Análise de Castlevania: Lords of Shadow - Mirror of Fate

Os laços de família estão cada vez mais fortes

A série Castlevania ganhou novo fôlego com o lançamento de Castlevania: Lords of Shadowgame que apresentava uma nova versão da eterna batalha entre a família Belmont e o temível Conde Drácula. Depois de um final que mostrou muita coragem por parte da Konami e da desenvolvedora Mercury Steam, os fãs gostariam de saber como a história continuaria.

Ainda em 2013, deve ser lançada a sequência de Lords of Shadow para PCs, PlayStation 3 e Xbox 360, mas antes disso podemos conhecer um pouco mais sobre o universo desta nova versão da série. Castlevania: Lords of Shadow - Mirror of Fate coloca na tela do 3DS alguns personagens que fazem parte da família Belmont, em uma trama que acontece entre Lords of Shadow e sua sequência.

Agora, chegou a hora de saber se o título é apenas um caça-níquel que tenta lucrar em cima da franquia ou se temos um verdadeiro e divertido Castlevania em mãos.

Castlevania: Lords of Shadow - Mirror of Fate é uma bela adição à franquia Castlevania e um grande jogo para Nintendo 3DS. O game deixa de lado o fantasma de que sequências/spin-off de jogos de consoles para portáteis são rasos e meros caça-níqueis, mostrando que tem lugar importante para contar a trágica história de Gabriel Belmont e seus descendentes.

Tudo faz sentido

Apesar de muitos fãs de Castlevania se empolgarem com todos os elementos dos games, é possível dizer que muitas pessoas não se importam com a história da série. O foco é sair destruindo monstros, geralmente no controle de um membro da família Belmont, até chegar ao temível Drácula. Ele é derrotado e o bem prevalece. Mas, agora, a série “Lords of Shadow” começou a obrigar os jogadores “comuns” a se importar com a trama.

Aviso!!! O que vamos falar a seguir pode ser considerado um spoiler, portanto fiquem avisados.

Castlevania: Lords of Shadow - Mirror of Fate coloca três gerações dos Belmont para contar a triste história da queda de Gabriel. No final do primeiro Lords of Shadow, o guerreiro acaba sucumbindo ao mal e se torna Drácula. Em Mirror of Fate, conhecemos Trevor, filho que Gabriel não sabia que tinha, pois ele foi escondido para, futuramente, lutar contra seu próprio pai.

A história do game se divide em três narrativas que se cruzam: Simon Belmont, conhecido dos fãs da série como o primeiro herói da franquia, que parte para o castelo do Conde em busca da arma do seu pai, Trevor, que sumiu quando ele ainda era criança. Temos também o próprio Trevor, que vai lutar contra Drácula sem saber suas próprias origens e, fechando o grupo de personagens, Alucard. Se você conhece um pouco de Castlevania, sabe exatamente quem ele é e o seu papel na trama.

O mais interessante é a maneira como a história é contada, mostrando que o jogo tem sim um motivo para existir, além de ser um título mais próximo do estilo dos games anteriores da franquia. As cutscenes, feitas com um visual próximo do cel shadding e que conseguem casar bastante com o estilo do jogo, deixam tudo ainda melhor.

Com Mirror of Fate, a Konami e a Mercury Steam conseguiram criar uma ponte perfeita para explicar elementos que deverão fazer parte de Lords of Shadow 2, sem precisar os expor de maneira apressada.

Desafio na medida certa

Na maioria dos casos, quando uma empresa resolve fazer um game com um jeito mais “old school”, mais próximo de títulos de gerações passadas, as desenvolvedoras acabam pecando forte na sua dificuldade. Mirror of Fate conseguiu se mostrar um jogo desafiador e, ao mesmo tempo, não causar uma úlcera na hora de passar por uma parte mais complicada.

Os diferentes tipos de inimigos apresentam jeitos diferentes de atacar o seu personagem, fazendo com que você aprenda como derrubá-los usando a velha tática “tentativa e erro”. Sim, você poderá morrer algumas vezes, mas isso apenas ajudará a identificar elementos que o auxiliarão na batalha.

Os comandos do game conseguem ser bem precisos, o que significa que você não terá muita dificuldade em realizar alguns saltos mais complicados ou na hora de sair brigando com vários inimigos e um chefe, todos ao mesmo tempo.

Assim como acontece em diversos títulos desde os clássicos da geração 16-bits, Mirror of Fate conta com diversos enigmas e quebra-cabeças para serem resolvidos. Caso você tenha dificuldade em um deles, poderá receber algumas dicas, que diminuirão a quantidade de experiência que você receberá ao solucioná-los.

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O estilo 2D do game pode lembrar bastante o clássico Symphony of the Night, mas Mirror of Fate é um jogo muito mais linear, o que faz com que os desafios que aparecem na sua frente passem mais a sensação de que você está avançando na história. Isso significa que você não precisa ficar voltando para o começo do castelo para poder passar de uma porta distante.

As vantagens do 3DS

O Nintendo 3DS apresenta algumas funções interessantes para Castlevania: Lords of Shadow - Mirror of Fate. Nenhuma delas chega a ser inovadora, mas ajudam bastante na hora de jogar.

A segunda tela do portátil serve como um mapa, sempre indicando para qual direção você deve seguir, como uma tela de inventário, um arquivo de pergaminhos que você encontra pelo cenário e que enriquecem a história, além de centro de habilidades que você destravou com o ganho de experiência.

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A melhor função é a possibilidade de ativar magias ou escolher itens com rapidez. O mesmo pode ser feito através do D-Pad, mas a tela sensível ao toque do 3DS deixa tudo mais ágil.

Os gráficos são bons para o console portátil da Nintendo, apresentando bons efeitos tridimensionais, apesar de não fazerem muita diferença no final. Se você realmente prefere jogar seus games em 3D, Castlevania: Lords of Shadow - Mirror of Fate não vai causar decepção.

Que trilha sonora mais sem graça!

Você não precisa ser o maior fã de Castlevania do mundo para reconhecer que as trilhas sonoras da série figuram entre algumas das melhores de toda a história dos games. O primeiro Lords of Shadow, presente no PlayStation 3 e Xbox 360, contava com uma trilha sonora interessante, ainda que ela não fosse tão marcante quanto, por exemplo, a de Castlevania: Symphony of The Night. Mirror of Fate parece ter ficado com a “raspa do tacho”.

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Em momento algum você ouve uma melodia que fica com você, que consegue se destacar. As músicas não chegam a ser ruins, mas soam absurdamente genéricas e sem muita emoção. Por sabermos que a série consegue apresentar coisa melhor, não deixa de ser decepcionante.

O mesmo vale para as vozes dos personagens. O game, disponível com legendas em português, tem uma dublagem que não passa muita emoção. Junte isso a alguns diálogos bobos ou forçados e você olha com um pouco de preconceito para as bem produzidas cutscenes. Se era pra ser assim tão feito “nas coxas”, poderiam ter chegado ao nível de SotN.

80 3ds
Ótimo