Análise de Bakugan Battle Brawlers: Defenders of the Core

Assumir o lugar de um Bakugan pode ser bem frustrante...

Em Bakugan Battle Brawlers: Defenders of the Core, a desenvolvedora Now Production resolveu deixar um pouco de lado a fórmula clássica de Bakugan. Para quem não conhece: arremessar esferas — que na verdade são monstros terrivelmente poderosos — sobre cartas mágicas capazes de ativá-las. Aqui há uma mudança de perspectiva radical, conforme você assume o controle dos próprios Bakugans.

Ok, a ideia é razoavelmente original, mesmo que para isso seja necessário considerá-la apenas dentro da realidade da própria franquia — que jamais viu nada parecido. O problema é que, na prática, a coisa não funciona exatamente como deveria. Em primeiro lugar, pela questão tática.

Img_normal

Não há em Defenders of the Core praticamente nada que se assemelhe à experiência estratégica típica da série, e também dos desenhos. Nada relacionado à escolha do monstro certo, no momento oportuno e contra o inimigo que seja mais suscetível a determinado ataque. Longe disso, o que se tem aqui é simplesmente um jogo de pancadaria deficiente e descerebrado que tem pouco ou nada a ver com a fórmula original de Bakugan.

E o pior. Além de se afastar do que realmente fazia a coisa funcionar na franquia, a desenvolvedora ainda optou por incluir um elemento absolutamente heterogêneo no que diz respeito ao conceito próprio de Bakugan: um tenebroso e presumido modo stealth. Entre uma batalha e outra, deslocar-se através do mundo de jogo enquanto desvia de fachos de lanterna e cata itens será o seu único “divertimento”.

Img_normal

É claro que controlar uma criatura gigantesca em batalhas verdadeiramente épicas contra outros colossos sempre tem a sua graça — embora não seja necessário pensar muito para isso —, experiência que é catalisada pela possibilidade de destruírem partes inteiras do cenário.

O problema é que, mesmo quando você se dispõe a aceitar que Defenders of the Core não trará nada além de um esmagamento crônico de botões, há outras pontas soltas que saltam à vista. São gráficos datados, dublagens poucos inspiradas, problemas de jogabilidade... Enfim. Melhor passar logo aos detalhes.

Mesmo um fã de carteirinha de Bakugan deveria pensar duas vezes antes de investir seus tostões em Defenders of the Core. Quer dizer, ok, todas as criaturas mais famosas estão presentes, assim como as batalhas épicas em ambiente urbanos — incrível como ninguém questiona a destruição constante do patrimônio público.

O problema aqui é reformulação perigosa encarada pela Now Production. Afinal, se você resolve remover de Bakugan algo tão central quanto a dimensão tática original do jogo/anime, então é bom que exista algo suficientemente chamativo para ser colocado em seu lugar. No caso, DEVERIA ser um bom sistema de combate.

Img_normal

É claro que, conforme mencionado anteriormente, confrontar inimigos gigantescos em ambientes destrutíveis tem sua graça, assim como pode ser realmente interessante para um fã mais próximo acompanhar um arco exclusivo de histórias. O problema é que isso não parece ser o suficiente e, entre um golpe e outro, você terá que encarar uma jogabilidade mal terminada e gráficos descaradamente datados.

Se você gosta de Bakugan...

Img_normalDeixando um pouco de lado o fato de Bakugan ser uma franquia obviamente derivativa — o que acontece quando se junta Pokémon, Yu-Gi-Oh! e bocha —, encontrar novos nacos de história não deixa de ser uma boa pedida para quem é fã. Nesse ponto, Defenders of the Core faz o que tem que fazer: insere um novo arco de histórias no fabulário prévio de Bakugan.

Em Defenders of the Core, você vai ser tornar um Battle Brawler, coletando Bakugans poderosos e gigantescos para fortalecer a resistência contra os famigerados Vexos, que estão lenta e gradualmente ganhando terreno a fim de tomar todas as bases da Resistance.

A trama inicia com o seu personagem e Dan em uma batalha dentro de um espaço para treinamento — eis aí o seu primeiro tutorial. Nesse ponto, você vai ganhar um Neo Drago para enfrentar o Maxus Dragonoid de Dan. Basta seguir os conselhos de Dan em relação à mecânica de combate bastante simples do jogo.

Entretanto, após algumas batalhas o interespaço (interspace) começa a tremer misteriosamente. O seu personagem e Dan saem correndo mas, embora apenas este último consiga realmente sair do espaço. Sim, você também sai. Só que para uma linha do tempo alternativa. O restante, como dizem, é história.

Hora de destruir Tóquio... Mais uma vez

É verdade que Defenders of the Core assume diversas localidades através do globo — China e Reino Unido, por exemplo. Entretanto, é impossível participar da primeira batalhas aberta sem se lembrar dos clássicos filmes/seriados japoneses em que alguma monstruosidade, ao digladiar com um super-herói qualquer, acabava botando tudo abaixo.

De fato, a possibilidade de destruir praticamente qualquer elemento do cenário traz um dos pontos altos do jogo; um ponto que quase faz com que se esqueça das várias escorregadas da Now Production... Quase. Em suma: se não ganha pontos na originalidades, pelo menos torna mais divertido algo que poderia ser apenas enfadonho.

