Tem coisas que nem um par de metralhadoras no traseiro consegue salvar

Astro Boy você conhece. Trata-se daquela que é considerada a maior criação de Osamu Tezuka, lendário roteirista japonês que carrega alcunhas como “o pai do mangá”, “o deus dos quadrinhos” ou ainda “o kamisama do mangá”. Trata-se também de uma espécie de irmão mais velho de Mega Man, igualmente dotado de visual futurista, dezenas de armas de alto calibre e, é claro, emoções humanas.

Astro Boy: The Video Game você talvez ainda não conheça. Mas, sendo um jogo baseado no longa recentemente lançado do herói, é fácil arriscar um julgamento preconceituoso: um jogo de baixa renda, lançado unicamente para aproveitar o espaço aberto pela animação. Certo? Pois é, infelizmente, é isso mesmo.

Com vocês, mais um jogo baseado em filme...

Trata-se de mais um daqueles jogos baseados em filme cuja única boa característica é... serem baseados em filme! Trata-se de um estigma que a indústria de games parece não conseguir se livrar — aliás, parece nem mesmo tentar. Dessa forma, em Astro Boy: The Video Game o que se pode esperar é o que normalmente se pode esperar da categoria: ação enjoativa, gráficos medíocres e uma ponte muito mal feita entre a trama da película e o jogo.

O jogo apenas melhor um pouco quando se joga com um companheiro igualmente paciente, quando se torna então possível contornar algumas das péssimas mecânicas de jogo lançando mão de uma verdadeira enxurrada de socos e raios. Mas mesmo isso cansa. E cansa rápido.

Basicamente, o que você tem aqui é um jogo de plataforma dos mais prosaicos, no qual a ideia é acabar com um sem-número de inimigos repetidos à exaustão — dando conta ainda de se safar ileso das mecânicas de jogo capengas, que constantemente dão vantagem ao exército robotizado. Bem, mas vamos aos detalhes.

Astro Boy: The Video Game é mais um daqueles jogos descartáveis e rapidamente esquecíveis que são lançados em conjunto com um filme. Embora se possa tirar alguma diversão jogando-se em duas pessoas, o melhor mesmo é passar longe. “Mas eu sou fã de Astro Boy”, alguém diria. Bem, sempre se pode assistir ao filme mais de uma vez, não é? Isso sem falar em todo o extenso material do herói produzido ao longo das décadas pelo brilhante Osamu Tezuka.

Bem, é Astro Boy...

Na 
dúvida, fique com os mangásSim, esse é o típico elogio de um jogo baseado em um personagem consagrado. Mas, fazer o quê? Trata-se mesmo de uma das poucas características notáveis em Astro Boy: The Video Game. Quer dizer, afora as mecânicas equivocadas, erros de sincronia e “glitches” gráficos os mais variados, você ainda controla o emblemático Astro Boy, simplesmente um dos personagens que deram origem a todo um estilo de entretenimento, os mangás.

É bem verdade que a história abordada pelo longa recentemente lançado do herói não é assim tão preciosista em relação ao conceito original. Mas vá lá. O original Astro Boy deu as caras durante a década de 50, e refletia a visão de uma sociedade tecnológica utópica concebida segundo os moldes da época. E, bem, esse conceito ainda se mantém no novo longa.

Para quem ainda não conhece, Astro Boy traz as desventuras do menino-robô Toby, construído pelo renomado perito em robótica Dr. Tenma para aplacar a falta do seu falecido filho. Entretanto, mesmo mantendo a personalidade original do seu filho — através de manipulação genética —, o Dr. Tenma percebe que o Toby original jamais poderá ser substituído. O robô então é despachado, e toda a aventura tem início (pois é, nada de spoilers aqui).

Bastante tragável, desde que com companhia!

Como se verá mais adiante nesta análise, Astro Boy possui sérios problemas em relação às mecânicas de jogo, aos gráficos e à repetição constante. Mas, ei! Com dois pares de WiiMotes e Nunchuks, a coisa toda fica quase divertida! Até porque, passa a ser possível evitar algumas das dificuldade ocasionadas pela jogabilidade capenga de Astro Boy.

