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Na sombra do Morcego

Durval Ramos Junior

Videoanálise

Com Batman: Arkham Origins, volto a fazer a pergunta que fiz no começo deste ano: qual a utilidade de um prequel? Em 2013, vários títulos tentaram contar a origem de grandes séries, mas nem todos conseguiram fazer com que isso se transformasse em uma maneira interessante de expandir e aprofundar aquele universo.

E era por isso que eu estava tão receoso com este novo Batman. Mais do que a mudança de produtora, me preocupavam os rumos que a história e o próprio jogo poderiam tomar. Após o fenomenal desfecho de Arkham City, era difícil imaginar como ir além. A saga do Morcego se fechou ali.

Mas a Warner decidiu apostar e voltou aos primeiros anos de Bruce Wayne como Cavaleiro das Trevas para nos contar como aquele rapaz sedento por vingança se tornou o filho ilustre de Gotham. E, apesar de parecer ser apenas mais um caça-níquel que se aproveita do sucesso passado, Arkham Origins surpreende ao abordar o início de uma das relações mais complexas e intrigantes dos quadrinhos — mesmo com muitos deslizes pelo caminho.

Apesar de conseguir expandir o universo do herói de maneira muito interessante, Batman: Arkham Origins é, com certeza, o título mais fraco de toda a trilogia do Homem-Morcego. Isso não significa que ele é ruim, mas que apenas não mantém o mesmo charme e empolgação que os demais títulos traziam. Em uma analogia com os quadrinhos, é como se o jogo fosse a fase em que Dick Grayson assume o manto do herói: ele cumpre bem seu papel e segue a cartilha ao pé da letra, mas você não o reconhece como Batman.

E, como mencionado, o problema não é a reutilização da fórmula ou da mecânica, mas o fato de essa repetição não ser aplicada em situações inéditas. São os mesmos desafios encontrados anteriormente, mudando apenas o vilão em questão. É um grande dejà vu.

É claro que o fator novidade do multiplayer consegue desviar um pouco da atenção para esse aspecto, mas ele funciona mais como um extra do que como parte importante da experiência. A campanha é o grande forte da série Arkham por usar a jogabilidade e a narrativa para criar situações diversas para o herói. O problema é que, para que isso funcione, é preciso de criatividade — algo que não pode ser emulado de maneira nenhuma.

Início de relacionamento

Boa parte da experiência da série Arkham está no seu enredo e Origins consegue segurar bem a barra nesse aspecto, apesar de seu começo lento e mal definido. A trama é o que há de melhor no game, pois consegue introduzir alguns elementos que enriquecem a mitologia do personagem e complementam aquilo que vimos nos jogos anteriores.

Ao nos apresentar um Batman ainda em início de carreira, a Warner consegue se livrar da história de origem e, ao mesmo tempo, trabalhar o primeiro contato do herói com figuras que vão estar constantemente em seu caminho. Prova disso é que ele ainda não conquistou a confiança de Gotham e ainda é tratado como uma lenda urbana da cidade, embora toda a força policial esteja empenhada em capturá-lo.

E, mais do que não ser um aliado do então Capitão Gordon, vemos um Bruce Wayne inexperiente e imaturo. Não se trata de apenas mais uma promessa de prequel, pois é realmente possível sentir que, apesar de forte e habilidoso, ele ainda não está pronto para carregar as responsabilidades de ser um herói. É como se, de repente, ele percebesse que a situação na qual ele se encontra é muito pior do que a que ele imaginava inicialmente — o que vai ajudar a moldar a figura que conhecemos.

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No entanto, o grande trunfo do game está na gênese de um das relações mais dicotômicas dos quadrinhos: Batman e Coringa. Apesar de o Origins do título se referir à criação do Asilo Arkham, a verdadeira origem a qual somos apresentados é a do relacionamento entre essas duas forças. Mesmo com uma grande galeria de vilões, o Palhaço rouba a cena mais uma vez e, neste caso, nos apresenta as razões de sua obsessão com o herói. Se o encerramento de Arkham City deixou claro que a loucura de um complementa a do outro, o novo game explica como tudo isso começou — e é incrível.

Complementado o que já tínhamos

Já em termos de mecânicas, Batman: Arkham Origins se mantém exatamente fiel àquilo que a Rocksteady apresentou anteriormente. Isso significa que o novo game não conta com nenhum elemento inédito de jogabilidade, seja durante os combates ou na própria exploração de Gotham City, o que torna tudo muito familiar.

