Análise de Assassin's Creed: Brotherhood - The Da Vinci Disappearance

Um DLC que expande o game, mas não o renova

Criar uma nova franquia a essa altura do campeonato é uma tarefa extremamente complicada. Em um mercado com tantos grandes nomes, é muito difícil vermos um título recente conquistar a simpatia do público a ponto de disputar a atenção dos jogadores com franquias já tradicionais. Quem você imaginaria ser capaz de ameaçar o reinado de Mario ou Kratos?

A Ubisoft, porém, não se intimidou com a concorrência e apostou em Assassin's Creed, um game que estreou nesta geração e conquistou milhões de fãs em todas as plataformas por que passou logo de início. Com uma jogabilidade divertida e uma ambientação histórica repleta de teorias da conspiração, era óbvio que o jogo receberia uma sequência.

No entanto, o estúdio foi além e conseguiu superar todas as expectativas. A continuação nos levou à Europa em meio ao Renascimento e apresentou um herói ainda mais carismático. O novato Ezio Auditore da Firenze se destacou muito mais que seu antepassado, ganhou uma legião de admiradores e um novo game.

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Se o segundo título foi aclamado por conta de sua evolução significativa na história, nos gráficos e na jogabilidade, essa experiência é expandida em Assassin's Creed: Brotherhood, que leva a diversão a uma área até então não aproveitada na série: o multiplayer. Com vários modos de jogo que variam da caçada em grupo ao verdadeiro “que sobreviva o mais habilidoso”, o título conseguiu direcionar para o mundo online toda a diversão da mecânica de assassinatos.

Isso sem falar do enredo, que dá sequência à trama de Ezio e faz com que sua busca por vingança contra os Borgias o leve a Roma. Se o universo de conspirações escondidas em fatos históricos sempre foi o grande diferencial da série, em Brotherhood isso é levado para o lado religioso e mostra todos os interesses (e podres) existentes dentro do Vaticano do século XVI.

Entre quadros

Como todo fã de Assassin’s Creed já deve ter percebido, os DLCs lançados pela Ubisoft para a série são sempre fatos que estão dentro do período narrado pelo jogo, mas que, por algum motivo, não puderam ser reconhecidos pela máquina Animus. Sendo assim, ao comprar o conteúdo adicional, o jogador consegue fazer com que uma parte antes bloqueada do código genético de Desmond Miles seja decodificada. Foi assim com as sequências 12 e 13 do game anterior e é assim também com The Da Vinci Disappearance.

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Por conta disso, saiba desde já que existem grandes chances de existirem spoilers nesta análise. Por estar situado em um trecho muito próximo ao final da história, é natural que algumas informações possam estragar a diversão de quem ainda está dando seus primeiros passos na irmandade dos assassinos. Caso não queira nenhuma surpresa desagradável, sugerimos parar por aqui.

Desde Assassin’s Creed II, Ezio encontrou um grande aliado em sua busca por vingança: Leonardo Da Vinci. No entanto, enquanto o artista possuía um papel de coadjuvante até agora, neste pacote adicional ele é a grande estrela – ou quase, já que seu desaparecimento é o grande estopim para uma série de acontecimentos.

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The Da Vinci Disappearance acontece no ano de 1506, logo após o assassino voltar a Roma, depois de um período de reclusão, enquanto estudava a Apple of Eden. Ao chegar à capital italiana, Ezio procura Leonardo na tentativa de arranjar um barco que o leve à Espanha para enfrentar Cesare Borgia.

É nesse contexto que Da Vinci explica suas pesquisas sobre o matemático grego Pitágoras e como ele aparentava ter uma relação com o artefato mágico protegido pela irmandade. Porém, essa informação também desperta o interesse de membros do Hermetismo, uma seita que acredita que Deus está em todos nós e que somente o conhecimento pode libertar o mundo – ou permitir sua dominação –, o que faz com que o ilustre artista seja capturado.

Para quem adorou o modo multiplayer de Assassin’s Creed: Brotherhood, The Da Vinci Disappearance é motivo de alegria. Sem sombra de dúvidas, a adição mais significativa do DLC está nas partidas online. As novas modalidades expandem as possibilidades e as deixam ainda mais desafiadoras e divertidas, principalmente a Assassinate. O estilo Deathmatch de matar qualquer jogador que se aproximar é o que todos os jogadores esperavam do game, mas que só agora chega ao título.

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Por outro lado, o conteúdo pode decepcionar quem esperava prolongar a vida do jogo por muito tempo. Por mais que acessemos memórias recuperadas de Desmond Miles, a duração dessa sequência não é nada surpreendente. Até mesmo o incentivo dos troféus/conquistas não chega a ser desafiante, visto que a dificuldade de obter esses elementos é bem baixa.

