Análise de Avatar: The Last Airbender - The Burning Earth

Avatar é diversão garantida para os fãs do desenho, mas com diversos poréns.

O termo Avatar provém originalmente do sânscrito Avatara, que é o mesmo que “aquele que descende de Deus”. Este termo é muito comum no Hinduísmo sendo usado nesta doutrina para representar a forma física de seres imortais, em muitas vezes a representação direta do Ser Supremo. Segundo tal doutrina, exemplos de Avatares seriam Jesus Cristo, Krishna, Buda e outros seres “iluminados” (outro termo hindu de explicação muito mais prolongada).

Avatar: The Last Airbender

Michael Dante Dimartino e Bryan Konietzko, os criadores da série Avatar: The Last Airbender, aproveitaram esse termo para seu desenho, que trata da cultura oriental, ensinando muito da espiritualidade oriental através de histórias de guerras entre nações.

O seriado mescla inúmeras artes marciais asiáticas — predominando entre elas as artes chinesas do Kung Fu e Pa-Kua — somando ainda conceitos de magia elemental presentes tanto nas culturas orientais já citadas como nos ensinamentos das escolas de magia européias e nos cultos indígenas nativo-americanos.

No desenho, diz-se que há muitos milênios atrás a humanidade se dividiu em quatro nações, uma para cada elemento da natureza, são elas: Tribo da Água, Reino da Terra, Nação do Fogo e Nômades do Ar.

Também segundo as histórias criadas pela dupla de escritores norte-americanos, somente o avatar possui o poder de dominar as quatro forças da natureza por completo.

Entretanto, aqui o termo também é empregado para designar um ser “escolhido”, que cria uma ponte entre o mundo material e o mundo espiritual, que pode ser acessado somente pelos avatares, pelos espíritos e por aqueles seres que foram levados até lá por Hei Bai, o espírito da floresta.

Gráficos paupérrimos


A qualidade gráfica de Avatar: The Last Airbender – Burning Earth é simplesmente terrível. A modelagem do jogo é repleta de falhas, com diversas cenas em que seu personagem atravessa objetos.

Além disso, o cenário é muito mal desenvolvido, contando com inúmeros bloqueios invisíveis que impedem a passagem de Aang e seus amigos. Como se não bastasse, as texturas apresentam falhas inacreditáveis e o serrilhado toma conta de todo o jogo.

Em muitas cenas de diálogos, os personagens mantém a boca numa só posição enquanto o som passa suas falas. Numa época em que os jogos buscam uma fidelidade cada vez maior à realidade, principalmente em se tratando da movimentação dos personagens, uma boca que não se move é uma falha quase imperdoável.

Falando dos diálogos, vamos às falhas sonoras

Aproveitando que o tema são os diálogos do jogo, vamos mudar o enfoque das críticas para o áudio: além da trilha sonora de Avatar ser pouco variada, o resultado final não foi nem um pouco polido. Logo, as músicas iniciam de qualquer jeito num volume altíssimo, mesmo durante diálogos, o que impede que o jogador preste atenção na conversa.

Isso acontece mais de uma vez no jogo. Na verdade a expressão correta seria mais de uma vez por diálogo, já que o erro se repete constantemente. Mesmo quando não está acontecendo um diálogo, muitas vezes a música simplesmente inicia-se abruptamente assustando o jogador.

Jogabilidade simples e direta


Visto que Avatar é um desenho animado voltado especificamente para o público infantil, o jogo não foca muito uma jogabilidade complexa. Ao contrário, quanto menor o número de botões, melhor para os fãs de Avatar associarem mais rapidamente.

Levando isso, em consideração, não haveria muito o que criticar na jogabilidade simplificada deste título, não fosse por um ponto: na versão do Wii, o jogo apresenta grandes falhas no que diz respeito à facilidade de uso do Wii-mote.

A questão é que os movimentos realizados para lançar golpes especiais possuem uma sensibilidade terrível: muitas vezes o jogador deverá realizar movimentos repetidamente — e de qualquer jeito — até que o especial tenha seu efeito pleno. Você poderá passar horas tentando descobrir a maneira correta de mover o Wii-mote: as imagens explicativas não dirão nada e você continuará tentando aleatoriamente.

Entretanto, há um outro aspecto da jogabilidade que deve ser levado em consideração: a diversidade de personagens do título, bem como alguns níveis completamente diferente do comum, fazem a jogabilidade ganhar alguns pontos extras nesta análise, já que tiram toda a monotonia, tornando o game simples e divertido.

Uma boa diversão para os fãs de Aang


Dizer que gráficos e áudio não são importantes num jogo é uma falta de bom senso: jogos são formados basicamente por estes dois atributos, e por isso ambos são essenciais para que o jogador possa viver uma experiência plena.

Entretanto, daí a dizer que a diversão depende exclusivamente de uma super-produção gráfica e sonora, são dois extremos nunca bem vindos: a verdade é que são incontáveis os jogos de altíssima qualidade nestes dois quesitos que deixam muito a desejar em termos de jogabilidade, dando ao game um resultado muito pior do que aqueles com gráficos medianos.

A verdade é que tudo depende do contexto: aproveitando o clima oriental de Avatar, uma observação válida é a de Buda quanto ao “caminho do meio”, dizendo que as cordas de uma cítara, se muito esticadas, arrebentam, mas se muito frouxas não emitem o som adequado.

O Budismo e outras filosofias orientais usam essa observação para basear seus ensinos sobre o equilíbrio da vida, dizendo que tudo deve ser equilibrado, sem exageiros para mais ou para menos.

Assim o é também nos videogames, portanto ao jogar Avatar: The Last Airbender – Burning Earth, procure viver o jogo como um fã da série animada, e logo você verá que, mesmo com gráficos e áudio péssimos, o título ainda consegue ser divertido devido à plenitude de sua jogabilidade.

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Fraco