Uma expansão restrita, mas com o mesmo esplendor do game original.

Dawn of Discovery é um game de estratégia em tempo real (RTS) bastante dinâmico e completo. Belos visuais preenchem o monitor e auxiliam de forma espetacular na retratação de uma atmosfera do século 15. Sim, as grandes expedições marítimas eram o centro do comércio. Por mais que o jogo contenha estruturas de táticas militares, está claro que o gamer deve se preocupar mais com diplomacia, economia e gerenciamento de recursos.

Quem passa mal em alto-mar pode não simpatizar muito com a proposta. As embarcações devem ser controladas a todo o momento, pois servem de meio de comunicação entre diferentes entidades, localizadas em ilhas separadas. É essencial efetuar a criação e a personalização de rotas de comércio para que a comunidade controlada esteja sempre satisfeita.

Quanto aos aspectos diplomáticos, bem... O jogador sempre tem que estar se relacionando com os vizinhos na tentativa de obter os melhores preços na compra e venda de recursos. Quando mais rotas marítimas, melhor. Entretanto, se a reputação do gamer estiver baixa com alguma nação, uma guerra pode ser iniciada.

Indo direto ao ponto: a jogabilidade é complexa. Aqueles que estão acostumados com uma fórmula simples, que exige apenas aplicar comandos de forma ágil e prática, poderão ter sérios problemas com o game. Fazer tudo ao mesmo tempo — cumprir as objetivos, manter um balanço econômico favorável, satisfazer os habitantes, fixar boas relações com os vizinhos... — não é fácil.

Só que, se o gamer tiver sucesso nas ações e finalizar as missões, há a chance de obter Achievements (conquistas) e Medals (medalhas). São formas de reconhecimento atribuídas àqueles que cumprirem determinadas metas ou atingirem certos números.

De modo geral, o TecMundo Games aprovou e recomenda o primeiro Dawn of Discovery para quem realmente gosta de mergulhar fundo na estratégia. Foram poucos os defeitos encontrados no jogo original. Felizmente, um dos principais problemas foi corrigido com a chegada desta expansão: falta de modo multiplayer.

Vamos às novidades

Venice (cuja tradução é Veneza, a cidade italiana) é uma expansão que adiciona pouco ao game original. Cenários venezianos aparecem com muita expressão, mas não influenciam de forma direta na jogabilidade. Ainda assim, há novos elementos que podem fazer a diferença na administração de uma ampla comunidade.

Porém, à parte dos novos cenários e dos novos elementos em geral, o que realmente faz a diferença é a chegada do modo multiplayer (local — LAN — e online). A ideia, agora, é gerenciar recursos ao lado de sete outros jogadores. Cooperativo contra a IA (inteligência artificial) ou competitivo, uns contra os outros? Você escolhe.

É interessante constatar que o novo modo também pode ser personalizado. Dessa forma, é possível estabelecer condições variadas de vitória, que envolvem finalizar missões para personagens controlados pela IA, atingir um limite populacional ou até mesmo ser o único estrategista sobrevivente no cenário.

As demais adições consistem em novas possibilidades de interação, tais como a construção de dois novos tipos de embarcação veneziana (Small Tradesman Cog e Big Tradesman Cog), o desenvolvimento de bases de operações secretas — levando à infiltração em territórios inimigos e sabotagens diversas — e o controle de cidades inimigas devido à influência do jogador nos Conselhos das cidades.

Além disso, há cerca de 60 novos itens e 300 novas missões. Muitas dessas missões são apresentadas através de dois novos tipos: Trading Race e Ship Boarding. Um novo tipo de ilha (Volcano Island) aparece ao lado de 15 novos cenários com desafios inéditos.

Uma breve explicação

Antes de listar os prós e contras de Venice, um breve esclarecimento. A nota atribuída aos recursos técnicos (gráficos e sons) da expansão está diferente do que ocorre na análise do jogo original porque esta análise foi feita por outro redator da Equipe TecMundo Games.

Ocorrem diferenças devido aos critérios de avaliação empregados para a atribuição das notas, mas, felizmente, as variações não exercem grande influência na nota final de Venice. Dito isso, tenha uma boa leitura!

Para os fãs, sim. Para os iniciantes, é melhor conferir — pelo menos inicialmente — apenas o título original para a familiarização com a jogabilidade única da franquia. O aspecto competitivo de Dawn of Discovery é realçado de tal maneira que quem já conhece a ótima fórmula e procura bons desafios envolvendo oponentes da vida real é praticamente obrigado a adquirir esta expansão, que custa cerca de US$ 20 (aproximadamente R$ 35,24 no momento em que esta análise foi escrita.)

Infelizmente, certos bugs continuam e outros problemas também. Como consta acima, um dos infortúnios mais graves é a falta de um modo tutorial de peso que encoraje os principiantes a ficarem confortáveis com o estilo de jogo apresentado. Por mais que existam missões explicativas e descrições satisfatórias das restrições durante o controle de um determinado objeto, o game não ensina os gamers de forma direta... Tanto nos comandos básicos quanto no uso das novas funcionalidades constantes em Venice.

Deve-se observar que existe a possibilidade de adquirir Dawn of Discovery: Gold Edition, que agrupa o game original e Venice em um só conjunto. Se você está pronto para embarcar em empreitadas únicas e extremamente desafiadoras sem ter medo de uma jogabilidade complexa e intrigante, Gold Edition (US$ 50, R$ 88,10) é uma excelente opção dentro do gênero RTS.

