Não é “Brinkedo” não!

Quando a Bethesda Softworks e a Splash Damage apresentaram Brink pela primeira vez o tom foi ambicioso. O projeto elevaria toda a dinâmica de jogos de tiro em primeira pessoa para outro nível, com muita ação e personalidade.

Quatro classes, três tipos fisionômicos e inúmeras opções de personalização permitiriam que os jogadores criassem seus guerreiros virtuais e embarcassem em partidas online incrivelmente desafiadoras. A combinação de todos os elementos renderia um jogo inovador, no qual a ação cooperativa seria tão envolvente quanto às disputas competitivas.

Todavia, no final o que temos é um bom jogo sem grandes diferenciais e muitos problemas. Não se engane Brink é um bom jogo, mas seus inúmeros problemas técnicos e a falta de inovações reais prejudicam muito a apreciação final.

Brink é um bom jogo e certamente rende algumas boas horas de diversão, especialmente nos modos online. Todavia, está muito longe de ser o título inovador que se alardeava antes do seu lançamento. No final das contas, trata-se de uma edição muito melhorada de Team Fortress.

O sistema de classes e objetivos é bem trabalhado e realmente traz algumas novidades ao gênero FPS, porém, nada que realmente se destaque no cenário geral. Brink é um ótimo passatempo para quem aprecia partidas multiplayer online com ação cooperativa.

Fãs de Team Fortress, Wolfenstein: Enemy Territory, Enemy Territory: Quake Wars devem dar uma olhada neste jogo, mesmo que não encontrem algo realmente inovador. Os "não iniciados" no gênero, podem se sentir deslocados com a quantidade de informações e possibilidades advindas dos múltiplos objetivos e esquema de classes.

Cada um no seu quadrado

Um dos aspectos mais interessantes de Team Fortress é o seu sistema de classes e como esta dinâmica influencia diretamente na jogabilidade e no comportamento dos jogadores. Em Brink, essa estrutura é elevada a um novo patamar, incrementando consideravelmente a ideia sem perder o foco na ação.

Cada classe traz algo diferente ao campo de batalha, ao todo são quatro tipos de personagens: soldados, médicos, engenheiros e agentes.

Img_normalOs soldados são mais resistentes e podem carregar armamento pesado, todavia, são muito mais lentos. Engenheiros são versáteis e podem instalar metralhadoras sentinelas, consertar máquinas e desarmar bombas. Enquanto isso, os médicos são capazes de ressuscitar colegas e os agentes funcionam como os espiões de Team Fortress, servindo como sabotadores.

O diferencial fica por conta das personalizações — que por sinal permeiam todos os aspectos do jogo. Cada classe conta com cerca de uma dúzia de habilidades especiais que podem ser adquiridas com seus pontos de experiência. Além disso, também existem outras 12 habilidades comuns a todos os tipos de personagens. E isso não é tudo, cada uma das classes pode conferir bônus especiais para seus colegas.

Tudo isso está intimamente ligado ao esquema de objetivos que rege toda ação, seja da campanha, dos desafios ou do freeplay. Cada estágio é composto por vários objetivos, alguns principais e outros secundários. Esses objetivos estão atrelados a uma determinada classe, ou seja, certas missões só podem ser realizadas por um determinado tipo de personagem.

Assim, o jogador deve estar atento à incumbência em questão para selecionar a classe apropriada. Vale lembrar que você pode mudar o tipo de personagem e o seu equipamento a qualquer momento, em uma das bases de comando controladas pela sua equipe.

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Do seu jeito

Como já adiantamos, a personalização é um dos aspectos mais fortes de Brink. O título permite uma extensa lista de modificações que deixarão o jogo com a sua cara — se ela for cheia de tatuagens, cortes e cicatrizes.

A edição de personagens é ponto alto, são várias opções de roupas, aspectos faciais e outras perfumarias. No entanto, essas alterações não modificam a jogabilidade e têm apenas valor estético. O único aspecto fisionômico que realmente afeta a forma como você joga é o porte físico.

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São três tipos de corpo: leve, médio e pesado. Você começa como um tipo médico, versátil, que combina agilidade e resistência. Depois de somar alguns pontos de experiência, você poderá selecionar os outros dois tipos. Os pesados são mais resistentes, porém, muito mais lentos. Enquanto isso, os leves são os mais rápidos e ágeis de todos, todavia, também são os mais frágeis.

Essa estrutura mantém uma relação interessante com a sua forma de jogar e a sua classe preferida. Soldados pesados são verdadeiros tanques no campo de combate, enquanto médicos leves podem entrar e sair da zona de guerra rapidamente para ajudar seus companheiros.

O sistema de personalização não para por ai, e você também pode editar vários itens do seu equipamento. São inúmeros apetrechos e melhorias que podem ser adicionadas às suas armas deixando-as mais letais do nunca, ou simplesmente mais bonitas.

Como o jogo prega pela progressão, todos esses aspectos estão bloqueados e você só pode acessá-los depois de algumas partidas — depois de ter somado alguns pontos e subido de nível. A Bethesda afirma que, se somadas todas as nuances do sistema de personalização, são possíveis mais de 102 quatrilhões de configurações diferentes.

Brink Fortress

Img_normalÉ difícil falar de Brink sem se remeter diretamente a Team Fortress. Além dos gráficos estilizados reminiscentes do clássico da Valve, a produção do Splash Damage também conta com uma dinâmica de jogo muito similar.

Portanto, não é de se estranhar que as partidas online sejam tão interessantes. É verdade que o lag prejudica muito a diversão — se bem que a Bethesda já disponibilizou uma atualização para corrigir esse problema.

A ação é intensa e a diversão é garantida. Coordenar seu time para cumprir os objetivos é extremamente recompensador — quando todos cumprem suas devidas funções. O título também contará com um site especial no qual serão postadas várias estatísticas dos jogadores — no entanto, o endereço ainda não está disponível.

Falou muito e...

Img_normalO maior ponto negativo de Brink é justamente o fato de ter prometido algo genuinamente inovador. Ao longo de todo o desenvolvimento ouvimos muito falatório da Bethesda Softworks e da Splash Damage que bradavam como Brink seria diferente de tudo que você já viu. Quem nunca experimentou Team Fortress certamente pode até comprar essa ideia, mas os fãs da Valve identificarão imediatamente vários elementos comuns.

Um dos grandes atributos de Brink seria o sistema de movimentação SMART (Smooth Movement Across Random Terrain). Basicamente a ideia é: aperte um botão para correr, pular e escalar, simples assim. Apesar de realmente aumentar o ritmo da ação, o sistema não é exatamente algo capaz de provocar uma grande revolução na indústria dos video games.

E você já deve ter percebido que não falamos muito a respeito dos gráficos do jogo, isso porque eles são extremamente problemáticos. A direção de arte tem alguns méritos — mesmo que pareça ser mais um elemento adaptado de Team Fortress, com um traço caricato altamente estilizado —, mas não compensa as várias falhas técnicas do título.

Serrilhados, texturas que demoram a carregar e até mesmo congelamento de tela. Supostamente, a desenvolvedora já disponibilizou um patch para corrigir alguns desses problemas, mas o estrago já está feito. Em suma, um jogo revolucionário não pode tropeçar com questões tão mundanas.

70 ps3
Bom

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70 xbox-360