Drácula faz mais uma aparição em um ótimo remake com dois clássicos na bagagem.

Além de trazer um primoroso remake do clássico Rondo of Blood, originalmente lançado para PC em 1993, The Dracula X Chronicles ainda traz a versão original do jogo (pela primeira vez em terras ocidentais), bem como o aclamado título para PS1 Symphony of the Night — embora ambos estejam indisponíveis de início.

Trata-se de um presente da Konami tanto para fãs inveterados da série quanto para aqueles que gostariam de ter uma autêntica experiência side-scroller/hardcore
devidamente remaquiada. Uma bela oportunidade para reviver aqueles dias gloriosos em que o estresse quase fazia alguns jogarem o console pela janela.

Drácula e seus asseclas

Para quem ainda não conhece a história (que, assuma-se, nunca teve um papel central nos jogos da série), em Rondo of Blood o jogador assume o controle de Richter Belmont (um descendente de Simon Belmont) partindo em uma cruzada contra o lendário vampiro e sua legião de demônios para salvar sua amada Anette.

Conforme vai progredindo em sua empreitada, Richter pode conseguir ajuda de Maria Renard, uma garota com alguns ataques bastante característicos. Porém, isso não se dará assim tão fácil, já que a personagem está muito bem escondida.

Introduções à parte, Rondo of Blood é um típico side-scroller “passe a fase e mate o chefe”. São nove fases no total, cada qual com seu respectivo chefe. Porém, algumas passagens encontradas durante o jogo poderão conduzir a fases e chefes alternativos, o que garante mais algumas horas de diversão (ou algumas unhas a menos).

Mescla de gráficos 2D com 3D revivem o jogo original. Gráficos 2.5D

Com o visual do remake de Rondo of Blood ocorre algo que, se não é propriamente novo, acaba mesmo sendo bastante agradável.

O que há, na realidade, é uma interessante mistura entre gráficos 3D e elementos 2D, tudo devidamente remodelado (ou mesmo recriado), o que, contando com a boa ajuda de várias novas animações (CGs), dá ao jogo um clima mais envolvente e bastante renovado em relação à versão original.

Embora não extraia o máximo das capacidades gráficas do PSP (que de fato, apresenta jogos bem mais impressionantes nesse quesito), pode-se considerar que Rondo of Blood ganhou uma ambientação mais bonita e cativante, garantindo ao jogo uma atmosfera bem mais dinâmica.

Old-School


Não obstante as melhorias e o visual atual, a jogabilidade de Rondo of Blood continua sendo a mesma, ou seja, contém muitos elementos interessantes que marcaram toda uma geração de jogadores, mas... tem também alguns elementos clássicos que fizeram muita gente arrancar os cabelos.

A começar pelo nível de dificuldade, que realmente não é para qualquer um (afinal, é um daqueles jogos do tempo em que jogadores de fim de semana dificilmente passavam da primeira ou segunda fase). Conforme a aventura vai avançando, o nível de dificuldade aumenta quase exponencialmente, o que pode fazer alguns jogadores (sobretudo aqueles ocasionais) acabarem encostando o jogo após algumas tentativas frustradas.

Rondo of Blood também tem uma carência que é quase patente em jogos mais antigos: os checkpoints. Pode-se avançar consideravelmente em uma fase para, em seguida, ver todo aquele esforço ir por água abaixo graças a um salto mal calculado, já que nem sempre o jogador será recolocado a uma distância razoável na fase. Além disso, o número de vidas é bastante reduzido e, caso elas acabem (o que sem dúvida vai acontecer bem rápido), o jogador é colocado novamente no início da fase, mesmo se estivesse já combatendo o chefe — uma mecânica que jogadores mais veteranos conhecem muito bem.

Música, vozes e afins

Não se pode negar que a equipe de áudio da Konami executou um bom trabalho. A trilha sonora consiste em uma bem ponderada mistura entre sons eletrônicos e instrumentos clássicos. Nada que exceda as expectativas para um jogo da série, mas realmente tem seus momentos.

Uma adição interessante foi a possibilidade de se trocar os fundos musicais, o que é feito através da opção Sound Assign. Pode-se tanto trocar livremente as músicas das fases, quanto colocar algumas que são obtidas na forma de itens em locais “estratégicos” do jogo.

Para quem jogou por muito tempo a versão original de Rondo of Blood sem entender coisa alguma, eis uma boa notícia: a maior parte dos diálogos, além de ser totalmente traduzida, ganhou vozes em inglês (o que, diga-se de passagem, deu um ar mais “dramático” ao jogo). Entretanto, os mais puristas têm a possibilidade de optar pelo áudio original em japonês com legendas em inglês (infelizmente não estão em todos os diálogos).

Jogo clássico... jogabilidade clássica

O controle dos personagens se mantém completamente fiel a Rondo of Blood original... o que não é propriamente bom. Embora seja interessante reviver integralmente um clássico de outra época, deve-se lembrar que tudo o que incomodava na época também incomodará agora.

É claro que, na maior parte das vezes, os controles de Rondo of Blood respondem bem. Tal qual um jogo típico da série. Porém, algumas vezes, detalhes pequenos acabam mesmo atrapalhando um bocado.

É o caso, por exemplo, do simples ato de subir e descer escadas (talvez o último entrave que a maioria das pessoas esperaria ter). Para tal, deve-se pressionar o botão na direção desejada (para cima para subir, para baixo para descer). Até aí tudo bem. O problema é que isso nem sempre fuciona como ou quando se gostaria.


Não serão raros os momentos em que, ao subir ou descer, o jogador precise pular (ou executar alguma outra ação) por algum motivo e, deixando de segurar o direcional para cima ou para baixo, simplesmente acabe atravessando a escada... e mais uma das poucas vidas se vai. Somando-se isso ao fato de o pulo do personagem não ser exatamente preciso (o backflip acaba atrapalhando às vezes), têm-se mesmo uma jogabilidade que requer um tempo considerável de treino.

Extras que não deveriam ser extras

É evidente que a escolha da Konami em colocar um belo remake e dois jogos clássicos em um mesmo jogo para PSP foi acertada. Infelizmente, as coisas não são tão fáceis quanto parecem.

Tanto Rondo of Blood original quanto Symphony of the Night devem desbloqueados através de passos tão difíceis quanto pouco óbvios. Nada que represente um obstáculo intransponível ou sequer considerável para um fã da série. Contudo, jogadores ocasionais podem encontrar alguma dificuldade.

Afora isso, o fato de se poder ter acesso a dois dos clássicos da franquia sem dúvida vai agradar tanto aos fãs quanto a aqueles que queiram ter uma boa primeira impressão da série.

Boss Rush Mode

Conde Drácula, o mal em pessoa. Castlevania The Dracula X Chronicles conta com uma forma interessante de multiplayer. Selecionando-se Boss Rush Mode no menu, duas pessoas podem se digladiar simultaneamente com os chefes das fases do jogo. Porém, somente estarão acessíveis os chefes que já tenham sido vencidos no modo normal de jogo.

The Dracula X Chronicles é sem dúvida um prato cheio para jogadores que gostariam de debutar em um dos mais clássicos jogos de plataforma de todos os tempos (quase um emblema quando se trata de side-scrollers).

Também para os fãs de longa data não faltarão motivos para desembolsar alguns reais, tendo em vista o bom trabalho da Konami em remodelar e realçar a interessante atmosfera do original Rondo of Blood. Acrescente-se a isso o fato de se ter também a versão original e Symphony of the Night em um único título. O resultado é um jogo que ficaria muito bem na coleção de qualquer dono de PSP.
86 psp
Ótimo