A forma mais divertida de reescrever a história do Velho Oeste

Representando a volta da série Call of Juarez ao Velho Oeste, Gunslinger nos apresenta a Silas Greaves, um caçador de recompensa lendário. Ao entrar em um bar, ele logo desperta a atenção das pessoas presentes no estabelecimento, que pedem a ele mais informações sobre alguns de seus feitos mais célebres.

São justamente essas histórias do passado que temos a responsabilidade de reencenar durante o mais novo game de tiro da Techland. Com lançamento exclusivo através de métodos de distribuição digital (Steam, Xbox LIVE e PlayStation Network), o jogo bota a franquia de volta nos eixos e abre precedentes para mais títulos no estilo.

Apesar de apresentar alguns contratempos, Call of Juarez: Gunslinger se mostra um FPS extremamente divertido. Abandonando qualquer pretensão de se levar a sério, o jogo assume sua identidade arcade desde o início, deixando claro sua intenção de simplesmente providenciar uma galeria de tiros na qual o único objetivo é acumular mais pontos.

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Quando se leva em consideração o valor pelo qual o jogo é vendido, é fácil ignorar seus pontos negativos e se focar somente nas qualidades apresentadas por ele. Assim, por mais que você possa ter algumas dores de cabeça até conseguir chegar ao final da aventura, elas acabam sendo esquecidas em pouco tempo.

Assim como aconteceu com Far Cry 3: Blood Dragon, novamente a Ubisoft se mostrou certeira em apostar em um jogo que, apesar de barato, apresenta qualidade comparável ao de um título AAA. Esperamos que a publicadora continue investindo nessa estratégia, que somente em 2013 já resultou no lançamento de dois títulos muito bons para o PC, PlayStation 3 e Xbox 360.

Narrativa fora do convencional

Totalmente baseada na memória de Silas Greaves, a história de Call of Juarez: Gunslinger se transforma conforme o protagonista lembra de novos detalhes (ou é lembrado por outros personagens). Exemplo disso é uma missão em que ele conta como se embrenhou em uma mina para matar seu alvo: depois de explorar a primeira entrada disponível (e morrer), o herói diz que na verdade ele optou por um caminho alternativo para chegar a seu objetivo.


Esse tipo de comentário se repete de forma frequente durante o game, ajudando a dar a ele uma cara diferente dos outros FPS disponíveis no mercado. Enquanto em um momento você pode estar enfrentando um grupo de índios, basta um comentário do narrador para que eles sejam trocados por um grupo de bandidos.

Em geral, esse recurso narrativo é usado de maneira bastante inteligente durante a trama, seja para mostrar mais detalhes de um confronto ou para trazer mais contexto a alguma caçada empreendida por Greves. Além disso, certos detalhes fornecidos pelo protagonista ajudam a trazer certo humor para o título, algo bem exemplificado pelo momento em que um cadáver literalmente cai dos céus para fornecer munição ao herói.


O fato de que toda a história é contada a partir do ponto de vista de uma única pessoa também ajuda a dar certo ar de incerteza quanto à veracidade do que está sendo apresentado. Além de muitas vezes o caçador de recompensas se ver forçado a mudar algum detalhe devido a algum comentário alheio, é difícil acreditar que ele sozinho foi o responsável por matar ou prender algumas das figuras mais famosas do Velho Oeste.

Jogabilidade no estilo arcade

Um dos fatores que mais se destacam em Call of Juarez: Gunslinger é o fato de que ele em nenhum momento tenta se levar a sério, assumindo desde o início sua identidade como uma galeria de tiros digital. Prova disso é o fato de que, a cada inimigo que você mata, surge na tela uma indicação de quantos pontos de experiência você ganhou com isso.


Para obter uma pontuação maior, basta realizar disparos certeiros contra as cabeças dos adversários ou matá-los com velocidade o bastante para que o multiplicador que surge no canto da tela não desapareça. Quanto melhor o desempenho do jogador, mais rápido seu personagem vai subir de nível — o que garante a possibilidade de destravar uma gama maior de habilidades.

Como as fases do título são relativamente curtas (durando 10 minutos em média), o jogador se sente estimulado a passear novamente por elas para acumular uma pontuação maior e para encontrar objetos escondidos que garantem uma quantidade extra de experiência. O fato de que é possível reviver toda a aventura com os poderes especiais destravados anteriormente também colabora para aumentar a vida útil do título, já que isso oferece a possibilidade de resolver situações já conhecidas de forma bastante diferente.


