Análise de Dance Dance Revolution Hottest Party 2

Pouquíssimas inovações e uma péssima trilha sonora formam uma festa nada quente.

Na década de 90, praticamente o mundo todo dançou em frente aos fliperamas. E isso ocorreu devido a uma febre gerada por um famoso game da Konami: Dance Dance Revolution. Lançado originalmente em 1998 no Japão e em 1999 no restante do planeta Terra, DDR — como é conhecido pelos fãs — trazia uma fórmula simples e cativante que gerou muita diversão e suor.

Tudo o que os jogadores tinham de fazer era pisar nas setas certas. Sob a batida de qualquer uma das diversas músicas disponíveis no título, gamers observavam as instruções na tela a pressionavam as setas corretas, utilizando os pés, no tapete feito especialmente para o jogo. Basta então seguir a batida e mexer o esqueleto para usufruir da contagiosa experiência de Dance Dance Revolution.

Além de ser lançado para os fliperamas, plataforma que caracterizou a série, a franquia também apareceu em praticamente todos os consoles de sua época. PlayStation, DreamCast e até o portátil Game Boy receberam a febre de DDR. Os jogos adaptados para os consoles ainda continham um tapete simplificado que permitia uma experiência completa do game.

Uma década de requebrado

DDR parece não envelhecer. Recentemente, a franquia comemorou seus 10 anos de existência com o lançamento de três jogos: Dance Dance Revolution X, para o PlayStation 2, Dance Dance Revolution Universe 3, para o Xbox 360, e Dance Dance Revolution Hottest Party para o Nintendo Wii. A fórmula clássica foi mantida, e a diversão continuou a se espalhar ao redor do globo terrestre. Contudo, a versão para Nintendo Wii trouxe uma adição interessante à franquia.

Com o uso do Nunchuk e do Wii Remote, jogadores passavam a requebrar utilizando não só as pés, mas também as mãos. Lançado em 2007, Dance Dance Revolution: Hottest Party foi uma inovação muito bem-vinda para a maioria dos fãs, mesmo contando com alguns problemas que não agradaram muito a crítica especializada.

Em 2008, a seqüência desta quentíssima festa para Nintendo Wii chegava ao console. Intitulado DDR: Hottest Party 2, o game apresenta, novamente, a boa e velha fórmula que consolidou a franquia. Mas será capaz de inovar, mais uma vez, no console da Nintendo e reconquistar a crítica é boa parte dos fãs? Sem dúvidas, Hottest Party 2 terá de se remexer muito para isso.

Seguindo a tradição

Dance Dance Revolution não teve uma vida fácil. Após os primeiros lançamentos da franquia, o jogo não sofreu alterações significativas em sua base estrutural, mas mesmo assim continua vivo e com muitos passes de dança para serem realizados. Além das músicas distintas, as adições aos games da série foram praticamente nulas até a chegada de Hottest Party.

Contudo, após o primeiro game aproveitar quase tudo o que o Wii tem a oferecer, a tarefa de Hottest Party 2 se torna ainda mais complicada. Basicamente, o novo game sob a marca da BEMANI, divisão da Konami responsável pelos games musicais, continua mantendo sua jogabilidade clássica.

Uma jogabilidade conhecida por todos.

Para quem não está aficionado com o esquema de jogo de qualquer Dance Dance Revolution, o que é praticamente impossível, o objetivo é pisar nas setas do tapete de dança no tempo em que elas atingem uma barra posicionada no topo da tela. As setas surgem de baixo para cima na tela, e correspondem a quatro direções: baixo, esquerda, direita e cima.

Não há como não se mexer ao jogar o game. Para progredir, é necessário soltar o corpo e tentar manter o ritmo, caso contrário o resultado será uma grande vaia. O conceito é realmente muito simples, e até ultrapassado, mas Hottest Party 2 traz algumas novidades para dar novos ares ao formato.

Novas maneiras de se remexer

Assim como seu antecessor, o jogo ainda traz as duas novas notas características do Nintendo Wii. Utilizando o Nunchuk e o Wii Remote, o jogador deve realizar alguns movimentos únicos — para esquerda ou para direita — quando a instrução é indicada na tela. Alguns fãs da franquia podem até estranhar o conceito nos primeiros momentos, mas nada que um pouco de prática não resolva.

