Suspense, mistério, sustos, muita pancadaria, loucos e pássaros mortos. Tudo para um ótimo clima de terror.

Condemned: Criminal Origins é um jogo de ação em 1ª pessoa com um clima aterrorizante cheio de suspense e combates brutais. Colocando o jogador no papel de Ethan Thomas, um investigador do FBI responsável por desvendar homicídios, que acaba envolvido na própria investigação. Tendo de rastrear um serial killer, Ethan se vê obrigado a fugir da própria equipe, descobrir a causa de eventos misteriosos que andam deixando as pessoas insanas e agressivas e salvar a própria pele.

Enredo angustiantemente sombrio

O enrendo conta o drama de Ethan Thomas, um investigador do FBI que investiga um homicídio ocorrido em um prédio. Após alguns acontecimentos inesperados, acaba perdendo sua arma e sendo acusado de matar seu colegas. Guiado pela ajuda de um estranho, o agente resolve fugir e ir atrás da bandidagem para provar a sua inocência. Ao longo de seu caminho, ele acaba tendo que investigar estranhos acontecimentos que têm feito pessoas ficarem insanas e extremamente agressivas. A parte misteriosa da história fica por conta de pássaros que vêm sendo encontrados mortos por toda parte da cidade, principalmente onde a criminalidade e os relatos de pessoas que ficaram loucas é maior.

Toda a trama é bem intrigante, principalmente no começo, e toda a aparelhagem que se tem à disposição para rastrear passos, tirar fotos e coletar amostras são bem intrigantes. O esquema todo é simulado para ser bem parecido com uma investigação de verdade. A única coisa estranha é que todas as provas coletadas são mandadas para a central e analisadas na hora, através dos próprios dispositivos. Por exemplo, após a coleta do item, a central entra em contato com você por celular, com visor e tudo, e diz o que encontrou ou o que está faltando e já pedem algum outro tipo de pista ou para manter a investigação naquele rumo. Na verdade a idéia aqui é um pouco mais futurista, mas dá para entender a intenção de agilizar e facilitar o jogo e até serve para manter o mistério e o suspense.

Obviamente, a investigação começa a ficar cada vez mais profunda e assustadora, dando um bom clima para o pessoal que curte um jogo desse tipo. O problema é que, conforme o jogador se aprofunda na trama, esse lado começa a ser bastante explorado e aparecem labirintos bem grandes, onde é fácil se perder. Com certeza, não achar a saída em um desses lugares é um dos principais fatores para fazer alguém desistir de jogar.

Combates violentos cheios de sangue e adrenalina
 
O combate é, sem dúvida, o ponto forte do jogo. Como logo de começo já não se tem mais a sua arma principal, o personagem tem que se virar com o que tem à mão por algum tempo. O jogo oferece uma variedade grande de armas, inclusive umas que são necessárias para se avançar no jogo ou achar áreas secretas, como um machado de incêndio, que é necessário para arrombar certas portas de madeira. As principais armas do jogo são pedaços de cano, porretes, martelos, machados, um dispositivo de dar choque (bem parecido com o de Syphon Filter), pedaços de pau com pregos na ponta, e pás.

Todas as armas têm suas vantagens e desvantagens. Sempre que é possível pegar uma nova arma, aparece um comparativo no canto da tela entre as duas. Esses comparativos variam entre maior poder de dano, velocidade, defesa e alcance da arma. Obviamente as armas com os maiores danos são as mais lentas e requerem certas táticas para não ficar apanhando o tempo todo com elas. A vantagem é que, em muitas das vezes, derrubam os inimigos com uma porrada só.

Fora as armas de mão, ainda tem algumas de poder de fogo, mais mortais e não apresentam o crosshair (mira), comum em jogos FPS. O maior problema delas é que precisa-se controlar e não desperdiçar munição à toa, porque ela é bem rara. A maior vantagem delas, é que, mesmo não possuindo mais balas, ainda é possível sair dando coronhada em todo mundo, o que, normalmente, não existe em jogos de tiro, onde arma sem munição não faz nada.

