Um excelente jogo jamais envelhece [vídeo]

Gameplay BJ

Há um ano, os fãs de histórias em quadrinhos receberam um belo presente da Rocksteady: Batman: Arkham City. A última aventura do Homem-Morcego foi além daquilo que todos esperavam e trouxe um dos melhores games de 2011. Tudo aquilo que representa o personagem foi cuidadosamente trabalhado para criar uma excelente história. E eis que temos a oportunidade de revisitar a cidade-prisão, desta vez com alguns diferenciais.

Aproveitando a onda de adaptações para o Wii U, a Warner decidiu aproveitar as duas telas do novo console da Nintendo para acrescentar novas experiências ao elogiado game. Em Armored Edition, vestimos um uniforme um pouco diferente, com apetrechos e reforços tecnológicos que somente o GamePad é capaz de criar.

E essa é a principal novidade do game. Confiando no sucesso do game original, a produtora optou por apenas adicionar alguns pequenos elementos que complementassem a jogabilidade e aproveitassem a nova tela. Mas será que isso é o suficiente para justificar a nova versão?

Batman: Arkham City foi um dos melhores jogos de 2011 e o tempo apenas ajudou a reforçar sua imagem de clássico moderno. Armored Edition consegue reviver tudo aquilo que o game original nos trouxe, trazendo alterações leves em sua mecânica para adaptá-lo ao novo console do Wii U. E o que isso significa?

Por mais que o GamePad ofereça mudanças na jogabilidade, elas são sutis e não resultam em diferenças significativas para quem já conhece aquele universo. Se você procura algo novo, saiba que a interação com o controle não é tão revolucionária a ponto de oferecer isso.

Por outro lado, para quem não conhece o game, Armored Edition é tudo aquilo que você precisa para mergulhar em uma das melhores histórias dos últimos anos e na melhor adaptação de quadrinhos para video games que já vimos.

Por fim, devemos destacar o trabalho da Rocksteady na parte gráfica. Apesar de ser a primeira investida da empresa no novo hardware da Nintendo e ainda tenha suas falhas, o resultado final conseguiu mostrar que o console realmente não deixa nada a desejar ao PlayStation 3 e Xbox 360 — tudo isso em um título de lançamento. Com um ótimo começo, Batman: Arkham City – Armored Edition é a prova do quanto o Wii U ainda tem a oferecer para os apaixonados por gráficos.

Visual de qualidade

Muito se falou sobre o potencial gráfico do Wii U. Desde antes de seu lançamento, rumores afirmavam que ele não seria capaz de bater de frente com PlayStation 3 e Xbox 360, enquanto outros alegavam o exato oposto, ou seja, que a Nintendo conseguiria superar a concorrência com facilidade. E a resposta vem em Batman: Arkham City – Armored Edition.

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A versão para o console da Nintendo é praticamente igual àquilo que vimos no ano passado nos sistemas da Sony e Microsoft, o que é algo muito positivo para um título de lançamento. Tudo continua muito bonito, com destaque para a modelagem dos personagens e seus detalhes. Seja nas cenas de corte quanto nos momentos de ação, toda a grandiosidade visual apresentada nesta nova edição não deixa nada a desejar às demais plataformas.

No entanto, isso não é tudo. Além do acabamento muito bem feito, Armored Edition traz novidades também na apresentação dos personagens. Batman e Mulher-Gato receberam novos uniformes, com apetrechos tecnológicos que vão ajudá-los a combater os vilões de Arkham City. E além das novidades em mecânicas que isso oferece — que veremos logo a seguir —, isso também oferece uma melhoria no design das roupas, com efeitos inexistentes no PS3 e Xbox 360.

O Bat-GamePad

É claro que a utilização do GamePad também seria um dos grandes atrativos de Armored Edition. No entanto, ao contrário de ZombiU, que foi concebido como um título exclusivo do Wii U, Batman: Arkham City não nega sua origem nos demais consoles, o que faz com que a versão para a nova plataforma exija algumas adaptações sutis.

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O próprio fato de o Cavaleiro das Trevas e a Mulher-Gato receberem novos uniformes é uma justificativa para adicionar essas novidades. Ao ganharem armaduras, os personagens podem aproveitar alguns recursos tecnológicos extras, que funcionam a partir do controle-tablet do Wii U, explicando a nova interface e as demais funcionalidades inéditas — como o B.A.T, uma tecnologia que deixa os golpes duas vezes mais poderosos.

