O único sentimento mais forte que a raiva será a vontade de continuar jogando!

Houve um tempo em que os games se preocupavam com a capacidade intelectual dos jogadores. Não sobre se cada pessoa é mais ou menos capaz do que as outras, mas no sentido de estimular o raciocínio e o desenvolvimento da inteligência dos gamers. A simplicidade visual em termos de limitações técnicas era compensada pelo alto nível de desafio e pela complexidade de cada obra.

Não se pode afirmar que algo é unânime, mas a aceitação de títulos clássicos como Zelda: a Link to the past é enorme. O que dizer de Chrono Trigger, Super Metroid, Shadow Run? O conceito de hardware potente com capacidade gráfica exorbitante é uma característica moderna da indústria de jogos e acabou prejudicando um pouco o resto dos games, aqueles que não focam em aspectos visuais.

Nesse sentido, a From Software conseguiu reavivar os jogos que primam pelo respeito ao jogador com a dupla "Souls". A jogabilidade de Dark Souls é construída de tal maneira que não há favorecimento demasiado dos gamers, nem uma dificuldade avassaladora. As batalhas são fortemente baseadas em estratégia e no melhor uso possível que você consiga fazer de um estilo de luta.

Traduzindo: se você sair avançando, morrerá incessantemente. É preciso avançar com cautela, descobrir os cenários e se planejar para conseguir vencê-los. Cada inimigo deve ser encarado sem desdém, pois representa um perigo considerável à sua barra de vida. As mortes são um rito de aprendizado. Não há nada no jogo que motive você a continuar jogando, a não ser sua própria força de vontade, e ainda assim quem é adepto do game passa fácil das 100 horas de jogatina.

Dark Souls: Prepare to Die Edition foi lançado como uma versão portada dos consoles para o PC, sem a pretensão de melhorar qualidades técnicas. Como presente para os novos jogadores, a Namco adicionou um mundo inteiramente novo ao game e mais seis chefes de fase — que também estarão presentes no PS3 e Xbox 360 na forma de DLC.

Vamos descobrir como ficou o trabalho final da From Software.

Dark Souls: Prepare to Die Edition é uma obra que só está aqui nesta sessão de testes porque foi literalmente aclamada pelos fãs (em um abaixo-assinado entregue à Namco). A magia de Dark Souls continua a capturar a alma dos jogadores com tanta intensidade quanto o cheiro de carne assada detém a total atenção de uma pessoa que não come há dias.

A versão para os computadores peca em termos técnicos, com os gráficos muito aquém do que se espera de um jogo para computador — mantendo meros 30 frames por segundo. Os controles e a adaptação nula da interface dos meus com o jogador também são bastante decepcionantes. Isso é motivo para não comprar o jogo? Não!

Basta acoplar um joystick convencional ao seu computador, focar na qualidade do visual, no que diz respeito à direção de arte e ao visual sombrio do game, que Dark Souls: Prepare to Die Edition vai voltar ao alto patamar de RPG que ele ostenta. A jogabilidade desafiadora, os combates elaborados e a prerrogativa totalmente estratégica de avanço continuam as mesmas que nos consoles.

Img_normal

Todas as qualidades já existentes no game ganham novos ares para os jogadores mais experientes com a adição de uma nova área de muitos outros chefes. O enredo do game faz mais sentido em Prepare to Die Edition e, além disso, você consegue perceber melhor que seu papel na história depende tanto da perspectiva com a qual você vê os eventos que, mesmo que você opte por ser “bom” ou “mau”, ainda assim o conceito não é absoluto.

É uma pena que a desenvolvedora não tenha se preocupado com aspectos essenciais da conversão, a exemplo dos gráficos, que na versão atual estão travados na resolução de 1024x768. Mais triste ainda é percebermos que pessoas de fora estão tendo que trabalhar nestas correções (a exemplo do que foi feito por Durante, do fórum NeoGAF, com o seu patch que destrava a resolução do game).

Novamente, são ajustes simples, mas essenciais para os jogadores de PC, que teriam feito toda a diferença no quesito gráfico. Agora que você terminou de ler, pode ir começar a jogar. Está esperando o quê?

