A falta de inspiração é notável, do começo ao fim das partidas...

Pegue um ambiente futurista, adicione as tradicionais mecânicas presentes em jogos de tiro em primeira pessoa e remova tudo o que for relacionado à apresentação da história. Este é exatamente o conceito que move Blacklight: Tango Down, um jogo de tiro em primeira pessoa desenvolvido pela Zombie Studios, com foco pesado na porção online.

Neste universo ficcional, as guerras são travadas com o apoio de muita tecnologia. Visores eletrônicos permitem a visualização de inimigos por trás de paredes, armas montadas disparam somente contra soldados não cadastrados e granadas explodem pelos ares, não com a finalidade de matar, mas sim de liberar tempestades de pixels que fazem com que eletrônicos deixem de funcionar.

Dois grupos lutam pelo controle sobre porções do leste europeu. O primeiro é estritamente militar, formado pelos melhores soldados que ainda são leais aos seus respectivos governos. Já a oposição atua em milícias. O grande problema é que elas são compostas pelos desertores, dotados de todo o conhecimento necessário para a compra e desenvolvimento dos mesmos equipamentos.

Como você pôde observar até aqui, não há praticamente nada original em Blacklight: Tango Down. Será, então, possível que o jogo apresente qualidades que o diferenciem dos demais, além do preço amigável? Você descobrirá a resposta logo abaixo...

A equipe da Zombie Studios não teve inspiração alguma ao criar este jogo. Tudo o que ele apresenta já foi feito (e de forma melhor) por outros concorrentes. A ambientação não é atraente, poucos mapas foram disponibilizados e a maioria deles sofre com séries de corredores que terminam em becos sem saída. Em termos de design de estágios, o resultado é sofrível.

A jogabilidade também não satisfaz, já que as armas não têm grande peso. A própria questão das classes é mal explorada, já que não há diferenciação de atributos ou de facções. Ou seja: não interessa a sua escolha, o resultado é basicamente o mesmo.

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Mesmo com um preço de apenas US$ 15 — equiparável ao de um simples pacote de mapas para outros jogos do gênero —, fica difícil recomendar Blacklight: Tango Down, já que o jogo praticamente não diverte. Baixe a versão Trial, mas pense muito bem antes de investir seu dinheiro aqui.

Assassinatos em massa

Blacklight: Tango Down traz uma série de modalidades para as partidas, as quais abrangem a dominação de pontos específicos ou ainda a simples coleta de informações secretas, envolvendo a colaboração entre os membros das equipes.

Mas é nos modos mais tradicionais — como DeathMatch e Last Man Standing, nos quais o que vale é matar ou morrer — que está a real diversão, já que eles não exigem muita coordenação tática (algo difícil no jogo, dada a falta de ferramentas para a comunicação), e nem muita prática.

A jogabilidade básica mistura a leveza de movimento de jogos como Unreal com as armas de games como Call of Duty: Modern Warfare, oferecendo aos participantes escolhas de classes que alteram o tipo de arma carregada. Como não há impacto sobre status ou qualquer outro fator da jogabilidade, basta escolher a arma que mais lhe agrada e ir para o meio dos tiroteios, sem grandes preocupações.

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Dezenas de níveis, centenas de bônus!

Depois de se acostumar com os comandos e de conhecer os mapas, chega a hora de trocar os seus pontos de experiência por vantagens para as arenas de combate. As opções são o ponto mais forte do jogo, que traz milhares de combinações possíveis entre acessórios e armas. Alguns deles se restringem à estética, enquanto os mais avançados podem afetar a precisão de seus disparos ou até mesmo melhorar a visualização dos alvos.

Um detalhe importante é que esses itens são destravados automaticamente na medida em que os jogadores sobem pelo ranking de níveis. São 70 no total, portanto prepare-se para sofrer bastante até atingir o topo da cadeia de combate!

Propagandas sem contexto

Ao entrar em sua primeira partida de Blacklight, em qualquer modo ou mapa, você se deparará prontamente com um anúncio de um produto real. Entre as principais marcas podemos citar a ATI, a Alienware e a Razer. O estranho é que todas elas são participantes do mercado de computadores, não de consoles.

Mais curioso ainda é vermos que o contexto vai por água abaixo quando começa a mistura entre idiomas, já que avistamos muitos em inglês, em meio aos poucos cartazes em português, os quais anunciavam a chegada do filme “Predadores” aos cinemas...  

