O futuro chega à franquia Call of Duty [vídeo]

Videoanálise

Lançado em 2010, Call of Duty: Black Ops marcou a quebra de uma tradição. Conhecida por fazer somente games secundários da série, a Treyarch finalmente conseguiu atingiu o mesmo nível de excelência da Infinity Ward, apresentando uma aventura que misturava ficção e personagens reais capaz de conquistar uma grande variedade de jogadores.

Em 2012, a sequência Black Ops 2 chega ao PlayStation 3, Xbox 360 e PC (e em breve ao Wii U) com a dura missão de continuar a trajetória bem-sucedida da série, duramente criticada pela repetição de elementos advindos de Call of Duty 4: Modern Warfare. Depois de passar dezenas de horas no universo do novo título e ver tudo o que ele tem a oferecer, o BJ preparou uma análise completa sobre o jogo.

Será esse o Call of Duty a acabar com a trajetória de sucesso da franquia ou a produção da Treyarch possui qualidade o suficiente para manter a Activision no topo do mercado de FPS? A resposta você confere logo abaixo.

Call of Duty: Black Ops 2 é simplesmente o melhor lançamento de toda a franquia desde que o revolucionário Call of Duty 4: Modern Warfare foi lançado. O jogo redefine o que pode ser esperado de uma campanha single player para o gênero FPS, apresentando uma narrativa repleta de personagens memoráveis, os quais incluem um vilão que deve ser lembrado durante muitos anos.

Dispondo de um modo multiplayer aprimorado, que dá mais liberdade aos jogadores ao mesmo tempo em que mantém o balanceamento entre eles, o jogo tem tudo para dominar suas tardes livres durante os próximos meses. Apesar de ainda demorar certo tempo para você realmente dominar o título, a experiência em geral está mais acessível para novos jogadores, que não devem sofrer tanto nas mãos daqueles que parecem passar a vida inteira em partidas online.

Fonte da imagem: BJ
Em resumo, Black Ops 2 é o resultado do trabalho de um time que obviamente se dedicou na tentativa de revigorar a série, tarefa que não foi inteiramente bem-sucedida. O uso repetido de mecânicas consagradas e de uma engine velha cobra seu preço, fazendo com que o jogo não alcance em todos os momentos o mesmo grau de qualidade apresentado pela sua história.

Em um mercado cada vez mais cheio de jogos de tiro com temática militar, o game apresenta aquela que possivelmente é uma das últimas rajadas de ar fresco do gênero nesta geração. Amando ou odiando a série, ao menos você deve respeitar o trabalho feito pela Treyarch para apresentar algo de novo aos consumidores.

Trama envolvente

A grande arma que Call of Duty: Black Ops 2 tem para enfrentar concorrentes como Medal of Honor: Warfighter, Battlefield 3 e o próprio Modern Warfare 3 é a sua trama. Apesar de ter como tema ataques terroristas que se desenrolam em escala global, algo que não é exatamente uma novidade para o gênero, a maneira como o game desenvolve personagens e explora situações faz com que ele não se assemelhe com nada disponível atualmente nas lojas.

Fonte da imagem: BJA história do título, que se desenrola em um período de 40 anos, tem como protagonistas Alex Mason (do primeiro Black Ops) e seu filho, David Mason. Enquanto o primeiro deve enfrentar missões que têm como cenários locais como o Panamá e a Nicarágua dos anos 80, o segundo nos apresenta a um 2025 fictício, no qual tecnologias como aviões não tripulados e roupas que garantem invisibilidade temporária são empregadas em larga escala pelas forças militares dos Estados Unidos e da China.

Pai e filho têm um inimigo em comum: Raul Menendez, terrorista nicaraguense responsável pela criação do grupo “Cordis Die”. Além de efetuar ataques diretos às principais economias do mundo, a organização usa o poder de redes sociais e de sites como o YouTube para angariar novos seguidores e passar a falsa imagem de salvadores do mundo moderno.

Fonte da imagem: BJApesar de o início da história parecer um pouco confuso, não demora até que você se veja preso na trama contada pelo jogo. Destaque especial deve ser dado para o vilão, cujas motivações são explicadas de forma detalhada durante o game, incluindo momentos em que é preciso tomar controle de suas ações para prosseguir.

