Cuidado com os DNAs instáveis que ameaçam o universo (ou algo assim...)

Desde os consagrados jogos da série SimCity, passando pelo megassucesso The Sims, a desenvolvedora Maxis continua com seus métodos pouco ortodoxos na criação de games. Há pouco tempo, foi a vez de o curioso Spore surpreender os jogadores, misturando uma inúmera variedade de gêneros em um jogo só.

Desta vez a história mudou um pouquinho. A novidade agora é Darkspore. Uma continuação de Spore? Não exatamente. Para ser mais preciso, os dois jogos têm bem pouco em comum, desde a história, a jogabilidade, os modos de jogo, inclusive o próprio gênero — trata-se de um RPG de ação à X-Men Legends II.

O enredo coloca o jogador no papel de um Crogenitor, que é um manipulador de DNA de seres vivos. Anos atrás, alguns desses crogenitores desenvolveram um tipo modificado e mais poderoso de DNA, porém, não conseguiram estabilizá-los completamente. O resultado foi o Darkspore. Essas criaturas se voltaram contra os seus criadores e saíram pela galáxia parasitando todas as formas de vida (inclusive de quase todos os crogenitores).

A campanha começa com você acordando de uma câmara criogênica, a qual você usou para fugir para algum lugar muito distante do universo, onde os Darkspore não pudessem alcançá-lo. Com a ajuda do computador de sua nave, você deve criar monstros e criaturas poderosas, capazes de salvar todas as formas de vida do universo.

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Este RPG de ação, com elementos de Hack´n´Slash, carrega o fardo de ser sucessor de um ótimo jogo (Spore). A expectativa e a relação para comparação é inevitável: uma vez que o primeiro foi tão apreciado, espera-se que este segundo esteja, no mínimo, à mesma altura.

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Darkspore não inova ou traz elementos de vanguarda, mas também passa longe de “fazer feio”. Nos quesito jogabilidade e modo cooperativo, o game merece destaque, sem esquecer a grande capacidade de entreter o jogador com suas inúmeras possibilidades de criação e edição de personagens.

O jogo vale a pena porque, mesmo depois de ter todas as missões cumpridas, ainda sobram muitos novos guerreiros e habilidades para serem descobertos, modificados, e, principalmente, testados contra outros jogadores. Mas também não chega a ser melhor do que Spore, nem mais divertido.

Jogabilidade

A boa resposta dos comandos e o grande número de golpes diferentes que podem ser combinados motivam e divertem o jogador. Conforme mais e mais itens são coletados, mais armas e outros equipamentos podem ser adquiridos. Dessa forma, o maior objetivo do jogo acaba se tornando a coleta de loots para habilitar novos conteúdos. No geral, lembra muito Diablo e Magicka.

Habilidades compartilhadas

O jogador forma esquadrões de três personagens diferentes para descer em cada missão, sendo que as habilidades principais de cada um são possíveis de ser usadas por qualquer um deles. Por exemplo, um ser robótico, especializado em ataques a distância, poderá usar habilidades de natureza necro para se defender de ataques a curta distância.

Os personagens podem ser trocados em qualquer momento do jogo, só dependendo de um tempo mínimo entre uma troca e outra. Cada um dos três possui barras de energia e de magia independentes, que só são gastas quando utilizados por eles mesmos e podem ser recuperados mesmo quando não estão sendo utilizados.

Uma característica diferente é o limite de Stamina. Cada habilidade, magia ou troca de personagens é regulada segundo um tempo, isto é, depois que usada uma vez, só pode ser repetida quando estiver novamente carregada. Isso leva em torno de uns 30 segundos e serve para evitar que magias muito poderosas desequilibrem muito o ambiente de batalha.

Criação e edição de personagens

A liberdade de criação e modificação não é do mesmo tamanho que a do game anterior, na qual se podia fazer praticamente o que quisesse. Mesmo assim, a quantidade de transformações possíveis é enorme. É possível criar inúmeros personagens. Realmente é gigante a quantidade de possibilidades.

Existem cinco variedades mestras de natureza de cada personagem, sendo elas Bio (monstros com ataques baseados em plantas e organismos), Cyber (seres robóticos que disparam armas e mísseis), Plasma (habilidades baseadas em fogo e luz), Necro ( criaturas com golpes e magias relacionadas a morte e veneno) e Quantum (controlam elementos de tempo e espaço).

Essa é a maior semelhança com Spore. O modo edição de personagens é onde os personagens são personalizados. Os itens podem ser equipados para ataque ou defesa, em diferentes lugares do corpo do monstro, com possibilidade de alterar o tamanho ou a forma, de acordo com o lugar que foi colocado.

Colaboração online

Bastante comum nos jogos da Electronic Arts, o modo cooperativo é bem acertado, de fácil acesso. São até três amigos (ou desconhecidos) que se unem em uma mesma missão ou disputam cada um por si no modo PvP (jogador contra jogador).

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História digna de FPS

O jogo já começa direto contando história. O modo como os fatos vão sendo apresentados é bastante confuso, e ainda por cima, o enredo não parece evoluir na continuidade do game. Basicamente, antes de cada nova missão, a IA conta alguns fatos que antecederam sua chegada naquele planeta, fornece alguns dados sobre a geografia e alguma coisa sobre os inimigos.

Não é possível interagir com a nave em nenhum momento e conforme ela vai explicando os acontecimentos, você se sente meio perdido caso não tenha prestado bastante atenção nas cenas da abertura. Apesar de se tratar de um RPG, gênero famoso pela alta qualidade de enredo,  o jogo parece se tratar de um FPS, no qual a história é geralmente pouco trabalhada.

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Sem muita dificuldade

O jogo não conta com a opção de escolher o nível de dificuldade, nem no início do jogo, nem nos menus. Ele vai ficando gradativamente mais difícil, conforme se avança na história. O sistema baseado em relação entre diferentes características de personagens e terrenos é como em Pokémon ou nas cartas de Magic: The Gathering, em que você usa água para combater fogo, por exemplo.

Dessa forma, as missões acabam se tornando bem mais dificultosas nos primeiros dois minutos, até o jogador descobrir quais elementos são mais efetivos contra os quais ele se defrontará, depois fica estagnada. No modo cooperativo, o jogo é mais fácil ainda por aumentar muito o poderio de fogo e a inteligência dos companheiros.

Sons

O sistema sonoro, em geral, não empolga nem um pouco. A voz da narradora robótica é repetitiva, bem como um robô, sem expressividade. Algumas vezes é difícil diferenciar quando ela está avisando que o nível de magia está baixo ou quando coloca o jogador a par de alguma situação ocorrida em determinado território onde se está. A trilha sonora é quase nula.

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Repetitividade

Não se percebe muita ação diferente de caminhar e matar. Uma vez que a história não empolga muito, voar de um planeta para outro, incessantemente, destruindo as criaturas dominadas pelo Darkspore, dá a impressão de lutar a esmo. O cenário hostil é um ótimo complemento, mas a única diferenciação entre um monstro morto e um teleporte aberto.

75 pc
Bom