Escolha a sua arma e prepare-se para dominar ou destruir os oponentes

Jogadores do mundo todo vêm há décadas tentando programar seus próprios games, seja criando o código do zero ou modificando os jogos já existentes. O lançamento do clássico Half-Life certamente facilitou as coisas, abrindo uma nova era para a comunidade interessada em tal produção.

Um dos primeiros grandes sucessos desta prática que figurou nos computadores das Lan-Houses de todos os cantos foi Counter-Strike, jogo baseado no confronto de times, com disparos precisos e muita ação, baseado na tecnologia construída pela Valve.

Seguindo esta trilha, outro grupo resolveu criar um jogo com proposta similar, mas baseado e ambientado nos cenários da Segunda Guerra Mundial. O resultado deste trabalho foi Day of Defeat, que atualmente é uma das dez modificações de Half-Life mais jogadas em todo o planeta.

Com tamanho sucesso, não demorou muito para que a equipe de desenvolvedores se juntasse ao time da Valve. Anos depois, com o lançamento de Half-Life 2, os antigos “Mods” pouco a pouco passaram a migrar para a plataforma Source, recebendo lançamentos oficiais e independentes do jogo de Gordon Freeman.Pilha de corpos pelo chão

O mesmo ocorreu com Day of Defeat. Na versão Source a ação continua baseada em torno do confronto entre os soldados norte-americanos e o Eixo, em mapas que vão desde a captura de pontos estratégicos até a explosão de equipamentos bélicos. Mas depois de tanto tempo após o lançamento, como é que Day of Defeat: Source sobrevive?

Quando Day of Defeat: Source foi lançado, muitos não demoraram a reclamar a respeito da falta de conteúdo, com muita razão, é claro. Mas alguns anos depois, o jogo se mostra em plena forma, com servidores cheios por todos os lados e com a adição de cerca de oito mapas oficiais, além da possibilidade dos servidores rodarem mapas personalizados.

A jogabilidade é praticamente perfeita (apresentando apenas pequenas falhas de contato entre os jogadores) e favorece a velocidade de deslocamento e a ação — ao contrário de Counter-Strike. Já a estratégia é requerida o tempo todo, junto com a organização do time.Um ponto estratégico, mas vulnerável

O tempo foi piedoso com o game, que ainda é capaz de impressionar pela simplicidade dos cenários e pela boa iluminação, que aparece em conjunto com os efeitos gráficos adicionais supracitados. 

Todo o pacote pode ser adquirido pela bagatela de dez dólares (na data desta análise) pedida através do serviço de distribuição digital Steam, o que é uma pechincha. Se você ainda não conhece Day of Defeat, saiba que ainda há tempo. Aliás, se depender da comunidade de jogadores, esse jogo continuará firme e popular por muitos anos!

A evolução gráfica de Source

Observando cautelosamente

A versão Source de Day of Defeat é exatamente o que pode se esperar pelo título: o jogo original, “traduzido” para a versão mais nova do motor gráfico da Valve. O resultado na tela pode ser visto na forma de gráficos de qualidade mais alta, contando com a aplicação de uma série de tecnologias, a exemplo do HDR (High Dynamic Range), que altera a percepção de luz do jogador de acordo com a exposição da câmera, imitando o comportamento da íris do olho humano.

As texturas são bem mais nítidas e a geometria não possui bordas gritantemente quadradas. A água tem qualidade ainda estonteante com reflexos e simulação do efeito da difração e a violência (com sangue espirrando dos soldados feridos) é bem mais presente.

Ação do início ao fim

Ao contrário do que foi visto com a série Counter Strike — que perdeu parte de sua alma depois da versão 1.6 — a conversão de Day of Defeat para a versão Source manteve muitas das coisas que o tornaram um sucesso no mundo todo.

Referimo-nos principalmente à jogabilidade, sempre frenética, baseada na velocidade dos movimentos e na coordenação exata de acordo com a classe escolhia (algo que abordaremos mais abaixo), bem diferente da vista nos principais títulos ambientados acerca da Segunda Grande Guerra Mundial.

Corredores letais

O jogo foi lançado com apenas quatro mapas oficiais, mas as atualizações já deram conta de subir este número para mais de dez. Além deles, alguns servidores oferecem suporte para mapas personalizados construídos pelos jogadores.

As partidas são divididas basicamente em dois objetivos (de acordo com o mapa), que são a dominação de pontos estratégicos como praças e igrejas (sendo que alguns requerem a presença de dois membros do time) ou a destruição de tanques e armas antiaéreas.

É nisto que reside uma grande força de DoD: a estratégia. Um time fragmentado sem propósito nunca será capaz de se agrupar e resistir às ondas de ataques dos adversários. Mas o mais interessante é a construção dos mapas, que carregam consigo dezenas de corredores e trajetórias alternativas, ótimas para surpreender os inimigos.

A que classe você pertence?

Sniper é Como já dito acima, o jogo é dividido entre dois exércitos. Cada um deles oferece ao jogador seis tipos de classes de personagens, incluindo soldados com submetralhadoras, metralhadoras automáticas, Bazucas e Panzerschrecks, rifles e outras variações de equipamentos de suporte.