Além de apresentar um modo história convencional, o game também conta com uma opção arcade na qual seu único objetivo é acumular a maior quantidade de pontos possíveis — seu desempenho é enviado para um quadro online no qual é possível compará-lo com o de seus amigos. Para finalizar, também é possível reviver somente os duelos apresentados na aventura principal, cujos resultados obtidos contam com um ranking online próprio.

Apresentação caprichada

Embora seja baseado no mesmo motor gráfico que dá vida a Dead Island, Gunslinger apresenta um visual único que em alguns momentos chega a lembrar um pouco a série Borderlands. Usando de maneira discreta a tecnologia Cell Shading, o novo Call of Juarez tem uma apresentação bastante parecida àquela vista em alguns quadrinhos alternativos antigos, como os da série Tex.


O resultado é um título que se mostra atraente, mesmo que não consiga competir em número de polígonos com monstros como Battlefield 3 e Crysis 3. A sensação que fica é a de que os gráficos servem mais como um complemento à ambientação do título do que simplesmente como o esqueleto no qual seu universo se apoia.

O mais surpreendente é o fato de que toda essa qualidade está presente em um jogo que muitos considerariam de segunda linha devido a seu preço reduzido. Méritos devem ser dados para a Techland e a Ubisoft, que criaram um título com grande valor de produção que não se dá ao luxo de parecer feio simplesmente porque foi feito para ser distribuído digitalmente.

Ambientes lineares (e mortais)

Embora a proposta arcade de Call of Juarez: Gunslinger seja compatível com a presença de ambientes lineares, a forma como a Techland os construiu não se mostra exatamente adequada. Durante os momentos em que o jogador decide explorar os ambientes em busca de segredos escondidos, não é incomum morrer sem nenhum motivo aparente.


Muitas dessas falhas acidentais se devem ao fato de que o jogo, embora possua limites bem determinados quanto aos locais que é possível explorar, nem sempre deixa isso muito claro. Dessa forma, muitas vezes você vai tentar pular uma plataforma possível de alcançar simplesmente para descobrir que o título não queria que você fizesse aquilo — o que resulta em uma tela de Game Over e no recarregamento do último checkpoint habilitado.

Checkpoints cruéis

Como Call of Juarez: Gunslinger não é exatamente um jogo fácil, durante a aventura seu personagem vai morrer diversas vezes. Infelizmente, muitas vezes os checkpoints automáticos gravados pelo jogo colaboram para que isso ocorra, já que não raro eles fazem o jogador reviver cara a cara com o perigo.


Em diversos momentos da aventura, nos deparamos com pontos de checagem colocados logo à frente de um grupo de inimigos, sem que houvesse nenhuma cobertura onde se esconder. Isso é especialmente frustrante nos combates contra chefes, especialmente naqueles que usam explosivos como forma de ataque — poucas situações são tão chatas quanto voltar ao jogo simplesmente para se ver cercado por bananas de dinamites que estão prontas para explodir.

Chefes pouco inspirados

Embora a maioria dos confrontos contra os bandidos famosos que aparecem em Gunslinger seja resolvida na forma de duelos um contra um, em algumas situações o jogo decide fugir dessa fórmula. Infelizmente, muitas vezes isso acaba resultando em uma dose extra de frustração, já que o título exige que sejam seguidas algumas regras pouco divertidas.


Logo em uma das primeiras missões, é preciso enfrentar um adversário que se utiliza de uma metralhadora com munição infinita. Para derrotá-lo, é preciso contar com a sorte (e com a proteção de uma carroça) para minar aos poucos sua vida nos momentos em que ele recarrega o armamento — qualquer tática fora essa se mostra impossível de realizar, resultando na morte imediata do protagonista.

Da mesma forma, em outro conflito é preciso recorrer constantemente ao uso de bananas de dinamite para distrair o chefe, enquanto os demais equipamentos se mostram totalmente ineficientes. Infelizmente, até que você descubra qual a tática que o jogo quer que seja utilizada, será preciso reiniciar as batalhas diversas vezes, algo que só serve para deixar a experiência geral menos divertida.

85 pc
Ótimo

Outras Plataformas

85 ps3
85 xbox-360