A cautela é essencial para sobreviver em ambientes desconhecidos

A Monolith, é a mesma desenvolvedora de F.E.A.R, jogo que marcou, também, pela ótima AI do jogo. Em Condemned, eles não poderiam ter deixado por menos e realmente adicionaram uma AI bem tática e interessante. Os inimigos se escondem atrás das paredes e cantos esperando você passar perto para dar um golpe surpresa. Quando perdem a arma devido a uma porrada sua, eles saem correndo com tudo em busca de uma nova arma para se defender e constantemente usam o bloqueio e táticas sujas, como ataques em grupos. Alguns ainda utilizam táticas como sair correndo e tentar dar a volta por trás, para um ataque bem sem-vergonha.

Quanto à jogabilidade, tudo parece normal e de fácil aprendizado. A noção de distância das coisas e ataques ficou bem tranquila de se perceber. A única coisa chata é que ele corre por pouco tempo e ficar andando naquela lentidão, perdido por labirintos longos irrita bastante.

Nos combates corporais, há várias opções. Se o jogador estiver utilizando uma arma com menor dano, é mais provável que ele consiga tontear o inimigo, permitindo, assim, fazer alguns ataques especiais, como socar, torturar e surrar. As lutas em si são bem fortes e apresentam um alto grau de ferocidade e violência. O bom é que impulsionam o jogador a ter aquela vontade de sobrevivência, “descendo o porrete” em todo mundo.

Como o machado serve para quebrar portas de madeira e um marretão serve para quebrar portas trancadas, infelizmente o inverso não é verdadeiro. Mas fazer o que? Dá para entender que é apenas para questão de quebra-cabeças e soluções do jogo, mas é sempre algo que chateia um pouco, quando se busca esse nível de interatividade.

Tome cuidado ao entrar em lugares escuros, eles podem ser o local da sua morte.

Graficamente, a primeira impressão é que lembra de F.E.A.R., e, de fato lembra, porque é a mesma engine, pois foi feita pela própria Monolith também. Os efeitos em si estão muito bons. Quando se acerta uma porrada muito forte na hora certa, o inimigo literalmente voa longe ou vai pra trás, chegando a cair no chão algumas vezes. Efeitos como deixar a sua arma toda ensanguentada de tanto surrar os malucos também dão um ótimo toque ao clima do jogo.

Efeitos de iluminação são melhor notados, principalmente, pela lanterna, raios de luz vindo de fora do prédio e luminárias. Fora a lanterna, sua fiél companheira, esses outros elementos responsáveis pela luminosidade aparecem só de vez em quando ao longo do jogo. Como quase todo lugar é escuro, isso dificulta a observação das superfícies, além de servir para “esconder” algumas falhas, como o nível de detalhes das texturas e objetos. Mas por outro lado, a escuridão mantém o clima de tensão e suspense no ar, onde vultos circulam e fazem barulhos e surpresas nos corredores.

Única crítica quanto aos gráficos, é que as texturas dos personagens e objetos poderiam ter sido mais bem trabalhadas, pois às vezes se apresentam estranhas e não muito convincentes.

O silêncio nem sempre é agradável

Quando se entra numa sala, é possível ouvir a respiração de alguém e saber que tem algo ali escondido, mas sem saber onde direito. Além do mais, os gritos altos do pessoal insano, quando correm para te atacar, é muito legal. Até mesmo os gritos e gemidos deles quando você os ataca ficaram bem realistas e dá a nítida sensação de que você está lidando com malucos.

Quanto às músicas, elas são bem raras e talvez não cheguem a ser exatamente classificadas como músicas, pois é mais em cutscenes que se nota algo. Em geral, o clima e efeitos sonoros das armas e objetos é o que predomina. O som não é dos melhores já vistos e, com certeza, os efeitos sonoros merecem todos os méritos pelo fato do jogo ser essencialmente isso e utilizar, em quase sua totalidade, o clima de mistério e suspense.

Definitivamente, é um bom jogo e, com certeza, pode entreter muita gente, principalmente quem curte um jogo de suspense com terror psicológico e violento. O jogo é somente single-player e dura em uma média de 7-9 horas para finalizar pela primeira vez. O maior problema é ter vontade de terminar o jogo mais do que uma vez, a não ser que seja para buscar os bônus ou coisa assim.
82 pc
Ótimo