Próxima parada, Pandora!

Bem-vindo ao excitante mundo de Pandora Em uma definição rápida e superficial, talvez Borderlands possa ser colocado como uma espécie de ópera nascida de uma fusão que leva muito de Fallout 3, algo de Call of Juarez e, talvez, uma pitada do filme Tombstone — embora sem qualquer proximidade com a honradez que normalmente dita as coisas nos faroestes.

Borderlands traz uma singular mistura entre FPS, RPG e humor escrachado, conforme esses elementos são simultaneamente jogados dentro de um tipo de cenário que tem absorvido cada vez mais o imaginário popular: os mundos pós apocalípticos. Mas espere, desta vez não foi a Terra que dançou graças a uma guerra nuclear ensandecida. O seu “lar-doce-lar” aqui será o desolado planeta Pandora, onde os parcos habitantes convivem com montanhas de lixo e pedregulho. E, é claro, ocasionalmente são assaltados por piratas do deserto.

Mas, nem tudo é desolação e poeira em Borderlands — embora a maior parte seja. Insuflando esperança e tino comercial nos sobreviventes de Pandora, existe a lenda de uma caverna abarrotada de tecnologia alienígena, diversos segredos insondáveis e, segundo dizem,  mulheres.

Nesse cenário singular, você será mais um dos que tenta sobreviver e, eventualmente, encontrar a lendária caverna que jaz — devidamente protegida — em algum lugar da planície árida de Pandora. A ideia aqui é assumir o controle de uma das quatro classes disponíveis: “soldier”, “berserker”, “siren” e “hunter”; cada qual representada por um personagem específico.


A partir daí, a coisa toda assume uma interessante mistura entre elementos de RPG e a tradicional chuva de balas de alguns dos mais proficientes FPS. Você vai desvelar aos poucos a história, conforme conhece novos personagens, aceita missões, ganha novas armas (e existe aqui realmente uma infinidade delas!) e resvala, aqui e ali, com alguma tirada bem humorada do jogo.

Isso lhe parece monótono ao longo prazo? E pode ser mesmo. Na realidade, o ponto alto aqui é mesmo encarar as fases no modo cooperativo. Embora conte com alguns detalhes meio opacos (que você confere adiante), destroçar abominações e colher espólios é realmente muito mais divertido em grupo; seja no modo online ou com a boa e velha divisão de tela.

Aprovado

Do que nós gostamos

Matança e espoliação cooperativa

Os objetivos gerais de Borderlands podem ser facilmente resumidos: trata-se de matar e espoliar — ganhando níveis e habilidades durante o processo. No fim das contas, é ao fazer isso que o seu personagem vai avançar pela improvável lenda que termina no lendário “Vault” alienígena. Mas é exatamente nessa matança descerebrada que surge uma das maiores diversões de Borderlands: o modo cooperativo.

A ideia aqui é continuar a história do ponto em que se encontra o “host” da fase, ao qual podem se juntar mais três personagens. Mas, como se pode facilmente imaginar, os jogadores podem ter níveis discrepantes aqui. Mas uma sacada inteligente da Gearbox resolveu facilmente as coisas nesse ponto, impedindo que o seu personagem “nível 1” acabe instantaneamente nocauteado por milhares de bestas sedentas.


Basicamente, Borderlands sempre faz uma espécie de média entre os níveis dos jogadores envolvidos em uma partida cooperativa, ajustando as coisas e tornando o modo desafiador para todos os envolvidos. Entretanto, se o distância entre os níveis for muito grande, é possível que uma fase acabe um pouco fácil demais para um nível mais alto, e exageradamente hostil para um iniciante. Mas, é claro, isso não tira a elegância do mecanismo.

Mas jogar cooperativamente também tem uma vantagem exclusiva, graças às habilidades exclusivas de cada personagem. Dessa forma, todo um grupo pode se beneficiar do pássaro depravado liberado pelo Hunter, da metralhadora com torreta e escudo  do Soldier, da fúria destrutiva do Berserker ou ainda da invisibilidade ardilosa da Siren. Cada uma dessas habilidades ainda pode passar por upgrades de diversas naturezas, tornando as táticas e desafios conjuntos ainda mais válidas.

Vamos resolver isso aqui e agora!

Então você está jogando cooperativamente com sujeitos armados até os dentes — e isso é quase literal aqui! — que fazem o tipo “nunca apresente para a sua mãe”. Somando isso às dezenas de armas e espólios ofertados durante as fases, você tem um belo motivo para que se realize um duelo vez ou outra.

Os duelos são certamente um dos fatores mais idiossincráticos dentro do universo de Borderlands. A ideia é realmente bem simples. Seja para não levar desaforo para casa, ou simplesmente para encarar outro adversário em um divertido “um-contra-um”, o negócio é encarar um dos personagens do seu grupo em uma luta até a morte.

A escopeta com punho de lâminas tem que ser minha!

Para tanto, existem duas possibilidades. Ou você e sua contraparte se dirigem para uma das arenas distribuídas através de Pandora, ou simplesmente alguém desfere um golpe corpo-a-corpo em um integrante do grupo; basta então que o desafiado devolva o golpe, e um duelo terá início em qualquer lugar do cenário.

Embora a batalha seja até que o primeiro homem (ou mulher) tombe, ao final, o perdedor apenas terá uma fatia da sua energia retirada — infelizmente, nada de apostar armas ou munições aqui.