O maior problema do DLC está exatamente em não renovar o game. Como já dissemos, Undead Nightmare conseguiu dar nova vida a Red Dead Redemption pelo mesmo preço de The Da Vinci Disappearance, então por que Ezio não conseguiu um tratamento semelhante por parte da sua desenvolvedora? A Rockstar nos deixou mal-acostumados com as possibilidades oferecidas em um pacote de expansão e não esperamos nada menos que isso de suas concorrentes. Ouviu, Ubisoft?

Novas figuras históricas

A franquia Assassin’s Creed sempre foi um prato cheio para os apaixonados por História ao nos mostrar uma releitura de personagens e fatos importantes a partir de uma perspectiva totalmente diferente. Figuras que vimos na escola, como Maquiavel, Copérnico e até mesmo Dante Alighieri, já deram as caras e se revelaram parte da irmandade dos assassinos – ou da Ordem dos Templários.

Em The Da Vinci Disappearance, além do famoso artista, temos outros nomes marcantes que assumem um papel vital dentro do enredo. É o caso de Salai, apelido dado a Gian Giacomo Caprotti da Oreno, aprendiz de Leonardo. Por conhecer toda a obra e segredos de seu mestre, o garoto é peça fundamental para que Ezio consiga resgatar seu amigo.

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Já os membros do Hermetismo não são tão conhecidos assim. Por ser uma seita oculta, ela sempre permaneceu nos bastidores da História, escondida nas sombras e agindo de maneira discreta. No entanto, em Assassin’s Creed: Brotherhood, eles são muito mais chamativos e representam uma dor de cabeça muito maior do que o exército do Vaticano.

Além disso, o DLC traz também novos locais a serem visitados. Cenários como as catacumbas do Templo de Pitágoras e o Castelo de Belringuardo, em Ferrara, são ambientes que mesclam muito bem elementos de stealth com as habilidades de Le Parkour e combate dos assassinos. Caso você tente obter o máximo de sincronização de cada missão, se prepare para se tornar invisível para passar despercebido por todos os guardas existentes. Isso sem falar da difícil tarefa de se manter intangível durante confrontos contra dezenas de inimigos ao mesmo tempo.

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Outro ponto bastante interessante é o reencontro com personagens que, aparentemente, haviam desaparecido da história principal. É o caso da filha do Papa, Lucrezia Borgia, que se casa e vai morar com o marido em Ferrara. O local é um dos mais interessantes a ser explorado de todo o jogo e a cena do reencontro do protagonista com a moça é uma das melhores da série. Após vermos a relação incestuosa da megera com seu irmão Cesare, é engraçado ver como ela suporta seu “cruel” destino ao lado do novo marido.

Novos desafios

Se você é um caçador de troféus ou conquistas, pode começar a comemorar: The Da Vinci Disappearance adiciona dez novos prêmios à já extensa lista de Assassin’s Creed: Brotherhood. O mais divertido é que todos são referentes à campanha single player, o que prolonga a vida da história mesmo após o término do game, ainda que por algumas horas.

O que chama a atenção neste aspecto é a variedade dos objetivos. Alguns são bem simples – como subornar um arauto e então roubá-lo em seguida –, enquanto outros exigem um pouco mais de empenho. Porém, até mesmo os mais complicados conseguem ser bem divertidos e prender por um bom tempo até mesmo quem já encerrou o enredo.

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Exemplo disso é a caça pelos “arlequins sedentos”. Esses palhaços estão espalhados por Roma e são facilmente identificáveis pelo fato de estarem sempre fazendo alguma pirueta próximo dos rios (o que justifica o adjetivo). Embora pareça fácil, derrotá-los de mãos limpas é algo bastante trabalhoso. O mesmo pode ser dito do assassinato duplo em um paraquedas, que fará os jogadores experimentarem saltos de todos os prédios da capital italiana.

Porém, o único troféu/conquista que pode ser questionado é “O Príncipe”, que exige que o usuário sincronize por completo o game e suas DLCs. Se fosse só isso, tudo bem, mas a Ubisoft decidiu dar apenas um troféu de prata na versão para PlayStation 3. Será que alguém da equipe sabe o quanto isso é complicado de ser feito? Só pela sequência dos tanques, já merecia um ouro.

Expandindo o multiplayer

Img_normalO grande destaque de Brotherhood foi a adição de um modo multiplayer, então nada mais justo do que o maior conteúdo adicional trazer algumas melhorias ao recurso. Pois The Da Vinci Disappearance consegue expandir os confrontos online e deixá-los ainda mais divertidos.

A primeira novidade é bastante visível: são quatro novos personagens disponíveis, o que torna a seleção muito mais variada. Isso faz com que a diversidade de NPCs nos mapas seja ainda maior, deixando a caçada ainda mais complicada. Se já era difícil localizar seu alvo com os inimigos tradicionais, o que dizer depois dessa atualização?