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Se tais propagandas respeitassem um contexto, ou ainda um idioma (tentando dar mais veracidade aos ambientes), não veríamos qualquer problema. Entretanto, na forma como elas surgem, só há espaço para a distração.

Diversão é uma palavra proibida para os solitários

Além de sua apresentação extremamente pobre (com texto para explicar os fatos), Blacklight também faz feio nos modos de partida para um jogador. Aqueles que encararem as operações especiais se depararão com apenas quatro mapas, carregados por dificuldades absurdamente altas (pelos motivos errados, como inimigos que brotam da terra diante de seu personagem, enquanto você recarrega a arma, é claro).

E se o assunto é a inteligência dos oponentes, chega a ser curioso como alguns conseguem vê-lo e matá-lo de muito longe, enquanto outros ficam parados a cinco passos de seu rifle, esperando indefinidamente por um tiro na cabeça. Outro fato curioso é que alguns soldados inimigos (controlados pelo jogo) morrem com granadas que foram lançadas a distâncias consideráveis... Realmente inexplicável.

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Ainda tratando da questão das missões single player, não podemos deixar de criticar a decisão dos desenvolvedores de inserir tipos de mini games nas partidas (como aqueles que exigem que sequências de botões sejam pressionadas na ordem certa). Eles são frustrantes, passam longe de ser intuitivos e atrapalham a ação.

No fim das contas, a impressão que fica é a de que essa opção (single player) foi “jogada” dentro de Blacklight, já que não traz benefício algum ao conjunto.

Visual adequado ao orçamento

Os gráficos de Blacklight: Tango Down estão de acordo com o nível mostrado por outros jogos lançados diretamente na Xbox LIVE, por exemplo, mas não podemos esconder nossa decepção com a qualidade geral, ainda mais se levarmos em consideração que a Unreal Engine 3 (motor gráfico desenvolvido pela Epic) alimenta o game.

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Os cenários apresentam quantias consideráveis de serrilhados; as texturas são de baixa qualidade; sombras são inconstantes e corroboram com o efeito de “pop-in” (no qual partes do cenário surgem repentinamente, na medida em que o jogador se desloca pelos cenários); os tiros disparados contra a parede não geram quebras e algumas vezes chegam ao cúmulo de nem mesmo deixar marcas; e, ainda, os oponentes deslizam em vez de caminhar.

Não bastasse isso, ainda há uma aplicação medíocre do efeito de desfoque sobre a arma, uma vez que o jogador ativa a empunhadura avançada para os disparos. Em casos especiais, como o do rifle, o contorno da mira ocupa mais espaço do que a própria lente, dificultando a visualização dos cenários. Mais ridículo ainda é que até mesmo o que está “fora” da luneta é aproximado...

Sem impacto algum

Não interessa qual a classe de sua escolha, pois a verdade é que a jogabilidade e a própria mecânica de disparos desenvolvida para este game não satisfazem os fanáticos pela ação e pelo impacto. Cada tiro vem acompanhado de um ligeiro coice, o qual não tira a arma de seu eixo inicial. Com o rifle, por exemplo, basta manter os controles fixos em uma posição e disparar em intervalos de menos de meio segundo para que se obtenha precisão total.

Outro sistema que também apresenta sérios problemas é o da visão eletrônica. Uma vez ativada ela impede que você atire, tornando o seu uso limitado e ineficaz. Sinceramente, estamos tentando entender qual a relação entre os olhos e as mãos do personagem. Provavelmente esta foi a única saída encontrada pela desenvolvedora para tentar equilibrar as partidas.

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Comunidade inativa

Em todos os nossos testes, tivemos dificuldade em encontrar servidores realmente cheios. Os modos mais badalados foram os do tipo Deathmatch, que garantiram algumas risadas devido ao lag absurdo e aos erros na movimentação dos oponentes (pense em corpos se debatendo no chão, já sem vida).

Raras foram as vezes em que conseguimos fechar salas para partidas baseadas em objetivos (chegamos até a ficar sozinhos na fila de espera). Mais triste ainda foi constatar que o jogo não oferece grandes recursos para a comunicação, o que torna a coordenação dentro do universo virtual uma tarefa praticamente impossível.

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