O melhor da tecnologia “alienígena”


Um dos pontos altos de Borderlands é a quantidade expressiva, quase insana, de armas oferecidas por inimigos caídos, máquinas de venda automáticas ou em containers. E, embora se trate de outro planeta, esse arsenal todo é aqui distribuído em categorias bastante familiares.

Talvez os seus descendentes consigam terminar de testar todas as armas...As armas aqui são divididas em: pistolas, submetralhadoras, escopetas, rifles, rifles com mira telescópica e lançadores de mísseis. Isso para considerar apenas as classes básicas, já que você ainda pode se deparar com dispositivos mais exóticos, como uma pistola com lâminas (indicada para ataques corpo-a-corpo) ou mesmo uma escopeta que dispara mísseis!

Embora cada um dos personagens possa ser extensivamente treinado através da miríade de armas disponíveis em Borderlands, é bom atentar para as habilidades específicas de cada um; habilidades que tornam a utilização de determinadas armas mais efetiva. Em outras palavras, embora um Berserker possa ser treinado como um “sniper”, seria quase uma heresia abdicar o personagem de um lustroso lançador de mísseis.

Para facilitar ainda as suas incursões para o desolado interior de Pandora, Borderlands ainda fornecem veículos tipicamente Mad Max. Embora demore um pouco para se acostumar com os controles — às vezes exageradamente sensíveis —, trata-se de uma boa alternativa para a corrida moderada dos personagens.

Algum lugar entre o cartum e o cel-shaded

Em relação aos visuais, Borderlands pode mesmo ser considerado uma “mosca branca”. Trata-se de uma interessante seção intermediária entre o cartum puro e o cel-shaded — que, é claro, nada mais é do que a técnica para tornar os gráficos mais parecidos com os cartuns.

Quadrinhos ou video game?

O resultado obtido se parece muito com uma caricatura de muito bom gosto inconfundível Fallout 3. São imensas faixas de terra desertar, ocupadas apenas por criaturas mutantes, sobreviventes desequilibrados — apresentados ao jogador no melhor estilo dos filmes do diretor Quentim Tarantino — e construções terrivelmente precárias. Tudo isso boiando em um singular oceano de humor despretensioso.

Para completar a impressão, ainda existem aqui faixas que parecem diretamente retiradas de algum faroeste espaghetti perdido no tempo. Por fim, o clima geral do jogo não decepciona em momento algum, complementando perfeitamente o fabulário que anima a trama do jogo.

Reprovado

O que espantou o BJ... No mau sentido

Uma longa e solitária distância para percorrer...

Embora a temática seja interessante, e a trama, em geral, dê conta do recado, jogar Borderlands no modo “single player” pode ser um tanto quanto... parado; sobretudo na primeira metade do jogo. As coisas demoram a acontecer e, entre uma tirada engraçada e um conjunto de itens recuperados, muito espaço é percorrido e pouca coisa acontece.

Abaixo as missões genéricas!

Colete 10/10 sacos de paciência!No mais, jogar cooperativamente apaga ainda um considerável lapso de Borderlands: as missões. Embora algumas delas tragam um desafio interessante e sirvam para desvelar um pouco mais da história, outras são francamente genéricas, fazendo com que os personagens saiam à cata de “4/4 qualquer-coisa” ou destruam “3/3 qualquer-outra-coisa”. No modo cooperativo o foco é deslocado para a matança desenfreada de verdadeiras ondas de inimigos, o que acaba apagando um pouco esse aspecto e conferindo novo fôlego ao jogo.

Escorregões gráficos

Embora os visuais de Borderlands sejam de uma criatividade à toda prova, o mesmo não se pode dizer da construção dos gráficos em si. Em diversas ocasiões você vai acabar encontrando os tradicionais serrilhados, “pop-ins” e imperfeições menores. Tudo bem, nada que tire o brilho geral do jogo — embora passar com um veículo sobre uma poça d’água que não “reage” seja um tanto decepcionante.

Onde foi que eu esqueci o meu cérebro?

Sim, confrontar dezenas de inimigos em Borderlands é desafiador; só que mais pelas “dezenas” do que pelos “inimigos”. Um dos maiores escorregões de Borderlands diz respeito à péssima I.A. (inteligência artificial) que controla desde os oponentes armados até as bizarrices e mutações.

Dessa forma, não se espante se um inimigo buscar proteção atrás de um anteparo com as costas voltadas para você, ou se um segundo sujeito fixe os olhos em você e não faça absolutamente nada — mesmo que seja alvejado — até que você invada a fronteira do seu território. Isso quanto todo um conjunto de sujeitos (genéricos) não ficar perambulando de um lado para o outro sem absolutamente nenhum motivo aparente.

Avaliação Final

Vale a pena?

Em um enorme oceano de FPS genéricos, Borderlands certamente consegue trazer a sua assinatura. Seja pela singular mistura entre mundo devastado e faroeste, seja pelo revigorante modo cooperativo — este com certeza o ponto mais alto do jogo — ou ainda pela interessante mistura entre o cartum puro e o cel-shaded.


Dessa forma, se você se interessa chuvas de balas, movimentação rápida, mutações e, principalmente, se você acha que universos gerados a partir da matriz de Mad Max sempre têm algo mais a acrescentar, boa sorte. O hilário motorista da única linha de ônibus de Pandora pode deixá-lo na próxima parada.

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