Mas embora tenha optado por jogar seguro e não fazer alterações na fórmula de sucesso de seus antecessores, a Warner adicionou alguns pequenos elementos ao arsenal do herói. São alguns novos gadgets, como a garra remota e a luva elétrica — que é, na verdade, uma herança do jogo para Wii U —, que não alteram a forma como você joga, mas criam novas possibilidades de interação.

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No entanto, a maior novidade que Arkham Origins traz é no sistema de investigação. Mais do que ser um herói ou um vigilante mascarado, Batman é um detetive e finalmente podemos sentir isso na pele. A busca por evidências sempre esteve presente na série Arkham, mas esta é a primeira vez que podemos conferir o poder de dedução do Homem-Morcego.

E isso é feito de maneira bem simples. Em vez de simplesmente buscar pistas na cena de um crime, ele é capaz de usar toda a tecnologia de seu traje para reconstruir a cena a partir de realidade aumentada. É um artifício que funciona muito bem em termos de imersão, por mais que não mude nada na mecânica geral de exploração.

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É possível avançar e retroceder no tempo em busca de algo que possa ter escapado de seus olhos à primeira vista, mas que não foge muito do que já tínhamos na franquia. Trata-se de uma maneira nova de fazer algo que já existia. A diferença é que isso cria uma dinâmica interessante e que mostra uma faceta pouco explorada do personagem.

Herói em ação

Se a Warner não adicionou nada de significativo à campanha, o mesmo não pode ser dito do inédito modo multiplayer. Batman: Arkham Origins introduz um modo online pela primeira vez na série e, para a surpresa dos descrentes, consegue manter o clima intacto mesmo em um ambiente com múltiplos jogadores.

O grande segredo para isso é a divisão de tarefas durante a partida. Os trios que assumem o papel de capangas precisam dominar determinadas áreas enquanto eliminam a gangue rival e os heróis devem neutralizar cada um deles para aumentar um medidor de intimidação localizado na parte superior da tela.

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No fim das contas, essa experiência assimétrica funciona muito bem, pois mantém o clima original da série, mas levando-o para um ambiente multiplayer. Quem controla a Dupla Dinâmica tem acesso à maioria dos gadgets e recursos presentes no single player, enquanto os bandidos assumem algo mais próximo do shooter.

Isso cria uma dinâmica bem variada, já que é preciso estar atento a tudo o que acontece. Como vilão, a ameaça pode vir tanto do campo quanto dos céus, fazendo com que você tenha de olhar bem ao seu redor antes de dar qualquer passo. Por outro lado, quando atinge determinada pontuação, um dos jogadores pode se transformar em um dos inimigos clássicos do Homem-Morcego, ganhando novas habilidades.

E, mesmo havendo um único modo de batalha e alguns poucos mapas, essa adição faz muita diferença ao game e mostra que, apesar de muita gente ter torcido o nariz inicialmente, é possível inserir um multiplayer na série Arkham. É claro que ele ainda precisa de alguns ajustes — o Bane é quase invencível e o matchmaking está com alguns problemas —, mas já é garantia de diversão.

De volta a 2011

A série Arkham conseguiu definir o gênero super-herói nos games ao unir uma boa história a uma mecânica que respeita a essência do personagem. E isso é tão verdade que é compreensível por que a Warner não mudou praticamente nada na jogabilidade. O problema é que ela também não mexeu em elementos que diferenciassem um título do outro.

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Em essência, Arkham Origins é quase como uma grande expansão de Arkham City. Ele segue a cartilha criada por seu antecessor de tantas maneiras que ele se torna um imenso dejà vu daquilo que vimos em 2011. É quase como se a produtora tentasse emular o game anterior para que o jogador não estranhasse a mudança de equipe criativa.

A começar pelo cenário. Tudo bem que a cidade-prisão era uma área dentro da própria Gotham e faz muito sentido alguns ambientes se repetirem — é o que torna o universo coeso. Contudo, isso não justifica que coisas que eram específicas daquele contexto se repitam aqui.

Um exemplo prático é a destruição que encontramos em todo o mapa. Em Arkham City, isso é explicado como fruto de uma série de terremotos que atingiram o local antes dos acontecimentos do game — ou seja, anos antes de Origins. Então, por que diabos temos as mesmas pontes e áreas em ruínas?

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Isso pode parecer uma implicância desnecessária, mas é algo que ganha força quando você percebe a grande quantidade de momentos que são repetições daquilo que vimos nos jogos anteriores. Procurar o Coringa na siderúrgica ou ter de enfrentar ondas de bandidos em uma arena são situações que já fizemos dezenas de vezes exatamente da forma como temos em Arkham Origins.

