Análise de Assassin's Creed 3: The Tyranny of King Washington - The Redemption

A verdade por trás do pesadelo

Quando o DLC Tyranny of King Washington chegou aos consoles, os fãs de Assassin’s Creed 3 se encantaram com a releitura daquele grandioso mundo. Todos os elementos que fizeram a aventura de Connor ser algo único estavam lá, mesmo com uma roupagem totalmente diferente. Um herói mais tribal e um mundo muito mais duro do que aquele que vimos na campanha principal: tudo parecia perfeito.

No entanto, um jogo não se resume apenas àquilo que chega ao console. Apesar de manter a qualidade do game no nível do original, a decisão da Ubisoft de dividir a expansão em capítulos criou uma estranha quebra de ritmo e tirou um pouco do brilho daquele que poderia ser o DLC que todos esperavam desde Undead Nightmare. Afinal, como se empolgar com fragmentos de história?


Foi assim com The Infamy e The Betrayal. Os dois primeiros episódios desta história paralela mantinham todos os acertos que vimos na luta pela independência dos Estados Unidos, mas pecavam exatamente por acabar com a diversão no exato momento em que a trama começava a engrenar. Mesmo com todas as adições, era como se algo estivesse faltando.

E com a chegada do último e derradeiro capítulo, The Redemption, a Ubisoft traz muito mais do que simplesmente a conclusão desta história. Juntamente com as explicações sobre o que diabos aconteceu com Ratonhaké:ton e o mundo que conhecíamos, a terceira parte do DLC tenta justificar a divisão e mostrar que, no final de tudo, a espera valeu a pena.

Se você chegou até aqui, não há muito o que dizer: vá em frente e descubra o que aconteceu com os Estados Unidos para que o sonho de liberdade tenha se transformado em um reinado tirano. The Redemption traz exatamente aquilo que os capítulos anteriores ofereciam, com um ou outro elemento a mais. E por mais que o final seja decepcionante, o caminho até ele vale a pena.


No fim de tudo, a impressão inicial de que The Tyranny of King Washington deveria ter sido lançado como uma expansão única se confirma, revelando que nem todo o conteúdo consegue seguir a divisão de episódios adotada em outros títulos. No caso de Assassin’s Creed 3, isso gera uma falta de ritmo que desapareceria facilmente caso a história fosse uma só.

Deixando isso de lado, tanto The Redemption quanto a expansão como um todo funciona muito bem por apresentar uma realidade alternativa que mantém elementos familiares ao mesmo tempo em que inova na ambientação. Visitar Nova York e encontrar uma enorme pirâmide enorme em seu centro é algo diferente e que faz o extra valer muito a pena.

Se você chegou até aqui em The Tyranny of King Washington, saiba que nada mudou em relação àquilo que já tinha sido apresentado nos capítulos anteriores. A realidade alternativa apresentada em The Infamy e The Betrayal continua tão brutal quanto antes, principalmente agora que Ratonhaké:ton e seus aliados chegam a Nova York, sede do governo de George Washington.


E é aqui que temos a principal diferença em termos de ambientação em relação aos episódios passados. Se a Fronteira e Boston permaneciam inalterados mesmo com toda a transformação social do DLC, a terceira área segue por um caminho totalmente oposto. Afinal, quem esperava encontrar uma pirâmide construída no meio daquela que será a maior cidade dos Estados Unidos?

O monumento representa muito bem a grandiosidade megalomaníaca que Washington quer trazer a seu reinado. Se tudo o que tínhamos visto até então era a influência do Piece of Eden em sua personalidade, The Redemption mostra que o poder da Maçã foi capaz de muito mais. Por isso, prepare-se para se deparar com soldados por todos os lados, grandes monumentos e uma bela crítica às idelogias ufanistas.

O discurso de Washington é um dos aspectos mais interessantes de todo o DLC. Ele é repleto de nuanças e elementos que fazem referências àquilo que vemos no mundo real, o que torna tudo bem rico e crítico. Mais do que ser a chave para entender o que está acontecendo, esses momentos servem como uma dura crítica à sociedade, sobretudo às políticas imperialistas de algumas nações. Aliás, lembre-se disso em sua próxima discussão sobre o caráter artístico de um video game.


Já na parte de jogabilidade, The Redemption traz algumas novidades. Dando sequência aos poderes que vimos nos últimos capítulos, Ratonhaké:ton se conecta ao seu último espírito ancestral e adquire o poder do urso, recebendo uma força impressionantel. E por mais que essa habilidade seja menos prática do que o voo da águia, ela se mostra muito útil em vários aspectos.

Com um único botão, o personagem se transforma no animal e causa um dano de área capaz de eliminar com todos os inimigos ao seu redor. E esse poder se torna bastante útil quando dezenas de soldados surgem para cercá-lo. Além disso, o impacto também pode ser usado para destruir determinadas estruturas. Uma adição simples, mas que funciona muito bem quando necessária.

Além disso, a terceira parte de The Tyranny of King Washington também chama a atenção ao trazer uma série de desafios diferenciados. Para fugir da mesmice apresentada nos primeiros capítulos, The Redemption apresenta uma variedade bem maior de missões, indo desde enforcar soldados em praça pública a um mini game que lembra muito o clássico Shadow of the Colossus. E por mais que nenhum desses desafios seja inovador, eles são bem melhores do que salvar cidadãos do ataque de lobos no meio de uma grande cidade.

E para quem já está à espera de Assassin’s Creed IV, saiba que o capítulo final da expansão traz referências muito legais a Black Flags. Com o retorno das missões marítimas, Ratonhaké:ton revela saber muito mais sobre seus antepassados do que muitos acreditavam e afirma que a navegação está em seu sangue e que seu avô, Edward Kenway, era um homem que viveu nos mares por ele mesmo — mas que tudo isso é uma história para outro dia.

Como mencionado anteriormente, The Tyranny of King Washington seria uma expansão incrível se a Ubisoft a tivesse lançado como um único elemento e não no sistema de capítulos adotado. A falta de ritmo criada pela divisão afeta também The Redemption, fazendo com que o combate derradeiro com George Washington seja menos impactante do que ele deveria ser. O episódio segue a mesma fórmula dos dois anteriores, tirando um pouco do brilho de sua conclusão por ser um “mais do mesmo”.


Além disso, a quebra cria outro problema. Quem está acompanhando a luta de Ratonhaké:ton contra o reinado de George Washington certamente está no aguardo de uma conclusão digna do universo criado. Como apresentado nas análises anteriores, o DLC era repleto de perguntas e nenhuma resposta — algo que é apresentado aqui.

Contudo, o final é bem decepcionante. Depois de três longos meses de espera, a justificativa apresentada para a criação de uma realidade paralela beira o ridículo. Sabe aquelas situações em que você fica alguns segundos paralisado tentando se convencer de que aquilo não aconteceu? Sabe o “Você só pode estar brincando comigo?” que surge? Pois é isso que o espera no final de The Redemption. Ele até poderia ser algo aceitável, mas a espera de três meses por respostas nos fez esperar algo muito melhor do que isso.

80 ps3
Ótimo

Outras Plataformas

80 xbox-360