A maneira envolvente como o roteiro de Black Ops 2 se desenrola faz com que ele se destaque em meio a um gênero repleto de personagens bidimensionais cujos antagonistas são igualmente simplistas. O fato de o jogo apresentar finais substancialmente diferentes entre si dependendo de certas decisões tomadas por você também colabora para dar peso às suas ações, servindo como uma ótima desculpa para você voltar à campanha principal múltiplas vezes.

Multiplayer aprimorado

Apesar de não representar nenhuma revolução em relação ao que foi visto nos títulos anteriores de Call of Duty, o multiplayer de Black Ops 2 chama a atenção por trazer uma série de melhorias a uma fórmula já consagrada. A principal mudança ocorre no sistema de “Perks” (Vantagens), que agora deixam de ser associadas a um personagem em específico, ganhando uma maior versatilidade através do sistema “Pick 10”.

Fonte da imagem: BJ
Ao configurar seu personagem, você pode escolher um total de 10 melhorias que ele vai trazer para o campo de batalha, que incluem desde habilidades especiais como recarregar mais rápido até uma série de acessórios para suas armas de fogo. Novas opções de personalização são destravadas conforme você ganha experiência em partidas contra outros jogadores, porém nunca é possível equipar mais de uma dezena de perks.

Mais do que limitar os jogadores, esse sistema permite que você crie classes realmente únicas e que se adaptam melhor a seu estilo de jogo. Enquanto uma pessoa pode preferir levar três acessórios diferentes em uma metralhadora, outro pode optar por carregar duas armas primárias, cada uma delas com um pente de balas ampliado.

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Há até mesmo a possibilidade de equipar 10 habilidades especiais e deixar de lado qualquer arma de fogo, o que vai obrigá-lo a partir para cima dos inimigos somente com uma faca. Para completar, o recurso “Wild Cards” serve como uma forma de brincar ainda mais com as regras do jogo, permitindo que você equipe um número maior dos acessórios ou opte pelo uso de dois perks de categoria primária, por exemplo.

Embora seja preciso investir tempo para ganhar alguns níveis de experiência antes de destravar todas as possibilidades do novo sistema, desde o começo fica clara a diferença (positiva) que ele faz em relação aos games anteriores da série.

Quanto aos modos de jogo, eles permanecem basicamente inalterados em relação ao que já foi visto no primeiro Black Ops e em Modern Warfare 3. Opções consagradas como o Deathmath, Confirm Kill e Domination dão as caras no game, acompanhados por uma nova seleção de mapas em que é preciso permanecer em movimento para continuar vivo, devido à ausência de pontos realmente protegidos que beneficiem a atividade dos conhecidos “campers”.

A volta dos mortos-vivos

Marca registrada dos games produzidos pela Treyarch, o famoso modo zumbi também dá as caras em Call of Duty: Black Ops 2, dessa vez de uma maneira um pouco ampliada. Nele, você pode lutar pela sua sobrevivência em três mapas que retratam pontos diferentes de uma cidadezinha do interior (a fase Nuketown 2025 também está disponível, mas somente para quem fez a compra prévia do jogo ou adquiriu seu Season Pass).

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Além dos modos “Survival” e “Grief” (no qual dois grupos de jogadores têm que se confrontar enquanto lidam com hordas de mortos-vivos), o jogo marca a estreia da opção “Tranzit”. Ligeiramente inspirada na série Left 4 Dead, essa variação coloca os jogadores no comando de um ônibus reforçado que faz diversas paradas em estações lotadas de criaturas que apresentam um nível de dificuldade crescente.

Embora não seja exatamente revolucionária, essa opção garante uma pausa muito bem-vinda aos modos competitivos do jogo. Certifique-se de sempre encarar essa opção com um grupo de amigos, já que o nível de dificuldade dos zumbis é intenso demais para quem decide encará-los sozinho.

Trabalho sonoro de qualidade

Embora a trilha sonora de Black Ops 2 possua temas bastante familiares a quem está acostumado com o gênero FPS militar, não dá para negar sua qualidade. O trabalho realizado por Trent Raznor e Jack Wall é bastante competente, e é difícil encontrar alguma música que não case bem com a ação mostrada na tela.

