Quando um periférico faz toda a diferença

Um dos jogos que mais surpreendeu positivamente neste ano foi Child of Eden. Lançado para Xbox 360 em junho, o game chamou a atenção por criar uma experiência multissensorial em que não era preciso apenas jogar, mas ver, ouvir e sentir a jogabilidade para mergulhar no universo virtual de Eden. Não é à toa que a missão de resgatar Lumi de um ataque de vírus foi uma das maiores notas de 2011, a melhor para um título de Kinect.

Com tantos elogios, muitos proprietários do PlayStation 3 queriam saber quando o título chegaria ao console — algo que aconteceu somente três meses depois, quando a Ubisoft finalmente liberou a versão para o sistema da Sony. Mas será que a substituição do Kinect pelo Move resultou na mesma imersão que encantou a todos?

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Como dito anteriormente, Child of Eden é um dos melhores jogos deste ano e merece ser conferido. Ainda que a edição para Xbox 360 continue sendo muitas vezes melhor do que a versão para PS3, o título mantém seu charme, embora um pouco de sua essência se perca com a troca do Kinect pelo Move.

Isso não quer dizer que o game seja ruim, mas apenas um pouco mais raso e menos interessante. Como dito, o problema é que essa troca fez com que ele ficasse sem seu maior diferencial, sendo apenas mais um título na imensidão de lançamentos que chegam às lojas mensalmente. Se você planejava comprar o título para PS3, é melhor pensar duas vezes e, quem sabe, cogitar uma locação.

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Agradecemos a Denien S. Hanashiro, da loja Only Games, por ceder gentilmente o jogo ao BJ.

Usando seu tato

Quando analisamos Child of Eden no Xbox 360, o uso de quase todos os sentidos foi algo realmente impressionante, pois dava um novo grau de profundidade ao game. Na versão para PS3, há uma elevação nesse aspecto, pois o sensor de movimento do console permite uma maior exploração do tato.

Isso acontece exatamente pelo fato de o Move possuir um sistema de vibração que faz com que o jogador sinta as batidas das músicas. Isso é muito útil para obter bons resultados durante as fases, pois acertar os vírus no ritmo certo concede uma pontuação maior. Se no Kinect era preciso “entrar” na melodia, agora basta seguir a pulsação em sua mão.

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As mesmas qualidades

Com exceção do controle, todo o restante é idêntico à versão para Xbox 360. Isso significa que as qualidades que tornaram o título da Q Entertainment um sucesso estão presentes, como a viagem sinestésica e os visuais multicoloridos que saltam aos olhos a cada nova fase.

Graficamente também não há variação, até porque todos os elementos presentes são efeitos luminosos, o que significa que, nesse aspecto, as diferenças entre os dois consoles são praticamente inexistentes. Isso torna a exploração ainda mais prazerosa, já que você não precisa se preocupar com o fato de o jogo estar mais bonito em um ou outro sistema.

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Por fim, temos a mesma ótima história. Como dito anteriormente, o game gira em torno do mundo virtual de Eden, uma espécie de internet futurista em que todas as experiências humanas foram armazenadas. Neste lugar, cientistas criam Lumi, o primeiro ser virtual construído a partir das memórias da garota homônima que nasceu em uma estação espacial e sempre sonhou em conhecer nosso mundo.

Um mergulho um pouco mais raso

Como muitos temiam, o principal problema de Child of Eden no PS3 é o PlayStation Move. Ainda que, em outros jogos, o sensor de movimento seja muito preciso, ele deixa a desejar neste game exatamente por retirar a principal característica do título: o mergulho sensorial.

Primeiramente, a resposta não é tão boa como acontece com o Kinect. Por mais que você consiga acertar os inimigos no momento ordenado, fazer a mira não é algo tão natural quanto no periférico da Microsoft. Isso é perceptível principalmente nos momentos em que você deve levar o cursor até a extremidade da tela para mover a câmera, já que o Move traz uma resistência incômoda.

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O outro ponto é ainda mais sério, pois afeta a experiência total de jogo. Em várias entrevistas, o produtor do game, Tetsuya Mizuguchi, deixou claro que Child of Eden sempre foi pensado para Xbox 360, o que significa que toda sua mecânica nasceu no Kinect. Desse modo, retirar essa característica para substituí-la pelo Move é algo que não funciona tão bem.

Você sente isso com facilidade durante as fases. Se no título “original” você usa seu corpo inteiro para atacar os vírus e viajar por Eden, uma mão é mais do que necessária no PS3. A mira, metralhadora e até mesmo os movimentos especiais são feitos com os botões do acessório, o que acaba “matando” a proposta multissensorial e deixa o game menos atraente e interessante.

Cadê profundidade?

Com três meses de diferença, era de se esperar que a versão para o console da Sony tivesse algo exclusivo que fizesse a espera valer a pena. A Ubisoft, na época, afirmou que a adição da tecnologia 3D era a principal razão para a demora.

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Porém, na prática, as três dimensões não são tão empolgantes quanto se imaginava. O nível de profundidade oferecido é bem simples e quase imperceptível. Mais do que isso, o excesso de cores e luzes, em conjunto com as imagens diferenciadas que dão origem ao efeito, cansam os olhos em menos tempo, obrigando-o a ter que pausar a diversão antes do planejado.

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