Três dias para solucionar um mistério e acabar com milhares de zumbis das formas mais originais possíveis.

De alguns anos pra cá, a série Resident Evil vem detendo a exclusividade no uso de zumbis como tema principal. Embora a franquia tenha colocado o jogador muitas vezes na saia justa, em situações nas quais hordas de zumbis o perseguem sem dó, no geral os monstros aparecem nas situações mais calmas e silenciosas, aparentemente preferindo matá-lo de susto ao fazê-lo efetivamente atacando.

Isso tudo mudou; tanto a exclusividade do tema, quanto a abordagem do mesmo. Dead Rising, um jogo da mesma produtora da série Resident Evil (Capcom), deixa um pouco de lado o terror sério e os sustos repentinos para colocar você em situações balanceadas entre o desesperador e o cômico. A premissa do jogo é simples: imagine-se trancado em um shopping center com lojas que vão de academias a super-mercados. Agora imagine este lugar infestado por milhares de zumbis mortos (literalmente) de fome.

Ao mesmo tempo que original, a fórmula contém diversas referências. A mais evidente é ao filme de George A. Romero, “A Madrugada dos Mortos-Vivos”, de 1970, no qual alguns poucos sobreviventes de uma infestação de zumbis acabam trancados em um shopping center, esperando por resgate. Outra comparação que pode ser feita é ao jogo Zombies Ate My Neighbors, lançado em 1993 pela Konami, cujo tema também envolve zumbis em uma mistura de terror com uma boa dose de diversão.

Três dias, muitos desafios e apenas uma chance de sobreviver

Frank West é um fotojornalista que trabalha por conta própria e é conhecido por prever acontecimentos e conseguir grandes matérias com exclusividade. Seu infalível sexto sentido o levou à pequena cidade fictícia de Willamette, Colorado, onde algo muito estranho acontece. O protagonista chega à cidade em um helicóptero, cujo piloto consegue atravessar as barreiras do exército e deixá-lo no terraço de um shopping center, não antes de prometer voltar em três dias para buscá-lo. Como um bom jornalista, Frank insiste em cobrir a história, mesmo sem saber o que o espera, mas sentindo que o cheiro do perigo está no ar.

Ao explorar o lugar, você descobre que o shopping é o único local seguro da cidade, onde alguns poucos sobreviventes mantém uma barricada para evitar que o misterioso mal que assola o lugar invada o único espaço onde ainda há vida. A ameaça é nada mais nada menos que uma horda de zumbis famintos, prontos para invadir o shopping e colocar seus dentes sujos em qualquer pedaço de carne humana que estiver em sua frente.

Uma luta despesperadora pela sobrevivência! Mas a barreira improvisada não durou muito; os zumbis conseguem entrar no shopping. Agora não há mais nenhum lugar realmente seguro e tudo ao seu redor deve ser aproveitado ao máximo e com sabedoria para que, quando o helicóptero voltar para lhe buscar, você tenha a melhor matéria em mãos e, obviamente, ainda esteja vivo. Começa assim uma luta desesperada por respostas e principalmente pela sobrevivência!

Dead Rising faz jus ao sub-gênero horror survival, ao qual faz parte, levando a qualificação ao sentido literal através dos mais diversos aspectos. O enredo é bastante característico do gênero, enquanto a jogabilidade coloca a sobrevivência como objetivo principal e mantém elementos que tornam a experiência única.

Tantos zumbis, tão poucas balas


Enfrentar hordas de zumbis não é uma tarefa fácil. Felizmente tudo no game foi construído para facilitar o combate contra diversos adversários e até a fuga, necessária em muitas ocasiões por conta do número de monstros ao seu redor. Frank possui algumas habilidades bastante úteis durante estes momentos e eventualmente aprende outras novas que devem facilitar os combates corpo-a-corpo e as fugas.

A boa notícia é que quase tudo pode ser utilizado como arma. Você vai encontrar desde armas mais convencionais, como espadas, facas e pistolas até objetos que nada tem a ver com o combate, mas que, visto a falta de opções melhores, são úteis. Nestes se enquadram ursos de pelúcia, bancos de madeira, cadeiras de
Tudo pode ser usado como arma em Dead Rising. plástico, manequins, panelas, televisores, cabides e por aí vai. A má notícia é que as armas não são infinitas; após determinado número de golpes desferidos com o objeto, ele quebra e é automaticamente descartado.

O número de opções é compatível com o número de inimigos, mas não com a duração do jogo. Devido ao fato do helicóptero ter data marcada para voltar, você tem apenas 72 horas — contadas no tempo do jogo e equivalem a cerca de 6 horas reais — para completar todas as tarefas do game. Os objetivos principais, que desencadeiam na solução do caso, são apresentados gradualmente, no entanto, paralelamente há uma série de objetivos secundários, como salvar sobreviventes ou acabar com determinado psicopata (sim, além dos zumbis há alguns loucos a solta em Dead Rising).

O grande problema desta fórmula está na falta de tempo para explorar tamanha fonte de possibilidades. Os objetivos principais, se não ativados ou realizados a tempo, são perdidos e o jogo se acaba. No entanto, há a possibilidade de continuar sem resolver o caso, apenas para explorar o local e divertir-se matando alguns zumbis.

Morrer em Dead Rising não é muito difícil, pois os inimigos são numerosos e o risco é iminente. O grande problema é que não há checkpoints ou nada parecido, ou seja, ao morrer, você tem basicamente a opção de voltar ao último save ou recomeçar o jogo com as habilidades adquiridas até então. Carregar itens que recuperam a vida, portanto, como sucos, maçãs ou pizzas (é possível encontrá-los facilmente, afinal, você está em um shopping), é sempre uma boa idéia.

