Por trás de bordas serrilhadas e jogabilidade média também bate um coração

A oitava geração de consoles chegou justo quando as plataformas da geração anterior estão em pleno ápice de produtividade e qualidade de produções. Portanto, a maior das missões que os títulos que estão desembarcando carregam é a de dar prosseguimento ao alto patamar ao qual os gamers já estão acostumados.

Para dar o pontapé inicial no cenário fantástico de dragões e conflitos interplanetários (com um quê de Avatar), a Grounding Inc. resolveu apostar em uma franquia já conhecida dos fãs dos games, lançando Crimson Dragon — exclusivamente para o Xbox One. Trata-se de uma continuação das aventuras de Panzer Dragoon (DreamCast) e Panzer Dragoon Orta (Xbox), na qual o enredo mistura alguns elementos comuns a todas elas, além de adicionar uma série de novidades.

A narrativa acontece depois que muitas gerações se passaram, desde que os primeiros humanos colonizadores do planeta Draco perderam contato com a Terra e conseguiram estabelecer uma pequena aliança com um grupo de dragões nativos da região. Agora, todos precisarão trabalhar mais unidos do que nunca para enfrentar uma antiga ameaça que resolveu emergir novamente: uma criatura colossal e muito perigosa, conhecida universalmente como o Fantasma Branco (“White Phantom”).

Agora, cabe a você assumir o controle dessa situação e guiar os dragões contra todas as investidas das forças inimigas cuja intenção é destruir o planeta. No entanto, vale informar que Crimson Dragon foi originalmente idealizado para o Xbox 360, a fim de utilizar os recursos do Kinect para construir uma jogabilidade diferenciada.

Mudança de planos

No entanto, devido a questões técnicas e de cunho administrativo interno da Grounding (e por tabela da Microsoft também), o game acabou sendo postergado para o lançamento do Xbox One, o que significou duas novas possibilidades para a desenvolvedora.

A primeira delas é que os recursos do novo console são significativamente superiores do que os de seu antecessor, o que confere ao jogo um potencial muito maior do que anteriormente. A segunda é que o projeto deveria sofrer severas modificações, uma vez que as arquiteturas entre as plataformas não são as mesmas, e isso gera despesas adicionais para os produtores.

Enfim, será que Crimson Dragon conseguiu liberar todo seu potencial ao chegar ao novo console da Microsoft? Vamos conferir.

Crimson Dragon é uma produção pouco pretenciosa da desenvolvedora Grounding Inc, que poderia ter sido muito mais relevante do que de fato é. Com uma equipe brilhante e muito renomada de desenvolvedores a cargo do trabalho, o título acabou ficando “pela metade”, já que ele não traz os atributos técnicos que esperávamos e aqueles que estão incluídos trazem uma qualidade muito aquém do que a sétima geração já havia nos deixado.

Com os controles dos dragões sendo um dos dois principais problemas, você certamente vai se irritar muito até conseguir completar alguns desafios mais complexos dentro da campanha principal do jogo. Além disso, a falta de relevância na modificação dos atributos de seus dragões faz com que sua motivação para completar as tarefas diminua, já que o poder de fogo de seu companheiro voador pouco aumenta com o passar das fases.

Caso você tenha paciência e perseverança suficientes para conseguir chegar ao final desta aventura, então pode ser que a impressão final do jogo seja um pouco melhor, já que o design de níveis melhora com a proximidade do término. Enfim, se você tem um Xbox One, vale a pena conferir Crimson Dragon, pelo menos enquanto o console não recebe mais jogos a altura.

Elementos relevantes

É preciso entender que alguns jogos simplesmente não se propõem a ocupar a cadeira número um entre as maiores produções da história dos games. Para eles, o fato de propor um desafio de produção e conseguir entregar elementos suficientemente aceitáveis para cumprir a própria proposta já representa uma grande vitória para o time de desenvolvedores.

E Crimson Dragon se encaixa nesse universo pouco pretensioso, do qual a grande indústria dos blockbusters passa longe. Para agradar aos jogadores, a produção utiliza um sistema interessante de controle de voo on-rail, ou seja, quando seu dragão segue uma trajetória contínua, independente de seus comandos de câmera — o que nesse caso facilita muito sua precisão.

