O cachorro do mato mais famoso do mundo dos games chega ao Wii num jogo água com açúcar.

Os donos de um dos consoles de maior sucesso de todos os tempos, o PlayStation, com toda a certeza se recordam do hilário personagem que servia como mascote para o primeiro console de videogame caseiro desenvolvido pela Sony.

Crash Bandicoot é um cachorro do mato, e não uma raposa, como muitos de seus fãs acreditam. Suas aventuras nos mais diversos cenários sempre foram capazes de impressionar os fãs da série.

Entretanto, após a Naughty Dog — companhia que iniciou o desenvolvimento da série Crash Bandicoot — vender a franquia para a Sierra Entertainment, a qualidade dos jogos simplesmente despencou.

Crash foi aos poucos perdendo espaço no mercado, até que perdeu a maior parte de seus fãs, e atualmente não passa de mais um jogo de plataforma como tantos outros. Crash of the Titans tenta reanimar a série, mas o esforço não atinge grandes espectativas.

Mais uma vez, nada de novo

Assim como em todos os jogos de Crash Bandicoot, sua missão como o cachorro do mato é destruir os robôs criados pelo arquiinimigo do canino, Neo Cortex, para invadir a floresta em que ele e seus amigos vivem.

A aventura apresenta o bom humor característico da série, permitindo que o jogador interaja com os personagens durante as introduções, usando o cursor do Wii remote para colocar tampões de pirata, bigodes, chapéus e muitos outros objetos insanos sobre os personagens.

Durante a introdução inicial do jogo, enquanto o jogador se diverte com os diversos cursores e personagens, Neo Cortex seqüestra Coco e Aku Aku (uma grande novidade, é claro!), como em todos os jogos da série.

O mais interessante é que simplesmente não há conexão nenhuma entre o seqüestro e os planos de dominação mundial de Neo Cortex. Começa então a nova missão de Crash: salvar, mais uma vez, seus amigos.

Comandos repetitivos

Além de uma história que não passa de mais do mesmo, a jogabilidade de Crash of the Titans no Nintendo Wii é extremamente repetitiva e pouco inovadora. Pode parecer que ambas as coisas signifiquem o mesmo, mas não significam.

Por jogabilidade repetitiva, queremos dizer que os golpes são sempre um mesmo pressionar de botões, que não sofre nenhuma alteração durante a aventura, oferecendo apenas alguns poucos combos novos que não são suficiente para prender a atenção o jogador por muito tempo.

Enquanto a expressão jogabilidade pouco inovadora refere-se ao fato de que a versão para o Nintendo Wii de Crash of the Titans não oferece sequer uma utilização para os sensores de movimento do console.

Levando em conta que os sensores de movimento são o maior diferencial do console, e que, portanto, este é o principal foco que os donos de Wii observam em um jogo, é uma falta gravíssima Crash of Titans não oferecer tal função.

Ainda assim, se você é um fã incondicional da franquia Crash Bandicoot, a experiência — apesar de repetitiva — deverá ser interessante, afinal, jogar nossos títulos favoritos sempre é divertido, mesmo que estes tenham sido destruídos pelos desenvolvedores.

Montarias monstruosas

Como forma de tornar a aventura diferente dos outros jogos da série e atrair um público diferenciado para o jogo, Crash of the Titans apresenta uma inovação que vale a pena conferir.

o título do jogo, que em português significa Crash dos titãs, diz respeito ao novo método de dominação mundial utilizado por Cortex aqui. O cientista maluco decidiu agora criar monstros gigantes para atacar todos os seres que se opõe ao pretenso ditador.

Entretanto, Crash descobriu uma ótima possibilidade no plano de seu terrível adversário: após lutar contra os monstrengos — que não são nada difíceis de destruir —, estes ficam desacordados.

Neste momento, o cachorro do mato pula em suas costas e monta neles, utilizando-os contra seus próprios aliados. Montar os monstros é bastante divertido nos início, porém, com o tempo, perde a graça assim como o resto do jogo.

A principal falha em Crash of Titans é a dificuldade do jogo, que é muito baixa. Não é uma tarefa muito complexa terminar os níveis do jogo sem sofrer um arranhão sequer, mesmo que você esteja jogando no maior dos três níveis de dificuldade.
 
Se espancar os adversários já é fácil utilizando somente os golpes de Crash, dá para se imaginar como perde a graça lutar contra robôs minúsculos montado em um monstrengo gigantesco dotado de poderes especiais.

Visual parado no tempo

Apesar de quase dez anos de diferença entre Crash Bandicoot 3: Warped (o último jogo da série para o PlayStation 3) e Crash of Titans, A qualidade gráfica do jogo não parece ter sofrido uma grande evolução.

Na verdade, a impressão que a versão do Wii passa é que os gráficos são exatamente os mesmos da versão do PlayStation, porém com modelagem, texturas e cores diferenciadas.

É compreensível que Crash tenha como objetivo central um visual cartunizado e que, portanto, não tenha muito o que mudar no aspecto gráfico do jogo, porém a modelagem dos personagens parece inacabada, e isto poderia muito bem ser corrigido.

Se você gosta de Crash Bandicoot, jogue no PS2!

Isso não é brincadeira. Infelizmente é bastante provável que a Sierra Entertainment tenha feito a versão para o Nintendo Wii de Crash of the Titans aproveitando a versão desenvolvida para o PlayStation 2.

Isso explicaria, por exemplo, o fato do jogo ter sido desenvolvido sem a utilização dos sensores de movimento do Wii Remote, uma falha realmente imperdoável. Além disso, o potencial gráfico do Wii é praticamente o mesmo do PS2, e com certeza jogar Crash num console da Sony é muito mais emocionante, afinal ele foi feito para o PlayStation.

Por isso, jogar Crash of the Titans no Nintendo Wii não é uma experiência muito aconselhável, a sensação dos fãs da franquia será, sem a menor sombra de dúvidas, a de que o jogo está quase no ponto, mas deixa a desejar em aspectos-chave.

Por outro lado, se você não possui ao seu alcance um PlayStation 2, e está morrendo de saudade das aventuras de Crash e sua turma, a versão para o Nintendo Wii deverá matar um pouco sua saudade.
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