Basta imaginar o caso em que você acabe como um sanduiche entre robôs inimigos. Caso esteja sozinho na tela, a animação lenta e punitiva do personagem dá apenas uma opção: escolha um lado para atacar, e aguente o que vier do outro. Jogando em duas pessoas, isso é plenamente contornável... embora não necessariamente divertido.

Modo Arena

O modo Arena de Astro Boy: The Video Game é tão repetitivo, punitivo e nonsense quanto a aventura principal do jogo. Mas, como essa normalmente é própria definição de um modo arena, a possibilidade acaba por ser bastante positiva. Aqui você encara ondas e mais ondas de inimigos, e a ideia é matar tudo o mais rápido possível, e sem morrer muitas vezes. Ao final, a sua pontuação é jogada em um ranque a La anos 90.

É engraçado, mas quando a ideia é realmente matar inimigos sem fim, e a história é colocada de lado, Astro Boy até consegue ser divertido! Quer dizer, ao contrário do jogo principal, ninguém esperaria mais do que isso em um modo arena, certo? Novamente, vale a recomendação: encontre um parceiro igualmente condescendente com as mecânicas falhas do jogo.

Player 1 e Player 2 VS. Mecânicas sofríveis 
dejogo

Porque todo jogo precisa de um arquiinimigo

É bem sabido que todo o jogo ou filme clichê precisa, necessariamente, de um arquiinimigo. Bem, em Astro Boy: The Video Game este inimigo não é o terrível presidente Stone, nem mesmo o pragmático Ministério da Ciência. O seu inimigo principal aqui é... o próprio Astro Boy! Com uma jogabilidade falha e punitiva, o seu protagonista constantemente vai colocá-lo em situações sem escapatória. As animações são lentas, o que constantemente vai desembocar em raios e socos que “saem pela culatra”.

Até mesmo para pular de um raio mortal o protagonista vai demorar tanto, que o negócio é tentar prever o ataque e dar o comando de pulo antes! Isso somado ao fato de que alguns ataques esvaziam imediatamente a barra de energia faz de Astro Boy um jogo para pessoas pacientes. Muito pacientes. A coisa até melhora um pouco nas fases aéreas, mas não muito.

Show de fantoches

Melhor bater do que falar!O pouco de história que se pode encontrar em Astro Boy: The Video Game é contado em animações curtas, normalmente entre as fases. Nesses momentos você ganha uma dose extra de humor involuntário por conta da péssima sincronia entre as vozes — impressionantemente, as mesmas do filme — e os personagens na tela. Às vezes, os atores terminam o que tinham para dizer, e as bocas dos personagens continuam a se mexer por vários segundos! Cômico, realmente.

Detalhes fracos e nenhuma interação

Astro Boy: The Video Game é basicamente dividido em dois estilos de fases: terrestres e aéreas. Ambas com problemas gráficos patentes. Nas fases terrestres, o problema mais visível é a falta quase completa de detalhamento gráficos. São polígonos quebrados, texturas praticamente inexistentes e mais uma série de elementos de cenário padrão que se repetem a casa nova onda de inimigos.

Mas o modo aéreo, embora não padeça de tantos problemas ligados à jogabilidade, também tem a sua fatia. A começar pelos ambientes. O protagonista faz um voo sem fim por cenários que, embora normalmente tenham orientação futurista, bem poderiam ser qualquer coisa, desde uma planície devastada até uma favela! Em outras palavras: não há absolutamente nenhuma interação com os cenários.

Lags... muitos lags

Era de se pensar que a patente ausência de detalhes gráficos ao menos pudesse conferir mais fluidez a Astro Boy: The Video Game. Longe disso: basta que a tela se atulhe um pouco de inimigos para que os quadros comecem a se arrastar no que — fosse um pouco mais lento —bem poderia ser uma projeção de slides.

50 wii
Fraco