Requebrando também com as mãos. O sistema funciona bem, mas pode ser frustrante para os iniciantes. Algumas músicas contam com diversas instruções distintas, misturando movimentos com os pés e com os controles do console. Além de exigir que o pseudo-dançarino execute a ação com as mãos no tempo exato, existem alguns momentos em que Hottest Party 2 apresenta comandos em que se deve sacudir um dos joysticks repetidamente.

No início, isso pode parecer difícil. Contudo, o game recompensa o jogador caso este consiga mover ambas as mãos em sincronia com a batida da música a todo o momento. Assim você preenche o medidor de combos com as mãos, o que pode resultar em uma bela diferença na pontuação final das músicas. Essa é a novidade mais funcional do novo game em relação à franquia, mas é algo que já existia no primeiro Hottest Party.

Passes complicados


Se você já conferiu a primeira versão do game para Wii, provavelmente não perceberá uma grande evolução em Hottest Party 2. O que é uma pena. Mas a Konami ao menos tentou trazer algo de novo para os dançarinos de plantão. Trata-se dos novos tipos de notas, constituídas por “Double Stomps” (Pisadas Dupla) e “Triple Stomps” (Pisadas Triplas).

Tais notas contam com um diferencial para facilitar sua identificação. Ao notar uma espécie de escuto circulando uma seta, você estará encarando uma das novidades de DDR. Elas funcionam da seguinte maneira: quando você atinge uma delas, elas voltam para baixo, o que obriga o jogador a acertar o passe novamente. Depois de dois ou três acertos, as setas somem normalmente.

Fora estas notas, Hottest Party 2 também traz setas que surgem na metade da tela, exigindo mais concentração e habilidade do jogador devido ao curto tempo de reação. Além disso, o game traz umas notas esquisitas, como as que surgem na tela pelos lados e eventualmente se posicionam sob um dos quatro pads, outras que alteram o tamanho dos elementos apresentados na tela, e as notas Missile.

Alguns movimentos podem confundir os jogadores.

Um míssil irritante

As setas Missile certamente podem oferecer problemas aos jogadores. Você nunca pode se livrar delas. Ao contrário das Double Stomp, quando a Missile surge na tela, o jogador deve seguir pressionando a seta indicada por ela, fazendo com que esta volte para baixo. Ao acertá-la, a nota permanece pairando no estágio, até retornar para a barra e obrigar o jogador a realizar a ação novamente.

Caso você simplesmente a deixe passar, ou erre o comando acidentalmente, notará que sua pontuação foi gravemente afetada. Errar notas comuns não oferece muitos problemas ao jogador, mas a Missile pode realmente tornar as coisas complicadas. Esta adição é irritante, e completamente dispensável para a franquia.

Visual ousado e nada mais

Os gráficos também deixam a desejar no game. Em Hottest Party, a representação visual não era excelente, e a carência de detalhes ficava explícita na tela. A segunda versão conta com algumas mudanças, mas não exatamente aprimoramentos. Você vai encontrar um ambiente completamente tridimensional, algo muito diferente dos primeiros jogos da franquia, nos quais o dançarino vivia em um mundo achatado. Contudo, seu personagem ficará posicionado em um ambiente sem muitos detalhes, com alguns dançarinos, que também são pobres em definição, ao fundo.

Ambientes simples e personagens genéricos. Em alguns momentos do jogo, você irá notar estágios com certa qualidade visual, mas na maioria deles a experiência está longe de usufruir do poder máximo do Nintendo Wii. Os personagens do jogo são semelhantes aos Miis, mas com um corpo mais “saudável”. Contudo, os sorrisos não enganam: estamos jogando uma versão para Nintendo Wii. Como se não bastassem os gráficos, o game também apresenta animações aleatórias para seus dançarinos, o que é uma pena.

Infelizmente, os movimentos dos dançarinos do jogo não condizem com os que você está executando. Isso não é tão ruim no nosso caso, pois nossa representação visual seria um desastre. Mas não há como negar que é estranho notar seu personagem dançando normalmente na tela enquanto você está quase caindo para tentar acertar uma das setas que aparecem no game. Além disso, as animações são aleatórias nas músicas, ou seja, se você dançar duas vezes a mesma música verá que seu personagem realiza movimentos diferentes. Nada de coreografia ensaiada.

