Altamente recomendado... Apenas para os iniciantes em Company of Heroes

Quem jogou o primeiro Company of Heroes teve a ótima oportunidade de conferir um game que inovou em vários aspectos dentro do gênero RTS (estratégia em tempo real). Afinal de contas, a Segunda Guerra Mundial apareceu com forte impacto em um título cuja jogabilidade conta com níveis bastante elevados de estratégia e dinamismo tanto para jogadores iniciantes no gênero quanto para experientes.

Não tardou para que Opposing Fronts, a primeira expansão da série (mas que pode ser jogada separadamente), aparecesse e oferecesse ainda mais novidades aos fãs. Apesar de não impressionar de forma parecida com o que ocorreu com o jogo original, o game causou estrago em 2007 com itens inéditos e uma estrutura técnica — gráficos, sons, modos multiplayer — de cair o queixo.

No entanto, Tales of Valor não passou de uma mera adição. São oferecidas três novas campanhas: Falaise Pocket, Causeway e Tiger Ace. As tramas dos outros games (Invasion of Normandy, do jogo original; Liberation of Caen e Operation Market Garden, de Opposing Fronts) também aparecem, mas só podem ser experimentadas se o jogador tiver comprado os demais títulos.

Além disso, o pessoal da Relic Entertainment apresenta uma seção multiplayer com o nome Operations. Aí, são encontrados três modos multiplayer:

  • Assault — extremamente semelhante a DotA, o famoso "mod" de Warcraft 3: um "herói", várias habilidades (com base em ataque, defesa ou suporte) e três caminhos principais;
     
  • Stonewall — quatro gamers se ajudam na tentativa de impedir que 16 ondas de ataques dos inimigos destruam a base;
     
  • Panzerkrieg — parecido com Assault, só que os jogadores não escolhem "heróis", mas sim tanques de guerra (Eixo: Hotchkiss H35, Panzer IV e Panther; Aliados: M18 Hellcat, Sherman e Churchill).

Tales of Valor, infelizmente, não conta com nenhum novo exército (ou "facção", se preferir). As maiores novidades consistem em unidades que substituem as antigas — como o T17 Armored Car, Schwimmwagen, H39 Geshutzwagen (semelhante ao Hummel), Tiger 205 e Kangaroo Carrier — e nas novas linhas históricas.

Há um modo Skirmish (combates rápidos, levemente personalizados) e um botão Play!, que automaticamente encontra uma partida para o jogador. Antes de começar a brincar com a expansão, o gamer consegue criar uma conta na comunidade da Relic para, por exemplo, jogar com amigos e poder baixar pacotes de atualizações.

Embora curta, a campanha Tiger Ace — embasada na batalha de Villers-Bocage — é interessante. O jogador tem a chance de controlar um tanque de guerra Tiger I com um pouco mais de flexibilidade, visto que é possível manusear a unidade com o novo recurso Direct Fire, que permite o controle manual da mira. Assim, o gamer consegue atirar aonde quiser com o tanque dentro do limite de alcance da unidade.

Cada campanha conta com quatro opções de dificuldade: Easy, Normal, Hard e Expert. O nível Normal é o suficiente para que bons desafios sejam encontrados pelo caminho. Ainda assim, as campanhas desta expansão podem ser finalizadas em poucas horas. Até mesmo os iniciantes em Company of Heroes (passando pelo tutorial com atenção e conhecendo os princípios básicos da jogabilidade) não encontram grandes problemas para vencer nesse nível de dificuldade.

Uma breve introdução

Tales of Valor, honrando a série, não é um RTS comum. O jogador deve considerar uma série de fatores para obter sucesso nos embates e na disposição das unidades pelo mapa. Um dos maiores destaques vai para o sistema de cobertura de fogo, que depende inteiramente dos objetos dispostos no cenário.

A equipe controlada (com algumas exceções, não é possível controlar unidades separadamente) pode ficar totalmente sem cobertura, com cobertura média (cercas de madeira, por exemplo) ou com forte cobertura de fogo (paredes, estruturas mais reforçadas). Os combatentes ainda contam com um sistema de "ranks" que determinam o quão "veterano" é aquele grupo.

São três tipos de recursos administrados: Manpower (essencial para a criação de unidades e veículos), Munitions (atualizações tecnológicas) e Fuel (atualizações globais, veículos pesados e estruturas de base). A principal premissa é capturar pontos estratégicos e pontos de recursos (uns podem ser melhores que outros) para interligá-los. Caso os territórios não estejam interligados, a região controlada fica Out of Supply e não gera recursos.

Uma característica interessante é a possibilidade de transformar prédios do próprio cenário — localizados em Supplied Zones — em construções militares, como quartéis. Assim, o gamer consegue criar pequenos grupos em lugares mais próximos aos conflitos.