Cada uma delas influi diretamente na estratégia que você deve adotar, principalmente em relação ao posicionamento nos mapas e ao modo como você se movimentará. Rifles exigem passos rápidos seguidos de pausas milimetricamente calculadas, enquanto jogadores que optarem por metralhadoras leves poderão correr disparando sem problemas.

Já as metralhadoras mais pesadas e as armas com munição explosiva exigem que os jogadores parem e montem o equipamento em uma base ou que ao menos preparem a arma. No caso da metralhadora o coice é realmente incontrolável sem o apoio de superfície.

É importante notarmos que existem limites com relação a quantos jogadores de um mesmo time podem acessar as armas. Embora isso soe como um problema a princípio, você logo perceberá que é justamente deste equilíbrio que vem toda a graça das partidas, com times que devem se unir e se distribuir com precisão para a correta captura dos objetivos.

Novas capacidades

Algumas das armas possuem ataques secundários, suporte para miras de precisão ou até mesmo ataques físicos para as horas nas quais o inimigo aparece de supetão na sua frente. A grande novidade para os rifles Garand e Kar98 é a capacidade de disparar as granadas a uma distância bem mais longa.

A escavadeira infernal e assassina
Com isso o jogador tem até mesmo a possibilidade de rebater o projétil nas paredes, obrigando o adversário a deixar sua posição de segurança. Quem entra em cena é também a granada de fumaça, que pode dar cobertura para o time passar por um corredor guardado ou simplesmente transformar tudo em uma grande bagunça.
 
Comunidade unida
 
Se você se preocupa em não entender nada dos que os estrangeiros falam durante as partidas, não se preocupe, pois existem muitos servidores nacionais e uma imensidão de jogadores daqui. A comunidade é bem organizada, dividida em clãs e conta até mesmo com fóruns para a troca de sugestões, marcação de partidas e debate de outros assuntos.
 
A sensação é de que os jogadores brasileiros de Day of Defeat compõem uma família leal, divertida e mais do que dedicada às partidas. Atualmente há a presença até de clãs estritamente femininos! A rapaziada que se cuide nesta guerra!

Adeus aos britânicos, adeus às florestas...

O conteúdo foi atualizado, novos mapas foram lançados, mas infelizmente a sensação de que deveria haver mais coisas disponíveis fica latente na cabeça quem teve a oportunidade de jogar o game original. Por alto, podemos citar a ausência de mapas como Forest (famoso pelos arbustos letais que abrigavam os assassinos das pás), Charlie e Caen.

Ainda mais triste é perceber que os pobres britânicos caíram no esquecimento. Isso mesmo, a facção britânica foi deixada de lado e substituída pelos americanos na continuação. Logo todas as armas e equipamentos seguiram a mesma rota. Eles vão deixar saudades, com o sotaque típico...

HUD conturbado

Muitos dos elementos gráficos que ficam na tela permanentemente (como os mostradores de energia, vitalidade para a corrida, pentes de munição ou até mesmo o minimapa) cumprem com suas tarefas de forma adequada, sem atrapalhar a visão do jogador em momento algum.

Mas há um grande vilão nesta história: o mostrador de Frags (ou assassinatos, mortes, dominações). Em situações mais críticas (tais como a invasão de uma casamata por parte de um time inteiro, que é assassinado pelo adversário responsável pela MG) ele tomará toda a porção lateral direita da sua tela, atrapalhando muito a visão lateral.

Panzerrrrrrrr!

É nessas horas que você fica ainda mais suscetível à morte. O problema se agrava ainda mais quando quem morre ou mata tem um Nick enorme, carregando insígnias de clãs, apelidos, nome do papagaio, do primo... Tudo isso pode ser ajustado pelo arquivo de configuração, mas esta não é uma tarefa tão simples para quem não tem familiaridade com a edição através do bloco de notas.

Equilíbrio em xeque!

Embora a elaboração dos estágios de combate seja fenomenal, oferecendo aos soldados dezenas de corredores estreitos, escuros e imprevisíveis para que eles atinjam seus objetivos, fica visível que em alguns mapas há uma ligeira vantagem para um dos lados.

É claro que no fim do dia a vitória dependerá diretamente do bom desempenho e coordenação do time, mas em alguns casos a experiência pode se tornar frustrante, principalmente com objetivos de detonação.

Problema de contato

Um mal que assola Counter-Strike: Source marca, ainda que em escala menor, Day of Defeat: Source: as travas com o contato entre os personagens. Nas saídas, quando os jogadores se encostam, alguns personagens ficam truncados pelo meio do caminho, o que pode ser irritante para alguns.

Em outros casos mais arriscados (como em saltos pelas janelas dos prédios) isto pode significar morte certa. Também não são raras as vezes em que você tenta fugir de bombas e acaba topando com um aliado... Os dois morrem, afinal, ninguém sai do lugar! Por fim, pular por cima de quem está deitado é quase impossível!

84 pc
Ótimo