O que fizeram com meu Mii?

O jogo oferece vários dançarinos para serem selecionados, permitindo ao jogador alterar o estilo de cada um deles e o desbloqueio de novos personagens. Mas o que seria um jogo de dança para Nintendo Wii no qual você não pode presenciar seu avatar dançando? Bem, Hottest Party apresenta uma tentativa de solução para este problema.

Os Miis são uma aberração em DDR.

Sim, você pode inserir seu Mii no jogo. Mas somente uma parte de seu avatar: a cabeça. Basicamente, a única opção para vê-lo em jogo é colocando sua representação gráfica nas roupas de qualquer um dos personagens disponíveis no jogo. O resultado final é um pouco estranho, pois a cabeça simplesmente parece não encaixar no corpo dos dançarinos do jogo. Pelo menos você irá dar boas gargalhadas.

Desafinando no som

Outro elemento que pode assustar os jogadores em Hottest Party 2 são as versões alternativas de algumas das músicas presentes no jogo. Sem dúvidas, a música é um dos fatores mais marcantes do game, e é indispensável uma boa seleção para uma experiência divertida. Nesta versão, você irá encontrar diversas faixas compostas pelas bandas contratadas pela Konami, mas, do outro lado, existem alguns “remixes” de músicas e versões covers em estilo Techno de trilhas famosas.

Em algumas músicas você mal consegue dançar. Algumas delas são aceitáveis para um jogo de dança, mas outras definitivamente não se encaixam no game. Um exemplo delas é “I Ran”, por Flock of Seagulls, uma trilha dos anos 80 que não oferece um ritmo adequado para dança, mesmo em versão remix. Mas, o pior ainda está por vir. Os covers são horríveis.

No game, você encontrará diversas músicas em versões cover. As músicas são estilizadas para encaixarem-se ao ritmo do jogo, mas muitas delas perderam sua qualidade no meio deste caminho. Algumas são quase irreconhecíveis, e outras são simplesmente deploráveis. Isso faz com que a lista de músicas do game seja apenas mediana.

Modos para todos os gostos

Felizmente, você conta com diversos modos de jogo para se descontrair. Um dos destaques vai para “Dance and Defend”, modo no qual você tem de atacar outro personagem, que pode ser controlado pelo PC ou por outro jogador, através de golpes, virtuais, que isso fique bem claro, acionados através do Nunchuk e do Wii Remote. Uma modalidade caótica, mas divertida e que inova na franquia.

Fora isto, temos também o Groove Arena, modo principal do game. Nele você percorre uma série de arenas diferentes e completa desafios que o levarão à ascensão. Nos últimos estágios, você terá acesso a apenas uma música e existem somente seis fases, o que torna o jogo curto relativamente curto. Nada muito desafiador.

Suando à toa

Caso deseje simplesmente “chegar e dançar”, Hottest Party 2 conta com o modo Free Play, o qual lembra bastante os fliperamas devido ao sistema de pontuação. Há também o Workout Mode, que visa apenas queimar as calorias do jogador através de músicas ininterruptas — não há como falhar neste modo. Outro fator que chama a atenção é a possibilidade de desbloquear praticamente tudo o que estava presente na primeira versão de Hottest Party.

DDR faz uma festa que você deve evitar.

Mas, se você deseja competir online, terá de migrar para as versões de Xbox ou Xbox 360 de DDR. Não há qualquer modo online em Hottest Party 2, muito menos a disponibilização de conteúdos via download. É o segundo jogo lançado para o console da Nintendo e nenhum deles conta com tal suporte.

Dance Dance Revolution: Hottest Party 2 parece não ter dançado o suficiente para conquistar a platéia do Nintendo Wii — e dos fãs em geral. Mesmo com algumas novidades, o título não apresenta nada muito distante do que estava presente no primeiro jogo. Além disso, uma lista de músicas medíocres, covers mal feitos e gráficos fora de padrão são outros fatores que contribuem para a decepção gerada pelo game. Parece que nem com uma mãozinha DDR foi capaz de reconquistar o mundo.
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