Ajudando Giacomo Garibaldi

Agora, surge a chance de estabelecer rotas comerciais em portos venezianos. Todos eles são controlados pelo personagem Giacomo Garibaldi, e a forma com que as missões são transmitidas ao gamer é simplesmente espetacular. Imersão é o que não falta em Dawn of Discovery, e é muito bom perceber que a expansão mantém isso e, melhor ainda, propicia novas possibilidades estratégicas.

Os protagonistas que administram as diferentes cidades são convincentes e não param de abalroar o jogador com missões náuticas. Aspectos diplomáticos são expressivos neste jogo, sendo que o estrategista deve estar sempre antenado ao nível de reputação atingido com os demais comandantes do mapa.

Os mesmos — e cativantes — gráficos

A arte de Venice é sensacional. Por mais que sejam poucos os detalhes que caracterizem este título como um pacote de expansão, os desenvolvedores realizaram um excelente trabalho ao manter os gráficos pesados (no bom sentido) do jogo original e, ao mesmo tempo, salpicar os visuais com novos elementos artísticos.

Tudo apresenta uma qualidade invejável: estilo das edificações, movimentação das diferentes unidades (barcos, pessoas), texturas, água... Enfim, o polimento gráfico continua exuberante e agradável. As cidades convencem e enaltecem a atmosfera do século 15.

Sonoramente incrível

É uma alegria constatar que Venice conta com trilhas sonoras simplesmente maravilhosas. As músicas da expansão são ótimas e contextualizam magnificamente o que ocorre na tela. Cenas de tensão são retratadas com faixas mais misteriosas, enquanto momentos tranqüilos de exploração são ilustrados com trilhas agradáveis, quase alegres. Além disso, as boas músicas aliviam a espera propiciada pelo tempo de carregamento dos dados ("loading").

No mais, os sons se equiparam aos recursos gráficos no que diz respeito à qualidade apresentada. O barulho das ondas, as vozes dos personagens, os sons diversos... Com isso, fica muito divertido encarar o oceano e mergulhar fundo nos aspectos econômicos, comerciais, diplomáticos e até mesmo militares de Dawn of Discovery.

Modo multiplayer satisfatório

Épico é um bom adjetivo para um embate realizado no novo modo multiplayer do jogo, tanto pela intensidade quanto pela duração da partida. Afinal de contas, certas empreitadas com até sete outros jogadores podem durar cerca de dez horas. Não, você não entendeu errado: dez horas. Ainda bem que a experiência, por mais longa que seja, sempre é recompensadora.

Portanto, a comunicação entre os participantes é vital. Jogar com amigos é o ideal, pois partidas com pessoas desconhecidas podem acabar inesperadamente. No modo cooperativo, existe a possibilidade de participar das ações dos jogadores aliados para o cumprimento dos objetivos estabelecidos anteriormente. Se você gosta de colaboração intensa entre gamers, esse modo é altamente recomendado.

Fórmula intocada... Felizmente

Uma vez que o jogador tenha dominado os comandos básicos do game (e isso pode demandar muitos minutos), vem a diversão. A interface amigável conta até mesmo com personalização dos botões de ação na tela, bem como com diferentes áreas de exibição de informações essenciais.

Levando em consideração que a estrutura básica dos comandos não foi alterada e apenas recebeu adições, quem já teve a oportunidade de passar horas com o game original pode presenciar ótimos momentos com Venice. As possibilidades estratégicas são intensamente variadas, visto que há diversos aspectos personalizáveis.

Uma expansão modesta

Se você leu "Veneza" no título deste pacote e pensou que iria contemplar uma estrutura visual completamente modificada, a decepção está à espera. A maior parte das alterações feitas é puramente cosmética, que não influencia de maneira direta na jogabilidade.

A criação de um modo multiplayer é interessante, com certeza, mas isso já deveria existir no título original, não é mesmo? A magnitude dos novos elementos não faz com que este título seja considerado como um legítimo pacote de expansão.

Aprendizado mais que difícil

Tutorial completo? Não, senhor. O manual que acompanha o jogo... Não ajuda. As poucas instruções que existem são exibidas na forma de missões de ajuda e textos compactos na tela. A jogabilidade é boa, sim, mas demanda bastante tempo de aprendizado e isso pode prejudicar quem não tem muita intimidade com o gênero mas pretende conhecê-lo de um jeito mais profundo.

Em um primeiro contato, um jogador iniciante pode ter problemas graves. A estrutura de comandos é diferente do que ocorre na maior parte dos games de estratégia em tempo real e, por mais que isso seja um diferencial importante para Dawn of Discovery, isso pode enervar pessoas menos pacientes, que preferem simplicidade e praticidade.

Uma falha aqui, outra ali...

Comecemos pelos gráficos. Os visuais espetaculares apresentam problemas que são estranhos a um olhar crítico, mesmo que não mudem os rumos da experiência. Mesmo nos clipes de apresentação (CGs) dos cenários, é constatada a presença de vários "pop-ins" — surgimento abrupto de texturas e objetos na tela.

Há outros tipos de infortúnios, como bugs referentes a itens e missões. O Baixaki Jogos presenciou a exibição de um item com o nome de DeveloperNoriaTestItem, que defitivamente não devia estar ali. Outro "glitch" foi a apresentação de uma missão totalmente em alemão, sendo que todo o resto do jogo estava em inglês. Curioso, não?

86 pc
Ótimo