Até mesmo algumas batalhas contra chefes são idênticas às dos jogos anteriores. A estratégia usada contra Killer Croc é exatamente a mesma que você usou contra o Bane em Arkham Asylum e o fato de Copperhead atordoar os sentidos do herói com uma droga alucinógena é a mesma coisa que o Espantalho e o Chapeleiro Louco fizeram nos outros jogos.

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Diante disso tudo, é possível perceber que o problema de Batman: Arkham Origins não foi manter a mecânica de seus antecessores inalterada, mas de ter sido preguiçosa e pouco criativa na hora de aplicar esses recursos. Não havia problema em seguir o legado da Rocksteady, contanto que isso fosse usado para colocar o jogador em situações até então inéditas — o que não acontece por aqui. Tudo é um reaproveitamento de momentos que já vimos.

Arkham City da Série B

E, apesar de o desenvolvimento da trama ser o ponto alto de Batman: Arkham Origins, a tentativa da Warner de emular o último game do Morcego também afeta a narrativa.

Desde que o prequel foi anunciado, a produtora não poupou esforços em divulgar que teríamos vários inimigos inéditos caçando o Cavaleiro das Trevas na véspera de Natal. Exterminador, Bane, Máscara Negra, Pistoleiro e mais uma dezena de vilões foram promovidos para mostrar quantos desafios Bruce Wayne teria de enfrentar para manter Gotham a salvo.

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O problema é que, dos 14 personagens que aparecem para fazer oposição ao protagonista, menos da metade desses vão obrigatoriamente cruzar seu caminho e menos ainda vão ser cruciais para o enredo. A grande maioria aparece apenas como inimigos para missões secundárias.

É triste ver o quanto esses personagens são mal aproveitados, já que sua única função dentro do jogo é fazer volume. Arkham City conquistou os fãs por trazer uma grande quantidade de vilões e parece que a Warner tentou recriar isso também. O problema é que ela não soube encaixá-los na trama e ninguém — com pouquíssimas exceções — consegue se destacar.

Nem mesmo o Exterminador, apresentado como um dos principais desafios, consegue brilhar. E o Choque, coitado, é posto para fora com um único golpe.

Problemas brasileiros

Sou um grande defensor de títulos dublados em português por acreditar que isso ajuda a tornar o título acessível para um número maior de jogadores. No entanto, isso requer qualidade por parte da equipe de localização para que o resultado seja, no mínimo, equivalente ao original.

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E não é isso o que temos em Batman: Arkham Origins. Apesar e o esforço da Warner de trazer os dubladores oficiais dos personagens, é incrivelmente sofrível ouvir algumas das vozes nacionais. Os personagens centrais, como Batman, Máscara Negra e Coringa até conseguem segurar bem a barra, mas o restante é ruim o suficiente para fazê-lo querer colocar o jogo no mudo.

O problema é que não se limita apenas a presenças menores — como a ajudante do Pinguim, que dispara como a pior voz de todo o game —, mas de figuras importantes. É muito triste ver o mesmo Guilherme Briggs que trouxe o excelente Superman de Injustice fazer um Bane tão vazio e pouco inspirado que é praticamente impossível reconhecer o vilão brutamontes ali.

O pior de tudo é que você não tem a opção de mudar o idioma, já que a única maneira de fazer isso é alterando o padrão do próprio console. Desse modo, você é praticamente obrigado a aguentar o trabalho meia-boca feito por aqui.

Problemas de desempenho

Por fim, temos os velhos problemas de desempenho que retornam para assolar a aventura do Homem-Morcego. A Unreal Engine 3 volta a ser usada em Batman: Arkham Origins e, apesar de o resultado final ser bem positivo em termos visuais, já é possível sentir a idade do motor gráfico. Mas, além de algumas falhas visuais aqui e ali — sobretudo nas sombras —, o que realmente incomoda são as constantes quedas de framerate.

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O sistema de combate da série Arkham é completamente baseado no timing em que você aperta os botões. É preciso realizar o contra-ataque no momento exato para evitar ser atingido e dar continuidade ao seu combo. No entanto, como o jogo sofre com constantes slowdowns por conta da grande quantidade de elementos em cena — o vasto mundo, neve por todo o lado e o próprio movimento dos personagens —, isso faz com que você perca essa noção e veja sua estratégia ser inteiramente destruída por conta de um deslize que vai além de seu alcance.

75 pc
Bom

Outras Plataformas

75 ps3
75 xbox-360