Nem mesmo um braço biônico foi capaz de sustentar a diversão em Bionic Commando.

O jogo foi lançado originalmente em 1987, para fliperamas, e rapidamente chegou aos consoles caseiros com um port para o NES (Nintendo Entertainment System, ou “nintendinho”). O sucesso da franquia ajudou, na época, a consolidar um dos principais nomes do mundo dos video games hoje em dia, a Capcom — mãe de títulos como Resident Evil, Street Fighter.

Durante todo este tempo, Bionic Commando manteve-se no mercado com jogos lançados aqui e ali, sempre com poucas mudanças. Em sua maioria, os novos títulos eram remakes aperfeiçoados do original, lançados para outras plataformas e até consoles portáteis, como o Game Boy Color.

Mas, ainda em 2007, a Grin, um estúdio de desenvolvimento que interligou designers de games europeus, orientais e norte-americanos, decidiu criar um novo Bionic Commando, aperfeiçoado e muito mais impactante, aproveitando tudo que a nova geração de consoles tem para oferecer.

Bons motivos para o fracasso
Hora de lutar com um bicho grandalhão
 Cerca de dois anos após o anúncio oficial, que foi realizado com um tremendo impacto durante o Capcom Gamer's Day 2007, seguido de uma semana inteira na qual os desenvolvedores revelavam informações muito relevantes sobre o jogo diariamente, Bionic Commando chegou aos videogames e PCs do mundo todo.

Entretanto, apesar de toda a propaganda realizada sobre o jogo e do investimento milionário que envolve um título de video game nos dias atuais, até o momento Bionic Commando não vendeu sequer 30 mil cópias nos EUA, um número alarmante para seus desenvolvedores.

Mas não vá pensando que o jogo está sendo injustiçado. De nada adianta gastar dezenas de milhões de dólares em um jogo e não preocupar-se com qualidade, profundidade e outros quesitos imprescindíveis para o sucesso nos dias atuais.

A Grin realmente marcou bobeira com Bionic Commando: o jogo é um dentre tantos títulos que tem tudo para dar certo, se não fossem criados sem o menor cuidado pelos desenvolvedores, a começar pela jogabilidade.

Braço biônico e nada mais

A mecânica do braço biônico de Nathan Spencer foi muito bem desenvolvida e agrada os jogadores, principalmente depois que estes se sentem adaptados à movimentação do “brinquedinho”. No começo é confuso, mas depois que o jogador pega o tempo de execução das tarefas do braço biônico, tudo fica muito mais fácil.

Não vá pensando que você pode se balançar por todos estes prédios

Entretanto, o jogo todo se baseia, basicamente, na experiência com o braço: as armas não são agradáveis e, na verdade, são bastante estranhas. Como forma de forçar o jogador a compreender a importância do uso da pistola e de suas companheiras no jogo, os primeiros minutos de Bionic Commando colocam você na pele de um Nathan Spencer sem o braço biônico.

Enquanto Nathan vai em busca de seu braço, que “aterrisou” em outro andar do mesmo prédio, você deve acabar com a raça de alguns inimigos só com a pistola. Uma tarefa irritante e pouco envolvente, mas tolerável por ser curta.

O problema é que em momento algum você poderá viver um combate com experiência realmente emocionante em Bionic Commando, a não ser no caso de alguns mini-chefes e chefões, que exigem o uso de seu gancho de maneira mais diversificada.


Mas a falta de diversidade não afeta somente os combates neste título: o cenário também é bastante bloqueado. Apesar dos desenvolvedores terem afirmado que o jogo seria em mundo aberto, permitindo que Spencer e seu braço biônico passeassem à vontade por Ascension City, linearidade é marca registrada em Bionic Commando.

Falcatrua radioativa


Quando você avista a cidade pela primeira vez, momentos após ter encaixado seu braço novamente no lugar, uma profunda inspiração de liberdade passa pela mente do jogador: prédios até onde seus olhos alcançam e um braço biônico que o permite pendurar-se em todos eles: parece emocionante!

Então você mergulha para o primeiro uso do braço biônico em Ascension City (antes disso você treinou sua utilização em um sistema de realidade virtual). E de repente, seu sonho cai aceleradamente, sem nada onde se agarrar.

Enquanto você começa a se balançar, pode ver inúmeras manchas azuis nas laterais do cenário: elas representam radiação que, por algum motivo, não são verde cintilante pela primeira vez na história da ficção científica (péssima escolha de cor, Grin).

O seu aliado, que lhe transmite informações via rádio, explica que tanto você quanto seu braço biônico são extremamente sensíveis à radioatividade e portanto é proibido o acesso àquela área do cenário: uma verdadeira falcatrua.

Cabum!

Bloqueios feitos de chamas e partes de concreto também servem como limitadores de cenário. É realmente irritante ver tantos prédios gigantescos e não ter a escolha de escalá-los. Uma pena, pois seria uma diversão e tanto usar o braço de Nathan em um mundo aberto.

Pura superficialidade

Tudo que já foi dito ronda em torno de um mesmo tema, assim como Bionic Commando: desde o enredo até a experiência de combates e exploração do cenário, tudo no novo título da Capcom traz um mesmo rótulo: superficialidade.

Se os desenvolvedores tivessem se preocupado um pouco mais com a imersão do jogo, tanto no combate quanto no enredo e cenário, a experiência seria completamente modificada e o resultado seria fantástisco.

Por isso, Bionic Commando torna-se mais um daqueles jogos que poderia ser muito e acabou sendo muito pouco: uma pena que a falta de polimento em questões essenciais do título tenha sido tão grande a ponto de comprometê-lo desta maneira.


Ainda assim, Bionic Commando vale a tentativa: o jogo traz uma experiência divertida e única ao possibilitar que seu protagonista pendure-se por aí no cenário de maneira mais limitada porém não menos divertida que o queridinho cabeça-de-teia. Vale a pena dar atenção, ainda que breve, ao jogo.
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