Plataformas e desafios para todos os gostos

A primeira vez que eu vi Cloudberry Kingdom em ação, o Hiniro e o Gabriel estavam jogando o modo Fliperama para a Infinity Cup – a competição promovida pela Pwnee Studios e pela Ubisoft para promover o lançamento do game.

Antes de ouvir qualquer explicação sobre isso, é claro, eu fiquei curioso com o jogo que, mesmo com seu visual simples no estilo dos famosos “joguinhos de navegador” feitos em Flash, chamava a atenção pela dificuldade aparente de seus desafios.

No caso, o game é centrado em Bob, um herói que precisa salvar a princesa do Cloudberry Kingdom das garras do terrível vilão Kobbler. A história é intencionalmente bastante genérica ao mesmo tempo em que tira sarro dos clichês utilizados pelos games. No entanto, no fim das contas, ela acaba não importando, sendo apenas um pretexto para a criação de Cloudberry Kingdom – o jogo de plataforma.

E é exatamente a sua jogabilidade que chama a atenção. Com níveis gerados de maneira aleatória, o game promete surpreender fãs de jogos de plataforma ao oferecer bastante variedade, como personagens que se comportam de maneiras distintas e diferentes níveis de desafio para agradar a todos os gostos.

Atrás da simplicidade aparente de Cloudberry Kingdom se encontra um dos jogos de plataforma mais desafiadores e interessantes dos últimos tempos. Isso pode ser dito graças aos seus níveis gerados de maneira aleatória – os quais, por mais que possam não parecer à primeira vista, sempre têm uma solução.

Img_normalCom isso, a equipe de desenvolvimento conseguiu criar um jogo vivo capaz de se manter interessante por muito tempo. Basta pensar na mecânica do game, que permite que um jogador vença diversas fases em questões de minutos e, mesmo assim, torna interessante a ideia de sessões (muito) mais longas de jogo.

Sendo assim, não deixe o visual de Cloudberry Kingdom enganá-lo. Se você demonstra o mínimo interesse nos desafios do gênero de plataforma, a Pwnee Studios criou um prato cheio para que você se divirta por muito tempo.

Gerador de fases "redondinho"

Enquanto Cloudberry Kingdom estava sendo desenvolvido, o programador-chefe da Pwnee Studios, Jordan Fisher, escreveu uma pequena coluna no site Gamasutra a respeito do algoritmo criador de estágios do game que, à época, estava sendo desenvolvido pelo estúdio. Nele, Fisher citou três características que um algoritmo do tipo precisa apresentar: viabilidade (a característica do resultado criado poder ser "vencido" por um jogador), design interessante e apresentação de um nível de desafio apropriado.

Se conseguir ser bem sucedido nestes três aspectos é algo complicado, a Pwnee está de parabéns por ter conseguido um bom resultado com o gerador de fases presente em Cloudberry Kingdom. Afinal, todos os estágios (sem exceção) podem ser vencidos, ao mesmo tempo em que os resultados são bastante flexíveis. Há opções que exigem o mínimo de esforço para serem ultrapassadas até outras que já oferecem um grande desafio já no primeiro olhar.

Com o tempo, é possível aprender o padrão apresentado pelos diferentes níveis. Assim, o jogador se acostuma a esperar alguns segundos antes de sair correndo desviando dos primeiros obstáculos aparentes enquanto torce para fazer as suas paradas no tempo certo.

Apesar de esse padrão existir, no entanto, é difícil achar o jogo repetitivo graças ao seu alto nível de desafio (em especial, nos níveis mais avançado) e ao grande número de variáveis presente na criação dos estágios  – que incluem desde, no caso de alguns modos de jogo, o herói controlado até o tipo de obstáculos e oponentes que bloquearão o seu caminho).

Para todo tipo de jogador

A Pwnee Studios fez um trabalho capaz de agradar desde os fãs de carteirinha do gênero de plataforma até os novatos na área. Em seu modo história, por exemplo, pode-se aprender a jogar com o personagem padrão e todas as suas variações (que incluem, por exemplo, uma versão com pulo duplo e outra equipada com um jetpack) em estágios de desafio crescente.

Quem quiser treinar em desafios específicos pode também controlar todas as variáveis do algoritmo gerador de fases pelo modo Free Play. Nele, pode-se ajustar desde a dificuldade, o tipo de personagem controlado e até mesmo quais (e quantos) obstáculos vão dar as caras no estágio.

Img_normalNo entanto, é no modo Arcade (Fliperama, na versão em português) que os jogadores precisam testar a sua habilidade na busca pelo placar mais alto.  Nela, os jogadores precisam vencer estágios de maneira seguida enquanto também tentam juntar todas as pedras especiais presentes na fase. A coleta destas pedras pode oferecer vidas extras, ao mesmo tempo em que também aumentam o multiplicador de pontos do jogo toda vez que o jogador consegue juntar todas as que estão presentes em um estágio.

Contudo, basta morrer apenas uma vez para que o multiplicador volte ao estágio inicial – algo que torna o modo Arcade, desde o começo, uma incansável busca pela perfeição. A presença de placares de liderança em cada uma das plataformas que o jogo foi lançado ainda ajuda a estimular isso. Desse modo, de nada adianta chegar a um nível mais alto se uma alta frequência de mortes anular o seu multiplicador a todo instante – uma lição aprendida duramente pela equipe do Baixaki Jogos durante a Infinity Cup.

Diversão em conjunto

Todas as modalidades podem ser jogadas por até quatro jogadores localmente. Enquanto a jogabilidade não é em nada alterada por conta disso (nada de atirar seu colega no abismo por aqui), a ideia funciona bem.

Todos os jogadores podem personalizar a aparência de seu personagem desde a cor de seu macacão e capa até a presença de algum tipo de bigode, máscara, chapéu entre outros acessórios bizarros e divertidos.

Img_normalQuando as fases realmente começam, os jogadores podem todos então tentar vencer cada estágio. A partir daí, é possível criar competições pessoais (como tentar ver quem chega mais rápido ou mais vezes até o final de cada estágio) ou até mesmo utilizar a ajuda extra para tentar alavancar a sua pontuação no modo Fliperama (uma vez que o multiplicador só é zerado se todos os jogadores morrerem no estágio, resultando em maiores chances de sucesso).

Visual feito de última hora

Uma das minhas surpresas com a qualidade de Cloudberry Kingdom certamente se deu por conta das baixas expectativas que eu tive ao ver o jogo em ação pela primeira vez – algo que eu imagino que irá acontecer com todos que lerem esta análise após ter visto apenas screenshots do jogo.

Img_normalÉ importante ressaltar que visuais simples não são necessariamente ruins. Outros jogos como Limbo e Outland, por exemplo, apresentam visuais minimalistas e ao mesmo tempo bastante impressionantes.

Em Cloudberry Kingdom, contudo, parece que a equipe de  desenvolvimento se preocupou tanto com o sistema de criação de fases que deixou os visuais em segundo plano. Mesmo se não for esse o caso e o estilo tenha sido decidido com cuidado previamente, a escolha não parece ter sido muito feliz.

80 pc
Ótimo

Outras Plataformas

80 ps3
80 xbox-360
80 wiiu