Para os fãs da série e para quem tem muito tempo e paciência, Avatar: The Last Airbender é um bom passatempo.

A famosa série norte-americana Avatar: The Last Airbender (o último “manipulador” do ar), denominada na Europa de Avatar: The Legend of Aang (a lenda de Aang, que é o personagem principal), é extremamente influente no jogo da THQ. É uma mistura de artes marciais (principalmente kung fu) com as magias e elementos naturais bastante presentes na cultura do Oriente.

Aang, com 12 anos de idade, é uma encarnação de uma forma antiga no planeta, o Avatar. Sendo o equilíbrio entre os quatro principais elementos (água, terra, fogo e ar) e por sua vez representando o ar, Aang tem que trazer a paz e o equilíbrio na Terra contra as terríveis forças da Fire Nation com seu mascote Momo (aparentemente uma espécie de lêmure voador) e seu grupo de amigos.

Ao longo da história outros personagens são integrados ao grupo pacificador do mundo. Sokka, de 15 anos, sarcástico e forte, é irmão de Katara, de 14 anos, que manipula a água. Haru, jovem combatente que luta pela libertação de sua vila, é o último personagem que integra o grupo no jogo.

Os figurantes do grupo principal são representantes de quatro reinos: Tribo da Água, Reino da Terra, Nação do Fogo e Nômades do Ar. O estilo do jogo é parecido com o de vários jogos (dentre eles, Baldur's Gate), e acaba misturando lutas com atitudes mais pensadas e típicas dos RPGs (role-playing games, tramas jogáveis pelo usuário).

O seriado, para quem quiser conferir, é veiculado pelo canal pago Nickelodeon, no Brasil.

Aprendizado rápido e jogabilidade simples

No primeiro contato com Avatar: The Last Airbender, o jogador pode se chocar ao perceber que a movimentação de Aang, o principal figurante inicial, se realiza somente através do controle analógico, já que o direcional (d-pad) é utilizado para a seleção e troca de personagens do grupo dentro do jogo e no menu do jogo (selecionado com o botão select). É uma limitação para aqueles que possuem mais afinidade com o controle direcional do PlayStation 2.

Aang e seus primeiros desafios.Como mencionado anteriormente, a primeira etapa do jogo se passa com somente um personagem, Aang. Os tutoriais podem ser habilitados ou desabilitados no menu principal (selecionado com o botão start). Por padrão, as instruções são habilitadas automaticamente para os jogadores que não se preocupam com opções deste tipo. As dicas, em inglês, exibem os principais botões de funções básicas e também as combinações dos ataques possíveis (combo moves), embora alguns descuidos dos desenvolvedores são perceptíveis em algumas cenas. Um exemplo é a instrução de apertar o botão triângulo para descobrir segredos – quando o controle vibra e um ponto de interrogação branco aparece acima da cabeça do personagem controlado – que pode aparecer somente depois de o jogador ter passado aquela etapa há muito tempo. Uma grande melhora que poderia ser adicionada ao jogo seria o botão de pulo do personagem, inexistente neste título.

O jogo explora apenas algumas combinações básicas de todos os botões do controle do PS2. Os ataques são realizados de maneira simples: pressionando o botão R1 e algum dos botões geométricos, o personagem realiza movimentos defensivos, ofensivos ou de distração de acordo com a escolha do jogador. O jogador deve memorizar fortemente o comando (L1 + círculo) de controle do Momo (mascote de Aang), pois a pequena criatura é fundamental em diversas missões do jogo.

Uma vez com os comandos principais memorizados, o jogador pode explorar melhor os menus dos aspectos do jogo com o botão select, que, por exemplo, exibem as missões atuais e mostram detalhadamente os atributos do personagem selecionado (que mais adiante, com outros personagens no grupo, pode ser alternado com o d-pad). Um grande problema que o fã de Avatar pode encontrar na navegação deste menu são algumas falhas e uma alta sensibilidade do controle analógico na alternância entre itens e sub-menus, e isto pode atrapalhar muito durante o jogo, pois estes menus são altamente acessados. As barras de vida e "chi" (atributo especial para a utilização de combos mágicos) são os atributos principais dos personagens.

Grupo quase invencível do Avatar.

Segredos e utilizações freqüentes de Momo são alguns pequenos aspectos diferenciais do jogo. Além disso, há minigames que o jogador pode optar por jogar com alguns NPCs (non-playing characters, personagens controlados pelo próprio jogo) e ganhar prêmios. Com um pequeno custo em moedas de cobre, o jogador encara um desafio que parece um dominó, no qual raciocínio lógico e sorte são as características principais. Após algumas partidas, extrema simplicidade e facilidade podem ser encontradas no jogo.

