Complicar um RTS nem sempre é o caminho para o sucesso

A época? Século XIV e meados do século seguinte. Em Commander: Conquest of the Americas, você incorpora um colonizador que procura dominar os territórios conhecidos do Novo Mundo. É isso mesmo: o continente americano deve ser explorado e colonizado por você e pelos demais comandantes da Europa.

Este RTS (jogo de estratégia em tempo real), desenvolvido pelos mesmos criadores de East India Company, não possui modo multiplayer, mas a área single player é dividida em quatro modos: Campaigns, Battle, Quick Battle e Historical Battle.

As campanhas nada mais são que as sagas de colonizadores na briga pela conquista do Novo Mundo. Se o jogador simplesmente escolhe a opção Campaign, deve seguir as indicações dos conselheiros — há um para cada setor: econômico, social, militar... — e cumprir missões para ser vitorioso. Deve-se reforçar que os advisors intervêm se o gamer não estiver exercendo suas obrigações satisfatoriamente.

No submodo Free Campaign, porém, você tem liberdade para tentar diferentes estratégias em busca do domínio americano. Vale lembrar que os dois modos de campanha são finalizados no ano de 1650 e há sete nações à disposição: Britain (atual Reino Unido), Netherlands (Holanda), France (França), Denmark (Dinamarca), Spain (Espanha), Portugal e Holy Roman Empire (Sacro Império Romano). Cada uma delas possui características específicas referentes a quesito estratégicos, como bônus para certas unidades ou tecnologias.

Além disso, são oferecidas opções de dificuldade para cada aspecto do jogo. Dito isso, o estrategista pode determinar tanto o nível de dificuldade geral (Easy, Normal ou Hard) quanto o nível de dificuldade dos embates navais (as mesmas três alternativas). Por fim, é possível definir até mesmo o patamar de realismo nessas batalhas — Battle Realism — através das opções Normal, Simulation e Fast-paced (mais praticidade e menos fidelidade).

Na área Battle, há a chance de embarcar em um combate náutico com parâmetros configurados pelo próprio jogador. O gamer pode personalizar certas condições de batalha, como as esquadras (três para cada lado; cada uma com cinco embarcações), a área da ação (North, South ou Middle), o mapa tático (mar aberto, ilhas ou continentes; em terra firme, pode-se escolher entre a presença de fortificações ou não), as condições de tempo (dia, amanhecer, pôr do sol ou noite) e os níveis de dificuldade e de realismo.

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Nesse caso, o objetivo é vencer fazendo com que os navios inimigos afundem, fujam, sejam rendidos ou sejam abordados. Em Quick Battle, o princípio é o mesmo, com a diferença que o ambiente de batalha é gerado aleatoriamente e o jogador modifica apenas duas categorias: tamanho do mapa (Small, Medium ou Large) e tipo do mapa (mar aberto, ilha ou continente; há outras opções para os dois últimos itens).

Por fim, Historical Battle — como o nome sugere — leva o estrategista a participar de eventos históricos nas navegações marítimas. Os seguintes combates são apresentados: Battle of Cape Rachado (portugueses e holandeses), Battle of San Juan de Ulúa (espanhóis e britânicos) e First Battle of Cape Finisterre (franceses e britânicos).

E por que o TecMundo Games fez uma descrição tão extensa da área single player de Conquest of the Americas? Pelo simples fato de que o game possui apenas esse modo e, infelizmente, não proporciona muita diversão em qualquer uma das opções de jogo oferecidas.

Commander não é um jogo para qualquer pessoa. Estrategistas acostumados com franquias como StarCraft e Age of Empires podem facilmente se atrapalhar com o estilo deste título. Isso não é muito favorável para os responsáveis por este game, pois restringe o produto a apenas uma parcela do público apreciador do gênero estratégia.

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De qualquer forma, Conquest of the Americas não é capaz de agradar nem mesmo aqueles que gostam de batalhas navais. A época na qual o jogo se passa é agradável, mas não é o suficiente para justificar os problemas da jogabilidade e dos demais aspectos. E, tecnicamente, este game não tem nenhum diferencial expressivo em relação a títulos semelhantes para PC.

Conciliando as habilidades

O maior desafio do jogador é conseguir equilibrar o comércio entre portos com o gerenciamento das colônias estabelecidas no continente americano. O gamer deve ter paciência, calma e perseverança em praticamente todos os momentos: combater piratas e outras facções em mar aberto, fundar colônias, coletar recursos, estabelecer rotas de troca, administrar quesitos militares...

