Black mostra todo o poder do PS2 em um jogo com ação ininterrupta!


Desde os primórdios dos games eletrônicos, jogos de tiro em primeira pessoa fazem sucesso, porém é difícil encontrar um jogo neste gênero para consoles que façam sucesso entre os jogadores. Isso se deve à jogabilidade, pois utilizar o controle do videogame é muito menos prático que o teclado e o mouse de seu computador.

Ainda assim, é comum encontrar grandes títulos no gênero que foram lançados exclusivamente para consoles. Bons exemplos são o clássico Medal of Honor, que foi lançado, originalmente, com exclusividade para o Playstation (ainda que tenha recebido um porte para o Pc algum tempo mais tarde). Também podemos citar alguns títulos lançados nos últimos meses, como The Darkness, Medal of Honor: Heroes 2 e outros menos conhecidos.

Black é um desses grandes sucessos. Apesar da incompatibilidade entre os controles do Playstation 2 e o gênero FPS, os jogadores se apaixonaram pelo título, que é considerado o melhor jogo de tiro do console. Por incrível que pareça, a movimentação do personagem não ficou incômoda, e a destrutibilidade do cenário é impressionante.

História não é importante, explosões sim!

O enredo de Black é um pouco bobo e não oferece grande atração aos jogadores, que em pouco tempo estarão pulando as cenas que interligam as missões — todas elas filmadas por atores reais, técnica conhecida popularmente como Live Action —, ainda que estas tenha sido muito bem produzidas.

O jogo conta a história de Keller, um soldado que foi preso após desobedecer inúmeras ordens nos últimos 5 dias e deve colaborar com o governo para salvar sua vida de uma prisão perpétua. Enquanto Keller conta a história, o jogador a revive na pele do soldado.

Existem dois pontos que tornam o jogo irritante. O primeiro é a imensamente longa introdução: uma tela escura com letreiros brancos apresentando os principais participantes da produção do jogo faz com que o jogador passa mais de 2 minutos parado frente à televisão aguardando pacientemente por alguma cena interessante.

O segundo ponto é referente às cutscenes, que são todas muito parecidas — uma sala de interrogatório numa cadeia norte-americana serve de cenário para todas elas —, o que faz o jogador pulá-las após a terceira ou quarta cena.

Entretanto, jogos de tiro em primeira pessoa nem sempre oferecem uma história cativante. Neles, o que importa mesmo é o número de inimigos que o jogador deve matar, executando uma matança sem uma só gota de misericórdia por todo o cenário.

Burrice Artificial

Ao conjunto de códigos que oferece “inteligência” de seus adversários em um jogo, dá-se o nome inteligência artificial, popularmente conhecido como IA ou ainda AI (do inglês Artifficial Intelligence). Entretanto, A inteligência artificial em Black é tão fraca, que o nome mais apropriado seria burrice artificial.

Muitas vezes seus adversários estão bem à sua frente e não atacam, outras, tomam tiros e mais tiros e até granadas são lançadas em sua frente, porém não existem respostas aos ataques. Não, o inimigo não ficou preso em um movimento estranho, ele pode mover-se livremente, e depois de um tempo até decide atirar, porém o sistema de inteligência artificial foi tão mal desenvolvido que em alguns momentos as respostas pré-definidas — “se eu receber um tiro, eu atiro”, por exemplo — não são executadas. Uma grande frustração.

Além disso, mesmo que o jogo não apresentasse tais falhas críticas, seus adversários continuariam fáceis demais (mesmo no modo difícil). É raro ser morto, sendo que isso só ocorre quando o número de inimigos é muito alto e você acaba sendo preso em um corredor ou outra região pequena do mapa, afinal a mira dos adversários é muito ruim.

Controles intuitivos e de boa sensibilidade

Como citado no início da análise, o grande empecilho para jogos de tiro em primeira pessoa nos consoles é com relação à movimentação da câmera. A sensibilidade dos analógicos não é suficiente para uma movimentação fluída como a do mouse do PC, o que faz cair consideravelmente a diversão de um FPS em consoles.

Para corrigir esse incômodo, a maioria absoluta dos títulos opta uma mira “magnética”, que é atraída pelos inimigos sempre que passa perto de um deles. Isso facilita a vida dos jogadores, porém os fãs de desafios sentem-se prejudicados, já que a dificuldade dos jogos diminui consideravelmente.

Os desenvolvedores de Black escolheram essa alternativa, tornando a jogabilidade do jogo boa, porém demasiadamente fácil. Aliando o nível de dificuldade reduzido à inteligência artificial fraca, o jogo perde grande parte de sua emoção.

Entretanto, por outro lado, a sensibilidade ficou na medida e o uso de outros controles do jogo — como recarregar ou trocar de arma, bem como usar pacotes de vida ou zoom — foram perfeitamente desenvolvidos, o que fornece ao jogador baixa curva de aprendizado (média de tempo para dominar o jogo) e uma imersão mais estável durante a experiência.
 

Física excepcional e trilha sonora enebriante!

Atualmente, quase dois anos após o lançamento de Black, é muito fácil encontrar inúmeros games muito mais emocionantes que este, principalmente no aspecto gráfico. Não era de se esperar que o jogo seduzisse mais que a física e as texturas de Crysis ou Bioshock, porém ainda hoje a física deste que foi considerado o melhor FPS do Playstation 2 é capaz de impressionar.

A destrutibilidade do cenário é maior que a de muitos títulos lançados após ele, levando em consideração os vários barris, caixas e veículos explosivos encontrados no cenário. Uma cena que ilustra perfeitamente a beleza de tal mecanismo durante o jogo é a passagem por uma fazenda abandonada, onde o herói se vê sozinho na casa principal da fazenda, e é cercado por um grande número de adversários.

O que salva Keller de um combate longo e sangrento neste momento é um silo repleto de combustível do lado de fora do casarão. Atirando nele, muitos dos adversários serão dizimados. Muitos podem considerar essa tática pouco atraente, por tirar a emoção do combate, mas ver uma explosão gigantesca faz parte da emoção de jogos de guerra, e no caso desse silo, torna-se evidente que explodi-lo é muito mais divertido. Ainda assim, se você prefere atirar em cada um dos adversários, pode optar por essa tática também.

As texturas e a modelagem de Black também não ficam atrás. Como o título foi um dos últimos lançamentos importantes exclusivos do PS2, seus gráficos representam todo o potencial do console. O único problema verificado nesse quesito foram algumas quedas consideráveis na taxa de quadros por segundo, apresentando imagens travadas em alguns momentos decisivos da ação.

Já a trilha sonora do título é um caso à parte, já que definitivamente este é o melhor aspecto do jogo.  Produzida com efeitos de profundidade, batidas cardíacas que emudecem o som dos tiros quando o personagem está prestes a morrer e muitos outros efeitos sonoros incríveis que dão conta de conduzir o jogador da melhor forma imaginável.

Vale a pena dar uma chance

Como fica claro acima, o ponto de vista audiovisual e de jogabilidade de Black são excelentes. Entretanto ao penetrar mais a fundo no game, buscando viver instensamente cada momento de seu enredo e todo o desafio possível, logo damos de encontro com uma leve frustração.

Porém, se você possui um PS2 e é fã de jogos de tiro, é uma obrigação concluir Black, e visto que os principais defeitos deste título consistem em ser muito curto e em sua baixa variedade, Black não é um título no qual os jogadores devam investir muito. Pelo contrário, o mais correto seria locá-lo, já que poderão concluir suas missões rapidamente e economizarão um bom dinheiro para jogos com uma durabilidade maior.


76 ps2
Bom