Análise de Back to the Future: The Game - It's About Time

De volta para valer

O ano de 2010 foi especial para os fãs da franquia “De Volta Para o Futuro”. O primeiro filme da série comemora o 25º aniversário de sua chegada aos cinemas, e lá se vão vinte anos desde o lançamento do terceiro e último longa, que aparentemente deu um fim à jornada temporal de Marty McFly e Doc Brown. Acima de tudo isso, porém, 2010 deu aos aficionados pela história mais um motivo para festejar: o lançamento de um novo game da saga.

Back to the Future: The Game é dividido em cinco capítulos, e o primeiro já está disponível pelo serviço de distribuição online Steam. Os outros quatro devem ser lançados com intervalos de cerca de um mês entre si, até o grande final que deverá acontecer em maio ou junho de 2011. O jogo também está marcado para chegar ao PlayStation 3 e iPad no início do ano que vem.

A trama é uma sequência direta dos filmes. Seis meses após o adeus de Doc Brown, Marty McFly tenta tocar sua vida sem o amigo até que o DeLorean, carro utilizado pelo cientista como máquina do tempo, retorna à cidade de HillValley. Agora, cabe ao jovem voltar ao passado para salvar seu velho companheiro, tomando todo cuidado para não desestruturar a linha temporal.

Back to the Future: The Game Episode I é uma boa adição à biblioteca de qualquer jogador. Aqueles que estiverem procurando um bom passatempo, com desafio moderado e gráficos bonitos, encontrarão no jogo pelo menos algumas boas horas de diversão, mas não poderão aproveitar completamente o potencial do título.

Para os fãs da saga, a história é bem diferente. O jogo é um prato cheio, que traz de volta tudo aquilo que os aficionados amam em “De Volta Para o Futuro”. Espere reencontrar velhos conhecidos, conhecer novos personagens e se aventurar pela linha temporal mais uma vez. A sensação de que se está jogando um novo filme pode fazer com que o game tenha potencial para ser incluído em uma lista de favoritos.

Back to the Future: The Game Episode I está disponível no serviço online Steam por US$ 24,99, pouco mais do que R$ 42. O próximo capítulo tem lançamento marcado para fevereiro de 2011.

O retorno de um clássico

Back to the Future: The Game Episode I não fica devendo em nada aos filmes que o originaram. Tudo aquilo que tornou a franquia cinematográfica um sucesso está lá: a cidade de Hill Valley, os personagens queridos, as músicas da época e as piadas de sempre. Diversos elementos são reciclados dos longas originais, mas não parecem datados e, em sua maioria, foram muito bem encaixados pelos desenvolvedores.

O clima de nostalgia é evidenciado logo na primeira sequência, que reproduz cenas clássicas do longa original de uma forma um pouco diferente. A seguir, o jogador caminha pelo laboratório de Doc para se acostumar com o funcionamento do game e lembrar-se de mais elementos da franquia antes de partir para resgatar o cientista.

A primeira parada é 1931, ano em que Doc Brown está preso após incendiar uma casa de venda ilegal de bebidas. Nesta época, os EUA estavam sob vigência de uma rígida lei seca que proibia a fabricação e comercialização de alcoólicos. Os gangsters responsáveis pelo negócio, claro, não ficaram nada felizes com a perda do ponto de venda e planejam assassinar o cientista. Em meio a tudo isso, cabe a Marty resgatar o amigo da prisão antes que seja tarde demais.

Sabe aquela velha história de que game baseado em filme é ruim? Back to the Future: The Game fará você se esquecer disso rapidinho.

Um antigo estilo também está de volta

A jogabilidade de Back to the Future: The Game também nos remete de volta ao passado. O jogo utiliza o clássico estilo point and click, popularizado pelos adventures antigos para computador e que perdeu muito de sua força nas duas últimas gerações. Isso significa que o mouse será utilizado para grande parte das ações, que consistem em clicar nos elementos dos cenários.

O rumo das conversas também pode ser guiado pelas frases que aparecem na tela. Basta clicar em uma delas para obter mais informações sobre determinados assuntos, ou convencer os personagens a realizar certas ações. As setas do teclado são utilizadas apenas para movimentar Marty pelos cenários.

Assim como nos clássicos jogos, o desafio também é simplificado. O game, na maioria das vezes, exige apenas que determinados objetos sejam encontrados ou que o item X seja levado ao ponto Y. A facilidade pode atrair a maioria dos jogadores, mas deve deixar aqueles que exigem um desafio maior querendo mais.

Trabalho artístico impecável

A Telltale Games, em vez de investir na realidade de personagens e cenários, preferiu utilizar elementos mais cartunescos e coloridos. Dá para dizer que a aposta foi certeira, pois grande parte do apelo de Back to the Future: The Game está nos gráficos.

Os personagens aparecem exatamente como nos lembramos deles, incluindo roupas e modo de agir. O laboratório de Doc é uma réplica perfeita do visto nos filmes, assim como o DeLorean e seu interior. Michael J. Fox e Christopher Lloyd emprestaram suas aparências para os personagens do game, e o cientista é dublado pelo mesmo ator que o interpretou nos cinemas.

Quem rouba a cena, porém, é A.J. Locascio, responsável pela voz de Marty McFly. A semelhança com a voz de Michael J. Fox é impressionante e, em vários momentos, é impossível não imaginar que os trechos de fala foram retirados diretamente do filme, em vez de gravados especialmente para o game.

Cuidado com as paredes!

A jogabilidade simples de Back to the Future: The Game é um de seus pontos positivos, mas não está livre de problemas. A movimentação por meio das setas direcionais do teclado não é perfeita e, na maioria das vezes, elas não levam o personagem para onde apontam. Muitas vezes, o jogador se verá pressionando as teclas tentando descobrir para onde cada uma delas o levará.

Apesar de não ser um empecilho muito grande, isso pode ser um problema em determinados momentos, como quando é preciso perseguir Doc Brown jovem para conversar com ele. Na maioria dos casos, porém, é possível dispensar as teclas e utilizar apenas o mouse, utilizando apenas um clique para levar Marty diretamente aos pontos de interesse.

Apenas para fãs?

Apesar de ser um bom game, Back to the Future: The Game perderá grande parte de seu apelo caso você nunca tenha assistido aos filmes originais ou não seja fã da franquia. O jogo é amontoado de referências e grande parte dos desafios e da história se baseia em acontecimentos passados nos longas.

Isso não significa que o charme do título se perderá completamente. A boa jogabilidade continuará lá, assim como os bons gráficos, mas o título exige do jogador uma certa dose de amor à série para mergulhar plenamente em seu universo. Caso seu conhecimento sobre “De Volta Para o Futuro” seja nulo, você provavelmente boiará com certa frequência.

Canse de ouvir

Quem nunca escutou o clássico tema de “De Volta Para o Futuro” não deve ter vivido neste planeta nos últimos vinte e cinco anos. A clássica música composta por Alan Silvestri é repetida inúmeras vezes nos longas em diversas versões, e no game, não poderia ser diferente.

As faixas, versões repaginadas das músicas da trilogia original, são reproduzidas durante todo o game. A questão é que o jogador provavelmente ficará cansado de ouvir as mesmas notas insistentemente, principalmente caso esteja travado em um determinado enigma.

86 pc
Ótimo