O horror devidamente documentado

Você recebe dicas importantes em seu walkie-talkie. Dead Rising coloca você numa situação apertada; há muito o que se fazer e descobrir, mas o tempo é curto. Frank recebe constantemente mensagens em seu walkie-talkie sobre sobreviventes localizados em determinada área do shopping ou algum fato estranho a ser checado. O grande problema é conciliar tudo isso com as missões principais, cuidando para que tudo seja realizado a tempo. É comum deixar algum sobrevivente morrer ou alguma boa oportunidade passar pela falta de tempo.

A mecânica funciona de forma bastante semelhante a jogos como Grand Theft Auto, nos quais as missões são ativadas pelo jogador. Alguns acontecimentos tem data e hora predefinida, enquanto outros podem ser ativados simplesmente ao se alcançar determinado local.

Como um fotojornalista atrás de uma boa matéria, você deve não só buscar a verdade por trás deste mistério como documentar tudo devidamente através de sua câmera fotográfica. Na prática, isso envolve ser rápido no gatilho e captar os momentos mais marcantes do jogo, como um sobrevivente acabando com alguns zumbis ou um psicopata maluco em um momento peculiar. As fotos dão pontos — os chamados PP — de acordo com a quantidade de elementos e do tipo de ação capturados na imagem. O gênero das imagens também varia e seu conteúdo pode ser qualificado como brutalidade, horror, humor, drama ou até erótico.

Você ganha pontos também ao matar zumbis, resgatar sobreviventes ou realizar missões. À medida que os PP são armazenados, uma barra é preenchida e, quando a mesma é completada, você ganha um novo nível. Os níveis funcionam de maneira muito semelhante a jogos de RPG; cada novo nível rende melhoras nos atributos — ataque, vida, velocidade, capacidade de atirar objetos e mais espaço no inventário — e novas habilidades úteis nos combates.

Uma população de mortos-vivos

A modelagem dos objetos e personagens de Dead Rising é simples, mas muito bem feita. A quantidade de detalhes é bastante satisfatória, o que é interessante visto que o local onde o jogo se passa é um shopping center recheado de lojas e elementos gráficos chamativos por todos os lados. Diferente da maior parte dos jogos do gênero, nos quais os ambientes são sombrios e escuros, o título apresenta um cenário colorido e divertido; o terror fica por conta apenas da quantidade absurda de zumbis.

Até 800 zumbis podem aparecer simultaneamente. São ao todo 53.594 zumbis sendo que até 800 deles podem aparecer simultaneamente. Embora a modelagem e os detalhes das criaturas não as deixe tão ricas quanto os personagens principais, carregar tamanha quantidade de modelos simultaneamente sem comprometer o desempenho do game é uma qualidade admirável do jogo. Além do mais, é raro ver dois inimigos idênticos juntos, fator crucial que ajuda significativamente a passar a sensação de estar realmente sendo perseguido por uma horda de zumbis.

A disposição dos elementos gráficos que indicam a espécie do item (se é arma ou serve para recuperar vida, por exemplo) ou que tipo de ação é possível se tomar em cada ocasião é clara e funcional, tornando tudo mais fácil. O inventário e os menus também são simples e de fácil acesso. No entanto, as legendas que indicam as falas ou o título das missões, por exemplo, foram feitas para televisores de alta resolução, tornando-se praticamente ilegíveis em aparelhos comuns.

Cercado por grunidos

Um dos maiores trunfos de Dead Rising são os efeitos sonoros. Cada arma tem um barulho próprio bastante característico e o som de um golpe difere de acordo com a superfície atingida; o barulho de um martelo, por exemplo, é bem diferente quanto o mesmo atinge um zumbi em cheio ou quando acerta o chão. Os grunidos dos zumbis vêm de todos os lados e podem ser ouvidos constantemente, o que cria um clima de terror iminente e uma sensação de insegurança.

Durante a maior parte do tempo, a trilha sonora se limita ao grunido em coro dos zumbis, no entanto, em algumas situações especiais, músicas peculiares tomam conta — geralmente em batalhas contra algum psicopata ou situações semelhantes. A maior parte da trilha sonora foi composta por Hideki Okugawa e Marika Suzuki, no entanto, há músicas de outros artistas que também compõe a lista.

Diversão acima de tudo


Com uma fórmula divertida e única, Dead Rising é um dos jogos mais originais da atualidade. Embora seus elementos tenham clara inspiração, a soma de todos eles resulta em uma experiência diferente de tudo o que já foi feito. A jogabilidade auxilia bastante neste aspecto, favorecendo o combate e incentivando o jogador a utilizar a maior variedade possível de objetos como arma.

Diferente de jogos como Resident Evil ou Silent Hill, nos quais o terror é o aspecto mais marcante, Dead Rising apresenta uma série de outros elementos que favorecem a ação. O humor também está sempre presente e torna o terror mais trash, focado na violência ao invés do medo propriamente dito.

O game é construído em uma estrutura única, que pune severamente atitudes impensadas e recompensa os jogadores que sabem somar estratégia à destreza. Mas a liberdade proporcionada pela opção de escolher quais missões realizar ou não torna o jogo bastante versátil e, embora o mesmo seja curto, acaba rendendo muitas partidas para que todos os recursos sejam devidamente explorados. E se tudo mais falhar, é possível se divertir apenas acabando com os zumbis através das maneiras mais originais possíveis!

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