Corridas alucinanates em veículos quase incontroláveis fazem de Revenge o melhor título da série

Criterion Games traz a quarta versão de Burnout para os consoles, com as costumeiras adições e mudanças na jogabilidade. O jogo acerta nas alterações e se consagra mais uma vez como top do gênero arcade de corrida.

O caminho da evolução


As séries em consoles costumam se dividir em dois tipos: aquelas que só trocam o ano no final do nome (FIFA, Madden, NBA), mantendo basicamente o mesmo estilo de jogo a cada lançamento, e aquelas que introduzem conceitos novos em suas versões mais recentes, muitas vezes arriscando a paixão do público pela série.

Burnout é um exemplo do segundo tipo. Em Burnout Revenge a série mantém o ritmo vertiginoso, introduzindo duas modificações importantes. A primeira é a possibilidade de atropelar todos os carros que estejam indo na mesma direção que você. Isso tornou o jogo ainda mais rápido, pois você é premiado com nitro por bater e projetar os carros à sua frente. Os carro projetados podem inclusive ser utilizados como arma, provocando colisões com carros inimigos. Mas o sistema de colisão não se aplica aos carros que estão vindo em direção contrária, ou veículos muito grandes, como ônibus.

A segunda modificação é o tamanho e largura das pistas. O design dos trajetos percorridos está muito mais criativo, estimulando o jogador a correr na velocidade máxima na maior parte do tempo. Existem algumas curvas fechadas, mas o freio é pouco utilizado em Burnout. Além de amplas, as pistas também apresentam vários caminhos alternativos, que podem ser utilizados para ganhar tempo, aumentar a barra de nitro ou simplesmente pousar sobre os inimigos, gerando mais um takedown.

O perigo é a chave para o sucesso

Os takedowns (introduzidos em Burnout 3) continuam sendo as estrelas do jogo, e é uma pena que todas as corridas não sejam baseadas neles. Em uma decisão questionável, os desenvolvedores mantiveram os eventos de colisão (crash events), permanecendo o modo tradicional de jogo, onde o carro percorre um trecho curto à velocidade máxima, tentando causar o máximo de colisões possíveis no final. Outro modo incorpora a nova função de atropelar os carros à frente: você percorre o trajeto de uma corrida normal, procurando atropelar o maior número possível de veículos. Parece interessante à primeira vista, mas é entendiante depois de uma ou duas corridas.

Felizmente o sistema de jogo permite que você evite uma boa parte destes eventos, caso assim o queira. A progressão no jogo acontece através de um ranking da sua “periculosidade”. Você começa com o ranking de “inofensivo” e avança através do desempenho em cada corrida. A melhor avaliação - que faz o ranking avançar mais rápido - é normalmente atribuída para os mais velozes e ousados.

A avaliação também é afetada pelo cumprimento de objetivos específicos, como alcançar um certo número de takedowns em um tempo definido. A cada aumento de ranking, novas fases com novos trajetos são abertos, assim o jogador não precisa correr em todos os eventos disponíveis, bastando atingir um certo número de pontos para abrir outras fases e corridas. Portanto, com um bom desempenho em boas corridas, é possível avançar no jogo evitando os eventos que não lhe interessem. É uma maneira interessante de personalizar a progressão no jogo, estimulando o jogador a procurar fazer o melhor em cada corrida.

O modo multiplayer offline mantém a divisão de tela entre dois jogadores, e novamente é estranhamente baseado nos crash events. Existem apenas duas opções que não os envolvem, e estas sofrem de lag em algumas ocasiões (takedowns simultâneos, por exemplo). Além disso, as corridas a dois, onde o objetivo é chegar em primeiro lugar, não apresentam um mapa, que seria necessário para mostrar a posição do oponente.

Precisão e respostas rápidas para destruir os adversários

Crucial em jogos de corrida, o controle em Burnout é extremamente preciso e responsivo. Além de tudo é bastante simples, com todo os comando essenciais podendo ser acionados ao mesmo tempo. O carro é especialmente sensível nas curvas e quando o nitro está sendo utilizado. O fato de que o jogador nunca será prejudicado por falhas no controle ou resposta dos botões é um ponto muito favorável.

O cuidado em não chatear o jogador está presente até mesmo nas colisões; quando o seu próprio carro capota, você não perde totalmente a interação com o que acontece no jogo; é possível segurar o botão L e direcionar o local onde seu veículo vai cair e, com sorte, atingir algum oponente que esteja por perto. É uma habilidade importante, pois pode até gerar takedowns. Mesmo quando seu carro já está completamente capotado, ainda é possível prejudicar os inimigos através do crashbreaker, uma explosão que atinge carros próximos do seu e ajuda a ganhar tempo até sua recuperação na pista.

Paisagens e batidas sem fim

Os trajetos em Burnout são muito variados, baseados em cidades reais. A qualidade gráfica está entre a dos melhores jogos de corrida no PS2, podendo ser comparada com Gran Turismo 4. As pistas podem ser extremamente amplas (auto-estradas, trajetos com 4 ou 5 pistas simultâneas) ou muito estreitas (passagem entre colunas de uma via elevada, por exemplo), e durante todo o trajeto o jogo não apresenta lag.

Os veículos do jogo não são licenciados, mas apresentam designs interessantes e variados em sua maioria. Absolutamente todos os detalhes possíveis são bem desenhados, até mesmo em veículos que apenas compõem o cenário.

Os gráficos mudam bastante na velocidade máxima do carro, e aqui a execução também é brilhante. São enfatizados aspectos do cenários e dos outros carros que aumentem a sensação de velocidade, como distorção nas laterais da tela, zoom no veículo, faíscas de atrito, passagem rápida de objetos estáticos e outros infindáveis detalhes que podem não ser notados, mas estão presentes e contribuem para a experiência.

Músicas frenéticas para esquentar o asfalto

A escolha de músicas em Burnout pode incomodar alguns jogadores. Algumas parecem se encaixar perfeitamente com o ritmo de jogo, enquanto outras seriam mais adequadas à navegação nos menus de jogo. Jogadores menos exigentes não se incomodarão, pois todas as músicas são movimentadas e com tempo rápido, acompanhando a velocidade das partidas.

Os efeitos chamam mais atenção do que a trilha sonora, incluindo um certo exagero nas batidas e raspagens que combinam muito bem com o jogo. É sempre importante levar em consideração a natureza arcade de Burnout, não sendo este um jogo de simulação.

Burnout Revenge é um jogo bastante diferente de Burnout 3, devido às mudanças de design e jogabilidade. É notável como a série consegue melhorar sensivelmente a cada nova versão, sem trair a paixão dos fãs antigos. É uma pena que os eventos de batida permaneçam, pois têm cada vez menos função, contribuindo de maneira ínfima para a diversão no jogo.
90 ps2
Excelente