as mesmas de The Infamy. Isso significa que você ainda precisa interceptar comboios de escravos e alimentar civis famintos. O ponto é que, até aí, as coisas ainda fazem sentido. No entanto, por que diabos tem lobos andando e atacando civis em plena Boston?

80 ps3
Ótimo

Outras Plataformas

80 xbox-360