Há, ainda, um sistema de pontos de experiência que acarreta em Command Points, úteis para a aquisição de bônus e "poderes". Escolhendo uma das três companhias (Infantry, Airborne ou Armor), é possível fazer estrago com investidas avassaladoras. Um bom exemplo é o Artillery Strike, que devasta o terreno escolhido com ataques de artilharia pesada.

Os soldados americanos possuem características específicas, mas outras "facções" também apresentam peculiaridades. Enquanto o exército britânico conta com base móvel (um grande caminhão), a presença de um Liutenant em meio aos soldados e a criação de trincheiras resistentes, o pessoal da Panzer Elite é extremamente dependente de veículos, como os Halftracks. O que você acha de transportar vários Grenadiers de forma fácil e rápida?

Levando em consideração que Tales of Valor pode ser jogado separadamente dos demais games da série, mas campanhas dos antecessores ficam bloqueadas, não há motivo para comprar esta expansão sem ter pelo menos o título original em mãos. O pouco conteúdo adicional oferecido pela Relic (em todos os modos de jogo) infelizmente não é o suficiente para impressionar os fãs da franquia.

É claro que, para aqueles que nunca ouviram falar em Company of Heroes, esta pode ser uma boa maneira de criar um primeiro contato com a tão conhecida fórmula. As três — curtas — campanhas e os modos multiplayer diferenciados trazem para quem gosta de um sólido RTS com base na Segunda Guerra Mundial. Ainda bem que a mecânica de jogo faz jus à série.

Ótimo para os novatos

Em muitos games, um bom tutorial é capaz de guinar o rumo da experiência. Este é o caso. Os principiantes em Company of Heroes têm a possibilidade de aprender basicamente tudo sobre os conceitos básicos da jogabilidade e aplicá-los logo em seguida em qualquer um dos modos de jogo.

Portanto, a falta de expressão das novidades não é um problema para quem nunca ouviu falar na franquia. As campanhas são legais, mas combater com outros jogadores também é algo muito divertido, seja em cooperação ou em competição.

É guerra!

É impressionante a quantidade de similaridades encontradas na forma com que o jogador cria estratégias para vencer e na maneira com que os comandantes da vida real faziam para obter sucesso nos conflitos militares. O sistema de cobertura de fogo é espetacular e muda drasticamente o estilo dos combates.

Na realidade, tudo contribui para que o jogador se sinta na pele de um comandante da Segunda Guerra Mundial. Atualizações bélicas, velocidade das unidades, proteção de locais estratégicos... Tales of Valor, felizmente, relembra o estrondoso impacto gerado pelas inovações apresentadas na jogabilidade do game original.

Tecnicamente aprazível

Graficamente, o game é satisfatório. Como o assunto, aqui, é um RTS bastante dinâmico, é difícil conciliar visuais absurdamente detalhados com uma jogabilidade fluida. O motor gráfico Havok, apesar das falhas apresentadas, faz um bom trabalho e consegue enaltecer ainda mais a forte atmosfera de guerra.

Enquanto isso, os sons fecham o pacote. Tanto as falas dos diversos soldados quanto as trilhas sonoras e os barulhos das explosões, dos disparos e dos movimentos das unidades são capazes de deixar jogadores e críticos embasbacados.

Quero mais!

Restrito é um bom termo para descrever Tales of Valor. A Relic, ao invés de continuar o bom trabalho feito em Opposing Fronts, não conseguiu cativar os fãs da série com inovações capazes de prender a atenção dos jogadores por horas e horas. Além de pouco impactantes (quer exemplo melhor que as campanhas de curta duração?), as novidades aparecem em uma quantidade decepcionante... Inclusive na seção multiplayer.

Muitos gamers, depois de experimentarem esta expansão, se perguntam por qual razão que a THQ não lançou este jogo como um novo conjunto de modos disponível via download que meramente complementasse a estrutura dos games antecessores. Mesmo que muitos se divirtam com as novidades apresentadas, é difícil afirmar que este título é um digno pacote de expansão.

Pequenas falhas

Se os desenvolvedores tivessem feito uma grande revolução na área técnica, talvez houvesse uma melhor recepção. Mas as falhas continuam. Ao aproximar a visão com o excelente zoom que é oferecido, o jogador consegue mergulhar ainda mais fundo na guerra, mas também percebe que os gráficos deste jogo estão longe de serem impecáveis.

Além dos infames "pop-ins" (surgimentos abruptos de objetos na tela), a movimentação dos combatentes não é tão realista quanto a proposta do jogo. É claro que isso foi feito em prol de uma jogabilidade mais acessível, mas não é legal observar soldados atravessando paredes ou outros soldados. Além disso, a qualidade de certas texturas não é muito boa.

É estranho observar que, visto que algumas missões ocorrem em um mesmo mapa, apenas algumas alterações feitas pelo jogador são mantidas no cenário. Muitas unidades criadas e dispostas cuidadosamente antes do fim da etapa anterior simplesmente desaparecem, mas algumas — como os canhões antitanque — permanecem fixas.

78 pc
Bom