Entre os novatos, os que mais se destacam são o The Pariah, uma espécie de nobre mascarado, e o The Knight, um cavaleiro bastante parecido com os Brutes da campanha para um jogador. Além deles, há a Dama Rossa e o Marquis, dois membros da aristocracia renascentista que vêm para ampliar o multiplayer.

Porém, a mudança mais significativa está na chegada de dois novos modos de jogo. O Escort é a modalidade estreante que mais exige trabalho em equipe, já que os dois grupos devem andar sempre juntos para proteger o jogador mais importante (VIP). Como as partidas são divididas em duas rodadas, os usuários devem caçar determinado adversário e proteger sua vítima para poderem vencer.

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Já o Assassinate é o mais divertido (e irritante) estilo de todo o game. A melhor forma de descrevê-lo é como um Deathmatch avançado, em que todos os assassinos são presas e caçadores ao mesmo tempo. Isso faz com que as rodadas sejam muito mais dinâmicas, já que não há um sistema de alvos específicos: se você encontrar um jogador, mate-o antes que ele faça isso com você.

O grande segredo desse novo estilo é saber se camuflar em meio aos NPCs, observar o comportamento dos outros usuários e se aproximar sem ser percebido. Caso consiga fazer tudo isso com perfeição, você terá grandes chances de ter a melhor pontuação. Porém, se falhar, será uma presa fácil em meio a tantos inimigos mortais.

Expandir sem renovar

Img_normalO grande mérito do sistema de DLCs é a possibilidade de o jogador expandir a experiência de jogo sem precisar adquirir um novo título. Em vez de comprar uma sequência, basta baixar um conteúdo extra que traz novas possibilidades àquele universo já conhecido. E é exatamente isto que The Da Vinci Disappearance faz: prolonga o enredo do game e oferece novos recursos ao modo multiplayer. Então, por que isto está sendo dito na categoria de reprovados da análise?

Depois que a Rockstar lançou o pacote Undead Nightmare para Red Dead Redemption, a forma com que vemos os DLCs mudou. Se antes eles serviam para dar mais algumas horas de jogo, os zumbis no Velho Oeste mostraram que era possível renovar completamente a mecânica do game a ponto de ser considerado um título completamente diferente, embora sem ser uma sequência propriamente dita.

O pacote extra de Assassin’s Creed: Brotherhood não é ruim, longe disso. No entanto, ele decepciona por não oferecer uma experiência nova. São exatamente os mesmos desafios de antes, mas com uma razão diferente, o que não é tão empolgante assim. Além disso, há também o problema de tempo, já que as oito missões inéditas podem ser concluídas em apenas uma tarde. Por mais que os dois novos modos sejam divertidos, não conseguem sustentar o conteúdo por completo.

O que estamos querendo dizer é que a revolução feita em RDR deixou claro que os DLCs podem ir muito além do que está sendo oferecido em The Da Vinci Disappearance, principalmente pelo fato de ambos custarem USS$ 9,99/800 MS Points. Por que o produto da Rockstar consegue dar nova vida ao game enquanto o da Ubisoft apenas estende a narrativa por um breve período, se os dois têm o mesmo preço? Ainda que muita gente critique esse tipo de comparação, ela é inevitável.

O aparecimento do Da Vinci desaparecido

Mais do que personagens carismáticos, tramas envolventes ou ambientes imersivos, a pedra fundamental de qualquer narrativa é sua coerência. De nada adianta termos tudo isso se a história que é contada não condiz com aquilo que vemos. Mesmo que isso pareça ser apenas um detalhe, é um ponto que consegue quebrar toda a estrutura que The Da Vinci Disappearance tenta construir.

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Como dito anteriormente, Ezio tenta resgatar seu amigo Leonardo Da Vinci das mãos de uma seita ocultista. Após encontrar Salai, o assassino se depara com a oficina do artista completamente destruída e um pedido de ajuda escrito com giz no chão da casa. A partir disso, o jogador deve visitar Roma e outras cidades italianas para encontrar os quadros perdidos de Da Vinci que indicam a localização do Templo de Pitágoras.

Se você jogou Assassin’s Creed: Brotherhood, certamente deve se lembrar de que existem algumas áreas no mapa assinaladas com a letra “L”. Esses locais são pontos de encontro entre o herói e o artista, que fornece armas e outros materiais importantes para a campanha. O problema é que isso permanece mesmo após Leonardo ter sido sequestrado, o que resulta em uma cena incrivelmente sem sentido em meio daquele contexto.

Ao chegarmos ao banco demarcado, vemos Ezio e Da Vinci conversando normalmente, como se este nunca tivesse desaparecido. Ele senta, há um pequeno diálogo e você volta a procurá-lo. Sim, ele esteve ao seu lado há dois segundos e você precisa ir até um templo repleto de inimigos para buscá-lo. Não tem lógica alguma.

79 ps3
Bom

Outras Plataformas

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