Era uma vez um reino, que continua instigante

Todas as qualidades que Dark Souls conseguiu estabelecer nos consoles foram transportadas para a Prepare to Die Edition. O altíssimo nível de desafio do jogo continua mantendo a curva de aprendizado com uma inclinação fenomenal. Os mundos são entrelaçados e a estratégia com a qual você precisa conduzir a sua jogabilidade não diminuiu nem um pouquinho sequer.

A capacidade que Dark Souls: Prepare to Die Edition tem de retirar sua atenção da realidade e transportá-la para o mundo fictício que vive a Era do Fogo continua avassaladora. As classes de personagens foram mantidas e não houve adição de nenhum novo item ou outro objeto que possa caracterizar uma mudança dentro do game.

A direção de arte do jogo não foi afetada e continua exibindo visuais incríveis, como é o caso da primeira vez que você coloca os olhos na cidade gigante de Anor London. Os recursos de jogabilidade cooperativa são os mesmos, inclusive mantendo o sistema de invasão de outros mundos. A jogatina entre gamers continua exigindo muito preparo e habilidade para ver quem sai vivo.

Novo mundo, novos desafios

Entretanto, há um mundo de novidades. É inegável que, para os jogadores mais antigos de Dark Souls, fica enormemente mais significativo jogar a versão do PC para correr direto até a metade do game e acessar o novo local existente. Trata-se de um mundo enorme, com direito a vários novos monstros, mais conteúdo para compor o enredo do game e uma nova área especial para batalhas online.

Img_normal

Esse novo espaço de PvP (confronto entre jogadores reais) torna as disputas mais interessantes, pois deixa de lado a mesmice da antiga Floresta e do corredor de “Link of the First Flame”. Não que esses locais fossem chatos, mas é sempre mais legal conhecer lugares diferentes e descobrir novas maneiras de vencer os desafios.

Pequenas modificações

A Namco fez uma portagem direta dos consoles para os PCs, mas algumas pequenas coisas foram melhoradas. Para quem está chegando agora, não deve ser nada muito significativo, mas os gamers que jogaram as outras versões notarão uma diminuição no tempo nas telas de loadings.

Portagem

Durante o processo de portagem de Dark Souls para o PC, a From Software continuamente alegou estar passando por dificuldades na área técnica. Assim, em determinado momento da produção, a empresa decretou que a nova versão seria apenas uma transposição dos consoles para os computadores.

Img_normal

Isso implica dizer que a novidade não contaria com mudanças gráficas (tampouco estruturais), pois, nesse caso, a desenvolvedora teria que reconstruir o jogo inteiro — o que não é o caso. Assim, podemos dizer que a companhia cumpriu a palavra e teve sucesso no seu intento: o jogo ficou com os mesmos erros visuais e com a falta de qualidade gráfica que já conhecemos.

Infelizmente, algumas coisas ainda conseguiram ficar piorar.

Controles?

Dark Souls: Prepare to Die Edition pode ser jogado utilizando mouse e teclado. Porém, não é uma boa ideia fazer isso. Nesse quesito, a portagem ficou muito mal feita, pois os botões indicados na tela nem se dignam a mudar conforme a configuração que você escolhe para seus comandos.

Img_normal

A sensibilidade do mouse não pode ser configurada satisfatoriamente e a dificuldade de controle do seu personagem dificulta ainda mais a jogatina. Como se isso não bastasse, o game manteve aqueles pequenos “lags” que acontecem de vez em quando, o que atrasa as respostas dos comandos.

Online é bom quando funciona

Os fãs do Games for Windows Live constituem um grupo muito pequeno de pessoas, e Dark Souls, que utiliza esse sistema, está aqui para mostrar o porquê dessa repressão. Cada vez que você encontra uma pedra de summoning no chão, certamente seus olhos se enchem de alegria. Mas que tal tentar oito, nove vezes, até que uma dê certo?

Img_normal
E não é exagero dizer que apenas algo em torno de 10% das tentativas de qualquer interação online são bem-sucedidas. Se você tentar invadir o mundo de alguém para conseguir usufruir dos famosos PvP — do lado malvado da Força —, é melhor ter mais paciência ainda. Durante toda a bateria de testes da Prepare to Die Edition, não foi possível invadir nem um jogador sequer. E não foi por falta de tentativa...

89 pc
Ótimo

Outras Plataformas

97 ps3
97 xbox-360