Fonte da imagem: BJTambém vale destacar a presença de faixas criadas por Skrillex e a pela banda norte-americana Avenged Sevenfold (que faz uma aparição hilariamente bizarra no jogo). Apesar de surgirem em momentos mais pontuais da campanha, tais músicas servem para aumentar a sensação de familiaridade com nossa realidade (embora seja difícil imaginá-las tocando em 2025).

Como costume, a dublagem (tanto a em inglês quanto a em português) chama a atenção pela qualidade, o que, junto a um roteiro bem desenvolvido, ajuda a envolver o jogador na trama. Pena que a sincronia labial nem sempre é feita de maneira correta, o que resulta em momentos estranhos durante as cenas não interativas do game.

Motor gráfico envelhecido

Apesar de Call of Duty: Black Ops 2 estar longe de ser um jogo feio, esse mérito se deve mais à sua direção de arte competente do que ao motor gráfico empregado em seu desenvolvimento. Embora tenha como vantagem o fato de ser bastante leve, a IW Engine não esconde que já está bem velha e que não há muito mais o que pode ser feito para aprimorá-la.

Fonte da imagem: BJIsso pode ser exemplificado pelos inimigos que compartilham alguns poucos modelos, cuja animação não é exatamente um primor. Além disso, o game está recheado de texturas em baixa resolução, principalmente quando se observam com atenção os uniformes usados pelos personagens principais e seus inimigos.

Para completar, não é difícil presenciar objetos simplesmente surgindo do nada no cenário, e problemas de clipping (um objeto atravessando o outro) não são exatamente incomuns. Tudo isso é sinal de que a Activision deve investir o quanto antes em um motor gráfico inédito, ainda mais quando se leva em conta o fato de que a Frostbite 2 (da rival Electronic Arts) está conquistando cada vez mais fãs entre os membros da indústria.

Strike Force

Apesar da ideia por trás das missões Strike Force (pertencentes ao modo single player) ser boa, sua execução peca pela falta de cuidado. Durante esses trechos da aventura, você tem que cumprir objetivos específicos em mapas com dimensões mais limitadas, variando entre a visão em primeira pessoa e uma interface que dá um olhar diferenciado à ação — e é justamente nessa transição que reside o problema.

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O controle das tropas através do modo estratégico é um processo confuso, devido à resposta problemática dos comandos e da baixa inteligência artificial de seus comandados. Não é incomum enviar uma força de soldados para um ponto para vê-los sendo aniquilados por um inimigo simplesmente porque eles não foram capazes de atirar em um alvo que estava logo à sua frente.

Dessa forma, é frequente se ver obrigado a assumir o controle de um soldado em específico e realizar sozinho todos os objetivos de uma missão. Isso remove muito do caráter estratégico dessas missões e faz com que elas ganhem um nível de dificuldade extra simplesmente pelo fato de que nunca é possível contar com o auxílio do esquadrão que é enviado para o combate junto ao jogador.

Essa não é a revolução pela qual você espera

Apesar de investir em uma campanha de qualidade e em um modo online aprimorado, quem acompanha os jogos do gênero FPS lançados nos últimos anos não vai notar grandes mudanças em Black Ops 2, especialmente no que diz respeito a seu multiplayer. Claro, o novo sistema de perks adiciona uma maior personalização ao título, mas não dá para notar que a base que sustenta a experiência é essencialmente a mesma de seus antecessores.

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Do ponto de vista mercadológico, fica evidente o motivo pelo qual a Activision ainda decide apostar no mesmo modelo ano após ano. Além de garantir uma base fixa de jogadores, as mecânicas criadas pela empresa simplesmente continuam a funcionar, por mais críticas que elas tenham recebidos nos últimos anos.

Porém, pois mais divertido que seja matar unidades inimigas com um tiro bem mirado ou tomar controle de uma unidade motorizada extremamente poderosa, é difícil fugir da sensação de fadiga resultante da exploração excessiva que houve do gênero FPS militar nos últimos anos. Assim, por melhor que seja o game, não é exatamente difícil compreender quem preferir deixá-lo de lado pela sensação de “mais do mesmo” que ele pode passar.

88 pc
Ótimo

Outras Plataformas

88 ps3
88 xbox-360