Crie seu próprio Brawler

Não que existam realmente muitas possibilidades de personalização aqui. Mas criar o seu próprio Brawler até pode ser divertido, nem que seja apenas para terminar com algo um pouco mais original — nós terminamos com um afrodescendente cheio de estilo e com cabelo black power.

Entre as possibilidades, nada além do esperado: cor da pele, formato do nariz e dos olhos, corte de cabelo, roupas (com possibilidade de se trocarem as cores), acessórios, etc. Enfim, se é para gritar coisas constrangedoras como “Bakugan, blow!”, então que seja com algum estilo, certo?

Img_normal

Mas, caso a sua criação termine como uma verdadeira abominação — do tipo que faria algum estilista dizer “cruzes!” —, sem problemas. Assim que você ganhar acesso à espaçonave de Marucho, será possível alterar e reelaborar livremente o acabamento do seu avatar. O espaço torna possível também gerenciar os Bakugans coletados e revisitar batalhas prévias — isso vale apenas para o modo história, naturalmente.

O lado bom da pancadaria

Conforme mencionado anteriormente, Defenders of the Core deixa de lado a fórmula típica de Bakugan para dar lugar a um jogo de pancadaria entre monstros com esmagamento de botões. Mas isso até pode ser divertido. E, pasme, ainda pode conservar algo de tático.

Img_normalUma vez dentro da arena, você terá que disparar socos, chutes e sequências no inimigo que estiver mais próximo — embora o travamento de mira dificulte a coisa toda, conforme se verá adiante. Para reforçar os ataques ou defesas, é possível ainda utilizar algumas das cartas power-ups típicas da série, tais como escudos e manobras de ataque.

Embora cada Bakugan possua três espaços para cartas, apenas duas podem ser ativadas por vez — o que deve ser feito antes do início de cada batalha. Para quem conhece um pouco mais da fauna de Bakugan, vale ainda atentar para o tipo de criatura que se coloca na arena, já que alguns são mais eficientes contra inimigos específicos.

Na tela anterior às batalhas também é possível distribuir hologramas através do mapa, afim de desviar o fogo inimigo do seu marco. Isso é particularmente importante, já que o objetivo das batalhas não é apenas sobreviver à luta, mas também frustrar os ataques de inimigos que surgem e resurgem diversas vezes, sempre tentando destruir as construções protegidas pelo seu personagem.

Onde foi parar a tática?

Img_normalEmbora colocar monstros se destruindo e mandando construções pelos ares esteja de acordo com uma das premissas básicas de Bakugan, o componente tático da coisa toda — igualmente característico — parece ter se perdido em algum lugar durante a viagem entre Vestroia e New Vestroia (o universo alternativo para o qual o seu personagem é enviado).

Quer dizer, embora simples, a ideia de arremessar a criatura certa sobre a carta certa no tabuleiro sempre trouxe em si um inegável elemento estratégico. E, bem, isso apenas poderia ser colocado de lado em prol de um sistema de batalhas realmente eficiente... O problema é que isso não exatamente ocorre em Defenders of the Core.

Jogabilidade desengonçada

Apesar da velocidade das batalhas e dos ataques poderosos, controlar os Bakugans em Defenders of the Core consegue ser realmente frustrante durante a maior parte do tempo. E o pivô disso é, sem dúvida, o péssimo sistema de travamento de mira; isso simplesmente por que ele não funciona como deveria.

É claro, a sua mira vai focar sem maiores problemas no inimigo escolhido — basta apertar o bumper direito do controle para alternar entre alvos quando há mais de um inimigo atacando. O problema é que, mesmo com a mira travada, é muito difícil disparar golpes e combos sem se desviar do oponente e acabar socando o ar. Além disso, os ataques à distância são praticamente descartáveis, já que dificilmente atingem o alvo.

O que Bakugan e stealth tem em comum? Nada, provavelmente

Entre as novidades adicionadas a Defenders of the Core está um modo furtivo pretenso, desajeitado e quase exageradamente infantil — mesmo quando se considera a faixa etária na qual está a maioria dos fãs de Bakugan.

Basicamente, entre uma batalha ostensiva e outra, você assume o controle do seu personagem diretamente. As sequências são realmente constrangedoras. Em resumo: desvie dos fachos de lanterna e colete itens enquanto transita por um cenário totalmente linear.

Img_normal

Mas não pense que os guardas aqui compartilham o mesmo sentido apurado dos seus algozes em Metal Gear. Longe disso. Basta tirar a prova: posicione-se em frente a um deles. Caso você não adentre os limites da lanterna, ele simplesmente não vai enxergá-lo. O mesmo vale para alguém que resolva se colocar nas costas de um deles — uma cena realmente cômica.

Visuais datados

Em relação aos visuais de Defenders of the Core, não há muito o que acrescentar. Basta o primeiro vislumbre dos monstros e dos cenários para notar gráficos completamente datados. Simplesmente porque não há texturas ou elementos distintivos entre as imagens. Enfim, algo que seria apenas mediano, mesmo para a geração anterior de consoles.

65 ps3
Regular

Outras Plataformas

65 xbox-360