Brothers in Arms fracassa no Nintendo Wii.

Em 2005, um dos títulos de guerra mais interessantes dos videogames chegava ao Xbox, PlayStation 2 e PC. Brothers In Arms: Road to Hill 30 retratava eventos reais da guerra, colocando os jogadores em alguns dos momentos mais angustiantes da Segunda Grande Guerra. Uma das razões para que o título se destacasse entre os demais era a maturidade. Enquanto os demais jogos tentavam manter uma classificação etária para adolescentes, Road to Hill 30 demonstrava com crueza a brutalidade e até a linguagem da guerra.

Além disso, a tática era outro fator onipresente no título. Era possível comandar esquadrões de maneira simples e eficiente, o que originava posições estratégicas e permitia a execução de ações essenciais para derrotar os soldados alemães. Grandes gráficos, uma ótima jogabilidade e uma história realmente cativante fizeram com que muitos jogadores aderissem este título à sua biblioteca.

Com o sucesso da série, a Gearbox Software, empresa responsável pelo desenvolvimento do jogo, resolveu dar continuidade ao nome Brothers in Arms. Chegava então, novamente para PlayStation 2 e PC, Brothers in Arms: Earned in Blood. Mantendo as características do seu antecessor, o título foi bem recebido pelas críticas, mesmo sem contar com inovações significativas em relação a Road to Hill 30.

Brothers in Arms deixou sua marca nos game.

O início da guerra


Consolidava-se então uma franquia promissora. Diferenciado dos demais jogos do gênero, Brothers in Arms é lembrado por muitos como um jogo envolvente, devido à sua trama baseada em eventos reais da guerra, os quais também foram retratados pela BBC em uma série televisiva. Contudo, muitas sabem que em 2005 a Nintendo havia recrutado o GameCube como o rival dos consoles PlayStation 2 e Xbox. Mas, infelizmente, usuários desta plataforma não foram presenteados com nenhuma versão de Brothers in Arms.

Double Time é a nova entrada da franquia no Wii. Neste ano, no qual a geração é dominada pelos consoles de grande porte Xbox 360, PlayStation 3 e Wii, o mundo recebeu mais uma entrada à franquia Brothers in Arms. Com o subtítulo de Hell’s Highway, o mais novo título da série consegue retratar a guerra de maneira ainda mais fiel, devido aos recursos técnicos das plataformas no qual o jogo foi disponibilizado. Contudo, usuários do Wii novamente ficaram de fora.

Pensando nos pobres “nintendistas”, a Ubisoft decidiu presentear os usuários com Brothers in Arms: Double Time, já que os demais títulos nunca haviam guerreado em um console da Nintendo — com exceção de uma versão para o portátil DS. Infelizmente, enquanto Hell’s Highway é um jogo interessante, uma série de problemas faz com que a versão para Wii morra na praia.

Uma adaptação mal sucedida

Um dos fatos mais decepcionantes é que Double Time não é exatamente um novo jogo, como Hell’s Highway. Ao adquirir o game, que na verdade é um pacote, você estará levando para casa os jogos Brothers in Arms: Road to Hill 30 e Brothers in Arms: Earned in Blood. Sim, os mesmos jogos lançados há cerca de 3 anos para PlayStation 2, Xbox e PC. Não existem informações na capa do jogo informando tal fato, e, provavelmente, o jogador só irá perceber quando perceber o rótulo dos discos.

O pior de tudo é que ambos os jogos não trazem melhorias em relação às versões anteriores. Você vai perceber que, mesmo sendo um jogo lançado em 2008, os títulos oferecem gráficos mais pobres em relação à versão para PlayStation 2, a qual apresentava um visual menos polido comparado às demais plataformas.

Como estamos tratando de dois jogos, falaremos brevemente sobre cada um deles, com destaque para Road to Hill 30, o qual não havia sido analisado pela nossa equipe em sua primeira versão.

A caminho da Colina 30

Basicamente, Road to Hill 30 conta a história do Sargento Matt Baker que é encarregado de guiar um esquadrão de 13 pára-quedistas em uma noite antecedente ao Dia D e em pleno território alemão. Durante os sete dias abrangidos pelo jogo, o jogador navega por vários eventos ocorridos no caminho para a Colina 30, local importante da Segunda Grande Guerra.

Nada de novo por aqui... A grande sacada de Road to Hill 30 é a narração. Os acontecimentos são narrados de maneira dramática, envolvendo diálogos bem elaborados e cenas belíssimas. Na maioria dos níveis do título, o jogador se vê completamente envolvido com seus parceiros. E não pense que tudo que tem a fazer é correr e atirar, pois Brothers in Arms exige muito mais paciência e tática.

Você é capaz de controlar diversos companheiros na maioria dos níveis do jogo. Até dois times diferentes podem ser controlados simultaneamente, e cabe ao jogador dar ordens e organizar flancos que se tornarão essenciais para o cumprimento do objetivo. Resumidamente, existem dois tipos de equipes. O Fire Team é composto por soldados especializados em supressão inimiga. Já o Assault Team consiste em membros com facilidade para flanquear as tropas oponentes.

Existem alguns níveis em que se pode contar com a ajuda de tanques que substituem uma equipe, providenciando armamento pesado e até cobertura móvel ao jogador. Ainda é possível assumir o controle de armas fixas, que são muito úteis para enfrentar um número elevado de soldados.

Ordens importantes

Os tanques também recebem ordens, assim como os times. Basicamente, você exige que seus companheiros se movimentem, ataquem, procurem cobertura e pressionem o inimigo. A supressão é algo que será muito usado no jogo, e a dominar o sistema de ordens é algo muito importante para o sucesso do jogador.

Você já viu essa imagem antes, não?

