Ajude o herói Beowulf a derrotar o monstro Grendel e sua mãe demoníaca.

Considerado o poema mais antigo de toda a língua inglesa, o clássico Beowulf, conta a história do herói nórdico que arranca o braço do gigantesco ogro Grendel, decapita a mãe do monstro e de quebra ainda rouba o tesouro de um dragão ancião. Aparentemente naquela época desmembramento de deficientes, esquartejamento de mulheres e abuso de idosos eram temas bem populares.

A história épica foi recentemente adaptada para o cinema pelo diretor veterano (e especialista em recursos digitais) Robert Zemeckis, o mesmo da trilogia "De volta para o futuro" e do aclamado "Forest Gump, o contador de histórias". Agora, o diretor resolveu utilizar o melhor da tecnologia de computação gráfica para produzir um filme totalmente digital.

As animações do filme impressionam pela qualidade e realismo, algumas cenas são facilmente confundidas com filmagens reais, mesmo porque as feições dos atores foram reproduzidas em detalhes no filme. Como de costume, uma mega-produção hollywoodiana envolve um enorme mecanismo publicitário que inclui divulgação internacional do filme, merchandising e até mesmo adaptações para os videogames. A idéia não é nova e está mais comum a cada dia, assim que anunciam a produção de um grande filme, quase que concomitantemente anuncia-se o lançamento de um jogo inspirado na película.

Seguindo a mesma linha de jogos de ação como
God of War, Beowulf acompanha os eventos mostrados no filme, além de expandir a trama, mostrando segmentos da via do rei nórdico com poderes sobre-humanos.

Grendel of War

Sem muitas inovações na sua jogabilidade, Beowulf bebe da mesma fonte que outros títulos do gênero. Além de God Of War, clássico que praticamente definiu esse estilo do jogo, um bom exemplo é o recente Conan, que mostra o mesmo estilo onde o importante é destroçar todos os inimigos presentes na tela e depois resolver os mini-quebra-cabeças que se encontram espalhados pelo cenário.

God of War gerou tantas cópias e imitações baratas que praticamente virou um gênero a parte, em Beowulf nós podemos conferir o mesmo esquema de controles presente nesse estilo: dois botões de ataque, um para agarrões, um para rolamentos, um para defesa e outro para especiais.

No final das contas o jogo soma mais erros do que acertos, além de uma jogabilidade pouco inovadora, você ainda encontrará alguns problemas com a movimentação do personagem (extremamente rijo), sem contar da durabilidade ridícula do seu armamento (algo entre papel de seda e palitos de dente), que irá quebrar após alguns golpes.

Guerreiros pilantras!

A única inovação significativa em toda a jogabilidade fica por conta dos “Thanes”, um grupo de seguidores que servem como soldados fiéis ao rei Beowuf. Você pode controlar os Thanes emitindo ordens para os esquadrões.
Rema, rema, remador...
A função dos Thanes basicamente resume-se a lutar e mover objetos. Infelizmente a inteligência coletiva deles é inferior ao de uma ostra, na maior parte do tempo você verá os soldados correndo a esmo, ou sendo espancado por seus inimigos.

Como eles não se mostram muito eficientes em combate sua grande funcionalidade é a de mover objetos, habilidade essencial para transpor alguns dos quebra-cabeças do jogo. Entretanto como todo bom operário eles devem estar devidamente motivados.

Para tanto você deve coordenar a cantoria dos seus aliados, em um mini-jogo você deve pressionar os botões conforme eles aparecem na tela, caso você consiga executar a combinação os Thanes irão realizar a tarefa de forma mais rápida.

Licença poética

A história baseada em um dos maiores poemas da literatura britânica é incrivelmente mal aproveitada, tanto pelo filme como pelo jogo. Basicamente Beowulf salva os dinamarqueses do monstro Grendel, depois ele tem que lidar com a vingativa mãe do monstro, entretanto o jogo consegue colocar uma pilha de missões infundadas e sem qualquer ligação com a história original.

Um bom exemplo é a fase na qual você depara-se com uma vila destruída, aparentemente nenhum habitante sobreviveu, mas espere, algumas virgens seminuas estão espalhadas pelo cenário e Trolls gigantescos estão arremessando-as de um precipício.

Gagueira visual



Na maior parte do jogo você poderá conferir alguns belos cenários e ambientes sinistros que compõem muito bem o clima sombrio da história. Além das paisagens as animações também oferecem algum deleite ao jogador. Entretanto você estará vendo mais do mesmo, Beowulf executa sempre a mesma combinação de golpes e o próprio design do personagem não ficou tão impressionante assim, sendo que as texturas parecem ultrapassadas, pertencentes aos consoles da geração passada.

Se as versões do Xbox 360 e do PS3 não apresentavam nenhum problema aparente na sua taxa de quadros por segundo, no PC a história é diferente.  Sem utilizar o filtro antialiasing, o jogo fica visualmente prejudicado, mas não apresenta problemas na taxa de frames, entretanto com o filtro acionado, o jogo fica belo, mas com uma taxa de frames muito instável.

Mas um ponto que poderia chamar a atenção os jogadores seria a presença dos personagens modelados a partir dos atores e mesmo assim o destaque seria justamente a presença da voluptuosa Angelina Jolie, que no jogo é substituída por um modelo feminino genérico.

O mesmo vale para o som, com exceção das músicas (politicamente incorretas) entoadas por Beowulf e seus companheiros, você ouvirá uma repetição de temas e um trabalho de dublagens de produção duvidosa, mesmo com a participação de alguns dos atores do filme na dublagem do jogo.

Um bárbaro “light

O grande pecado, tanto do jogo como do filme, é o que de não acompanhar a grandiosidade do poema original. Em linhas gerais tudo é muito leve, uma versão destilada de toda a brutalidade, imoralidade e toda sorte de comportamento degenerado presente na história escrita a mais de dez séculos atrás.

Isso se torna um problema na medida em que o nome que rege a franquia cria uma expectativa e, como neste caso, traz pouca aventura, pouca ação e principalmente pouca história. Justamente por se tratar de uma versão genérica de God Of War, o jogo deveria apoiar-se firmemente nos pilares que elevaram o rei Beowulf ao status de lenda. Mesmo assim o jogador mais otimista pode ser capaz de extrair algum divertimento desferindo combos arrasadores, mas até que ponto isso é capaz de manter o interesse do usuário?

Entre mortos e feridos, Beowulf: The Game não passa de uma ferramenta de marketing atrelada a um grande lançamento cinematográfico de Hollywood. Se você assistiu ao filme e gostou, provavelmente terá alguma satisfação quando ALUGAR este jogo. Entretanto o dinheiro da compra será melhor empregado em uma cópia de God Of War 3.

57 pc
Fraco

Outras Plataformas

59 ps3
59 xbox-360