O menu que gerencia os gadgets do herói é uma das grande inserções da versão. Em vez de pausar o game para acessar uma tela específica, tudo pode ser configurado em tempo real a partir do GamePad. Embora a seleção de equipamentos nunca tenha sido algo complicado, em Armored Edition ela fica mais bonita e com uma cara muito mais próxima daquilo que imaginamos que o Batman usaria.

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Essa mesma tela também serve para que você faça o upgrade em suas habilidades, confira o desenvolvimento de suas missões e veja o perfil de heróis e vilões. A visualização do mapa em tempo real é outra grande vantagem, uma vez que você não precisa mais interromper a luta contra o crime para tentar se localizar em Arkham City.

Além disso, o híbrido de controle e tablet também traz pequenas adições para deixar a exploração um pouco mais interativa. A resolução de puzzles, como hackear um sistema, é feita a partir da pequena tela, assim como investigar a cena do crime em busca de evidências. São adições menores que não fazem muita diferença, mas agrada quem quer aproveitar o que o Wii U tem a oferecer.

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Talvez a maior aplicação do GamePad seja exatamente a possibilidade de puxar a ação da TV para o controle. Assim, você tem um Batman: Arkham City portátil que pode ser levado para todos os cantos de sua casa.

Um jogo mais completo

Se você não jogou Arkahm City até agora — o que você está fazendo da sua vida? —, Armored Edition é a maneira ideal de conhecer esta aventura do Homem-Morcego. Mais do que ser apenas reproduzir aquilo que vimos no ano passado no PS3 e Xbox 360, a versão para Wii U ainda traz todos os DLCs lançados para o game.

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Desse modo, assim como acontece na Game of the Year Edition, você conta com todas as skins dos personagens no Modo Desafio e ainda conta com a continuação da campanha existente na expansão Harley Quinn’s Revenge. Para quem quer vestir o manto do Batman pela primeira vez, a nova edição tem tudo o que você precisa para aproveitar aquele universo.

Tudo tem seu preço

Embora tenhamos destacado o belo visual de Batman: Arkham City – Armored Edition como um dos principais pontos positivos do game, isso não acontece sem um preço. Mesmo que tudo esteja muito bonito de maneira geral, alguns problemas acompanham o Homem-Morcego nessa nova empreitada.

O principal ponto é a instabilidade. Para fazer com que tudo aquilo seja computado na qualidade proposta, a Rocksteady teve de sacrificar a fluidez das imagens, causando quedas bruscas na quantidade de quadros por segundo. Por isso, não se espante ao ver que o herói ficou repentinamente mais lento durante a luta ou que seu voo teve uma ou outra engasgada.

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Além disso, alguns detalhes do cenário tiveram de ser simplificados para que aquilo que fica em primeiro plano não fosse prejudicado. Para manter todos os detalhes do uniforme, as texturas dos prédios e demais objetos de pouco destaque foram cortadas. O mesmo acontece quando você leva a ação para o GamePad, já que a baixa resolução dificulta a exploração.

No fim das contas, não chega a ser algo que realmente atrapalhe, mas incomoda quando você dá de cara com um objeto cujo trabalho contrasta com o ótimo resultado obtido na construção do personagem.

Mais do mesmo

Pergunta importante: se você é um grande fã do Batman, já jogou Arkham City e comprou um Wii U, vale a pena investir em Armored Edition? Para quem busca novidades ou uma experiência diferente, saiba que é melhor você guardar seu dinheiro para outro lançamento. Apesar de se tratar de um excelente game, ele não vai muito além daquilo que vimos no ano passado.

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Isso significa que quem já conhece a cidade-prisão vai reviver as mesmas sensações, seja em termos de história ou de jogabilidade. Não há grandes mudanças significativas e até mesmo os recursos exclusivos são discretos. Acessar os menus e o mapa pelo GamePad é bem útil, mas isso nunca foi um problema no jogo original e, portanto, a evolução não faz tanta diferença. Nem mesmo a tão comenta armadura é tão útil e você pode ignorá-la durante todo o jogo que não vai sofrer por isso.

No fundo, a impressão que temos é que todas as novas funcionalidades, mesmo que incrivelmente funcionais, são apenas perfumarias para justificar a adaptação do game em um novo console. Vale a experiência, mas não a ponto de fazer com que você se sinta na obrigação de voltar a jogar apenas para conferi-las.

98 wiiu
Excelente