Todas essas características foram responsáveis pela aclamação do jogo nas versões anteriores. O mínimo que se poderia esperar da versão para Wii, é que o jogo fosse significativamente melhorado e contasse com a adição de diversas novidades. Mas, infelizmente, isso não é o que acontece em Double Time.

A dura derrota do Wii

Além de Road to Hill 30, o pacote também conta com o jogo Earned in Blood, que não chega a ser exatamente uma seqüência para o título, mas sim o mesmo game de uma perspectiva diferente. Como o Sargento “Red” Hartsock, o jogador vive a mesma noite, e casualmente até se encontra com Baker, protagonista do outro jogo, em determinados pontos da trama.

E, mesmo com a adição de alguns personagens diferentes, o jogo não fica para trás em termos de envolvência. Assim como no primeiro jogo, os eventos são verdadeiros, fornecendo ao jogador uma noção real dos horrores da guerra. Um dos maiores diferenciais em relação ao primeiro jogo, é que os eventos são apresentados na forma de flashbacks. Isso torna algumas situações extremamente únicas, pois o jogo conta tem sua velocidade diminuída e um filtro em preto e branco é acionado. Armadilhas ou grandes conflitos normalmente trazem ao jogador esta técnica que aprimora a narrativa do jogo.

Contudo, ambos os jogos se comportam de maneira desprezível no Wii. A jogabilidade, principalmente, é um tiro pela culatra. Mesmo que os títulos forneçam experiências diferentes, o resultado é perturbador, graças à terrível inteligência artificial presente nos dois lados.

A falta de inteligência artificial

Caos total. Tanto seus soldados quanto os inimigos contam com uma astúcia medíocre — longe de ser aceitável — em Road to Hill 30, mas em Earned in Blood as coisas realmente se complicam. O sistema de ordens se torna um caos, já que os soldados não são capazes de agir por conta própria quando estão sendo atacados pelos inimigos.

Provavelmente, esta é uma das razões que o jogo inicia-se no nível fácil pelas configurações padrão. Os oponentes chegam a ser patéticos. Muitas vezes, mesmo estado ao lado dos inimigos, estes agem de maneira incoerente, ignorando sua presença. Alguns soldados, mesmo ameaçados, não se escondem, enquanto outros simplesmente dão às caras para que o jogador finalize-os como desejar. O equilíbrio não existe, todos os soldados são desprovidos de inteligência.

Um tiro pela culatra

Tal fato pode sugerir que o jogo seja fácil, mas isso não é o que acontece. O sistema de controles é o esperado: com o Nunchuk você controla o personagem e o Wii Remote é utilizado para mirar. Tudo se torna complicado na hora de mirar, já que os comandos para movimentar a cabeça também são atribuídos no Wii Mote. Isso torna a experiência muito confusa, fazendo com que o jogador muitas vezes acabe realizando movimentos involuntários. Nem mesmo ao ficar parado as coisas se tornam mais fáceis.

Lançar granadas é outro problema. Para executar a ação é necessário apontar o cursor para o local desejado, pressionar o botão menos e simular o movimento real com o Wii Remote. Os ataques mano-a-mano também são executados à base de movimentos. Para desferir um golpe em seu inimigo, tudo que o jogador tem a fazer é chacoalhar o joystick. Obviamente, a diversidade de comandos atribuídos ao sensor de movimentos torna a dificuldade confusa e ocasiona muitos problemas ao jogador.

Se está cansado do modo singleplayer, não há como recorrer a outras opções. Não é possível desfrutar de uma modalidade multiplayer, seja offline, com a tela dividida, ou online. Isso é algo extremamente desagradável, pois era uma das opções que garantiam a longevidade de ambos os títulos.

Visuais ultrapassados

Os gráficos também não ajudam Double Time a se sobressair como vitorioso nesta guerra. Mesmo sendo um port da versão do PlayStation 2, o jogo não conta com um visual semelhante ao original. Ao invés disso, você tem a disposição algumas texturas relativamente piores ao jogo para PS2, incluindo alguns problemas que deveriam ter sido corrigidos.

Double Time deveria estar enterrado.

As legendas, que nas configurações padrões estão ligadas, podem atrapalhar em algumas cenas, devido à baixa resolução do jogo. Jogar Double Time em televisores de alta definição é quase uma heresia, e as falhas do jogo se tornam ainda mais explícitas.

Contudo, a maior decepção talvez seja a taxa de quadros por segundo. O jogo mantém-se entre 15 e 20 quadros por segundo, algo relativamente distante a taxa padrão de 30 FPS. Além disso, é normal presenciar pausas, que, na verdade, são travamentos, quando estiver em jogo. Não importa se você se encontra em conflitos ardentes ou em momentos de descanso, você terá congelamentos na tela. E o problema ocorre habitualmente, quebrando a pequena diversão oferecida pelo jogo.

Um soldado que deveria estar aposentado

O som é em Double Time é agradável, assim como nas versões anteriores dos jogos. Como se pode esperar, os jogos contam com uma trilha agradável, assim como os efeitos de explosões, tiros e etc. Contudo, muitos dos diálogos são forçosos, pois apresentam um excesso de expressões contextuais do exército estadunidense.

Brothers in Arms: Double Time é um dos piores FPS do Wii. Infelizmente, o resultado final não está nem próximo do que foi alcançado em 2005. A terrível adaptação do jogo para o console da Nintendo rendeu apenas uma experiência frustrante, contrariando alguns outros bons jogos de FPS para Wii. Recomendamos que você aguarde até o lançamento de Call of Duty: World at War, pois Double Time só traz dois jogos que deveriam ter sido lembrados apenas como bons jogos da Segundo Guerra Mundial.
30 wii
Vergonhoso