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Além disso, os elementos de enredo e a quantidade de atributos modificáveis presentes no título também são muito completos. Sua história dentro do planeta Draco começa com a entrada emergencial em uma missão, devido ao infortúnio da equipe titular ter sofrido um grave acidente. Com o seu êxito nessa e nas demais designações, você começa a ganhar certa reputação entre os mantenedores da paz.

E assim, Crimson Dragon captura a atenção dos jogadores para uma aventura de história relevante e repleta de elementos de ação e de RPG.

Câmeras e controles

Montar um dragão é uma ideia que sempre será considerada das mais legais em qualquer época da humanidade. Porém, se você fosse o protagonista de uma história onde pessoas e seus companheiros lagartos enfrentassem batalhas diárias de vida ou morte em um planeta que acaba de ser colonizado, o mínimo que você exigiria seria uma qualidade gráfica decente e efeitos sonoros de qualidade.

Além dessa defasagem nos visuais e na falta de capricho no rugido das feras cuspidoras de fogo, a pior parte nessa navegação aérea é conseguir encontrar uma maneira de conciliar os controles do dragão com a mira. O confuso uso combinado dos direcionais analógicos esquerdo e direito do Xbox One não dão conta de oferecer uma jogabilidade totalmente intuitiva para os jogadores.

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Uma vez que você usa a manopla direita para controlar a mira e a direção para a qual seu dragão está voando, espere errar continuamente alguns alvos e se perder no controle de sua embarcação viva. Essa imprecisão atrapalha enormemente principalmente quando você precisa se manter paralelo a algum alvo móvel ou para não ultrapassar determinada marcação espacial enquanto tenta acertar pontos específicos de algum inimigo.

E convenhamos que em uma experiência onde 100% dos ambientes são aéreos e suas funções são controlar um dragão voador e atirar em múltiplas criaturas, quando a precisão dos controles é falha, a jogatina inteira tende a ir por água abaixo...

A dinâmica de evolução nos armamentos é pouco relevante

Depois de se bater uma barbaridade para conseguir domar seu companheiro dragão pelos céus do planeta Draco, você consegue finalizar com êxito sua missão e receber seus suados pontos para evoluir suas criaturas. Entretanto, ao entrar na toca virtual de manutenção dos atributos do lagarto, você percebe que o sistema de evolução é mais confuso do que o esperado.

 Mesmo assim, você é brasileiro, não desiste nunca e consegue trocar suas moedas por habilidades de lançamento de projéteis com nomes diferentes ou até mesmo comprar um novo dragão que apareceu no mercado de vendas. Mas ao colocar seus companheiros de volta aos céus, as mudanças que foram realizadas são quase imperceptíveis.

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Em outras palavras, de que adiantou destruir inimigos gigantes, capturar todas as estranhas moedas flutuantes ou mesmo terminar as missões dentro do tempo mínimo necessário? Ao que parece, para praticamente nada... Talvez para conseguir aumentar seu arsenal de possibilidades de escolha de cores ou para saciar seu prazer de acúmulo material mesmo.

Parece que as regiões do planeta são quase todas iguais

Mesmo com uma diversidade teórica imensa, pois você vive catalogando espécies novas de criaturas que aparecem em Draco, parece que nós sempre estamos sobrevoando uma parte diferente de um mesmo lugar. É como se a fauna do planeta variasse ligeiramente conforme grandes modificações ambientais, como espaços abertos, aquáticos ou subterrâneos, enquanto a flora sempre exibe exatamente as mesmas espécies.

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Essa sensação de mesmice conduz a um sentimento de repetitividade das aventuras. Então, lembrando que o design de personagens de Crimson Dragon não é nenhum modelo de arte, a soma dessas duas características tornam o game uma aventura linear e circular, já que parece que você avança e avança, mas está sempre no mesmo lugar, em uma missão quase igual. Tudo bem que isso melhora um pouco nos estágios finais da aventura. Mas até chegar lá...

50 xbox-one
Fraco