Portanto, não basta ser eficiente em apenas uma área para obter sucesso. A derrota aguarda aqueles que optarem pelo aprofundamento em somente um aspecto de Commander. Saiba administrar suas finanças com sabedoria e tudo se encaminhará. Afinal de contas, conquistar o Novo Mundo é uma tarefa “nada” difícil, não é mesmo?

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Bem detalhado

Por mais que as informações não sejam apresentadas de forma satisfatória através de uma interface acessível, deve-se destacar o nível de detalhamento do jogo. Todos os itens possuem descrições e explicações, mesmo que os textos possam confundir o estrategista ao invés de ajudá-lo. Ainda assim, é crucial gastar um tempinho lendo e tentando compreender os princípios básicos da jogabilidade.

A interface apresenta vários defeitos, mas não deixa de ser — como o resto do game — bem complexa e detalhada. Há opções e itens personalizáveis em quase tudo, desde a escolha do nome das colônias até a preferência por um tipo de munição durante um combate naval. Pouco a pouco, o estilo das estratégias fica ligeiramente mais claro.

Características peculiares

Há certos fatores que tentam transformar a experiência em algo único. Um dos aspectos mais curiosos é a possibilidade de controlar manualmente os navios de guerra durante os combates marítimos através da opção Direct Command. Ainda assim, existe a chance de apenas direcionar as embarcações em perspectiva RTS durante as batalhas.

O jogo tenta retratar de forma expressiva a época da colonização americana. Com o passar dos anos (virtuais, é claro), as colônias evoluem gradativamente, novas áreas são ocupadas, diferentes construções ficam disponíveis... Esse avanço temporal afeta até mesmo os comandantes das esquadras, que envelhecem e são substituídos por líderes mais jovens.

Curva de aprendizado? Que aprendizado?

Demora muito para que o gamer “pegue o jeito” da jogabilidade e não fracasse facilmente durante uma campanha. Na realidade, a progressão não vale a pena, pois as ações se tornam bastante repetitivas e, por mais que o sucesso seja atingido em todas as áreas (social, econômica e militar), é difícil se divertir com o jogo.

O nível de detalhamento textual atrapalha um pouco. A extensa “burocracia”, muitas vezes, não é a melhor forma de explicar o funcionamento de um determinado quesito. Trata-se de uma curva de aprendizado extremamente ofensiva aos amantes de games de estratégia práticos, dinâmicos e envolventes.

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Anda logo!

É triste afirmar que a experiência fica entediante facilmente. Falas repetitivas, comandos repetitivos, missões repetitivas... Mesmo acelerando o tempo ao máximo (o limite é quatro vezes o andamento normal), tanto a estruturação das colônias e das rotas de comércio quanto a participação nos combates navais são chatas.

Quem não se identifica imediatamente com o estilo do game pode se sentir irritado com o lento passar dos anos. As campanhas, de modo geral, são exageradamente longas e ficam ainda mais extensas nos períodos iniciais de “aprendizado”, conforme indicado acima.

Longe de ser amigável

Pois é, não adianta muito oferecer um alto nível de detalhamento explicativo se é falha a forma com que o jogador é informado. A interface é repleta de defeitos e não é intuitiva. Nem um pouco intuitiva. Clareza não é uma qualidade presente na explicação dos diferentes aspectos da jogabilidade.

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Uma abordagem mais direta poderia ajudar — e muito — no esclarecimento dos comandos. Quem tem paciência para ler todas as descrições e dicas apresentadas ainda pode ter problemas na hora de colocar estratégicas variadas em prática.

Pequeno porte... E pequeno capricho

Mesmo sendo bem complexo, este título pode ser encarado como uma produção de pequeno porte. Por quê? Simplesmente porque há apenas um modo de jogo (single player) e não existem formas atraentes de diversão que não façam referência aos entediantes combates navais ou à administração de colônias na América.

Tecnicamente, não há destaques. Sem oferecer a possibilidade de aplicação de filtros anti-aliasing (corretores de bordas serrilhadas) de forma nativa, é inevitável observar muitas falhas nos limites dos objetos retratados. A iluminação também apresenta problemas. E o som está, por falta de uma expressão melhor, “dentro dos padrões aceitáveis” para um game com foco no século XIV.

60 pc
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