Mesmo com a dificuldade e a complexidade gradativamente aumentando durante a saga de Aang e seus amigos, não há grandes desafios em terminar o jogo em pouco tempo.

História insossa e possível monotonia

Mesmo para os fanáticos pelo famoso seriado da TV, o desenrolar da história pode parecer um tanto repetitivo e “batido”, com apenas mudanças nos nomes dos itens e personagens envolvidos nas missões. Além disso, o jogador tem que possuir muita paciência para cumprir as travessias exigidas pelos fornecedores de missões.

Com divisão por capítulos (que por sua vez se dividem em vários itens no menu principal, como baús secretos e missões completadas), a história envolve a bravura do Avatar e as diversas habilidades do grupo nas artes marciais e nas magias elementais para transpor obstáculos no cenário. No minimapa, a direção correta das missões pode ser facilmente percorrido com a indicação de uma pequena flecha verde, mas os caminhos são raramente bifurcados, apresentando extrema facilidade em cumprimento das quests (missões).

Os monstros são repostos em uma pequena fração de tempo após serem mortos, dificultando mais ainda o trajeto do jogador para ir e voltar de determinados lugares. As criaturas e os NPCs inimigos não usam muitas habilidades variadas, e os chefes, depois de serem desvendadas suas principais habilidades, são apenas demorados para serem derrotados.

Katara e suas habilidades especiais.


O jogo permite várias chances ao jogador de permanecer tranqüilamente estável. Muitos checkpoints (posições onde o jogador pode salvar seu atual progresso no cartão de memória) são encontrados nas vilas e lugares estratégicos, e quando um personagem morre, ele pode ser ressuscitado por outro integrante do grupo que esteja vivo. Apenas se todos os personagens principais morrerem que ocorre o famoso game over (fim de jogo). Partes do cenário que podem ser destruídas a fim de encontrar itens e moedas de cobre, como caixas, cogumelos e blocos de gelo, também são repostas depois de um certo tempo e depois que o personagem foi para longe do local onde estas partes estavam.

Os aspectos típicos de um RPG são bem abordados pelo jogo. Jogadores que não têm um bom domínio da língua inglesa jogarão um jogo mais insosso ainda. Até duas opções de fala de Aang com os NPCs são exibidas em todas as conversações, e muito comércio pode ser realizado. Itens de vários atributos e nomes diferentes (tanto quanto características de raridade) são encontrados e podem ser comercializados com os vendedores das vilas. Outro aspecto importante é que os itens encontrados pelo jogador durante a matança de criaturas – como seda, mel e plantas – podem ser combinados em alguns vendedores para criar itens úteis, como poções ou mesmo itens mais essenciais como armaduras.

Gráficos e sons direcionados para os fãs de Avatar

Os gráficos de Avatar: The Last Airbender são do famoso estilo oriental anime (2D, com base em feições faciais exageradas, utilizado em diversos desenhos e animações de destaque, como Dragonball Z), com uma mistura de cenários 3D e perfis idênticos aos do seriado Avatar. A combinação resultou em visuais agradáveis, sendo que há diversos ambientes e, depois de um certo tempo, variações climáticas em determinados locais, tais como mudança de tempo ameno para chuvoso. Os sons do jogo também são bem ilustrados, sempre no jeito anime de ser.

Os vídeos entre os capítulos são extremamente parecidos com a série, com apenas uma única falha crucial: o adiantamento das legendas em relação às falas dos personagens, que podem ocorrer em alguns vídeos.

A música é bastante ilustrativa e constante, diferindo de acordo com o ambiente e se o(s) personagem(ns) estão ou não em batalha. Devido ao fato de a trama e as ações dos personagens serem um tanto constantes e irritantemente repetitivas, a música pode se tornar enjoativa, pois extensas travessias a pé em um mesmo cenário (mesmo que em ambientes diferentes) são realizadas freqüentemente.

Prático, para passar o tempo e semelhança fortíssima com a série

Avatar: The Last Airbender se torna um jogo no qual os capítulos são transpostos facilmente se o jogador já tem uma certa afinidade com RPGs. Em poucas horas, 3 ou 4 capítulos podem ser percorridos em quase todos os aspectos. O jogo indica a porcentagem das conquistas feitas no capítulo, podendo, então, embarcar somente na quest principal ou tentar realizar todas que os NPCs e a história oferecem.

Por ser sempre do mesmo estilo de luta e habilidades iguais (mesmo com a escolha das magias podendo ser realizada pelo jogador), o jogo pode ser visto como um bom passatempo e pode ser apreciado mais pelos fãs do seriado do que por quem nunca viu o pequeno menino careca com uma faixa azul em sua cabeça.
67 ps2
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