Melhor esperar pelo retorno ao Velho Oeste...

Call of Juarez jamais esteve entre as franquias mais atraentes da atual geração. Entretanto, os primeiro títulos compensavam certa falta de polimento com histórias bem contadas em um clima de faroeste bastante decente... Do tipo que realmente absorvia. Bem, o que sobra quando se tira o elemento western? Simples: resta apenas um shooter medíocre, do tipo que provavelmente passaria batido em uma prateleira.

O problema é que The Cartel não se contenta em extirpar de Call of Jurarez o seu elemento mais distintivo — largando em seu lugar uma série de diálogos clichês e caricaturas do efetivo policial norte-americano. Em vez disso, a Techland simplesmente apareceu com um dos jogos mais mal-acabados da atual geração, com dezenas de bugs, texturas pobres e uma jogabilidade que simplesmente não prende.

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Call of Juarez: The Cartel conta a história de três policiais/oficiais que juntaram forças para desmantelar um enorme cartel mexicano, cujas áreas de investimento vão de drogas a prostituição e tráfico de armas.

Ben McCall — descendente de Ray McCall, protagonista dos jogos anteriores — é um típico policial old-school, cheio de tiradas espirituosas, bravatas e armas antigas. Já Eddie e Kim são típicos “policiais durões de filmes dos anos 80”, do tipo que cresceu nas ruas e mantém um repertório cheio de gírias.

Se parece com dezenas de filmes policiais “B” que você encontra perdidos em horários menos nobres da TV? Exatamente.

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 The Cartel fez um péssimo negócio ao trocar o bom clima de faroeste dos jogos anteriores por um pastiche recheado de clichês e embalado por uma história que é rapidamente esquecida. 

Complementando a derrocada da série, há ainda alguns dos piores gráficos da atual geração, cuja falta de texturas apenas é ofuscada por uma sequência praticamente contínua de bugs — embora alguns sejam realmente engraçados. Enfim, tanto para fãs de CoJ quanto para novatos, a melhor dica aqui provavelmente seria: espere o pesadelo policial dos ano 80 passar. Talvez as coisas se ajeitem quando Call of Juarez retornar ao Velho Oeste.

Três personagens... Três histórias

Embora nenhum dos personagens principais de The Cartel seja carismático isoladamente, não se pode negar que a ideia de colocar três protagonistas foi interessante. Até porque, embora a história se mantenha essencialmente a mesma independentemente de quem você escolha, algumas variações durante a trama são dignas de nota — como as missões secundárias e sigilosas da agente do FBI, Kim, cujos objetivos são desconhecidos mesmo pelos seus companheiros de equipe.

Variação de cenários

The Cartel é repetitivo em diversos aspectos... Menos em relação aos ambientes escolhidos. São plantações de maconha nas montanhas, bordéis em HollyWood, perambulações em pleno deserto. Em outras palavras, embora os seus objetivos e a história tenham certa dificuldade em quebrar a monotinia às vezes, o pano de fundo sempre trará uma variedade interessante ao jogo.

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Não é Morricone, mas é decente

A trilha sonora de The Cartel de fato faz um bom trabalho. São faixas arrastadas, com levadas que lembram o clima inconfundível dos faroestes spaghetti de meados do século passado — boa parte criada pelo mestre Enio Morricone. De fato, é bom saber que algo restou de western em The Cartel...

Feio e “bugado”

The Cartel não é apenas um jogo feio. É um jogo feio com uma dose maciça de bugs, do tipo que provavelmente pareceria mal-acabado mesmo diante de um jogo da geração anterior de consoles. São texturas inexistentes, problemas de iluminação, braços e pernas que atravessam paredes, rostos que mais parecem máscaras de halloween etc.

Enfim, embora nenhum dos jogos anteriores tenha sido exemplo de bom trabalho gráfico, as coisas aqui são realmente levadas a um novo patamar — embora diversos trechos tragam uma boa dose de humor involuntário, com sujeitos deslizando pela rua, pés que levitam e por aí vai. Para completar o efeito, The Cartel tem uma draw distance  (distância em que os objetos são incluídos no horizonte) que somente poderia ser aceito na época do primeiro Silent Hill... Inclusive pela neblina excessiva.

Clichês e mais clichês

Img_normalÉ impressionante como a terceira edição de Call of Juarez trocou o bom clima do Velho Oeste por uma profusão de clichês descartáveis de filmes policiais oitentistas. São traficantes estrangeiros (cheios de maneirismos e xingamentos clássicos), cafetões vestindo cores berrantes, prostitutas convidando para algumas diversão. Por fim, mesmo os seus protagonistas aqui não conseguem escapar da sina de acabar como meros estereótipos em uma história sem atrativos.

Anda um pouco, para um pouco, anda um pouco...

Não bastassem os gráficos datados, The Cartel apresenta uma série de travamentos. Na melhor das hipóteses, isso pode cortar o embalo da história (que já não é boa) e, na pior, pode simplesmente fazê-lo perder um alvo e acabar morrendo de forma verdadeiramente frustrante.

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